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Boa noite, eu sou o Martim Madeira. São duas da manhã e está na hora de atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos com um debate entre André Ventura e Pacheco Pereira. Protagonizaram um longo debate sobre o passado colonial, em que a atualidade não ficou de fora. Sócrates e a corrupção foram temas num debate longo que começou por falar do antigo regime. O historiador desafiou André Ventura para um debate sobre o passado colonial português, mas André Ventura aproveitou para passar algumas mensagens sobre temas da atualidade e recusou pedir desculpa pelos danos causados pelo Estado Novo. Miguel Viterbo Dias.

Foi um debate longo, tenso e com ícones visuais como uma palmatória levada por Pacheco Pereira para ilustrar as torturas corporais. André Ventura manteve o que disse na cerimônia dos 50 anos da Constituição, procurando documentar-se.

Levamos. Havia menos de 200 presos políticos em Portugal, na metrópole, em Portugal, na noite de 25 de abril.

Mas Pacheco Pereira contrapunha.

Ó André Ventura, você mete-se em cada sarilho.

Justificando que o número de presos em todas as colônias era muito superior, afastando a tese de que os militares que defenderam Portugal foram maltratados.

O número de presos que eram guerrilheiros, chamemos assim, era relativamente pequeno. Por uma razão, ou iam parar à PIDE ou iam parar aos aquartelamentos militares e muitos deles foram executados e torturados.

Pacheco Pereira apontava como exemplo negativo Marcelino da Mata, André Ventura, Otelo Saraiva de Carvalho, com o líder do Chega a recusar pedidos de desculpa.

Não venha cá dizer que nós devemos pedir desculpa pelos nossos 500 ou 600 anos em Angola, em Moçambique, na Guiné. Então quer dizer, e as igrejas que construímos, e as barragens, e as estradas, e os hospitais, e as escolas, e tudo aquilo que construímos lá?

Mas a relativização levou Pacheco Pereira a colar Ventura ao antigo regime.

Está a justificar a ditadura. Está, ao fazer uma comparação que é ela toda falsa, o que está a dizer é que o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes. Só que você não pode comparar 10 ou 20 mil casos de tortura que ocorreram durante 48 anos com meia dúzia de casos de tortura que ocorreram-

Foi em dois anos, Pacheco Pereira?

E para lá da história, à atualidade.

O José Sócrates roubou muito mais que o Salazar. Isso não tenham dúvida, desculpem dizer isto assim, mas roubou muito mais. Claro que o Estado Novo tinha corrupção, como o regime a seguir ao 25 de abril teve corrupção, como a nossa democracia hoje está cheia de corrupção.

André Ventura socorreu-se dos argumentos habituais, a defesa dos militares, das forças policiais e a crítica ao caso José Sócrates, com Pacheco Pereira a expor a mensagem subliminar do presidente do Chega.

O que está a dizer é que a democracia é um regime naturalmente corrupto.

A nossa é muito corrupta.

E o Estado Novo não era.

Está no cartaz.

Não, está há 50 anos de democracia.

Então, mas está no cartaz que os anteriores não são?

Não, não.

Agora, por isso eu estou lá há mil anos, anos.

Você pensa que está a falar com atrasado mental?

Debate histórico entre Pacheco Pereira e André Ventura, com laivos de atualidade, depois de um desafio público do historiador e antigo líder parlamentar do PSD ao presidente do Chega.

Miguel Viterbo Dias com alguns dos destaques do debate transmitido pela CNN Portugal entre o historiador José Pacheco Pereira e André Ventura. O debate tinha a duração prevista de uma hora, mas acabou por durar mais de uma hora e 20 minutos. A concertação social tem encontro marcado para quinta-feira para discutir a lei laboral depois de uma reunião sem avanços no Ministério do Trabalho. Uma reunião que durou uma hora, terminou a pedido da UGT, que alegou falta de condições para continuar. O secretário-geral Mário Mourão dá a entender que a decisão é motivada pela ausência dos presidentes das quatro confederações patronais.

A UGT esteve sempre e continuará a estar disponível para o diálogo e pra concertação. Eu disse uma vez: quando não nos quiserem na concertação, nem no aprofundamento do diálogo, digam. Agora, a UGT, por sua iniciativa, não o fará. Se alguém quer empurrar, se alguém quer criar fatos para que a negociação e o diálogo acabem, que assumam, que não o façam por interpostas pessoas, nem por comunicados. Que assumam, venham aqui e digam como eu fiz hoje. Vim aqui transmitir à senhora ministra que hoje não teria condições pra continuar na reunião.

Já a ministra do Trabalho desvaloriza a duração da reunião, garante que decorreu com normalidade, mas diz que o processo não vai durar para sempre.

Para já, nós temos que ver a concertação social, a CPCS. O que vos quero dizer é que as negociações não se vão eternizar, coisa que sempre disse e volto a repetir, e, portanto, passar-se-á, de uma forma ou de outra, à fase seguinte.

Um aviso da ministra do Trabalho, sendo que no horizonte, ainda sem data marcada, ainda está uma reunião no Palácio de Belém com o presidente da República e também com todos os parceiros sociais. Da política nacional passamos à internacional. Seguimos com o alerta das organizações financeiras mundiais. Vai haver graves consequências econômicas, principalmente para os países com baixos rendimentos, devido ao conflito no Médio Oriente. Em causa está o choque petrolífero, uma rutura no fornecimento dos combustíveis e um aumento acentuado dos preços que ainda está por vir. O aviso é deixado pelos diretores do Fundo Monetário Internacional, do FMI, também do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia, num comunicado conjunto. Avisam que os países mais pobres ou importadores de energia vão ser os mais afetados. No Médio Oriente, o Irão ameaça os Estados Unidos e Israel com capacidades bélicas inimagináveis se a guerra continuar, especialmente se o país voltar a ser atacado depois de um cessar-fogo. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irão adianta que o país vai revelar métodos de guerra inovadores, para os quais os adversários terão uma capacidade limitada de resposta, sem desvendar mais detalhes, é o que adianta um artigo do jornal norte-americano New York Times. O presidente do Irão falou ao telefone com o presidente francês Emmanuel Macron. Nesta conversa, o líder iraniano afirma que as exigências excessivas dos Estados Unidos impediram um acordo nas negociações realizadas no fim de semana. Masoud Pezeshkian afirma que Teerão está empenhado em cumprir as condições para um cessar-fogo e, neste momento, vai continuar as negociações apenas no âmbito do direito internacional. Pezeshkian diz ainda que qualquer ameaça aos territórios poderá ter consequências globais, referindo-se às declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o bloqueio à passagem de qualquer navio. Trump deu um novo prazo para que seja alcançado um acordo, cerca de duas semanas. Foi um novo ultimato depois de negociações falhadas no passado fim de semana, um objetivo que, para o presidente dos Estados Unidos, vai ser fácil de alcançar.

As pessoas certas e apropriadas ligaram-nos esta manhã. Eles querem negociar um acordo.

O presidente norte-americano diz ainda que já tem planos para depois do conflito com o Irão. Está a pensar em levar a cabo ações em Cuba. O dia de segunda-feira ficou também marcado pela contenda de Trump com o Papa, a quem recusa pedir desculpa por tê-lo acusado de ser terrível em política externa. Isto depois de Leão XIV ter apelado à diplomacia nos conflitos do Irão e da Venezuela. Depois, ouviu a resposta do Papa, que afirma que não tem medo da administração Trump e promete continuar a manifestar-se contra a guerra. Mesmo assim, Trump recusou retratar-se.

Nós acreditamos muito na lei e na ordem, e parece que ele tem um problema com isso. Não há nada para pedir desculpa, porque ele está errado. O outro assunto que ele não está a gostar está relacionado com o Irão, mas o Irão quer ser uma potência nuclear para acabar com o planeta. Isso não vai acontecer.

Na Casa Branca, Donald Trump diz que o Papa ignora os crimes que o regime iraniano tem cometido com a população. O presidente norte-americano partilhou ainda uma imagem gerada por inteligência artificial, como se ele próprio fosse Jesus Cristo. Esta publicação, entretanto, foi apagada depois de várias críticas dentro do próprio núcleo de apoiantes. Donald Trump, por estes dias, tem sido cada vez menos popular e já se fala na possibilidade de destituir o presidente. Mas será que isso é mesmo possível? Segundo a Constituição norte-americana, sim, é possível destituir um presidente em funções nos Estados Unidos, caso ele seja considerado incapaz. A questão foi levantada pelo ex-diretor da CIA, John Brennan. Em causa está a Emenda número 25, um mecanismo nunca antes usado na história dos Estados Unidos. Ao canal norte-americano MS Now, John Brennan explica que esta emenda foi criada a pensar em líderes que se comportem tal como Donald Trump.

Acho que a 25ª Emenda foi escrita a pensar em Donald Trump, por permitir que alguém como ele continue a ser o comandante supremo e a controlar os enormes recursos das Forças Armadas dos Estados Unidos, incluindo a nossa capacidade nuclear, à qual ele se terá referido quando afirmou que iria simplesmente eliminar uma civilização inteira. Mais uma vez, vivemos tempos muito conturbados.

O antigo diretor da CIA, John Brennan, sobre a 25ª Emenda da Constituição norte-americana, que prevê a remoção de um presidente incapaz de exercer funções por invalidez. O artigo completo que explica como funciona esta emenda está disponível no site do Observador. Ainda há tempo para o desporto. O Tondela e o Gil Vicente empataram a duas bolas. Em Tondela, a equipa da casa foi a primeira a estrear o marcador aos 15 minutos, com o gol de Roni Lopes, perto da meia hora. Murilo empatou o jogo na conversão de uma grande penalidade. Já aos 90 minutos, Carlos Eduardo fez o segundo dos gilistas, mas o empate final apareceu já nos descontos. Com este resultado, o Tondela fica mais perto da despromoção, ocupa o 17° lugar com 21 pontos. Já o Gil Vicente está em sexto com 46. Ponto final neste jornal das 02:00. A informação está de regresso às 02:30 com a síntese de notícias. Até já.