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São 9 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Nas últimas horas foram dominados três dos principais incêndios em todo o país: Nisa, Penamacor e Alcanede. Começamos com o incêndio em Nisa, distrito de Portalegre, que foi dominado esta manhã. Ontem houve danos materiais, vários moradores tiveram de sair de casa. A situação está agora mais calma. No terreno continuam mais de 300 operacionais e uma centena de viaturas. O trabalho agora é evitar reacendimentos. Em Alcanede, Santarém, a situação também é agora descrita com mais calma.

O incêndio foi dominado de madrugada.

A descida das temperaturas ajudou. Rodrigo Bertelo, comandante sub-regional da Lezíria do Tejo, faz um balanço positivo do combate feito nas últimas horas.

Durante a noite as condições propiciaram-se a ser favoráveis para nós. A questão dos ventos e das temperaturas durante a noite, houve uma entrada de alguma umidade e a temperatura baixou um pouco durante a noite. Com os meios que tínhamos disponíveis no terreno, foi conseguido trazer a resolução deste incêndio e a circunscrição de toda a área. Neste momento estamos em trabalhos de consolidação e rescaldo.

É assim que está o Rodrigo Bertelo, comandante sub-regional da Lezíria do Tejo, num ponto de situação que foi feito à Sic Notícias na última hora. Os danos a registar neste incêndio são um anexo, uma habitação e uma pecuária de leitões. O incêndio de Penamacor, em Castelo Branco, também foi dominado esta madrugada. Continuam no terreno mais de 400 operacionais e 130 viaturas, também nos trabalhos de consolidação.

Cenário diferente, mais a norte, em Arouca e Ponte da Barca. Estes dois incêndios continuam ativos e estão a mobilizar centenas de meios.

Vamos começar em Arouca. As chamas ameaçaram a vila durante a noite. É o incêndio que mobiliza mais meios, quase 800 operacionais, 250 viaturas. É lá que está o Miguel Gato. Miguel, estás desde bem cedo no terreno. O que é que tens visto?

Neste momento, Carla, aqui em Arouca, mais concretamente na vila de Arouca onde me encontro, o cenário não é tão negro, se me permites a expressão, como dizem o número de operacionais que estão no terreno. Por exemplo, o céu não é muito negro, há um misto entre céu negro e céu azul e o ar também é respirável, pode ser sinal de que ou o vento está para outro lado e há outras povoações que estão a ser mais afetadas por essa nuvem negra, ou então a situação já está melhor. Nós, nas últimas horas, aliás, nos últimos minutos, tivemos aqui uma informação da Corporação dos Bombeiros de Arouca, que nos dão conta de que há duas frentes ativas neste momento no incêndio de Arouca, em Santa Eulália e também em Tropeço, e que na zona de Canelas, que foi onde começou este incêndio e onde também foi uma das zonas que mais preocupou as autoridades, nas palavras desta fonte que nós ouvimos nos últimos minutos, já ardeu tudo o que tinha a arder e essa zona de Canelas já não preocupa tanto as autoridades. Dar ainda conta de que estas duas frentes, segundo esta fonte que ouvimos, já estão mais calmas neste momento, ou seja, é um incêndio que já não preocupa tanto as autoridades, mas obviamente que ainda há muitas horas de trabalho, mas os bombeiros de Arouca dizem-nos que nas próximas horas, se não levantar muito vento e se a temperatura também o permitir, que esperam nas próximas horas resolver esta situação. Zona mais preocupante é, neste momento, a de Cinfães, um incêndio que arde com grande intensidade e que está também a ser coordenado a partir daqui, da Corporação dos Bombeiros de Arouca. E esse fogo pode mesmo chegar nas próximas horas perto de casas. É uma situação que naturalmente também vamos acompanhar ao longo desta quarta-feira. Dar conta ainda de que tanto o comandante de operações da Proteção Civil, que está a coordenar estes incêndios em Arouca e em Cinfães, Hélder Silva, e também a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, devem passar aqui na próxima hora e portanto também podem nos dar um ponto de situação oficial. Para já, são as informações que temos. Com nota de reportagem, dar também, Carla, a indicação que estão aqui presentes várias corporações de todo o país, Grande Porto, Grande Lisboa, nomeadamente da Ericeira, Vila Franca de Xira e Agualva-Cacém.

Muitos meios mobilizados aí para Arouca, onde o Miguel Gato nos dá conta da atual situação. Aguardam-se informações oficiais, elas podem chegar com essa dimensão mais abrangente do combate ao fogo em Arouca.

Destaque também para Ponte da Barca, Viana do Castelo. O incêndio está ativo desde sábado e continua a mobilizar 360 operacionais e 120 viaturas.

Sendo que a pequena aldeia de Ermida voltou a ser ameaçada pelas chamas nas últimas horas. É lá que tem estado esta manhã a jornalista Maria Rego. Maria, tens falado com moradores que falam na hipótese de fogo posto.

Exatamente, os moradores vão falando do medo, mas também das convicções de que este incêndio que lavra desde sábado foi, de facto, fogo posto. Serafim Gonçalves é uma destas pessoas. Vive em Lisboa, mas tem casa de férias aqui nesta região. Veio de propósito, mal viu as notícias de que havia um incêndio forte aqui em Ponte da Barca. À Rádio Observador, explica que não teme pelo fogo que já lavra, teme sim pela incerteza de que se torne de novo o cenário de catástrofe a qualquer momento.

A grande preocupação minha e acho que de qualquer pessoa, já nem é este incêndio que nos está a preocupar, porque o jogo já foi lá para cima. É que de uma hora para outra, alguém se lembre de colocar aqui no outro sítio, na outra frente, e o que parecia estar seguro voltar a estar em risco. Essa é realmente a minha preocupação, porque à hora que o fogo é posto, não anda ninguém a roçar mato, é mesmo colocado propositadamente. Nós não podemos afirmar quem foi, mas que foi, todos nós estamos convictos disso.

Serafim Gonçalves fala ainda de um medo coletivo que assombra estas aldeias aqui em Ponte da Barca.

Nós temos sempre medo. Sempre toda a gente tem medo, como é lógico. Se eu não tivesse medo, eu não vinha de Lisboa para aqui, de propósito, tentar ver se podia fazer alguma coisa. O que eu posso fazer, não sou bombeiro, mas o que eu posso fazer é manter o meu espaço regado, úmido, para que fagulhas que venham no ar não criem um foco de incêndio, não me incendeiem o quintal ou mesmo nos terrenos vizinhos. Temos que nos ajudar uns aos outros, pelo menos nesse sentido. Os bombeiros estão a fazer o trabalho deles, muito bem. Mas nós temos que sempre, se estivermos presentes, podemos sempre fazer algo e é o que se tem feito. Agora, medo, temos. Muito medo. Claro que temos, temos bens a salvaguardar. Mesmo que as pessoas tenham que ser evacuadas ou sair, ficam os nossos bens, fica uma vida inteira.

Uma vida inteira nas mãos de um fogo que não termina. Para este habitante, ainda assim, o fogo poderia estar a ser combatido de uma outra forma, nomeadamente através dos meios aéreos.

Temos, pelo menos, cerca de uma hora e meia de luz e eu não consigo perceber porque é que a partir do momento em que há visibilidade para fazer as amaragens, por que não há meios aéreos, já que devido à morfologia deste terreno, os bombeiros pouco podem fazer, é deixá-lo arder até sítios onde o podem combater. Mas os aviões, por meios aéreos, estou convicto que se tivessem já a atuar enquanto ele não ganha proporções, enquanto o vento não levanta, porque agora não está vento, eu acho que deviam estar já aí no ar.

Escutamos o testemunho deste morador, que fala então do cenário que se tem vivido nestas aldeias da região de Ponte da Barca. Como demos conta na última hora, a situação já acalmou e está em fase de rescaldo na aldeia de Ermida. Ainda assim, ainda avistamos bastante fumo numa zona mais afastada no horizonte em direção à Serra Amarela, para já. Como também conseguimos perceber pelo testemunho de Serafim Gonçalves, o sol já vai alto, até o momento sem sinais de vento.

A reportagem da Maria Rego, na aldeia de Entre Ambos os Rios, em Ponte da Barca. Hoje, as temperaturas descem ligeiramente, mas quase todo o continente continua com aviso amarelo para o calor, aviso do IPMA. Ao todo, esta hora, há mais de 3100 operacionais no terreno. De acordo com a GNR, há três estradas nacionais condicionadas nos distritos de Aveiro, Portalegre e Castelo Branco. Destaque também para o sismo de 8.8 na escala de Richter, sentido na Rússia. Vários países do Pacífico Norte emitiram alertas de tsunami. O Japão já retirou de casa cerca de dois milhões de pessoas. O abalo foi sentido esta madrugada na península russa de Kamchatka. É o sismo mais forte da região de há 73 anos. Vários prédios ficaram destruídos na costa oriental do país, que também sofreu com inundações. Outros países estão em alerta máximo, sobretudo Japão e Estados Unidos. O Carlos Pedro continua a acompanhar as últimas atualizações deste sismo, que já se transformou em tsunami em algumas zonas do Pacífico. Carlos, a situação mais crítica parece ser a do Havaí.

Já lá chegaram as ondas do tsunami. A informação foi confirmada pelo Departamento de Emergência de Honolulu, que apela à retirada imediata da população de zonas de risco. Diz, e passo a citar: "São esperadas ondas destrutivas, mas até agora tudo ok", indica Josh Green, o governador do Havaí. Há relatos de portos comerciais fechados e de voos cancelados na ilha de Maui, onde estão cerca de 200 pessoas abrigadas. A Marinha dos Estados Unidos está a ajudar nas evacuações. Donald Trump já pediu para que os norte-americanos permaneçam fortes e seguros.

As evacuações não acontecem apenas no Havaí. O Japão também já mandou pessoas para algumas áreas fora do maior perigo e até a central nuclear de Fukushima foi totalmente evacuada.

Por razões de segurança. E atenção a esta central nuclear, porque em 2011, também devido a um sismo, o colapso da estrutura provocou um grave acidente radioativo na região. Também pelo histórico do Japão em temas relacionados com desastres naturais, cerca de dois milhões de pessoas receberam avisos de evacuação em mais de 200 municípios ao longo da costa do Pacífico. O governo japonês criou também um gabinete próprio para acompanhar o desenrolar da situação. Todo o país continua em alerta de tsunami.

E tal como a costa leste da Rússia, Carlos, na cidade de Severodvinsk, as ondas chegaram a cinco metros além do tamanho dito normal.

Tem sido o local onde as consequências do sismo já se começaram efetivamente a sentir de uma forma mais agressiva. Enquanto se espera por esse impacto, que pode não ocorrer, é certo, no Japão e no Havaí, principalmente, na Rússia, o aumento do tamanho e da força das ondas já provocou diversas inundações e prédios destruídos. Um edifício que funcionava como jardim de infância ficou totalmente destruído, mas sem vítimas a registar. Aliás, o número de feridos é ainda uma incógnita. A imprensa estatal russa avança com vários feridos ligeiros, mas sem números.

Carlos Pedro, com as mais recentes atualizações sobre o sismo seguido de tsunami que atingiu o leste da Rússia, com impacto em vários países no Pacífico Norte. Neste jornal, junta-se agora a nós em direto João Duarte. É sismólogo, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, investigador do Instituto D. Luís. João Duarte, bom dia, obrigada por estar conosco. Pela dimensão do abalo e pela sequência de ondas gigantes que entretanto se formaram, é de esperar, de facto, ainda muitos danos?

Olá, muito bom dia. Parece que as piores previsões não se estão a realizar, mas ainda temos que esperar mais duas, três horas. Houve um sismo 8.8, muito forte, gerou o tsunami. O tsunami tem estado a propagar pelo Pacífico e há alertas para toda a costa dos Estados Unidos, do Japão e até à Nova Zelândia. Eu diria que ainda nas próximas duas, três horas pode haver alguns estragos. No entanto, as ondas que têm estado a chegar ao Havaí e no Japão, no Havaí fala-se em cerca de 1 m, no Japão 2, 3 m, até um pouco abaixo do que seria necessário para causar uma destruição muito grande. No entanto, pode sempre haver alguns efeitos locais, amplificação de ondas e, portanto, pode sempre, num local, haver ondas com maior dimensão e daí a prevenção neste momento ser o melhor a fazer.

O melhor a fazer. E também é interessante como o sistema de alerta de tsunamis pode, de facto, ajudar a evitar danos pessoais muito maiores.

Sim, ao contrário dos sismos, que as ondas sísmicas propagam-se muito rapidamente, portanto, há muito pouco tempo para reagir, as ondas de tsunami a propagar-se no oceano demoram horas. Podem demorar cerca de 10 horas a atravessar um oceano. Por um lado, o tsunami tem este efeito ao nível de todo o oceano, mas é lento.

Há tempo para reação.

Exatamente. E o Pacífico tem um grande sistema, um bom sistema de alerta de tsunami, todas as zonas costeiras estão preparadas. Há boias no oceano que vão monitorizando o tsunami a avançar e, portanto, eu diria que desde 2011. O problema de 2011, aquele sismo grande do Japão, foi um bocadinho subestimar a possibilidade de haver um sismo e um tsunami daquela dimensão. Mas a partir do momento, isso ter acontecido hoje em dia, grande parte daqueles países costeiros estão preparados.

Estão. E João Duarte, diria que as próximas horas, ainda duas, três horas, vão ser mais críticas. A partir daí, a situação há de começar a ficar mais estabilizada.

Sim, o pior provavelmente já passou, porque o tsunami vai perdendo energia, portanto, ali logo aquelas margens mais próximas seriam as que poderiam ter mais problemas. No Havaí, na Nova Zelândia, pode haver nas próximas duas, três horas. E depois há sempre a possibilidade de haver réplicas grandes e outros sismos no mesmo sítio. Portanto, é preciso estar mesmo alerta.

Muito alerta, João Duarte. Muito obrigada pelas suas explicações. João Duarte é sismólogo, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é também investigador do Instituto Dom Luís, chamando a atenção aqui ainda para estas próximas horas. A Rádio Observador contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros para saber se há portugueses afetados pela situação. O ministério adianta que está ainda, neste momento, a tentar obter informações. São 9h16, a seguir o Explicador com Augusto Santos Silva. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque? Luís Montenegro e José Luís Carneiro vão reunir-se hoje em São Bento. É uma informação apurada pelo Observador. O encontro surge no dia em que faz um mês que José Luís Carneiro foi eleito secretário-geral do PS. Surge também numa altura em que é pressionado por socialistas para se afastar da AD. Os hospitais de Coimbra e Leiria vão partilhar equipes de obstetrícia para reforçar a resposta às grávidas. A notícia é avançada esta manhã pelo jornal Público. As Unidades Locais de Saúde assinaram segunda-feira um protocolo para a partilha de recursos humanos. Este regime é voluntário e dá início à intenção do governo de partilhar equipes de saúde entre hospitais, nomeadamente para a criação de urgências regionais.