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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Vila Real está a enfrentar o único incêndio de grandes dimensões no país, que tem neste momento duas frentes ativas. Uma em Vila Real, outra em Mondim de Basto, são as duas frentes ativas. Há também duas frentes dominadas. Este incêndio está a ser combatido, neste momento, por mais de 600 bombeiros, apoiados por 200 veículos. Temos neste momento em direto ao telefone neste jornal, o presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favães. Muito bom dia. Que dados é que tem neste momento sobre o combate ao incêndio? Estes números que acabei agora de revelar ainda são os atuais?
Sim, neste momento, essa é a capacidade instalada no terreno. Como disse, de facto, aquilo que se verifica são duas frentes ativas, uma no concelho vizinho, o concelho de Mondim de Basto, que naturalmente está a preocupar neste momento mais aquilo que são os incidentes operacionais no terreno, mas também esta em Vila Real, que depois daquilo que era a nossa expectativa durante o dia de ontem, quando aparentemente as condições estavam favoráveis para poder debelar este incêndio, infelizmente, as próprias condições de terreno, as mudanças repentinas de vento, levaram a vários reacendimentos em várias aldeias, colocando-as novamente em perigo. E no final da tarde, início de noite, uma das zonas que não tinha sido fustigada, precisamente por essa mudança dos ventos, que foi a aldeia de Arnal, também a aldeia de Galegos da Serra, na freguesia de Vila Marim, se viu também, de alguma forma, fustigada por estes incêndios que estiveram à sua porta. Felizmente, e mais uma vez, a capacidade instalada de homens e mulheres, das nossas corporações de bombeiros, mas também das outras entidades, permitiram fazer esse ataque. Durante a noite, esse trabalho de sapador, de facto, foi muito intenso. Aquilo que neste momento verificamos de manhã é um cenário mais favorável, que esperemos agora a entrada também de meios aéreos, que venham complementar, consolidar, de forma articulada, esse trabalho que está a ser feito precisamente no terreno por estes homens, por estas mulheres e pelas viaturas que efetivamente também referenciou. Aquilo que se vai sentindo é um enorme cansaço, exaustão dos homens e das mulheres, alguns deles a trabalhar há mais de 36 horas no terreno. Existe necessidade de aumentar aquilo que é a capacidade instalada, mas também de refrescar, ou seja, tornar efetivamente ainda mais agressiva aquilo que tem sido um combate enormíssimo, intenso e que eu não me canso efetivamente também de elogiar e de destacar. E isso claramente terá que ser feito. O reforço também, evidentemente, de meios aéreos, porque ainda se prevê nos próximos dias o aumento das temperaturas e, como é óbvio, se não pusermos cobro àquilo que são estas ignições, ou seja, estes incêndios, estas duas frentes ativas, certamente ainda vamos ter alguns dias de trabalho, de preocupação, de exaustão, de ansiedade das populações que nós queremos naturalmente evitar.
Mas com tudo isto que nos está a dizer, Alexandre Favães, as perspectivas para as próximas horas não são de controlar estas frentes ativas ou pode haver aqui a tal janela de oportunidade antes que as temperaturas voltem a subir ainda mais, como se prevê?
Do meu ponto de vista, no que diz respeito ao concelho de Vila Real, não me irei pronunciar naturalmente àquilo que são os trabalhos no concelho de Mondim de Basto. Realmente, de facto, existe essa janela de oportunidade. Penso que se de facto for assumido esse reforço de meios no terreno, temos condições para pôr cobro a este incêndio durante o dia de hoje. Essa é a minha expectativa, essa é a minha vontade, essa será a vontade dos homens e das mulheres que estão no terreno e evidentemente, também todos aqueles que a estão a coordenar. Aquilo que apelamos, de facto, é esse esforço adicional para permitir, na janela de oportunidade, que neste momento está criada no concelho de Vila Real, se ponha termo a este incêndio.
Ainda não há qualquer noção sobre danos e área ardida nesta altura. A preocupação é outra.
A preocupação, de facto, é outra. Continua a ser pessoas, continua a ser bens, continua a ser as nossas casas. Felizmente, até ao momento, não houve nenhuma casa, nenhum anexo que tenha sido fustigado. Existe a lamentar, naturalmente, aquilo que é uma malha florestal enormíssima, que foi devastada, também produções agrícolas. Estima-se neste momento também mais de 2000 hectares ardidos. Mas como disse, e bem, não é ainda altura de contabilizar danos, é altura de continuar a proteger as nossas populações, as nossas gentes e principalmente dar-lhes a paz e a serenidade que nos últimos dias lhe foi retirada por este ataque ao território.
O senhor falou na possibilidade de fogo posto. Faz essas afirmações por quê? Porque as ignições começaram de noite e é por isso que fica com essa perspectiva?
Eu apenas destaco os horários das ignições. Sábado, 14h30, uma ignição. Sábado, 20h, uma ignição. Sábado, 23h, uma ignição. E mesmo ontem à noite, sublinho, felizmente sem danos maiores, porque o rápido ataque das populações e dos bombeiros que o perceberam no momento inicial, numa aldeia vizinha, nada próxima a todas estas frentes de incêndio que estiveram ativas. Aquilo que se verificou foi uma nova ignição na aldeia de Lamasolo. Era 00h30. Permito-me apenas destacar os horários, o resto deixo para que as entidades competentes também investiguem e, se possível, levem à justiça aqueles que, de facto, estão a destruir aquilo que é a nossa casa comum.
Alexandre Favães, muito obrigada por ter estado conosco em direto, o presidente da Câmara de Vila Real, esperando que de fato estas próximas horas sejam a oportunidade para que o incêndio fique controlado. Este incêndio começou no sábado à noite, já se estendeu ao Conselho de Mondim de Basto. Ontem aproximou-se de algumas aldeias e localidades. Pelo segundo dia consecutivo, cinco distritos mais a norte de Portugal continental, Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança, estão sob aviso vermelho devido ao calor. Em certos pontos do país, as temperaturas máximas podem hoje ultrapassar os 40 graus. Cerca de 150 conselhos no norte interior e também do Algarve estão hoje em risco máximo de incêndio. E o presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil concorda com a decisão do governo de não ativar o mecanismo europeu de combate a incêndios. Assegura que Portugal não está numa situação limite e que a Proteção Civil está preparada para controlar possíveis novos focos de incêndio nos próximos dias. Ontem à noite, em entrevista na RTP, José Manuel Moura garante que não faltam meios de combate aos incêndios.
Relativamente aos meios, é sempre uma velha questão relativamente àquilo que tem a ver com os incêndios florestais. Naturalmente, que a minha resposta é não, não há falta de meios, e portanto, os meios não estão muitas das vezes visíveis junto das pessoas que acabam por proferir essas afirmações. Agora, há situações limite e percebemos isso. Felizmente, não estamos numa situação limite. O nosso dispositivo tem dado uma resposta, toda ela em todo o território nacional, muito significativa.
José Manuel Moura concorda ainda com a decisão do governo de não ativar o mecanismo europeu de combate aos incêndios. Lembra que outros países como Espanha e Itália estão neste momento a combater também eles fogos de grande dimensão. O governo desvaloriza o braço de ferro com o presidente da República. Entende que a posição de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a lei de estrangeiros é uma prova de vida. Marcelo não tem escondido que não concorda com as medidas desenhadas pelo governo, em conjunto com o CHEGA. O presidente da República chegou mesmo a levantar dúvidas sobre os números do Executivo, no que toca à imigração, e depois afirmou que a maioria que aprovou a nova lei de estrangeiros será julgada pela história. Palavras duras do presidente, mas que são relativizadas no Conselho de Ministros. Miguel Gato.
A maioria dos membros do governo desvaloriza as sucessivas intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa nos últimos tempos e garante que não existe qualquer conflito institucional, pelo menos da parte do Executivo da AD. No entanto, existem várias teses sobre esta espécie de braço de ferro com Belém. Por exemplo, a de que Marcelo tem sede de protagonismo e quer apenas mostrar prova de vida à medida que se aproxima dos últimos meses de mandato. Há também quem veja um chefe de Estado excessivamente preocupado em agradar ao Partido Socialista, incapaz de se aproximar da família política a que pertence, neste caso, o PSD. E quem entenda também que esta é mais uma manifestação de um presidente que não se conforma em não influenciar a governação de Luís Montenegro, numa altura em que a cumplicidade entre ambos, como se sabe, continua praticamente inexistente, ao contrário do que acontecia com António Costa.
Seja como for, Miguel, existe a convicção de que estes embates com Marcelo Rebelo de Sousa, em particular na questão da imigração, são verdadeiras medalhas para o governo.
Sim, isto porque Montenegro está convicto de que está a tomar as decisões certas sobre o tema da imigração e dentro do Executivo entende-se que uma crise institucional com o presidente pode mesmo vir a ser uma excelente oportunidade. Isto porque o eventual veto presidencial é perfeitamente contornável, uma vez que há a maioria de direita no Parlamento para voltar a aprovar este diploma. A acontecer, não só permitiria ao Executivo mostrar aos eleitores que não está disposto a recuar na regulação da imigração, como seria também sinal de determinação do primeiro-ministro, mesmo com as críticas constantes vindas de Marcelo Rebelo de Sousa. Fonte do governo diz mesmo que este cenário seria ouro sobre azul. A única preocupação maior da AD neste momento é eliminar a percepção de que é o CHEGA quem está a dominar a agenda na imigração. Quanto a Marcelo, Carla, o governo acredita que o chefe de Estado está apenas a queimar os últimos cartuchos da Presidência da República.
E assim vão sendo as relações entre Belém e São Bento, aqui com o Miguel Gato. A decisão do Tribunal Constitucional sobre a nova lei de estrangeiros deve ser conhecida nos próximos dias. A partir daí, a bola passa a estar de novo do lado de Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República veio já também comentar nos últimos dias a proposta do governo para a extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia, admitindo vetar o diploma se tiver dúvidas sobre um ponto que seja. E este é um dos artigos em destaque no site do Observador, é assinado pelo editor adjunto de política Miguel Santos Carrapatoso. Olhemos agora para a educação. A primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior terminou com quase menos 11 mil candidaturas do que no ano passado. Houve uma descida no número de inscritos para o ensino superior, com um total de quase 56 mil vagas para mais de mil cursos em universidades e institutos politécnicos públicos. Houve menos alunos a inscreverem-se. Em direto neste jornal das oito está o presidente do Conselho de Reitores, Paulo Jorge Ferreira. Muito bom dia, obrigada por estar conosco. Tem alguma explicação para o que aconteceu nesta primeira fase do concurso? Isto pode ser uma nova tendência?
Não, eu creio que não. Acho que há uma explicação. As regras do acesso mudaram e acho que deve ser nesse contexto que se deve procurar uma explicação. Haverá outras, com certeza, será um problema multifatorial, mas creio que como a diferença grande ocorreu exatamente entre este ano e o ano anterior, e as diferenças nos anos anteriores são muito menores, deverá ter acontecido alguma coisa de especial este ano que esteja na base disto tudo.
Porque as regras para o acesso ao ensino superior mudaram este ano, significa que mais alunos poderão estar a aguardar pela segunda fase para tentar a candidatura com correção de exames, será por aí?
Não, não é isso que eu quero dizer. Imagine que para ir aos Jogos Olímpicos, um atleta precisava de fazer mínimos em duas ou três modalidades, em vez de uma só. O número total de atletas Baixaria ou não. A verdade é que se houver mudanças nas regras de acesso, poderá haver uma redução do número de candidatos. É o que se passa aqui. Deverão buscar nas regras de acesso as explicações para o que está a suceder.
Teremos então, logo à partida, menos candidatos ao ensino superior.
Menos candidatos neste momento. Depois haverá o processo de apreciação das candidaturas, do qual não resultarão seguramente mais candidatos. Todos os anos, o número efetivo de candidatos admitidos é um pouco inferior. Este ano há uma redução de cerca de 14%, 15% para o ano passado e para o ano anterior, respetivamente, enquanto que nos anos anteriores a redução andou abaixo de 2% o ano passado e abaixo de 4% há dois anos.
Isto quer dizer que num futuro próximo poderemos ter aqui um problema de ajustamento entre a oferta e procura?
Penso que o país pode perder talento, se for esta a razão que eu estou a avançar. E se assim for, teremos todas as vantagens em rever o acesso, atualizando aquilo que está a acontecer e aos tempos presentes, na certeza de que o país continua a precisar de qualificação e qualquer barreira a essa qualificação é indesejável para o futuro de todos nós e da nossa economia.
Algumas associações acadêmicas já tentaram explicar esta descida do número de candidatos com as dificuldades de habitação. Esse pode ser também um obstáculo, neste momento, no acesso ao ensino superior?
Sim, quando eu disse que a questão era multifatorial, tinha também em mente todas essas outras explicações. Mas as dificuldades com o acesso já se verificavam o ano passado. Na verdade, não há em memória recente um ano para o qual eu esteja tão otimista quanto ao acesso, porque neste momento temos 19.212 novas camas contratadas no âmbito do PRR, das quais 90% estão concluídas ou em construção e penso que estarão prontas para o próximo ano.
Ficam aqui estas expectativas. Paulo Jorge Ferreira, muito obrigada por nos ter ajudado a perceber o que está a acontecer este ano com as candidaturas. Paulo Jorge Ferreira é o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. O que sabemos é que há menos candidatos ao ensino superior, pelo menos nesta primeira fase do concurso, que terminou ontem. A segunda fase vai decorrer entre 25 de agosto e 3 de setembro. Haverá aqui vários fatores a explicar estes números. Na atualidade internacional, o coronel José do Carmo admite que é possível uma ocupação total da Faixa de Gaza por parte de Israel, mas avisa que apenas pode acontecer a custo da vida dos reféns. Diz que Israel tem um dilema em mãos: ou desiste da ocupação ou perde todos os reféns que ainda estão em cativeiro. É a análise deixada esta manhã no Gabinete de Guerra. O coronel José do Carmo considera que todas as estratégias militares israelitas falharam e uma ocupação da Faixa de Gaza é possível, mas sem as garantias que Tel Aviv exige.
Possível, em termos puramente cinéticos, é. O problema é que Israel atua num ambiente que é muito condicionado pelas leis internacionais, pela pressão internacional. Ou seja, as estratégias que Israel usou até agora falharam todas. Falharam porque tinham como pressuposto a ideia de que o Hamas, em algum ponto, iria desistir. Está num dilema. A única alternativa para que o governo não perca a face é justamente fazer isto. É justamente lançar uma ofensiva na qual os reféns obviamente irão morrer, porque há ali um momento em que tem que decidir se é a altura de arriscar tudo ou deixá-los morrer.
Declarações do coronel José do Carmo esta manhã no Gabinete de Guerra. O militar recusa ainda a ideia de que a postura do Hamas em relação aos reféns vá mudar, mesmo com a pressão internacional das Nações Unidas e de vários parceiros internacionais. Ainda no Médio Oriente, Israel fez hoje saber que vai permitir a entrada gradual e de forma controlada de mercadorias em Gaza, através de comerciantes locais. Vai acontecer pela primeira vez em quase um ano. O jornal Haaretz acrescenta que os oficiais israelitas vão autorizar um número limitado de comerciantes a movimentar mercadorias, passando por controles de segurança. Essas mercadorias incluem produtos essenciais, alimentares, comida para bebê, frutas, vegetais e também artigos de higiene. São agora 08h17, Carla. Que outras notícias marcam esta manhã de terça-feira. Jair Bolsonaro vai ficar em prisão domiciliária. O antigo presidente do Brasil não cumpriu as medidas cautelares que foram impostas depois da tentativa de golpe de Estado. A Justiça brasileira considera que o Bolsonaro utilizou as redes sociais de aliados políticos, incluindo dos três filhos, para partilhar conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal. Nas reações, os Estados Unidos criticam esta decisão, prometem represálias. Numa nota divulgada nas redes sociais, a Casa Branca acusa o juiz em causa de instrumentalizar a Justiça brasileira para silenciar a oposição e ameaçar a democracia. Apoiantes de Donald Trump defendem que sejam aplicadas mais sanções contra a Rússia e veem o Kremlin como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. É o que revela uma nova sondagem. Menos de 20% dos inquiridos estão contra os apoios dados pelos Estados Unidos à Ucrânia. Entretanto, os ataques continuam. Pelo menos quatro pessoas morreram e três ficaram feridas num ataque com drones em Zaporizhzhia. Terão sido lançados mais de 300 drones contra a Ucrânia. E agora falamos do ataque à embaixada da Turquia em Lisboa. É um dos temas em foco no novo podcast Plus do Observador. Aconteceu em julho de 1983 e foi levado a cabo por um grupo de cinco homens armados. A história é contada no terceiro episódio de "1983: Portugal à Queima-Roupa". Há cerca de um ano antes, um diplomata turco e a mulher já tinham sido mortos a tiro, em plena luz do dia, em Linda-a-Velha.
Estava calor. A janela do carro estava aberta. O homem disparou quatro vezes com uma pistola em cada mão e matou o diplomata à queima-roupa. A mulher ainda tentou fugir, mas também foi atingida na cabeça. O assassino nunca foi encontrado. Desde o atentado, foram reforçadas as medidas de segurança para todo o pessoal diplomático turco em Lisboa e para o edifício da embaixada. Há o receio de que possa ser alvo de um ataque a qualquer momento.
Esta é uma série em seis episódios narrada pela atriz Vitória Guerra, com a banda sonora original do Jolinda Martini. E se for assinante Standard ou Premium do Observador, tem acesso antecipado a todos os episódios.