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As notícias com Beatriz Félix. Boa noite, vamos às notícias na Rádio Observador. Tentou, mas não conseguiu. O Irão falhou um ataque a uma base militar conjunta dos Estados Unidos e Reino Unido no Oceano Índico. Estamos a falar da base aérea de Diego Garcia. Esta é uma informação que foi avançada em primeira mão pelo Wall Street Journal. O Irão disparou dois mísseis contra as instalações, mas nenhum deles chegou a atingir a base militar. Diego Garcia é um aeródromo fundamental para a frota de bombardeiros pesados dos Estados Unidos e tem servido desde há muito como ponto de apoio militar crucial dos Estados Unidos no estrangeiro para operações longe do território nacional. Falamos também de um novo ataque. Uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas depois de um ataque aéreo levado a cabo por Israel no Líbano. Foi atingida uma casa numa cidade do sul do país. O ataque foi também confirmado pelas tropas de Israel, através de uma publicação na rede social X. Beirute, a capital libanesa, tem sofrido uma intensificação de ataques por parte de Israel. Estes novos ataques, a nova ofensiva, acontece pouco depois de as forças armadas israelitas terem emitido novas ameaças de deslocamento forçado para seis bairros nos subúrbios densamente povoados no sul de Beirute. Falamos ainda dos Estados Unidos, que deram autorização para a entrega e venda temporária de produtos petrolíferos iranianos que estão retidos no mar. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro norte-americano, na voz do secretário Scott Bessent. A autorização tem um limite de 30 dias, está em vigor até o dia 19 de abril. Scott Bessent diz que esta autorização, apenas de caráter temporário, vai permitir mesmo assim que os Estados Unidos disponibilizem rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo nos mercados globais. É uma medida aplicada unicamente ao petróleo que já se encontra em trânsito e, por isso, não há margem para novas compras ou até mesmo produção. Ainda na atualidade internacional, as autoridades iranianas não acreditam que Trump tenha intenções de abrandar os esforços militares. Foi uma informação que o próprio presidente norte-americano avançou através de uma publicação nas redes sociais, mas em simultâneo, a CNN Internacional avançava que milhares de soldados norte-americanos adicionais estariam a caminho da região do Médio Oriente. As autoridades iranianas desvalorizaram assim as declarações do presidente norte-americano, que descrevem como operações psicológicas de Trump para controlar os mercados internacionais. Dizem também que a postura militar do inimigo na região não mudou de forma significativa. Por cá, o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos deve ser lançado até ao final do mês. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. Pimenta Machado explica que já esteve reunido com os cinco presidentes de câmara que são abrangidos. Falamos de Seia, Gouveia, Mangualde, Nelas e Fornos de Algodres. O presidente da APA também diz que o lançamento deste concurso público é um assunto prioritário. A construção da barragem de Girabolhos tem sido apontada como fulcral para gerir as cheias do rio Mondego, tal como as que aconteceram ainda no início deste ano em Coimbra. O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente diz também que Portugal tem de estar preparado para as alterações climáticas e que deve tirar conclusões das catástrofes que aconteceram em fevereiro. Pimenta Machado lembra que é preciso estar preparado para as cheias, mas também para as secas. O presidente da APA fala, por isso, no novo plano PRR, da autoria de Pimenta Machado, que assenta em três pontos: prevenção, proteção e recuperar. Diz que o mais importante destes três é a prevenção, mas mesmo assim reitera que para recuperar é preciso ter em conta os sinais da natureza para se poder adaptar à nova realidade climática.
"Recuperar, mas adaptando essas aceitações. Nós temos muitos diques danificados em Coimbra, no Lis, no Tejo, mas vamos recuperar. Recuperando, mas numa lógica já adaptada aos sinais que vamos recebendo da natureza. Recuperar também é zonas que foram destruídas, mas adaptando-as. Na nossa zona costeira, vamos adaptar, mas tornando o território mais resiliente, mais preparado para enfrentar as tempestades. Aumentar os diques, naturalmente, criar bacias de retenção."
Foram declarações de Pimenta Machado, de visita a Miranda do Douro. O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente defendeu também a utilização da tecnologia para dar informações às populações em tempo útil, numa coordenação entre proteção civil e autarquias. Em Vale de Cambra, o ministro da Defesa sugeriu que as empresas locais devem envolver-se na produção de bens para a indústria militar. Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, é conhecida como a capital do inox. Esta sexta-feira, perante 54 empresários da região, Nuno Melo deixou um apelo às empresas para que ajudem a substituir blindados obsoletos e fragatas em fim de vida. O ministro diz também que é preciso investimento em serviços de informática e tecnologias de informação. Pede-se que os empresários aproveitem as oportunidades de revolução que há em curso. Nuno Melo critica os 30 anos sem investimento na área da defesa em Portugal. Quis também dar a conhecer aos empresários locais as oportunidades de negócio que envolvem as Forças Armadas e sublinha que se os empresários não souberem quais são as oportunidades existentes, não conseguem direcionar o investimento e fez-se também acompanhar do responsável da Direção-Geral de Armamento e Património de Defesa, António José Batista, que explicou que as empresas interessadas em ingressar nesta área de produção se devem registar no Gabinete Nacional de Segurança para que possam ser verificados os critérios necessários. A Venezuela está disponível para tratar da situação dos presos políticos luso-venezuelanos. É uma garantia de José Luís Carneiro, que está de visita à Venezuela, país na América do Sul. Há pelo menos quatro luso-venezuelanos que se encontram detidos neste país. Aos jornalistas, José Luís Carneiro diz que a Venezuela está então disponível para tratar com muita proximidade esta situação. O líder socialista refere também que vai comunicar ao governo português estas diligências que foram desenvolvidas junto das autoridades parlamentares da Venezuela. E o Bloco de Esquerda pede à ONU para averiguar o risco de violação de direitos das pessoas trans na lei aprovada esta sexta-feira no Parlamento português, na Assembleia da República. Foram aprovados três projetos de lei para alterar a lei de identidade de género. Os três projetos foram aprovados com votos a favor de PSD, Chega e CDS e votos contra de todas as outras bancadas. Foi revogada a lei de 2018 que consagra o direito à autodeterminação da identidade de género e a expressão de género e o direito à proteção de características sexuais de cada pessoa. Com esta revogação da lei atual, volta a estar em vigor a legislação de 2011 e, por isso, regressa a obrigação de uma validação médica para que seja feita a mudança de nome e género no registo civil. Perante esta decisão no Parlamento, o Bloco de Esquerda pediu à Organização das Nações Unidas que averigue o risco de violação dos direitos trans em Portugal. Um pedido que é assinado pela eurodeputada Catarina Martins e pelo deputado português Fabian Figueiredo. É referido neste pedido que as alterações aprovadas são suscetíveis de violar obrigações internacionais de direitos humanos vinculativas do Estado português e, por isso, é pedido ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, que se pronuncie publicamente sobre este caso. E fechamos esta edição das duas da manhã a falar de felicidade, porque em Portugal há uma preocupação crescente por parte das empresas em aumentarem o índice de felicidade dos trabalhadores. Desde 2011 que a Happiness Work mede a felicidade nas organizações e, ao contrário de outros modelos, este estudo pretende calcular a felicidade organizacional e não pessoal, e o índice médio de felicidade aumentou desde o início deste estudo. Parte da premissa de que o verdadeiro desempenho das empresas não pode ser compreendido somente através de indicadores financeiros ou operacionais. Esta sexta-feira foi o Dia Mundial da Felicidade e a Rádio Observador tentou perceber como é que as empresas em Portugal se estão a adaptar às novas expectativas dos trabalhadores. Falámos com Jorge Dutska, professor universitário e cofundador do estudo, que garante que depois da pandemia da Covid-19, houve uma aceleração impulsionada por políticas de bem-estar, em que os trabalhadores começaram a valorizar mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e sublinha que as empresas têm de se ajustar a essa realidade, e não é só com a possibilidade de teletrabalho.
Essa é a grande mudança que existe, a valorização do tempo. No fim, o tempo é isso. Mais do que teletrabalho, é o trabalho flexível, é eu poder ajustar a minha vida profissional à minha vida pessoal. De maneira que o teletrabalho é uma forma de o conseguir, mas o que as pessoas querem é alguma flexibilidade. Por exemplo, se eu tenho de ir buscar os meus filhos às 18h todos os dias, então o que eu espero é que a organização permita que tal aconteça. E depois ajusto, ou trabalhando em casa, ou entrando mais cedo. É o conceito de flexibilidade, que é o mais procurado nos dias que correm.
O estudo dá dados concretos. Quando uma organização tem uma cultura de felicidade, os trabalhadores faltam menos, é o que diz respeito ao 11%, têm menos 38% de vontade de sair da empresa e consideram-se mais 5% com uma produtividade acima da média. Mas para conseguir lá chegar, Jorge Dutska diz que as empresas não podem pensar no tema simplesmente como algo que fica bem.
Não é pelo facto de eu pagar ginásio, dar fruta, entre outras opções. Não é o somatório dessas ações que me cria uma cultura de felicidade. É exatamente o oposto. Ou seja, é preciso aplicar este modelo de organizações, fazer um diagnóstico e através do diagnóstico nós conseguimos depois perceber o que está menos bem e trabalhar estrategicamente este tema. Eu diria que esse é o passo importante que as organizações estão a dar, que é pensar estrategicamente este tema e não apenas como algo que fica bem ou é simpático de fazer.
O investigador destaca as diferenças entre as gerações de trabalhadores. Sublinha também que embora não haja um ranking europeu, em Portugal, as organizações pensam mais sobre este tema. Esta é uma entrevista que pode ser ouvida na íntegra no podcast Resposta Pronta, que está no site do Observador. E fechamos assim este noticiário, edição das duas da manhã. A informação fica por aqui e está de regresso daqui a pouco, às 14h30, com a síntese de notícias.