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Não há acordo na concertação social. A reforma laboral vai mesmo avançar para o Parlamento. "O Observador" sabe que na reunião de ontem, a UGT foi inequívoca ao dizer não à proposta.

Isto apesar das cedências de última hora da CIP. A reunião de ontem terminou com muitas trocas de acusações entre os parceiros sociais e a ministra do Trabalho. Isto porque, na hora da verdade, Miguel Gato, nunca houve uma real aproximação.

Nem a ministra do Trabalho, nem a UGT se referiram às propostas da CIP quando os parceiros se sentaram ontem à mesa da concertação, o tema nunca foi abordado. Um dos presentes na reunião conta ao Observador que, pela primeira vez em todo o processo, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, foi inequívoco, não hesitou ao dar um não ao acordo para a reforma laboral. Depois, a palavra foi passada aos patrões. Todos eles também assumiram que era o tempo da proposta seguir para a próxima morada, o Parlamento. No final desta rendição unânime, uma boa parte do encontro de uma hora e meia acabou por ser uma homenagem a João Vieira Lopes, que está de saída da presidência da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.

E Miguel, depois de mais de 200 horas de reuniões formais e informais e com a proposta do governo a seguir para o Parlamento sem acordo na concertação social, a ministra do Trabalho diz que não se demite.

Foi essa a garantia deixada por Maria do Rosário Palma Ramalho no final da reunião aos jornalistas e reforçada também depois em entrevista à Sic Notícias. A ministra nega uma derrota pessoal ou política e explica que já está concentrada na próxima fase. O próximo passo é entregar a proposta da reforma laboral ao primeiro-ministro. Segue-se o agendamento para o Conselho de Ministros, em que a versão que vai ser entregue ao Parlamento vai ser aprovada por todo o governo.

Então, e que versão da proposta será essa?

Essa é a principal dúvida. Sem o sim da UGT, Palma Ramalho tem agora a liberdade de levar a versão do pacote laboral que entender. Ontem, a ministra disse que vai levar ao Parlamento a versão que deu a conhecer ao país em julho do ano passado, com alguns acrescentos que resultaram destas negociações, mas sem concretizar.

Miguel Gato, com os bastidores da reunião de concertação social que ditou o fim das negociações para a reforma do pacote laboral. O projeto de lei segue agora para a Assembleia da República, sem a garantia de aprovação, nem pelo PS, nem pelo CHEGA.

A ministra do Trabalho vai estar hoje no Sobre Escuta da Rádio Observador, uma entrevista para ouvir logo a seguir ao Jornal das Nove. E continuamos a falar deste assunto, porque o antigo secretário de Estado do Emprego, Pedro Silva Martins, considera que o chumbo da reforma laboral é uma derrota para o governo.

Pedro Silva Martins esteve no governo de Passos Coelho, participou na reforma laboral, que foi aprovada em 2014. Em entrevista na Vixi Suave, da Rádio Observador, afirma que a falta de acordo é uma derrota para o governo e para a ministra do Trabalho. Considera também que a proposta inicial tinha um problema de base.

Parece-me que grande parte das medidas propostas nestas diferentes alterações da legislação laboral eram medidas no sentido oposto àquele que a UGT, para não falar da CGTP, entende como sendo, digamos assim, os aspetos prioritários das alterações à legislação laboral.

Desprotegia em demasia os trabalhadores, é isso que está a dizer?

Exato. Todas as medidas, penso que não estou a ser injusto ou não suficientemente rigoroso, mas todas as medidas vão no sentido de introduzir maior flexibilidade na legislação laboral.

Pedro Silva Martins, em entrevista à Vixi Suave da Rádio Observador, aponta responsabilidades não só ao governo, mas também à UGT e até ao presidente da República. O antigo secretário de Estado do Emprego defende ainda que, independentemente do desfecho destas negociações no Parlamento, a ministra do Trabalho tem condições para continuar.

É uma entrevista que está em destaque a esta hora no site do Observador e disponível na íntegra em podcast. Morreu Carlos Brito, o histórico dirigente do PCP, candidato às presidenciais de 1980. Tinha 93 anos, esteve oito anos preso, foi torturado pela PIDE e participou numa fuga histórica do Aljube. Carlos Brito esteve recentemente internado no hospital. Morreu ontem em casa, no Conselho de Alcoutim. O PCP recorda, em comunicado, o percurso antifascista do antigo dirigente e a contribuição na Revolução de Abril, apesar das conhecidas diferenças e distanciamento político do partido. Diana Rosa relembra precisamente esse percurso político de Carlos Brito.

Foi o candidato apoiado pelos comunistas às eleições presidenciais de 1980. Aos 17 anos, Carlos Brito iniciou-se na política como opositor ao Estado Novo, integrando o movimento Unidade Democrática Juvenil, em Lisboa. Depois, esteve oito anos preso durante a ditadura. Saiu em liberdade em 1966 e até ao 25 de abril esteve entre o exílio em França e a clandestinidade em Portugal. Em 1980, foi candidato às presidenciais, desistiu a poucos dias da eleição a favor da recondução do general Ramalho Eanes. Carlos Brito morreu em casa esta quinta-feira, no Conselho de Alcoutim, depois de ter estado recentemente internado no hospital de Faro. Tinha 93 anos.

Diana Rosa, com o perfil de Carlos Brito, que morreu ontem. Ao longo da noite, foram-se multiplicando as reações. Destaque para o presidente da República, que reage com tristeza à morte de Carlos Brito. António José Seguro recorda um homem de convicções firmes e coragem cívica.

São agora 08h06. Carla, que outras notícias marcam esta véspera de fim de semana?

Estados Unidos e Irão voltam a trocar ataques no Médio Oriente, numa altura em que o cessar-fogo parece cada vez mais frágil. Teerão acusa Washington de atacar um petroleiro iraniano perto do estreito de Ormuz. Donald Trump relativiza a troca de agressões. Em declarações à ABC News, o presidente dos Estados Unidos afirma que o cessar-fogo continua em vigor, mas nas redes sociais tem um tom mais duro. Avisa que vai derrotar o Irão com muito mais força e violência, caso o país não assine o acordo de paz rapidamente. O Sporting de Braga perdeu com o Friburgo da Alemanha por 3x1. Falha o acesso à final da Liga Europa. Apesar da derrota, o técnico Carlos Vinicius mostra-se orgulhoso da equipa. A final da Liga Europa vai ser assim entre Friburgo e Aston Villa no próximo dia 20. O fim de semana vai ficar marcado pela chuva. Seis distritos de Portugal continental vão estar entre hoje e amanhã sob aviso amarelo. Évora, Faro, Setúbal, Santarém, Lisboa e Beja. A chuva pode ser por vezes forte, acompanhada de trovoada. É o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.