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Este é o Jornal das 8, com edição do Rui Casanova. Rui, começamos com o caso que tem dado o que falar nos últimos dias, o caso das duas crianças abandonadas em Alcácer do Sal. O Ministério Público pede prisão preventiva para a mãe e para o padrasto, que mostrou comportamentos agressivos ontem à noite.
O interrogatório ao casal francês começou ontem à tarde, foi interrompido perto da meia-noite e é retomado esta manhã, a partir das 10h, no Tribunal de Setúbal. Hoje devem ser conhecidas as medidas de coação, sendo que o Ministério Público pede prisão preventiva para os dois suspeitos, a medida mais gravosa. Os trabalhos ficam desde já marcados por vários incidentes. Ontem à noite, à saída do Tribunal de Setúbal, no final do interrogatório, o padrasto voltou a gritar e mostrou comportamentos agressivos. Chegou mesmo a dar murros no interior da carrinha da GNR, onde seguia acompanhado pelos militares, e gritou "Armagedão", a palavra bíblica que significa fim do mundo. Este momento foi acompanhado em direto pelo repórter da Rádio Observador, Ricardo Lopes. Vamos aqui recuperar esse relato.
Atenção que a carrinha abre agora.
Armagedão!
Ele grita lá dentro, ou seja, o padrasto. Conseguimos ver grandes abates de vidro.
Conseguimos ouvir.
Exatamente. Conseguem ouvir?
Armagedão!
Acho que foi percetível. Eu coloquei o microfone mesmo lá dentro.
Muito percetível.
Ou seja, estava bastante revoltado. O padrasto da criança continua com esta postura agressiva.
O relato do repórter da Rádio Observador, Ricardo Lopes, a dar conta desse momento. À chegada ao tribunal, o padrasto já tinha dito palavras como: "Eu amo-vos a todos" e a mãe das crianças apareceu a cantar no momento em que era acompanhada pelos militares da GNR. A mãe das duas crianças não terá prestado declarações ao juiz no Tribunal de Setúbal, só o padrasto terá falado. O interrogatório é retomado esta manhã. Como dizíamos há pouco, os dois passaram a noite no posto da GNR de Palmela. A mãe e o padrasto das crianças são suspeitos dos crimes de violência doméstica e exposição ou abandono.
É um caso que vamos continuar a acompanhar durante este sábado. E o primeiro-ministro avisa que o povo português está farto de eleições e afirma que em 2029 o país vai avaliar o desempenho do governo.
O primeiro-ministro e presidente do PSD sublinha que o povo escolheu o governo da AD para governar, mas afirma que no final da atual legislatura estará disponível para fazer um balanço do trabalho apresentado pelo Executivo e avisa que também vai avaliar, ao mesmo tempo, o trabalho da oposição.
O povo não quer eleições. Eu até diria, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e em 2029 fará a próxima. Em 2029 avaliará o desempenho do governo e concluirá. Cumpriram a expectativa que nós tínhamos neles, devem continuar. Ou então olhará para as oposições e dirá: "Este partido mostrou que é capaz de fazer melhor. Aquele outro partido mostrou que tem melhores propostas", e tomará essa opção.
Luís Montenegro, ontem à noite, em Vila Pouca de Aguiar, numa sessão de apresentação da recandidatura às eleições diretas do PSD, eleições que estão marcadas para o dia 30 de maio. O presidente do PSD e primeiro-ministro falou sobre vários temas nesta intervenção, da agricultura ao ensino, ao trabalho, às pensões e aos impostos.
Oito horas e três minutos. Falamos agora das tempestades que atingiram o país no início do ano. O presidente da Câmara da Marinha Grande admite atrasos na distribuição de apoios, mas culpa, sobretudo, a burocracia.
Sim, é a reação às declarações do ministro da Economia. Manuel Castro Almeida esteve ontem a ser ouvido no Parlamento. Afirmou que a ajuda não chega às populações, sobretudo por lentidão das câmaras municipais. O presidente da Câmara da Marinha Grande reconhece atrasos, sim, no entanto, ouvido pela Rádio Observador, Paulo Vicente atribui o problema, sobretudo, à plataforma de dados criada para atribuição de apoios e pedidos.
Parte destas candidaturas foram feitas logo no princípio e a própria plataforma estava mal concebida. Portanto, há falta de elementos. Nós estamos a pedir aos munícipes ou requerentes que venham completar os dados que estão em falta ou que estão incorretamente preenchidos e estamos a dar um prazo para nos darem essas respostas e está a haver um leve atraso.
A defesa do presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, ouvido pela Rádio Observador, acrescenta ainda que a autarquia está a trabalhar arduamente para conseguir verificar cada situação de forma rigorosa, o que naturalmente leva algum tempo.
Apesar dos poucos recursos humanos que temos disponíveis, alocamos bastantes técnicos à situação e isso até em prejuízo dos nossos próprios trabalhos, das nossas próprias competências. E, portanto, não estamos lentos, não estamos a trabalhar eficazmente no assunto. Agora, a situação não é preto e branco. A situação é que temos que verificar e sermos rigorosos na análise destas candidaturas.
A Rádio Observador procurou ainda mais reações às críticas do ministro da Economia, que culpa as autarquias pelos atrasos na distribuição de apoios para fazer face às tempestades. Fonte oficial da Câmara de Coimbra reconhece que a análise das candidaturas se tem revelado mais demorada do que o previsto, mas justifica uma vez mais com a burocracia. As afirmações do ministro da Economia são ainda contrariadas por Pedro Pimpão, presidente da Associação Nacional de Municípios e também autarca de Pombal, garante à Rádio Observador que as câmaras municipais estão a fazer os possíveis para apoiar as vítimas das tempestades.
E lá por fora, Donald Trump está a considerar voltar aos ataques contra o Irão. O presidente dos Estados Unidos esteve reunido nas últimas horas com a principal equipa de segurança nacional.
A informação é avançada pelo portal norte-americano Axios. O presidente dos Estados Unidos está a considerar voltar à ofensiva militar caso não haja avanços nas negociações que ponham fim à guerra. Isto numa altura em que Trump volta, ao mesmo tempo, a prometer que este conflito vai acabar muito em breve. Foi pelo menos isso que afirmou ontem à noite num comício do Partido Republicano em Nova Iorque.
We have stopped them. They're not gonna ever have a nuclear weapon. And we'll have that over with soon. It'll be over with soon.
A garantia de Donald Trump, o Irão nunca vai ter uma arma nuclear e a guerra vai acabar em breve. O presidente dos Estados Unidos afirma também que o petróleo obtido da Venezuela já pagou a guerra com o Irão 25 vezes. Foi a expressão utilizada por Donald Trump neste comício ontem à noite, isto no dia em que o presidente dos Estados Unidos teve uma baixa de peso na equipa. A diretora dos Serviços Secretos norte-americanos apresentou a demissão. Tulsi Gabbard quer poder acompanhar o marido, que tem um cancro raro nos ossos. A notícia foi avançada ontem à noite pela Fox News, que teve acesso à carta de demissão entregue por Tulsi Gabbard a Donald Trump.
E Rui, subiu para 10 o número de distritos do Norte e Centro do continente, sob aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, devido à previsão de chuva e trovoada. É um aviso que fica em vigor até ao final do dia.
Sim, é aqui um país meio que dividido. No Norte e Centro, chuva, por vezes forte, acompanhada de trovoada, é o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Daí estes avisos amarelos. Já de Santarém para baixo prevê-se um dia de sol e temperaturas elevadas, sem qualquer aviso do IPMA. Os termômetros vão ultrapassar os 30° em vários distritos, a começar aqui por Lisboa, também Setúbal, Évora e Beja.
É o ponto final no Jornal das Oito, que teve a edição do Rui Casanova.