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Três horas. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite, vamos às notícias na Rádio Observador. É Natal e na primeira missa do galo, enquanto papa, Leão XIV criticou a forma como a economia olha para as pessoas. Foi na Basílica de São Pedro que o papa criticou a falta de cuidado do atual sistema econômico para com as necessidades de toda a gente.
"Enquanto uma economia distorcida leva a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa. Enquanto o homem quer tornar-se Deus para dominar o próximo, Deus quer tornar-se homem, para nos libertar de toda a escravidão. Será este amor suficiente para mudar a nossa história?"
É mensagem de Leão XIV nesta que foi a primeira missa enquanto papa. A ela assistiram 6 mil pessoas no interior da Basílica e somaram-se outras 5 mil no exterior, que antes foram surpreendidas com a bênção do papa na Praça de São Pedro. Já o patriarca de Lisboa pede a defesa da dignidade de todas as pessoas, independentemente da origem. Na mensagem de Natal, Dom Rui Valério avisa que nenhuma pessoa é um número e que todos têm ter acesso a condições que permitam uma vida digna.
Acede-se, pela fresta do presépio, à consciência do valor inalienável de cada ser humano. Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável. Cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar. Independentemente da língua que fale, da terra de onde venha ou da história que traga consigo, cada rosto merece respeito, reconhecimento e a possibilidade de construir uma vida digna para si e para a sua família.
Dom Rui Valério pede também a defesa da paz no mundo, numa altura que é sempre de esperança.
O Natal recorda-nos ainda que a paz é possível. Uma paz que não nasce da força, mas da transformação dos corações. Uma paz sonhada pelos profetas e desejada por todos os povos. É com esta luz que o nosso pensamento se dirige, de forma especial, a todos os lugares marcados pela guerra, pela violência e pelo medo.
É o patriarca de Lisboa, Dom Rui Valério, na mensagem de Natal deste ano, que foi também o primeiro ano em que o Papa Leão XIV presidiu à missa do Galo em São Pedro. Vamos agora a outros temas. Quatro serviços de urgência vão estar fechados no dia de Natal. São as urgências de obstetrícia e ginecologia, dos hospitais de Portimão, Setúbal, Vila Franca de Xira e Santarém. Vão estar fechadas esta quinta-feira, dia 25 de dezembro. Já a do Hospital Amadora-Sintra só aceita casos referenciados pelo INEM. O mesmo acontece com a urgência do Hospital de Braga. Já no que toca a tempos de espera na região de Lisboa, o Hospital de Santa Maria é o que enfrenta mais dificuldades. Atualmente, é preciso esperar, em média, oito horas e 40 minutos até ser visto por um médico pela primeira vez. E onze distritos do país vão estar debaixo de aviso amarelo por causa do frio. O aviso está em vigor a partir da meia-noite do dia 26 e até amanhã, dia 27, sexta-feira e sábado. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, os distritos como Viseu e Porto, também Guarda e Vila Real e ainda Aveiro, Coimbra, Portalegre e Braga estão debaixo deste aviso amarelo. A Direção-Geral de Saúde alertou para os cuidados a ter por causa do frio. Lembra que a descida das temperaturas aumenta o risco de agravamento de doenças crônicas e pede à população que se proteja. Por isso, a DGS recomenda que os cidadãos evitem mudanças bruscas de temperatura, que se vistam por camadas e protejam as extremidades com gorro e luvas. E na política, como desejos de Natal, os liberais pedem uma redução de impostos a sério e casas a preços acessíveis. Num vídeo publicado nas redes sociais, a presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, deixou os desejos para o Natal com duas prioridades.
Este Natal, aquilo que nós queremos dar aos portugueses, aquilo que nós desejamos para todos os portugueses, é que haja, de facto, uma redução de impostos a sério, para que as pessoas sintam o seu bolso mais cheio, para que consigam comprar as coisas que querem e gastar o seu dinheiro onde bem entenderem. Continuaremos também a apresentar propostas sérias, que realmente funcionam e que fazem a diferença na vida das pessoas e também, obviamente, fazem a diferença no país, para que o país se torne um país melhor, mais próspero, com mais crescimento econômico. Depois, queremos casas que as pessoas realmente possam comprar e, portanto, acabar com este flagelo social que é o preço das casas.
Mariana Leitão, com os desejos de Natal da Iniciativa Liberal, a deixar farpas ao governo, no que toca à falta de ambição na descida de impostos. A líder liberal criticou ainda os serviços de saúde e garantiu que o partido vai continuar a apresentar propostas na Assembleia da República. André Ventura pede a suspensão da decisão do tribunal que determinou a remoção dos cartazes sobre a etnia cigana. O advogado que representa o candidato presidencial e também líder do Chega apresentou um requerimento para suspender a decisão do tribunal até que o recurso seja entregue junto das instâncias superiores. O candidato evoca o direito à liberdade de expressão. No início da semana, o tribunal condenou o Chega a retirar todos os cartazes da campanha presidencial com a frase "Os ciganos têm de cumprir a lei". Estipulou um prazo de 24 horas para que isso acontecesse, a partir do qual teria de ser paga uma multa por cada dia e por cada cartaz que ainda estivesse exposto. André Ventura não retirou os cartazes e informou que vai pedir um recurso da decisão. E é o presidente do Chega que pede também uma evocação dos valores cristãos nesta época de Natal. Numa mensagem publicada nas redes sociais, fala em valores invertidos na sociedade atual.
Neste Natal, gostava também que fôssemos claros e firmes em assumir os nossos valores e a nossa cultura. Natal é luz, mas são também os nossos valores cristãos, são também a base da nossa civilização, são também a base da forma como vivemos, como gostamos de nos integrar, como gostamos de ver as nossas famílias e a nossa celebração. Natal é assumir os valores cristãos de Portugal e da Europa. E eu gostava que neste Natal também fizéssemos esse caminho.
É mensagem de André Ventura, candidato presidencial e líder do Chega, que elegeu a habitação e a segurança como dois dos temas prioritários. E Luís Marques Mendes deixou um conselho aos adversários na corrida a Belém. O candidato apoiado pelo PSD e CDS esteve em Braga, onde participou na tradicional Festa do Bananeiro e foi questionado sobre quem é que gostaria de defrontar na segunda volta. Fugiu à resposta, mas responde com um conselho.
Um presidente da República não tem que dizer tudo o que pensa, mas deve pensar em tudo o que diz. É aquilo que alguns dos meus adversários não fazem, não pensam em tudo o que dizem. E, portanto, eu, jogando com estas duas frases, devo dizer que tenho isso na minha cabeça, mas não posso transmitir em público.
Quem é que precisa de pensar mais antes de falar, em concreto?
Vários dos meus adversários. Eu acho que eles deviam seguir esta máxima.
Luís Marques Mendes, em declarações aos jornalistas em Braga. No balanço do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes diz que o atual presidente é um exemplo de proximidade aos portugueses, mas adianta que se for eleito, vai abandonar a tradição da ginja no Barreiro para aderir à do bananeiro em Braga. E é precisamente no Barreiro, onde que falamos agora, o presidente da República critica a demora no Parlamento para eleger os conselheiros de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa está à espera há meio ano que sejam eleitos os cinco membros do Conselho, que são escolhidos pela Assembleia da República, e era com essas figuras que o presidente queria estar a analisar a situação na Ucrânia.
A Ucrânia é um tema fundamental na nossa vida. Não parece sensato, quando se estão a tomar decisões fundamentais sobre a Ucrânia e não são discutidas em Conselho de Estado. Quer dizer, a posição da Europa em termos de apoio financeiro à Ucrânia, que compromete os Estados para o futuro, um empenhamento militar ou não, português, numa hipótese de cessar-fogo no futuro, não é muito natural que o presidente da República saia de funções sem que o Conselho de Estado, com a composição que tem, não possa apreciar essa matéria.
É o lamento que fica do presidente, que no dia da véspera de Natal, almoçou no Barreiro e cumpriu a tradição de beber a ginjinha, apesar das atuais limitações de saúde. Marcelo Rebelo de Sousa fez também o balanço do mandato para apontar 2023 como um ano particularmente difícil a seguir à pandemia.
Acho que os piores anos foram a pandemia, para todos nós. Quer dizer, o grande problema que eu tive nestes 10 anos foram dois anos de pandemia. 2023 foi diferente. Aí foi um problema de uma tempestade perfeita, porque aconteceu que no dia 7 de novembro, o primeiro-ministro deu a demissão. Portanto, abre-se um período que vai ser muito longo até às eleições. Portanto, há uma crise política e ao mesmo tempo existe um ataque muito forte, ou pelo menos não sei se é ataque, mas um ambiente muito pesado sobre o presidente da República. Em 2023, eu cheguei aqui e só se falava das gêmeas.
Já fez as pazes com o seu filho, senhor presidente?
No momento oportuno, isso acontecerá.
Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou ainda que os debates presidenciais foram esclarecedores para os portugueses. E a fechar, o rei de Espanha alerta para os perigos dos extremismos e avisa que a convivência é uma construção frágil. Na tradicional mensagem de Natal, o rei Felipe VI focou-se nos perigos da desinformação, no crescimento dos populismos e de políticas extremadas. O rei avisa todos os atores políticos que a convivência em sociedade é uma construção que tem de merecer o empenho de todos.
Mas a convivência não é um legado imprecedero. Não basta tê-la recebido. É uma construção frágil. Por essa razão, todos devemos fazer do cuidado da convivência o nosso trabalho diário. E para isso, precisamos de confiança.
Felipe VI, na mensagem de Natal, em que pede também responsabilidade ao poder político para que seja um exemplo para todos os cidadãos. Fica por aqui o noticiário das três da manhã. A informação está de regresso às 15h30 com a síntese de notícias. Se estiver em casa ou a trabalhares, bom Natal. Fique na companhia da Rádio Observador.