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Rádio Observador. Jornal das 10, na Rádio Observador, coedição do Miguel Viterbo Dias. E Miguel, começamos pelo debate entre António Filipe e Jorge Pinto, que terminou há instantes.

Um debate que colocou várias diferenças em cima da mesa sobre a posição quanto à guerra na Ucrânia, com Jorge Pinto a acusar António Filipe de brincar com situações graves e com a posição de Vladimir Putin.

Eu não faria, como António Filipe fez, piadas ou ironizar com o levar o Vladimir Putin ao Tribunal Penal Internacional. Sabe por quê? Precisamente porque eu acho que Vladimir Putin tem de ir ao Tribunal Penal Internacional. Ironizou no Twitter, podemos depois ver isso. Aquilo que é muito claro é que quem é responsável pelo rapto de dezenas de milhares de crianças na Ucrânia tem de ir a Tribunal Penal Internacional.

Putin tem de ir ao Tribunal Penal Internacional, a pergunta é concreta, presidente.

Mas sabe por que não há duplicidade de critérios? Porque da mesmíssima maneira que eu defendo isto para Putin, eu defendo que Netanyahu e todos os responsáveis pelo genocídio em Gaza sejam também eles levados ao Tribunal Penal Internacional.

Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, a criticar a posição de António Filipe e do PCP sobre o conflito na Ucrânia. António Filipe, que comparou Zelenskyy a Vladimir Putin.

A minha posição é nem Putin, nem Zelenskyy. Aquela guerra devia ter sido evitada em 2014, não era agora. Em 2022 podia ter sido evitada. Qual foi a posição da União Europeia? "Não, é preciso derrotar a Rússia a todo o custo, até o último ucraniano". Foi essa a posição. É essa a posição que o Jorge Pinto tem vindo sempre a defender. Estender uma passadeira vermelha ao senhor Zelenskyy, talvez se arrependam daqui a uns tempos. Mas a posição que eu sempre defendi foi que a guerra devia ter sido evitada, devia ter sido acabada, devia-se ter aproveitado a possibilidade aberta em Istambul logo em 2022 para acabar com a guerra. Foi o senhor Boris Johnson que interveio para que isso não acontecesse.

António Filipe é tão crítico de Putin como de Zelenskyy.

Claramente! Mas eu tenho alguma coisa a ver com Putin?

António Filipe a justificar a posição sobre a guerra na Ucrânia, a dizer que Zelenskyy e Putin estão equiparados e que não defende nem um, nem outro, mas sim uma solução de paz, acusando também a Europa de não ter contribuído para essa solução de paz em 2022. São alguns dos destaques deste frente a frente entre dois candidatos à esquerda, um deles apoiado pelo PCP, outro pelo partido Livre.

E Miguel, a Ministra da Saúde alerta que as próximas oito semanas vão ser exigentes no SNS.

Ana Paula Martins convocou uma conferência de imprensa esta tarde para deixar um alerta sobre o aumento da epidemia da gripe em Portugal. Diz que as próximas oito semanas vão ser muito exigentes, mas garante que os hospitais têm os planos de contingência já preparados.

O desafio que enfrentamos é coletivo. Embora seja um fenômeno habitual todos os anos, este ano a gripe está a surgir mais cedo e com potencial para um impacto maior do que em épocas anteriores. À medida que se aproxima a época festiva, um tempo de convívio e de proximidade entre famílias e amigos, é importante que todos mantenhamos uma atitude de calma e de responsabilidade.

Esta semana há um fator de pressão adicional, a greve marcada para quinta-feira. A Ministra da Saúde diz que o governo fez tudo o que pôde, do ponto de vista legal, para garantir os serviços mínimos.

Esperamos que a greve impacte o menos possível nestas situações de urgência, mas é algo que não lhe posso nem garantir, nem confirmar. Isso agora vai naturalmente depender do que acontecer no dia da greve geral. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Ana Paula Martins, que pede um esforço coletivo para impedir um aumento da pressão sobre o SNS e avisa que podem ter que ser tomadas medidas para responder a um excesso de afluência às urgências.

Sempre que atingirmos uma pressão significativa nos serviços de urgência, sejamos obrigados a parar a atividade cirúrgica, mantendo sempre as cirurgias urgentes e as cirurgias oncológicas, como é natural.

Ana Paula Martins nesta conferência de imprensa esta tarde no Ministério da Saúde.

E a diretora-geral da Saúde assegura que há vacinas dentro do SNS para todos os que precisam.

Perante notícias que dão conta de falta de vacinas nas farmácias, Rita Sá Machado assegura que no setor público há capacidade de vacinar todos os grupos elegíveis.

A responsabilidade, neste caso, da Direção-Geral da Saúde, é apenas com aquilo que está dentro da campanha sazonal de vacinação. Tudo o que tem a ver com o contingente privado, tem a ver com os operadores privados, tem a ver com a indústria e não temos qualquer tipo de intervenção nessa matéria.

Rita Sá Machado, que defende a eficácia destas vacinas. Até o final de novembro foram vacinadas 2,3 milhões de pessoas, com uma elevada cobertura nos grupos de maior risco, ao que adianta a Ministra da Saúde, que deixou ainda um apelo à vacinação.

E o Ministro das Finanças aproveita a distinção da revista The Economist, que considera Portugal da economia do ano, para atacar a greve geral.

Joaquim Miranda Sarmento considera que não há motivos para insatisfação. Em entrevista à RTP, o Ministro das Finanças critica a CGTP e acusa a UGT de estar politicamente condicionada.

A CGTP, conhecemos perfeitamente o seu alinhamento político e nunca participou em nenhum acordo de concertação social e, portanto, tem sempre uma posição contrária, seja o governo do PSD ou da AD ou até mesmo o governo dos socialistas. No caso da UGT, há, de fato, aqui uma condicionante política que é evidente aos olhos portugueses. Nós veremos o nível de adesão quinta-feira. Não acho que isso seja significativo de insatisfação, pelo contrário, mesmo na administração pública.

Ministro das Finanças em entrevista à RTP, poucos dias desta greve geral marcada para quinta-feira.

Passamos à atualidade internacional. Volodymyr Zelensky já está em Bruxelas para um encontro com a NATO.

Viagem relâmpago, depois de ter estado reunido com o primeiro-ministro britânico. Ainda não é conhecido o que vai estar em cima da mesa neste encontro com Mark Rutte, o secretário-geral da NATO. Antes da viagem a Bruxelas, Zelensky foi recebido em Downing Street. Para além de Keir Starmer, esteve reunido com os líderes da Coligação das Vontades e com o presidente francês Emmanuel Macron e também com o chanceler alemão. O objetivo desse encontro foi discutir a proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos da América.

Na Síria, assinala-se um ano desde que caiu o regime de Bashar al-Assad e hoje, Miguel, decorre o terceiro dia de festejos.

Ainda mais que milhares de pessoas têm saído à rua para mostrar a esperança de reconstrução do país. Estas celebrações estão a ser acompanhadas pelos enviados especiais do Observador João Porfírio e Cátia Bruno, que estiveram bem no centro da capital Damasco.

Estamos aqui na capital síria, Damasco, mais concretamente na Praça Uma Alayé, e o ambiente que se vive é de grande festa nesta celebração do primeiro aniversário desde o final da guerra civil e a queda dos al-Assad. O ambiente nas ruas, de facto, como eu dizia, é de imensa festa. Estão milhares de pessoas nas ruas, é uma grande multidão. Há foguetes a serem lançados, há canções, como uma que diz "és um sírio livre", e portanto, é esse o espírito entre a maior parte das pessoas. Muitas bandeiras, a nova bandeira deste novo governo sírio, preta, branca e verde, em vez do vermelho do tempo dos Assad. Encontramos, por exemplo, cavaleiros. Falámos com um deles, que disse que quis participar desta forma, trazendo o seu hobby, que é montar a cavalo. E ele dizia: "É um dia muito feliz, é o fim de uma era. É isso que estamos aqui a celebrar". E dizia também que provavelmente ia ficar até amanhã de manhã. Por isso, antecipa-se festa rija e os sírios vão continuar aqui na rua a celebrar este aniversário do final de uma guerra em que morreram mais de meio milhão de pessoas no espaço de 14 anos, um conflito que chegou ao fim há um ano e que se celebra esse final neste dia da libertação.

A reportagem da editora de internacional do Observador, Cátia Bruno, em Damasco, a capital da Síria. As celebrações devem continuar ainda durante todo o dia.

Notícia de fecho do Jornal das 10.