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Três horas. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite. Vamos às notícias na Rádio Observador. Começamos com a política nacional. O governo diz que está disponível para rever o teto máximo de € 400 mil nos apoios à agricultura, uma disponibilidade que foi manifestada através do ministro José Manuel Fernandes, que admite que a dimensão dos estragos será muito superior a 4.5 mil milhões de euros.

Eu vou procurar rever isso e esse limite. No entanto, como eu disse, o montante desta tragédia, chamemos assim, é brutal e, por isso, nós socorremo-nos de todos os fundos possíveis, do fundo de solidariedade, que há de vir também para os equipamentos, mas para equipamentos, sobretudo, públicos, mas também da reserva agrícola, que nós já pedimos para acionar.

O ministro José Manuel Fernandes admite até que os apoios nunca vão ser suficientes para fazer face à quantidade de danos provocados pelas tempestades.

Há explorações onde o prejuízo é, por exemplo, de 5 milhões de euros. O montante de € 400 mil é injusto, mas o montante de 1 milhão também há de ser. Um montante de 1,5 milhão também há de ser injusto e o de 2 milhões. Portanto, nós teremos de também olhar para as tipologias, para os estragos e vamos acudir da forma que estamos a acudir o mais rapidamente possível e era impossível fazer mais rápido.

O ministro da Agricultura reconhece que o limite atualmente previsto não é justo para muitas explorações, mas ainda assim lembra que o dinheiro é finito e os recursos também. Já a União Europeia promete atuar com urgência para apoiar Portugal depois da destruição provocada pelas cheias. Uma garantia deixada pelo comissário europeu da Agricultura e Alimentação, que indica, no entanto, que o apoio europeu vai chegar este ano, mas ainda não adianta qualquer data. O comissário avisa também que a reserva agrícola, 450 milhões de euros, não é suficiente para responder à dimensão dos prejuízos.

"É de partir o coração quando vemos a vida das pessoas destruída. Temos de mobilizar os mecanismos europeus e internacionais para ajudá-las a regressar ainda mais fortes. É importante, no futuro, pensarmos nos sistemas de seguros, porque a maioria dos agricultores não os têm, não investe nisso. Com estes eventos climáticos, que vão ser cada vez mais frequentes, temos de nos precaver e ajudar os agricultores".

Christo Fenson esteve a visitar as zonas afetadas do rio Tejo, o Mondego, rio Lis e do Pinhal de Leiria, sempre acompanhado do ministro da Agricultura. Adiante o que é necessário ponderar sobre outros instrumentos de apoio, como o Fundo Social Europeu. Falamos agora da isenção das portagens na região de Leiria. É para se manter, mas não com o governo a suportar os custos. Vão ser as autarquias a fazê-lo. Uma decisão da Comunidade Intermunicipal de Leiria, quando ainda esta segunda-feira, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, entendeu que o período crítico da tempestade já passou e, portanto, deixa de fazer sentido manter esse apoio. Falamos de troços da A8 e A19, fundamentais para a deslocação dos cidadãos entre as várias localidades de Leiria. A isenção de portagens nestas estradas foi implementada ao mesmo tempo que o estado de calamidade, decretado pelo governo no final de janeiro. O estado de calamidade terminou no domingo à noite e, por isso, com ele, caiu também a isenção de portagens. O presidente da Comunidade Intermunicipal de Leiria, Jorge Vala, já tinha também enviado uma carta ao presidente da República a pedir que Marcelo intercedesse junto do governo, mas não obteve resposta. A ministra do Trabalho vai reunir-se esta quarta-feira com os parceiros sociais para discutir alterações à legislação laboral, mas a CGTP não foi convocada pelo governo. O encontro deverá contar apenas com a presença da União Geral de Trabalhadores, a UGT, com quem o governo tem negociado contrapropostas de reforma laboral. A CGTP não vai participar então nesta reunião com Rosário Palma Ramalho, no Ministério do Trabalho, às 15h. À UGT vão juntar-se outros parceiros ligados ao patronato. Falamos da Confederação Empresarial de Portugal, a Confederação do Comércio e Serviços, da Confederação dos Agricultores e também da Confederação do Turismo Português. E seguimos agora com um artigo que a esta hora faz manchete no site do Observador. Três anos depois do despedimento da TAP, a ex-CEO da companhia aérea ainda está à espera de que o caso seja encerrado. Christine Ourner diz ter sido usada como escudo político e bode expiatório pelo governo de António Costa. Numa entrevista ao Observador, a ex-CEO da transportadora aérea insiste que o atual governo só pode pensar na privatização da TAP por causa do trabalho que fez à frente da empresa e queixa-se, por isso, de injustiça.

Vejo-me como um bode expiatório ou escudo político numa situação que nada teve a ver com a minha performance. Entreguei os melhores resultados da história da empresa. Fizemos coisas muito difíceis durante o meu mandato na TAP, mudanças e transformações que eram pré-requisito para qualquer privatização que hoje é possível. Isso só foi possível porque fizemos coisas difíceis, como a resolução da situação da Grandforce e da manutenção no Brasil, dois dossiês prioritários para o governo antes de qualquer privatização.

A ex-CEO da TAP pede uma indenização de quase 6 milhões de euros para um despedimento que diz ser ilícito. Christine Ourner admite chegar a acordo com a TAP e garante que apenas se limitou a cumprir as indicações do executivo de António Costa.

Nunca houve qualquer dúvida de que estávamos a fazer o trabalho e a cumprir o que o governo nos tinha pedido. Não nos desviamos em momento algum do plano definido pelo acionista, por isso, não se tratou da nossa performance ou da confiança na nossa capacidade de executar. Tratou-se de uma situação política que levou o governo a tomar a decisão que tomou. A confiança na nossa capacidade de executar o plano ficou demonstrada pelos resultados de 2022 da TAP. Foram excepcionais e surpreenderam toda a gente.

Christine Ourner, em entrevista exclusiva às jornalistas do Observador, Ana Suspiro e Alexandra Machado. Esta hora faz manchete no site do Observador. Falamos ainda de atualidades internacional. Portugal e mais 84 países da ONU condenam as medidas expansionistas de Israel na Cisjordânia. Na terça-feira, na sede das Nações Unidas, uma representante da missão da Palestina leu uma declaração conjunta assinada por 85 países Que condenam veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel que visam expandir a presença ilegal do país na Cisjordânia. Nessa declaração, os Estados-membros acrescentam que essas decisões são contrárias às obrigações de Israel perante o direito internacional e devem ser imediatamente revertidas e que estão contra qualquer forma de anexação. Os signatários reafirmam também o compromisso de tomar medidas concretas para ajudar a concretizar o direito do povo palestiniano à autodeterminação e para combater a política ilegal de colonatos no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, bem como as políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação. Na rede social X, a missão da Palestina partilhou as bandeiras de todos os países que assinaram a declaração, estando incluída a bandeira de Portugal. Entre as ausências, destaca-se a dos Estados Unidos. Esta terça-feira foi dia de mais uma ronda de negociações entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia. Houve quatro países europeus que também quiseram estar presentes. Falamos das autoridades europeias da Alemanha, Itália, Reino Unido e França, que também estavam em Genebra para se reunirem com a delegação ucraniana e possivelmente com a norte-americana. O primeiro dia de negociações trilaterais durou mais de cinco horas. Rustem Emulerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, afirmou que as discussões se concentraram em questões práticas. Já a Rússia fala em questões complexas e importantes numa reunião que foi, diz a Rússia, tensa. E fechamos no desporto com o Benfica Real Madrid para a Liga dos Campeões. Os encarnados perderam por 1x0 frente aos merengues no Estádio da Luz. O brasileiro Vinicius Júnior apontou aos 50 minutos o único gol da partida na primeira mão do playoff de acesso às oitavas de final da competição. Na flash interview, José Mourinho, técnico do Benfica, considera que a equipa da Luz perdeu ao longo da partida.

Nós entramos bem, eu diria mesmo muito bem. E depois começamos a perder demasiadas bolas. Eles começaram a sair com perigo ainda na primeira parte e depois acho que a seguir ao gol, o jogo passou a ser mais instabilidade e emoção do que propriamente jogo, cérebro e controle. E depois foi um jogo já sem o brilho que eu acho que a primeira parte teve.

Já para Álvaro Alberloa, venceu a estratégia e, sobretudo, o espírito de equipa.

Bom, eu creio que temos sido uma equipa muito mais sólida. Estivemos muito mais juntos, atacamos muito juntos, defendemos também muito juntos. Foi um partido onde colocamos muito esforço por parte de todos, muita mentalidade de equipa, muito companheirismo. Creio que também atacamos melhor, mais organizados e, no final, é uma questão de quando nos organizamos melhor, tanto para atacar como para defender, nos sai um partido como este.

O encontro da segunda mão está marcado para 25 de fevereiro, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, sendo que o vencedor da eliminatória vai encontrar nos oitavos de final ou o Sporting ou o Manchester City. É o ponto final neste noticiário, edição das 03h. A informação fica por aqui. Está de regresso daqui a pouco, às 03h30, com a síntese de notícias.