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Vanessa Cruz, Jornal das 7. Rebentou um dique no rio Mondego. A A1 está cortada nos dois sentidos na zona de Coimbra.
Entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul. Em comunicado, a Brisa explica que o corte é entre os quilômetros 198 e 189, nos dois sentidos do trânsito, na autoestrada número um, nesta zona de Coimbra. O dique que cedeu fica na Ponte dos Casais, rompeu na margem direita, está em risco de ruptura total. É uma informação confirmada ao Observador pelos bombeiros voluntários de Coimbra. São esperadas inundações. Os bombeiros dizem, ainda assim, que a margem direita é a que merece menor preocupação. A margem esquerda, essa sim, é a que mais preocupa e não há ainda notícia de qualquer dique ter sofrido uma ruptura. Grande parte da população foi já retirada da zona ribeirinha. Não há pessoas em risco nesta zona de Ponte de Casais. Ainda assim, os bombeiros remetem informações mais completas para um ponto de situação que está previsto para daqui a meia hora em Coimbra, com a Proteção Civil e a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa. À Rádio Observador, a GNR de Coimbra diz que está a monitorizar também toda a situação por causa do corte de estradas. Para já, a A1 está cortada, como dizia, nos quilômetros 198 e 189, nos dois sentidos.
A barreira crítica, a fasquia crítica que aumenta o risco de colapso dos diques, foi atingida meio da tarde de hoje, Vanessa.
Sim, superou os 2000 metros cúbicos por segundo no caudal do rio Mondego. Está agora acima dos 2080. Nas cheias de 2001, para termos aqui uma comparação, os diques acabaram mesmo por romper, tendo em conta que ultrapassaram também este limite. É por isso que 3500 pessoas estão sinalizadas, já desde ontem à noite, para saírem de casa junto ao rio Mondego e irem para zonas mais elevadas.
E a presidente da Câmara de Coimbra explicava esta manhã na Rádio Observador que, no caso do colapso de um dique, de uma destas paredes que guia o rio Mondego para a Figueira da Foz, as autoridades conseguem, nessa situação, acudir à população que ainda não saiu de casa.
Sim, Ana Abrunhosa explica qual é a janela temporal em que ainda dá para atuar.
Se o dique rebentar, ainda temos tempo. Ou seja, dá tempo, com os meios que temos perto das casas, dá tempo para tirar as pessoas. E aí, a ordem é levar toda a gente.
Qual é o tempo entre o rebentamento do dique e a chegada a casa?
Temos um par de horas.
Um par de horas. É o que diz a presidente da Câmara de Coimbra nesta entrevista no Explicador da Rádio Observador durante a manhã. Entretanto, o dique cedeu mesmo na zona de Ponte de Casais, no distrito de Coimbra, na margem direita. Como dizíamos, e é importante salientar, a margem esquerda é a que mais preocupa, mas para já não há notícia de ruptura no dique desse lado.
E só para facilitar, a margem esquerda é o que vulgarmente chamamos de margem sul, é o lado sul do rio Mondego. E o primeiro-ministro e o presidente da República têm estado a visitar esta tarde as zonas afetadas pelas cheias no Mondego.
Sim, Luís Montenegro garante que está a ser feito tudo para gerir os caudais, ao mesmo tempo que admite que a situação é complicada. Marcelo Rebelo de Sousa aponta para uma situação limite, apesar da ligeira trégua no estado do tempo que está prevista para amanhã.
Vai melhorar um pouco, há uma aberta amanhã e piora no dia seguinte. Portanto, estamos mesmo nesse limiar. E é nesse limiar que se tem que gerir e é isso que está a ser feito pela APA, é isso que está a ser feito na gestão das barragens, é isso que está a ser feito na gestão com a Espanha. O que é possível fazer em conjunto, a APA, os presidentes de câmara, as instituições sociais, tudo está a ser feito. O Estado está a ser feito numa situação em que estamos mesmo ali no limite.
"Mesmo no limite", é o que diz o presidente da República em declarações ainda antes do rebentamento deste primeiro dique no rio Mondego. Sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, a mesma ideia do primeiro-ministro: há coordenação entre todas as entidades para gerir o caudal do rio Mondego da melhor forma e tomar também as melhores decisões.
E o bastonário da Ordem dos Engenheiros explica que o risco que os diques do Mondego apresentam é muito grande.
Sim, Fernando de Almeida Santos esteve no Explicador da tarde política, explicando que os diques podem ser insuficientes para aguentar as descargas da barragem e as condições climatéricas que estamos a enfrentar.
Aumenta o risco, aumenta o caudal, aumenta o volume da água e tudo isso conta, mas teoricamente, o dique tem que estar preparado para essas eventualidades. E o dique novo. A questão é que o dique já não será novo e, portanto, tem aí algum desgaste e depois confrontado com os encontros do terreno, pode ser insuficiente para suster a força das águas.
Para prevenir acontecimentos futuros, catástrofes como esta, o bastonário da Ordem dos Engenheiros faz um apelo ao governo.
Em termos de recomendação, há mais coisas que podemos fazer. E uma delas, que não está pronta, é em circunstâncias de risco e nalguns casos, de colapso de estruturas, porque acontece, derrocadas, etc., como tem acontecido ao longo de estradas em Portugal, e não só, existir uma verba no orçamento de Estado que obrigue e disponibilize uma atuação especial, obrigatória e direta
É o apelo deixado aqui na tarde política, na última hora, pelo Bastonário da Ordem dos Engenheiros. Entretanto, já começou o ponto de situação habitual a esta hora da Proteção Civil, um ponto de situação a nível nacional, Teresa Freire.
Não significa que vamos deixar de ter impacto do ponto de vista da parte hidrológica, ou seja, dos rios e das barragens. Iremos ter elevadas escorrências e elevadas afluências a todos os cursos d'água nas zonas que têm sofrido o principal impacto por esta precipitação. Portanto, todos os rios que estão, neste momento, em condição de inundações irão manter essa condição, apesar do desagravamento destas condições meteorológicas. Este desagravamento irá permitir fazer uma gestão das albufeiras, ou seja, das barragens, garantindo que conseguiremos, de alguma forma, minimizar eventuais impactos. No entanto, aquilo que vamos continuar a apelar é para todo o cuidado relativamente à questão hidrológica, ou seja, relativamente às cheias e, sobretudo, e também, às derrocadas que um pouco por todo o país estão a afetar vias rodoviárias, casas, infraestruturas e um pouco por todo o país isto é um fenômeno que está a ocorrer. Risco significativo de inundações, o rio Mondego, e sobre o rio Mondego já vou pormenorizar mais um pouco, rio Tejo, rio Sorraia, rio Vouga, o Águeda e o Sado. No rio Minho, Cora, Lima, Cava, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Lis e Nabão, assim como no rio Guadiana, temos risco de inundação. Temos 12 planos distritais ativados, 125 planos municipais ativados, 15 declarações de situação de alerta emitidas pelos municípios. O plano especial da Bacia do Tejo encontra-se no seu nível mais elevado, o nível vermelho, e o número de ocorrências até ao momento é de 15.640 ocorrências, que envolvem 53.737 operacionais e 21.767 recursos. A tipologia de ocorrência mais verificada continua a ser as quedas de árvores, com 4655, sendo que as inundações já representam 4420 ocorrências. Os movimentos de massa representam 2366 ocorrências. E alerto que o impacto destas ocorrências, ou seja, do movimento de massa, as tais derrocadas, é extremamente significativo, como verão também na informação seguinte. Extremamente significativo implica que, por exemplo, em Porto Brandão, Almada, tivemos que proceder à evacuação dos residentes todos da povoação de Porto Brandão, assim como da empresa ETC, num total de 400 pessoas evacuadas, que estão realojadas neste momento pelos serviços municipais de Proteção Civil de Almada, bem como com o apoio da Segurança Social. Estamos a falar de impactos extremamente significativos, mais uma vez, relativamente a esta questão das derrocadas. Portanto, voltamos a apelar ao maior cuidado possível e à avaliação constante das zonas sujeitas a este tipo de evento. Na região de Coimbra, no rio Mondego, fizemos durante a noite de ontem e o princípio da manhã de hoje a evacuação preventiva das zonas ribeirinhas da margem esquerda e da margem direita do rio Mondego. Isto num total aproximadamente estimado de 3 mil pessoas, mas agora no final da tarde, pelas 18h, tivemos a rutura do dique em Casais, Coimbra, junto ao viaduto da A1, na margem direita do Mondego. Portanto, neste momento, o que temos é uma situação de rutura. A água está a sair para a zona dos campos agrícolas que ficam situados naquela zona, de momento sem impactos significativos. Continuamos, obviamente, a monitorizar a situação e a acompanhar e temos todos os recursos disponíveis para fazer face a esta situação. Dar nota também que em virtude do potencial comprometimento dos pilares da A1, que passa naquela zona, já se procedeu ao corte da A1 nos dois sentidos e, portanto, haverá um desvio de trânsito para que se evite a passagem de veículos naquela infraestrutura. Dar nota também que relativamente ao rio Tejo, as últimas informações que temos é de aumento das descargas das barragens espanholas e, portanto, é natural que nas próximas horas haja também uma subida dos níveis da água no rio Tejo. Portanto, mais uma vez, apelamos para toda a população que em zonas que eventualmente já tenham notado alguma descida das águas, e isto é, por exemplo, válido também para o rio Sado, isto não significa que as águas não venham novamente a subir. Mais uma vez, o quadro meteorológico aponta para condições, do ponto de vista da precipitação, com bastante precipitação, e isto tem reflexo direto nestes fluxos e neste movimento, na subida e na descida das águas dos diversos rios e ribeiras. Portanto, extrema atenção e cuidado nas zonas e nas imediações destes rios. A EREDES, tal como já informado, tem 39 mil clientes sem energia no país todo, 30 mil dos quais na zona da depressão Kristen, 23 mil em Leiria, 6 mil em Santarém e mil em Castelo Branco. Efeitos expectáveis: cheias em cursos de água, potenciadas pelo transbordo do leito dos rios, ribeiras e linhas d'água, deslizamentos de terra, colapso de muros, taludes rodoviários e encostas, o piso rodoviário bastante escorregadio e eventualmente obstruído por detritos que possam, se forem zonas que possam ser sujeitas ao regime de cheia, obviamente que podem trazer detritos para as estradas, possíveis galgamentos na orla encosteira e arrastamento de objetos soltos para as vias rodoviárias. Dar nota que também há previsão para a madrugada, para a formação de nevoeiros e neblinas e, portanto, isto originará mais um risco, uma vez que teremos uma visibilidade mais reduzida na circulação rodoviária.
Para minimizar estes impactos, recomendamos que se estiver a conduzir, não atravesse estradas inundadas, pare em local seguro e elevado, longe de lajinhas de água, evite túneis passagens inferiores e se estiver em casa, feche portas, janelas, torneiras, nomeadamente do gás. Mantenha-se nos andares superiores ou pontos altos, afaste equipamentos elétricos da água e se tiver de abandonar a casa, leve apenas o essencial. E da nossa parte, para já, é tudo. Obrigado.
Ponto de situação feito pelo comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertar para esse risco de cheias, a confirmar também o corte na A1 em Coimbra, depois do rebentamento de um dique na zona de Ponte de Casais, tendo em conta que as condições se agravaram no distrito de Coimbra. O presidente da República e o primeiro-ministro estão de regresso ao Conselho de Coimbra.
E fica também o reforço dessa nota que a A1 está cortada na zona de Coimbra. Nesta altura, a Estrada Nacional um é uma alternativa. A GNR está a encaminhar o trânsito, mas estará obviamente complicado. E dos últimos minutos, há também notícia de que a Proteção Civil ordenou a evacuação da parte baixa da cidade de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal.
Como a Avenida dos Aviadores, o nível do rio Sado voltou a subir e a zona já está inundada. O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, explica à Agência Lusa que também na parte da marginal de Alcácer do Sal está tudo inundado. É por isso que ficou decidido evacuar esta zona da cidade. A Praia Mar está prevista para as zero horas de quinta-feira. O alerta deste comandante sub-regional é também que estão reunidas as condições para poder ocorrer um fenômeno semelhante em Alcácer do Sal, àquele que ocorreu na passada sexta-feira, quando a inundação foi maior e atingiu uma altura mais elevada, as cheias que já não se viam há décadas.
E há registro de ocorrências um pouco por todo lado, também aqui na Grande Lisboa, na margem sul, na Costa da Caparica e em Porto Brandão.
Sim, em Porto Brandão houve um deslizamento que obrigou a medidas adicionais. Tanto pessoas como veículos tiveram de ser retirados de barco com a ajuda da Transtejo para a Trafaria, uma medida de precaução. Está também montado um centro para receber estas pessoas na Costa da Caparica, também esse risco de deslizamentos.
E o trânsito está muito complicado, já dissemos, na zona da Grande Lisboa e também no Porto, nas saídas de Lisboa. E para complicar ainda mais o trânsito, a A5, Autoestrada de Cascais, na zona de Monsanto, logo depois do viaduto Duarte Pacheco, está muito condicionada porque caíram uns pedregulhos, um deslizamento de terras ali naquela subida íngreme e os trabalhos de remoção destes pedregulhos vão demorar e estão a complicar, e muito, o trânsito naquela zona. O mau tempo está também a complicar, e muito, a circulação de comboios, Vanessa.
Sim, com a circulação dos Alfa Pendular e Intercidades na Linha do Norte, que liga Lisboa e Porto nesta altura suspensa. Não se sabe quando é que a ligação pode ser retomada e há perturbações noutras linhas, Beira Baixa, Beira Alta, também na Linha de Cascais, no Douro, no Oeste e nos comboios urbanos de Coimbra.
E o primeiro-ministro admite estender o estado de exceção a mais municípios do país.
Mas não para o estado de calamidade. A situação que permite agora decretar é a de contingência, é considerada menos grave que a de calamidade. Pode ser decretada, por exemplo, a nível municipal, em Montemor-o-Velho, onde visitou as zonas ribeirinhas. Luís Montenegro revelou que essa é a hipótese que está em cima da mesa.
Acabei há pouco mesmo de falar com o secretário de Estado da Proteção Civil, que me acompanha. Fazemos uma reavaliação e verificamos se há mais conselhos para incluir dentro da situação de contingência. E se houver, eu ainda hoje procederei ao despacho. Eu repito, neste momento, a nossa opção é fazer incluir os municípios que ainda não estejam e que tenham essa necessidade, na situação de contingência. É aquilo que é mais adequado.
Luís Montenegro, depois de autarquias como Almada e Arruda dos Vinhos terem pedido para serem incluídas na lista de municípios em situação de calamidade. O primeiro-ministro defende que é preciso um plano a nível nacional para lidar com os efeitos do mau tempo. Grande parte dos municípios acabou por ser atingida. Também respondeu o primeiro-ministro às críticas de alguns autarcas de que o governo tem estado a ajudar municípios consoante a cor partidária. Ora, Luís Montenegro diz que são críticas que não têm qualquer razão de ser.
Eu creio que essa acusação, sinceramente, é completamente despropositada. Eu quero aqui dizer que não há, por parte do governo, nenhum favorecimento de nenhuma autarquia, seja ela de que escala for, em função da natureza partidária. E também gostaria que nenhum autarca usasse a sua costela mais partidária para dizer o que quer que seja sobre a situação.
O pedido de Luís Montenegro. O presidente da República também acompanha o primeiro-ministro nesta visita às zonas ribeirinhas no distrito de Coimbra. Marcelo Rebelo de Sousa diz que há sinais claros de que a recuperação nos municípios mais afetados pelo mau tempo vai demorar uma série de meses. Marcelo Rebelo de Sousa avisa que o valor dos prejuízos aumenta a cada dia que passa.
Agora imagine o que isso significa, por um lado, do compromisso financeiro global
Cada vez que é atualizado, dá um pulo dos 2.500 milhões de que se falava já para 4.600 milhões e que salto não dará no futuro. E, por outro lado, isto é para anos. São obras estruturais que significam anos. E nesse sentido, para os autarcas, há aqui muita coragem, porque os autarcas que começaram agora o mandato e vão ter que recomeçar o caminho, e têm o mandato de quatro anos, e boa parte desses quatro anos vai ser passada a refazer aquilo que tinham ou aquilo que estavam a começar ou que tencionavam fazer.
Os avisos deixados pelo presidente em fim de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa.
Voltando ao primeiro-ministro, Luís Montenegro foi confrontado esta tarde com a demissão da ministra da Administração Interna.
E com uma resposta rápida aos jornalistas, embora tenham insistido nas perguntas. Diz o primeiro-ministro que compreende as razões da saída de Maria Lúcia Amaral, sem, no entanto, detalhar que razões foram essas.
Com certeza que sim, e por isso, quer eu, quer o senhor presidente da República, acertamos. O senhor presidente da República aceitou a demissão e eu propus essa demissão com base na iniciativa da senhora ministra da Administração Interna cessante.
Luís Montenegro diz ainda que oportunamente há de comunicar o sucessor ou sucessora de Maria Lúcia Amaral no governo. A saída da ministra foi comunicada ontem à noite numa nota da Presidência da República. O primeiro-ministro é quem assume provisoriamente a pasta, sendo que Marcelo Rebelo de Sousa, esta tarde, disse de viva voz que o facto de Luís Montenegro ficar à frente da Administração Interna nesta fase é um sinal político.
E Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro acertaram nomear um novo ministro, mas depois de passada esta fase crítica.
E parece, ao mesmo tempo, estar afastada a possibilidade de uma remodelação mais alargada, Ricardo. Marcelo Rebelo de Sousa concordou de imediato com a saída desta ministra, Maria Lúcia Amaral, dizendo que não se pode estar a violentar quem considera não ter condições para continuar no cargo. Foi o que apurou o Observador, sendo que Luís Montenegro apresentou uma proposta de alteração muito específica na composição do governo, não propôs qualquer outra mudança de lugares no executivo.
Entretanto, este é um artigo assinado pelos jornalistas Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso, que está em destaque a esta hora no site do Observador e daqui a pouco, às 19h30, está prevista uma conferência de imprensa de ponto de situação em Coimbra, para sabermos como está a situação naquela região, naquele município, que está a ser afetado por inundações. O deputado Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, acredita que a demissão da ministra da Administração Interna era inevitável. Ainda assim, critica o timing da decisão.
Por causa do impacto do mau tempo. O antigo vice-presidente da Assembleia da República foi convidado do Explicador da Tarde Política, diz que não é na altura mais difícil que os ministros devem sair.
A saída da senhora ministra era inevitável. O timing, só vejo isto como uma imposição quase pessoal. Não é no meio da batalha que se mudam os generais. Quando estava toda a gente a olhar para Coimbra, para perceber que estavam em risco de ter que de imediato retirar de casa 3 mil pessoas, e é o momento em que o general sai?
É a pergunta deixada por Duarte Pacheco, entrevistado esta tarde na Rádio Observador. Espera mesmo que Luís Montenegro aproveite a oportunidade para fazer uma remodelação mais alargada no governo até ao verão. Quanto ao agendamento do debate quinzenal, que passa agora para sexta-feira às 10h da manhã, para ter acontecido esta tarde, Duarte Pacheco explica que não é caso único e que tem de ser o Parlamento sempre a decidir uma nova data.
PS e Chega criticam o momento escolhido por Maria Lúcia Amaral para sair do governo.
Em declarações nos Passos Perdidos na Assembleia da República, André Ventura, vamos ouvi-lo primeiro, critica Luís Montenegro por não ter um plano B face a uma saída a meio de uma crise.
Um governante não sai quando as pessoas mais precisam dele ou dela. Um governante sai quando essas condições se concretizam e isto já devia ter acontecido antes. Acontecer no meio de uma catástrofe é um sinal de desorientação e é um sinal de descoordenação que o governo não deveria ter. Posto isto, o que é importante é que o senhor primeiro-ministro escolha alguém com conhecimento do terreno, com conhecimento das contingências e da operacionalidade, facto que não era o de Maria Lúcia Amaral, objetivamente.
André Ventura, com esta crítica ao governo. Entretanto, também Eurico Brilhante Dias, líder da bancada do PS, fez uma crítica a propósito da saída de Maria Lúcia Amaral, dando aqui o exemplo de Marta Temido e António Lacerda Sales, os responsáveis pela saúde durante a pandemia da Covid-19.
No meio de uma forte tempestade e na situação de emergência que vivemos, um responsável político deve ficar até o fim e deve executar as tarefas que lhe foram confiadas. Não é uma avaliação do desempenho. Nós temos a nossa própria avaliação do desempenho da senhora ministra e das condições que tinha para exercer o cargo. Sair na circunstância que vivemos ontem à noite, acho que é a primeira vez que vejo um membro do governo sair no meio de uma situação tão difícil.
Eurico Brilhante Dias, o líder parlamentar do Partido Socialista.
O líder do PS insiste no alargamento da situação de calamidade durante mais três meses. José Luís Carneiro propõe também um novo comando operacional em permanência para lidar com os efeitos do mau tempo.
Esteve em Arruda dos Vinhos, município que pede ao governo para ser incluído na lista de conselhos em situação de calamidade. Já ouvimos aqui Luís Montenegro afastar essa hipótese. Eventualmente pode vir aí, isso sim, a situação de contingência, menos grave. José Luís Carneiro, ainda antes da reação do Luís Montenegro, deixava duas propostas ao primeiro-ministro e ouviu João Gama, um autarca, pedir ao governo que assuma as responsabilidades.
Neste caso em concreto, Arruda dos Vinhos, que é hoje onde nos encontramos. Não houve coleita de proteção civil, mas numa visita de um ex-ministro da Administração Interna, sobrou tempo para deixar propostas ao governo. E eu recordo que é muito importante prorrogar o estado de calamidade, pelo menos por três meses, a ativação de um comando operacional, com comando político forte e eficaz, que acompanhem ao minuto, à hora que passa. José Luís Carneiro viu de perto o impacto de duas tempestades no Conselho de Arruda dos Vinhos, estradas destruídas, casas isoladas e um autarca a pedir ajuda. Eu acho que é inevitável e tem que ser inevitável, porque eu não vou conseguir explicar à população de Arruda dos Vinhos por que não temos esse estado de calamidade, quando este rasto de destruição que vai ficar pelos próximos anos. A voz de Carlos Alves, autarca socialista, que pede que a atenção do governo esteja, acima de tudo, no terreno. Vamos perder o foco naquilo que não é essencial, que é a remodelação apressada de um governo, de uma ministra da Administração Interna, que já não é, que o timing é um timing de crise, onde isso está a ser equacionado, e vamos focar naquilo que é o essencial. José Luís Carneiro passou hoje por Arruda dos Vinhos para deixar um humilde contributo e também reparos à ausência de uma ministra da Administração Interna em funções. Quando eu formar o meu governo, posso dizer que terei sempre pelo menos duas ou três alternativas para quando tiver de exonerar um, tenha logo de alternativa uma personalidade com o mesmo perfil ou com melhor perfil de quem é exonerado. E quanto ao debate quinzenal, José Luís Carneiro diz que quer dar tempo para o Luís trabalhar. O Parlamento deve continuar a funcionar, mas é evidente que também ninguém compreenderia que numa altura em que se está a falar da salvaguarda da vida das pessoas, situações de emergência. E portanto, temos que dar também espaço ao primeiro-ministro para fazer aquilo que deve fazer, que é mobilizar todos os meios do Estado. José Luís Carneiro, de visita ao terreno, diz aguardar pelo debate com o primeiro-ministro na próxima sexta-feira.
Às 10h da manhã, sexta-feira, esse debate. A reportagem do João Gama. Entretanto, mais uma vítima mortal na sequência do mau tempo. Estamos a falar de um homem que caiu quando ia reparar o telhado em Pombal, no dia 28 de janeiro, logo no início das tempestades. Tinha sido hospitalizado, mas acabou mesmo por morrer. Este homem de 72 anos é a 16ª vítima mortal na sequência do mau tempo. E fica por aqui esta edição das 19h. Voltamos já daqui a dois minutos para acompanhar esse ponto de situação que vai ser feito pela Proteção Civil de Coimbra e pela presidente da Câmara. Também lá estão Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro.