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Observador. Começa agora o Jornal das Nove, edição da jornalista Diana Rosa. E Diana, começamos com a conclusão do relatório da equipa que analisou o apagão de abril do ano passado. O sistema elétrico português precisa de ser modernizado.
É necessário investimento e inovação, ainda que a infraestrutura seja segura e robusta. É o que adianta o grupo de aconselhamento técnico, que apresentou hoje o documento. Sublinha que o sistema português é centralizado e pouco digital, precisa de mais independência, não só a nível ibérico, como europeu. Deixa cinco recomendações essenciais explicadas pelo jornalista Martim Madeira.
A começar por menos burocracia no Parlamento. O relatório critica o atual modelo por ser demasiado lento e complexo. E a recomendação é clara: o Estado tem de simplificar os processos, retirar a Assembleia da República das decisões puramente técnicas e planear com base na incerteza e não em calendários fixos. A segunda medida fala numa tecnologia e gêmeos digitais. Não basta estender mais cabos e linhas. O futuro passa por baterias gigantes, centrais hídricas reversíveis e pela criação de um digital twin, um modelo digital de todo o sistema ibérico para prever falhas antes que elas aconteçam. A terceira medida fala numa governação mais clara. O GAT pede para que se clarifique quem manda no quê entre o governo, a ERSE e a REN, para evitar a atual opacidade e os incentivos desalinhados que podem prejudicar o investimento. A quarta medida fala numa digitalização total. A rede precisa de ser inteligente, com sensores avançados que permitam uma resposta automática e em tempo real a qualquer perturbação na frequência da rede. A última e quinta proposta fala em novos mercados. Propõe-se que o consumidor seja remunerado por ser flexível, ou seja, criar mercados locais onde quem ajuda a equilibrar a rede possa ganhar com isso. Em suma, este relatório diz que Portugal tem hoje bons níveis de segurança, mas sublinha que para manter as luzes acesas nesta transição energética, precisamos de uma execução pragmática e, acima de tudo, de uma cooperação muito estreita com a Espanha e o resto da Europa.
Martim Madeira, que esteve a acompanhar a apresentação do relatório sobre o apagão.
Confrontada com as conclusões do relatório, a ministra do Ambiente, Maria Graça Carvalho, afirma que o governo já tinha adotado grande parte das recomendações.
E justifica com falhas no sistema espanhol.
O relatório da ANSE e era o primeiro passo, porque é ele que identifica as razões técnicas do evento. Não indica uma só, indica um conjunto, mas é claro onde é que foi e o tipo de falhas onde foi. Não há nenhuma dúvida que não foi em solo português e, portanto, que foi em solo espanhol, e o que é que os diversos atores e as diversas falhas técnicas, não foi só uma, foram várias, mas estão bem identificadas no relatório da ANSE.
A ministra Maria Graça Carvalho sublinha ainda que a base de decisão política assenta na componente científica e técnica, mas também em princípios éticos e constrangimentos de orçamento.
O Partido Socialista acusa o governo de não ter implementado nenhuma das medidas necessárias depois do apagão.
Na sede do partido, André Moz Caldas, do Secretariado Nacional do PS, afirma que o Executivo não cumpriu com o que prometeu aos portugueses.
O governo anunciou depois 31 medidas, com grande estrondo, mas a própria REN confirmou em audição parlamentar que os grandes investimentos já estavam programados antes do apagão. Não foram medidas novas, foi a aceleração de um calendário que já existia e nenhuma das medidas está implementada. Um ano depois, a ERSE ainda não classificou juridicamente o evento. Os portugueses que sofreram prejuízos continuam sem saber a que compensações têm direito. Os apoios às populações afetadas pelas tempestades chegaram tarde ou não chegaram e com dificuldades de execução. As falhas de coordenação que o apagão revelou não foram corrigidas. O mesmo guião, os mesmos problemas.
Moz Caldas sublinha que Portugal viveu em 28 de abril do ano passado o apagão mais grave em mais de duas décadas.
E nestas declarações, André Moz Caldas acusa o Chega de querer esconder detalhes sobre quem financia os partidos políticos.
No discurso do 25 de abril, o Presidente da República pediu total transparência aos partidos para que fiquem claros os interesses de quem financia. Mas hoje o Chega fez saber que vai apresentar uma proposta no Parlamento para que haja um equilíbrio maior entre transparência e privacidade. André Ventura defende que o nome dos doadores devem ser conhecidos, mas acrescenta que há vários dados da vida privada dos financiadores que não precisam de ser divulgados. Ora, o PS critica, diz que quer ir mais longe. André Moz Caldas afirma que o Chega está à procura de esconder detalhes sobre quem é o doador nos partidos políticos.
O Chega dá uma no cravo verde, como sabemos, e outra na ferradura. O Chega apresenta uma proposta dizendo que quer compatibilizar transparência com privacidade. Nestas coisas, é nos detalhes que o diabo se esconde. Para querer compatibilizar transparência com privacidade, alguma coisa o Chega quererá esconder. O Partido Socialista, nesta matéria, está do lado da transparência apenas. Os donativos devem ser nominativos e esses nomes serem conhecidos.
André Moz Caldas, porta-voz do Secretariado do PS, órgão executivo dos socialistas.
O presidente da Câmara de Santarém entende que o Centro Interpretativo do 25 de Abril deve ser acolhido na antiga Escola Prática de Cavalaria.
Por ter sido o ponto de saída da coluna militar de Salgueiro Maia rumo a Lisboa. João Teixeira Leite adianta que o município já enviou a proposta ao Executivo e explica o porquê desta escolha.
Pela história, pelo simbolismo, pela forma como o capitão-maior de Abril, Salgueiro Maia, liderou um grupo de homens que rumou junto a Lisboa paraEm conjunto com uma estratégia alargada, darmos a palavra mais importante das nossas vidas, liberdade, consideramos que é fundamental. Eu diria mesmo que é um imperativo nacional e de consciência darmos ao país e ao mundo, um museu que possa explicar às gerações atuais e, sobretudo, às futuras, aos mais jovens, a importância da data do 25 de abril de 1974.
João Teixeira Leite, à Rádio Observador. O autarca adianta também que é uma proposta que vem na sequência da impossibilidade de fazer este centro no Terreiro do Paço, em Lisboa, uma vez que o Ministério da Administração Interna continua a ocupar o edifício. E agora, com sete minutos para lá das 9h, vamos às notícias de âmbito local. Diana. Começamos em Pombal, onde a Polícia de Segurança Pública está a investigar furtos no interior de seis carros esta madrugada. A informação é avançada pela força policial à Agência Lusa. De acordo com a fonte do Comando Distrital de Leiria da PSP, as viaturas estavam estacionadas num parque nas imediações do bairro João de Deus, quando ocorreram os crimes. Em Sesimbra, a GNR deteve um homem de 54 anos, suspeito de ter feito ameaças de morte a outro indivíduo. Exibiu ainda uma arma de ar comprimido, isto na Quinta do Conde. Em comunicado do Comando Territorial de Setúbal da Guarda Nacional Republicana, adianta que a detenção foi efetuada na sexta-feira, dia 24, depois da denúncia. Diz ainda que o detido está indiciado por ameaça agravada, foi constituído arguido e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Sesimbra. A Câmara da Maia alerta para uma tentativa de burla que está a ser realizada por um homem com recurso a um despacho falsamente assinado pelo presidente da Câmara. A informação estava a ser avançada pelo Jornal de Notícias, que diz que o homem abordava os munícipes com propostas de investimentos em terrenos, tendo na posse um documento que alegadamente teria a assinatura de António Silva Tiago. À mesma fonte, a autarquia garante que vai apresentar uma queixa-crime. Em Oliveira de Azeméis, o Serviço Municipal de Proteção Civil intensificou os trabalhos de terreno focados na mitigação de incêndios rurais. A informação é passada em comunicado pela autarquia, explica que o objetivo é acautelar a aproximação destes, que são os meses de maior risco agora durante o verão. A Câmara Municipal de Sintra vai iniciar na próxima quarta-feira os trabalhos de reabilitação do piso rodoviário em várias ruas da localidade de Vila Verde, freguesia de Arrujam. Intervenções que vão abranger a Rua Vasco Gonçalves, também a Avenida Liberdade, a Rua Cortês Pinto e a Rua Marquês de Pombal. Prevê-se que as obras estejam concluídas no prazo de cinco semanas. O presidente da Câmara das Caldas da Rainha manifestou hoje apoio à criação da Universidade de Leiria Oeste. Vítor Marques considera que a universidade é uma aposta fundamental para o desenvolvimento da região. A posição foi assumida à Agência Lusa na sequência dos pareceres desfavoráveis emitidos pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e pelo coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. E foi o Jornal das Nove com a jornalista Diana Rosa. Já a seguir, a Guerra Traduzida, as notícias estão de regresso às 9h30. Até já. Até já.