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Duas horas. As notícias com Guilherme Pires.

Boa noite! São duas da manhã, tempo de atualizar a informação na Rádio Observador. A coordenadora do Bloco de Esquerda denuncia que a flotilha humanitária com destino a Gaza foi novamente atacada. Através de um vídeo publicado nas redes sociais, Mariana Mortágua refere que um drone lançou um dispositivo incendiário contra uma das embarcações da flotilha, mas assegura que a situação está sob controle.

Estamos no nosso barco e um drone acabou de largar um novo dispositivo incendiário num barco mesmo à nossa frente. Nós vimos o clarão e vimos o projétil a ser lançado. Está tudo sob controle. Nós mandamos um pequeno barco ali para ver o que se passava, na verdade, para ajudar o barco que está a fumegar, estamos a ver daqui.

As declarações da coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a descrever o novo ataque à flotilha humanitária que vai rumo a Gaza. Este é um cenário que se repete menos de 24 horas depois. A embarcação principal da flotilha já tinha sido atacada e na altura dessa ofensiva, o ativista português Miguel Duarte encontrava-se dentro do barco. E sobre esse mesmo ataque, a coordenadora do Bloco de Esquerda considera que foi uma manobra de Israel para desviar as atenções sobre aquilo que está a acontecer em Gaza, tal como a ofensiva de terça-feira contra membros do Hamas no Catar. Em entrevista à RTP2, Mariana Mortágua diz que os ativistas que seguem na flotilha com destino a Gaza estão a fazer aquilo que os governos deviam fazer. Reitera ainda que interpreta estes ataques como uma tentativa de intimidação do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

Enquanto este barco era atacado por um drone e com uma testemunha ocular presencial, que é um cidadão português, e um ataque a um barco português filmado, testemunhado, provado, Israel fazia um ultimato para expulsar 1 milhão de pessoas de Gaza, ameaçando bombardear a cidade e obrigando 1 milhão de pessoas a uma transferência, uma deslocação ilegal. E, portanto, nós acreditamos que esta é uma estratégia não só de intimidação, mas também para desviar as atenções do que se está a passar em Gaza.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, entrevistada na RTP2, criticou ainda a Comissão Europeia pelo fato de ter desencorajado iniciativas como a da flotilha humanitária. Olhemos agora para o desporto. A seleção nacional de futebol ganhou à Hungria por 3x2, no segundo jogo de apuramento para o Mundial de 2026. Os húngaros que até começaram a vencer com gol marcado aos 21 minutos, mas ainda antes do final da primeira parte, Bernardo Silva empatou para a equipa das Quinas. Na segunda parte, Portugal operou a revolta no marcador com Cristiano Ronaldo a balançar novamente as redes, mas Barnabás Varga, o húngaro, ainda ameaçou os três pontos portugueses, empatou a cinco minutos dos 90 e concretizou o bis na partida. No entanto, a equipa lusa respondeu de imediato e João Cancelo deu a vitória à seleção nacional. No final da partida, o selecionador Roberto Martinez realça que a seleção portuguesa controlou todo o jogo.

Todos os jogos são diferentes, mas encontramos as soluções que eu acho que é importante. A Hungria é uma equipa que não toma risco, que tem um contra-ataque muito bom. Defendemos muito bem em geral, controlamos o jogo, a posse da bola foi muito boa, criamos oportunidades, mas dois remates na baliza, dois gols. E é difícil quando damos dois gols para ganhar, mas continuamos. Adorei a atitude, o foco.

Os elogios do treinador Roberto Martinez à prestação da equipa depois da vitória portuguesa na Hungria. A seleção nacional volta a entrar em campo no próximo mês com uma dupla jornada nesta qualificação pra o mundial, onde vai encontrar a Irlanda e novamente a Hungria. E a seleção nacional sub-21 também entrou em campo, venceu a Escócia por 2x0, no segundo jogo de qualificação pra o Europeu de futebol sub-21 de 2027. A equipa ao comando de Luís Freire venceu com gols de Rodrigo Mora aos 20 minutos e na segunda parte, Roger Fernandes confirmou a vitória aos 55 minutos. A seleção segue agora na liderança do grupo B desta qualificação pra o Euro sub-21 com seis pontos, a par da República Checa. Venceu o jogo desta terça-feira contra Gibraltar por duas bolas a uma. Mudamos de tema. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa recusa ter faltado à verdade quando disse que o antigo ministro das Infraestruturas, Jorge Coelho, se demitiu depois da queda da Ponte de Entre os Rios, por ter conhecimento prévio dos problemas da ponte. À saída da Assembleia Municipal de Lisboa, Carlos Moedas tentou retratar-se e diz que não queria ofender a memória de Jorge Coelho.

Minha intenção era elogiar Jorge Coelho, um homem de coragem e que teve a coragem de assumir a sua responsabilidade política naquela altura, perante factos, numa situação muito diferente daquela que estamos a viver hoje. Portanto, não era minha intenção ofender, era minha intenção honrar a coragem daquele homem e da sua responsabilidade política e ele fez exatamente isso.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, à saída de uma reunião na Assembleia Municipal de Lisboa, em que viu ser chumbada a moção de censura apresentada pelo Chega por causa do acidente com o Elevador da Glória, que provocou 16 mortes. E durante esta sessão, Carlos Moedas defendeu-se com o investimento que garante ter feito ao longo dos últimos quatro anos.

Tive a responsabilidade política de decidir fazer o plano de drenagem de Lisboa pra evitar as cheias na cidade. Sim, tive a responsabilidade política de lançar um plano de saúde pra dar acesso a médico aos mais idosos Sim, tive a responsabilidade política de investir quase três vezes mais no Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, que hoje, pela primeira vez, tem mais de mil elementos. Tudo isto foi responsabilidade política, tal como foi o investimento que fizemos nos transportes públicos em Lisboa nos últimos quatro anos. Sou o responsável político por ter investido mais na Carris. O orçamento da Carris é o mais alto de sempre. São 188 milhões de euros, mais 30% do que há quatro anos.

As declarações do autarca de Lisboa, Carlos Moedas, que mesmo assim não se livrou de mais críticas do Chega. O deputado municipal deste partido, Bruno Mascarenhas, insiste na ideia de que Moedas falhou em toda a linha no caso do Elevador da Glória. O histórico socialista Manuel Alegre não pede a demissão de Carlos Moedas, diz que esse é um problema para a consciência do autarca. E depois de António Costa e também de José Sócrates, Manuel Alegre criticou as declarações do autarca de Lisboa sobre o caso da queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001.

É algo que me abstenho de classificar, na maneira como se referiu Jorge Coelho, que não está cá para se defender e teve uma atitude muito nobre, muito digna, quando se demitiu depois daquele acidente. Fez aquilo num ato digno, num ato puro. Não peço a demissão, isso é um problema da consciência dele.

As declarações do socialista Manuel Alegre, no final da entrega do prémio António Champalimaud 2025. E como referi anteriormente, também José Sócrates condena as palavras de Carlos Moedas na tarde desta terça-feira, à saída do campus de Justiça, onde está a ser julgado no âmbito do processo Operação Marquês. O antigo primeiro-ministro sublinha que o falecido dirigente socialista se demitiu por ter sentido de responsabilidade política.

E ele insistiu na sua demissão por causa dessa única razão, a responsabilidade política. Vai para além disso, é preciso um bode expiatório, o país precisa disso, de certa forma, e eu compreendo o que ele fez. Mas não, não tinha nenhuma consciência de culpa objetiva ou de responsabilidade objetiva, isso nunca existiu. Infelizmente, se alguém disse isso, faltou à verdade.

José Sócrates, que na altura do incidente era Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, nega que Jorge Coelho estivesse a par de problemas na ponte de Entre-os-Rios, ao contrário do que disse o presidente da Câmara Municipal de Lisboa no último fim de semana, em entrevista à SIC. E Vítor Escária é o novo diretor do Instituto Superior de Gestão, em Lisboa. Esta é a primeira nomeação conhecida desde que Vítor Escária foi implicado na Operação Influencer, caso em que foram descobertos mais de €75 mil na sala onde trabalhava no gabinete do então primeiro-ministro António Costa. O anúncio da nomeação foi feito esta terça-feira pela própria instituição, através de um comunicado. Nessa nota, o Instituto Superior de Gestão destaca o percurso académico de Escária, que tem como áreas de especialização a economia do mercado de trabalho e a política económica. O comunicado não faz, no entanto, qualquer referência ao currículo político e profissional de Escária, que foi assessor de José Sócrates entre 2005 e 2011 e passou também por gabinetes de topo de vários governos socialistas, até acabar por demitir-se depois da descoberta do dinheiro escondido no gabinete. E na atualidade internacional, o presidente dos Estados Unidos reconhece que o aviso ao Qatar sobre o ataque israelita chegou tarde demais. Através de uma publicação na rede social Truth Social, Donald Trump diz que a Casa Branca foi notificada pelos militares norte-americanos de que Israel estava a atacar o Hamas. Sublinha que esta decisão foi tomada apenas pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. Trump assume ainda que, apesar de ter ordenado que o enviado especial Steve Witkoff informasse o Qatar sobre a ofensiva, isso aconteceu demasiado tarde para a impedir. O presidente norte-americano afirma ainda que vê o Qatar como um forte aliado e amigo dos Estados Unidos e diz sentir-se muito mal com o que aconteceu. O ataque aéreo de Israel ao Qatar provocou seis mortes, cinco das vítimas pertenciam ao Hamas. Esta foi a notícia de fecho do Jornal das duas da manhã. A informação está de regresso às 14h30 com uma síntese informativa. Até já.