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É o dia da decisão. A UGT reúne-se esta manhã para analisar e votar a proposta do governo sobre a reforma laboral. É o passo que falta para o documento ser enviado à Assembleia da República.

A reunião do Secretariado Nacional da UGT está marcada para às 10h. De lá vai sair a decisão da central sindical. Há duas semanas, a UGT rejeitou a proposta do governo, precisamente num encontro do mesmo órgão, o Secretariado Nacional, mas as negociações acabaram por ser retomadas pelos parceiros sociais com novas alterações ao documento. Há acordo entre governo e patrões. Falta a luz verde dos trabalhadores sobre a revisão da lei laboral, que se arrasta desde julho de 2025.

Expectativas para saber qual vai ser a decisão final da UGT. Do lado da central sindical, têm surgido várias opiniões e aumenta a pressão.

Aumenta no final das audiências de ontem com o presidente da República, o secretário-geral da UGT disse que ainda não está confortável com a proposta do governo. Já os patrões desafiam a UGT a indicar quais são os pontos dos quais discorda e o que é que pretende ao certo para chegar a um acordo final. Do lado do governo, a ministra do Trabalho afirmou ontem no Parlamento que tem a expectativa de ainda conseguir um acordo com os parceiros. Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, aumentou a pressão. Disse que só razões políticas é que podem impedir um entendimento em concertação social e que cabe à UGT decidir se quer estagnar ou avançar.

O presidente da República vai ainda esperar pela decisão do Parlamento e, mesmo sem acordo na concertação social, o veto presidencial às alterações da lei laboral não é inevitável.

António José Seguro tem vindo em várias posições públicas a tentar libertar-se da posição que o comprometeu na campanha eleitoral. O Observador sabe que o presidente da República só faria um pré-aviso de veto presidencial se estivesse em causa uma proposta que considerasse inadmissível. Não é assim que o chefe de Estado entende as alterações que estão em cima da mesa e, por isso, João Gama, a decisão não está 100% fechada.

Ou seja, o chefe de Estado quer esperar para ver o que traz a discussão no Parlamento, com ou sem luz verde da UGT, que vai ser conhecida hoje. Seguro tem vindo a passar a ideia de que o veto não é visto como inevitável no Palácio de Belém, até porque a primeira proposta da reforma laboral apresentada pelo governo, e que Seguro, aí sim, considerava inaceitável, é muito diferente daquela que está hoje em cima da mesa. É isso que pode ajudar a explicar um eventual passo atrás. O então candidato presidencial foi um dos mais claros no que toca à lei laboral, quer na primeira volta, quer na segunda. Garantiu que não iria promulgar a lei sem a luz verde da UGT em vários momentos da corrida eleitoral.

João, esta posição de Seguro pode surpreender principalmente o Partido Socialista, até porque o PS tem estado a jogar como se a posição do presidente já estivesse fechada.

Basta, por isso, lembrar, Carla, as declarações do líder parlamentar Eurico Brilhante Dias, que chegou a sugerir que, sem acordo na concertação social, o documento seria vetado pelo presidente da República e que, por isso, toda a discussão no Parlamento seria inútil. Mas o Observador sabe que, ao contrário do que sugere o Partido Socialista, o chefe de Estado vai querer analisar todos os pontos da lei antes de tomar uma decisão. Ainda este fim de semana, em Madrid, fez questão de dizer publicamente que só tomará uma decisão final depois de ter o documento final fechado e aprovado pelo Parlamento e, aí sim, terá de ser necessário respeitar o tempo do presidente.

E para já, hoje é o tempo da UGT. O João Gama aqui a mostrar-nos o processo de negociações para a reforma da lei laboral. O presidente da República aguarda pela versão final do documento para tomar uma decisão, sendo que um chumbo político não é inevitável.

Mariana Vieira da Silva não se sente visada pelas referências de Pedro Nuno Santos ao taticismo de figuras do PS. A antiga ministra diz, ainda assim, que não se revê na crítica, seja ela dirigida a quem for. As críticas do ex-líder do PS foram feitas ontem no regresso ao Parlamento. Mariana Vieira da Silva responde em declarações à Rádio Renascença e garante que não se sentiu visada.

Certamente que não, porque, em primeiro lugar, esperaria que o Pedro Nuno Santos, se assim o entendesse, me tivesse dito isso mesmo a mim, coisa que não fez. Em segundo lugar, porque não há nenhum dia dos últimos, já muitos anos da minha vida, que eu não tenha passado a dedicar ao Partido Socialista, qualquer que seja o seu líder, na procura do melhor resultado possível para o PS. Em segundo lugar, queria dizer que nós não podemos sistematicamente achar que quando nos disponibilizamos a nós próprios para os lugares e as lideranças dos partidos, somos corajosos e quando os outros mostram a mesma disponibilidade, são taticistas. Os partidos precisam de todos.

Pedro Nuno Santos não identificou a quem se referia nessas críticas, mas falou em taticistas que estão à espera que venham tempos mais fáceis para o PS para avançar para a liderança. São críticas que se podem entender, não só a Mariana Vieira da Silva, mas também a Duarte Cordeiro ou a Fernando Medina.

Falamos agora do 25 de Abril, que se assinala já este sábado. A PSP garante estar atenta e preparada para agir e intervir, caso voltem a surgir confrontos entre grupos de extrema-direita e manifestantes antifascistas.

Recordemos o que aconteceu no ano passado. As celebrações do Dia da Liberdade ficaram marcadas por violência. Pessoas ligadas a organizações como o Grupo 1143, o Habeas Corpus ou o Partido ERGUE-TE saíram à rua. As manifestações acabaram por coincidir com o desfile tradicional do 25 de Abril. A PSP tinha emitido um parecer negativo sobre a realização de uma manifestação de extrema-direita no centro de Lisboa, mas os protestos aconteceram na mesma e terminaram em confrontos com a intervenção da PSP. Contactada pela Rádio Observador, numa altura em que se aproximam os festejos, a PSP garante que está preparada para agir, caso estas manifestações voltem a acontecer este ano.

Mas, Carla, vai haver um reforço do dispositivo de segurança, além do que já está habitualmente previsto?

A polícia não responde de forma direta a essa pergunta feita pela Rádio Observador, mas fala num trabalho constante de pesquisa e recolha de dados para monitorizar estes grupos de extrema-direita e garante que, se for necessário, vai usar os meios humanos e materiais necessários para manter a ordem pública.

Este é o tema do onde para o caso de hoje, um programa para ouvir logo a seguir ao jornal das 17h da tarde política. Donald Trump diz que não tem um calendário definido para acabar com a guerra no Irã ou com o cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos garante também que não está a pensar nas eleições intercalares.

São os destaques de uma entrevista à Fox News. Donald Trump rejeita também pressão sobre o cessar-fogo com o Irã, prolongado indefinidamente ontem. Na análise, o coronel José do Carmo considera que a decisão de Trump de prolongar o cessar-fogo tem dois focos: o Irã e as eleições intercalares, apesar de Trump rejeitar essa ideia.

Isto também é uma mensagem para o Irão, para dizer que não há nenhuma pressão, que podem esperar o tempo que quiserem, que o bloqueio está instalado e, portanto, o Irão é que irá sofrer cada vez mais. E nesse aspecto é verdade. A pressão sobre o Irão não é apenas política, no sentido que não é uma democracia e, portanto, não tem essa pressão, mas é uma pressão económica bastante pesada, porque, de facto, o Irão está com as suas exportações e importações bastante limitadas.

O coronel José do Carmo esta manhã no Gabinete de Guerra. O Irão repete que o bloqueio naval dos Estados Unidos é o maior entrave às negociações e afirma que assim não pode reabrir o estreito de Ormuz. Noutra frente de guerra, está marcada para hoje uma nova ronda de negociações entre o Líbano e Israel, que vai decorrer nos Estados Unidos.

São agora 08h08, daqui a pouco a nova edição de Momentos de Glória. Primeiro, Carla, que outras notícias merecem destaque?

O número de internamentos sociais aumentou 19% e ultrapassou os 2800 em março, ou seja, 14% das camas do SNS estão ocupadas com estes casos, em que as pessoas continuam internadas mesmo depois de terem tido alta, porque não têm para onde ir. Dados divulgados hoje no Barómetro dos Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. O estudo alerta que os internamentos inapropriados custam ao Estado mais de 350 milhões de euros. O governo e sindicatos chegaram a acordo sobre o trabalho em museus e monumentos em dias de feriado. Os funcionários passam a receber €60 além do salário. A informação é adiantada em comunicado dos Ministérios da Cultura e das Finanças. Este acordo põe fim a dois anos de reivindicações e greves, que chegaram a encerrar vários museus e monumentos do país. O Sporting está na final da Taça de Portugal depois do empate a zero frente ao Futebol Clube do Porto, no Estádio do Dragão. Esta noite a Torriense-FAFE é o outro jogo da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Uma das equipes vai juntar-se ao Sporting na final, que está marcada para o dia 24 de maio.