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Quatro horas. As notícias com Beatriz Félix.
Boa noite. Vamos às notícias na Rádio Observador. Começamos com António Guterres, que apela à solidariedade e ao fim das divisões no início do Ramadão. Foi através de um vídeo publicado nas redes sociais que o secretário-geral da ONU deixou esta mensagem ao assinalar o início do mês do Ramadão com apelo à superação de divisões e ao reforço da ajuda humanitária num tempo que deve ser de paz e de esperança. Fala por isso aos muçulmanos de todo o mundo. Vamos escutar.
"From Afghanistan to Yemen, from Gaza to Sudan and beyond, people are suffering the horrors of conflict, hunger, displacement, discrimination and more. In these difficult and divided times, let us heed Ramadan's enduring message: to bridge divides, to deliver help and hope to those who are suffering, and to safeguard the rights and dignity of every person. May these holy months inspire us to work as one to build a more peaceful, generous and just world for all people."
Nesta mensagem, António Guterres diz que do Afeganistão ao Iémen, de Gaza ao Sudão e além, as pessoas sofrem horrores de um conflito, na fome e na deslocação, da discriminação e muito mais. Diz que nestes tempos difíceis, a divisão é para dar ouvidos à mensagem duradoura do Ramadão, para colmatar as divisões, para levar ajuda e esperança àqueles que sofrem e para salvaguardar os direitos e dignidade de todas as pessoas. E apela a que este mês sagrado inspire todos a trabalhar em conjunto para construir um mundo mais pacífico, generoso e justo para todas as pessoas. António Guterres defende que a mensagem do Ramadão deve servir como guia no contexto internacional marcado por dificuldades e divisões e, por isso, espera que possa também servir de inspiração para uma ação coletiva e global. Ainda na atualidade internacional, Portugal e mais 84 países da ONU condenam as medidas expansionistas de Israel na Cisjordânia, condenam veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel que visam expandir a presença ilegal do país na Cisjordânia. Nessa declaração, assinada pelos 85 países, os Estados-membros acrescentam que essas decisões são contrárias às obrigações de Israel perante o direito internacional e, por isso, devem ser imediatamente revertidas. Os signatários reafirmaram também o compromisso de tomar medidas concretas para ajudar a concretizar o direito do povo palestiniano à autodeterminação e para combater a política ilegal de colonatos no território palestiniano ocupado. Também na rede social X, a missão da Palestina partilhou as bandeiras de todos os países que assinaram a declaração, estando incluída a bandeira de Portugal e entre as ausências é destacada a dos Estados Unidos. Passamos à política nacional. O governo diz que está disponível para rever o teto máximo de €400 mil nos apoios à agricultura. Uma disponibilidade que foi mostrada pelo ministro José Manuel Fernandes, que admite que a dimensão dos estragos será muito superior a quatro mil milhões e meio de euros.
Eu vou procurar rever isso e esse limite. No entanto, como eu disse, o montante desta tragédia, chamemos assim, é brutal e por isso nós socorremo-nos de todos os fundos possíveis, do fundo de solidariedade, que há-de vir também para os equipamentos, mas para equipamentos sobretudo públicos, mas também da reserva agrícola, que nós já pedimos para acionar.
O ministro José Manuel Fernandes admite até que os apoios nunca vão ser suficientes para fazer face à quantidade de danos provocados pelas tempestades.
Há explorações onde o prejuízo é, por exemplo, de cinco milhões de euros. O montante de €400 mil é injusto, mas o montante de um milhão também há de ser. Um montante de um milhão e meio também há de ser injusto e o de dois milhões. Portanto, nós teremos de também olhar para as tipologias, para os estragos e vamos acudir da forma que estamos a acudir o mais rapidamente possível e era impossível fazer mais rápido.
O ministro da Agricultura reconhece que o limite atualmente previsto não é justo para muitas explorações, mas lembra que o dinheiro é finito e os recursos também. Já a União Europeia promete atuar de forma urgente para apoiar Portugal depois da destruição provocada pelas cheias. Uma garantia que foi deixada pelo comissário europeu da Agricultura e Alimentação, que indica, no entanto, que este apoio europeu vai chegar ainda este ano, em 2026, mas sem adiantar nenhuma data. O comissário avisa também que a reserva agrícola, 450 milhões de euros, não é suficiente para responder à dimensão dos prejuízos.
"É de partir o coração quando vemos a vida das pessoas destruída. Temos de mobilizar os mecanismos europeus e internacionais para ajudá-las a regressar ainda mais fortes. É importante, no futuro, pensarmos nos sistemas de seguros, porque a maioria dos agricultores não os têm, não investe nisso. Com estes eventos climáticos, que vão ser cada vez mais frequentes, temos de nos precaver e ajudar os agricultores."
Christo Fenson esteve a visitar as zonas afetadas no rio Tejo, Mondego, rio Lis e Pinhal de Leiria, acompanhado pelo ministro da Agricultura, adiantou que é necessário ponderar sobre outros instrumentos de apoio, como o Fundo Social Europeu E vai manter-se a isenção de portagens na região de Leiria, mas sem a ajuda do governo para suportar os custos. A responsabilidade passa agora a ser das autarquias. Foi uma decisão tomada pela Comunidade Intermunicipal de Leiria, depois de ainda esta segunda-feira, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, ter entendido que o período crítico da tempestade já teria passado, portanto, deixa de fazer sentido manter este apoio. Falamos de troços da A8 e A19, fundamentais para a deslocação dos cidadãos entre as várias localidades em Leiria. A isenção de portagens nestas estradas foi implementada ao mesmo tempo que o estado de calamidade, que foi decretado pelo governo, estado de calamidade que terminou no domingo à meia-noite e com ele caiu também a isenção de portagens. Seguimos agora com um artigo que a esta hora faz manchete no Observador. Três anos depois do despedimento da TAP, a ex-CEO da companhia aérea ainda está à espera que o caso seja encerrado. Christine Ourmières-Widener diz ter sido usada como escudo político e bode expiatório pelo governo de António Costa. Numa entrevista ao Observador, a ex-CEO da transportadora aérea insiste que o atual governo só pode pensar na privatização da TAP por causa do trabalho que fez à frente da empresa e, por isso, queixa-se de injustiça. Vejo-me como um bode expiatório ou escudo político numa situação que nada teve a ver com a minha performance. Entreguei os melhores resultados da história da empresa. Fizemos coisas muito difíceis durante o meu mandato na TAP, mudanças e transformações que eram pré-requisito para qualquer privatização que hoje é possível. Isso só foi possível porque fizemos coisas difíceis, como a resolução da situação da Grandforce e da manutenção no Brasil, dois dossiês prioritários para o governo antes de qualquer privatização. Christine Ourmières-Widener liderou a companhia aérea portuguesa de junho de 2021 até ao despedimento, dois anos depois, em março de 2023. A antiga CEO da TAP confessa que depois da pandemia da Covid-19, a situação da companhia aérea estava muito frágil. A situação era extremamente difícil, havia muitos problemas para resolver, crises em quase todos os departamentos. Estávamos a sair da Covid e a empresa estava praticamente a colapsar. Era uma questão de sobrevivência. E quando se está em modo de sobrevivência, a prioridade é pagar salário dos trabalhadores, pagar combustível. Se não se paga o combustível, não se voa. Era realmente sobreviver. Christine Ourmières-Widener, entrevista exclusiva às jornalistas do Observador, Ana Suspiro e Alexandra Machado. É um artigo que a esta hora faz manchete no site do Observador. E vejamos, no desporto, o Benfica perdeu esta noite por 1 x 0 frente ao Real Madrid, no Estádio da Luz. O brasileiro Vinicius Junior apontou aos 50 minutos, na segunda metade do jogo, o único gol da partida na primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Na flash interview, José Mourinho, técnico das Águias, considera que a equipa da Luz se perdeu ao longo da partida.
Nós entrámos bem, eu diria mesmo muito bem. E depois começámos a perder demasiadas bolas. Eles começaram a sair com perigo ainda na primeira parte e depois acho que a seguir ao gol, o jogo passou a ser mais instabilidade e emoção do que propriamente jogo, cérebro e controle. E depois foi um jogo já sem o brilho que eu acho que a primeira parte teve.
Já para Álvaro Alberló, técnico do Real Madrid, venceu a estratégia e, sobretudo, o espírito de equipa.
Creio que fomos uma equipa muito mais sólida. Estivemos muito mais juntos, atacámos muito juntos, defendemos também muito juntos. Foi um partido onde colocámos muito esforço por parte de todos, muita mentalidade de equipa, muito companheirismo. Creio que atacámos melhor, mais organizados e ao final é uma questão de quando nos organizamos melhor, tanto para atacar como para defender, nos sai um partido como este.
O encontro da segunda mão está marcado para o dia 25 de fevereiro, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, sendo que o vencedor da eliminatória vai encontrar nos oitavos de final ou o Sporting ou o Manchester City. É o ponto final neste noticiário, edição das 04:00. A informação fica por aqui. Está de regresso daqui a pouco, às 04:30, com a síntese de notícias.