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Observador, são 9h01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. A Proteção Civil registou quase 400 ocorrências até às 8h, a maioria em Lisboa e na região Oeste.

Este é o balanço mais recente, que não indica, para já, que tenha havido vítimas, desalojados ou ocorrências mais significativas. Foi há instantes, à Rádio Observador, que o comandante Elísio Pereira detalhou as ocorrências identificadas durante esta manhã.

Entre a meia-noite de hoje até às 8h, temos a registar 399 ocorrências, sendo que a maioria delas ocorreu na zona Oeste e na zona da Grande Lisboa. Portanto, na zona Oeste, contabilizamos 75 ocorrências, na zona da Grande Lisboa, 65 ocorrências. Estas ocorrências, a nível de tipologia, as que têm mais representatividade, queda de árvores, contabilizamos 119 ocorrências, inundações, 129 ocorrências e movimentos de massa, 83 ocorrências.

E por tudo isto, há o perigo de deslizamento de terras, daí o apelo a comportamentos responsáveis, que é novamente reforçado.

Tendo em conta a precipitação que se vai fazer sentir e o alargamento de rios e linhas de água, é aconselhável as pessoas não caminharem em zonas habitualmente inundáveis, junto a rios, junto a ribeiras, tentarem proteger os bens, colocá-los em zonas mais altas, isto relacionado com as zonas que são habitualmente inundáveis, não estacionar carros junto a linhas de água, ribeiras.

Portanto, evitar comportamentos de risco é o apelo deixado por Elísio Pereira, o comandante da Proteção Civil, em declarações, há instantes, à Rádio Observador.

Pelo menos 89 pessoas foram resgatadas das cheias em Alcácer do Sal. O presidente da Junta de Freguesia de Santiago, uma das zonas mais afetadas pelas cheias dos últimos dias, descreve um cenário de filme de terror.

Alcácer do Sal está a ser muito afetada. A baixa está completamente inundada, só é possível andar de barco. Em declarações à Rádio Observador, o autarca Duarte Dimas descreve momentos desoladores e espera que agora a água do rio Sado pare de subir.

Muito desolador. É quase um filme de terror. Eu fui descansar uns minutos a casa e a minha mente não saía deste cenário e não tenho palavras para descrever. Toda a gente está assustada, ninguém viu uma coisa destas e estamos a tentar lidar da melhor maneira. As pessoas estão a ser muito compreensivas, estão a colaborar, estão a ajudar, estão a oferecer imensa ajuda. Acho que mais não se pode fazer e temos de aguardar que as águas baixem e que consigamos avaliar os estragos e vamos pedir que não subam mais.

É o testemunho do presidente da Junta de Freguesia de Santiago, Duarte Dimas, ouvido pelo repórter Miguel Cordeiro, que se junta agora em direto a este jornal. Miguel, o tempo já começa a dar tréguas, algumas tréguas em Alcácer do Sal. O que é que vão dizendo as pessoas por aí?

As pessoas vão acompanhando este cenário desolador. É certo que agora há essa trégua, como dizia, já não temos chuva forte, o vento também acalmou, mas continuamos e, por exemplo, acaba de chegar mais um bote, são botes da Marinha, chegaram ontem à tarde, e é um bote cheio de operacionais, ora bombeiros, ora membros da Proteção Civil e também da Marinha, com pessoas a serem resgatadas neste momento. Dávamos conta dessas 89 pessoas que foram resgatadas durante o dia de ontem. Há resgates que continuam, porque houve pessoas que vivem nos andares superiores de vários prédios na Baixa, que quiseram ficar em casa, permanecer em casa, mas que, com o avançar da água e com o avançar também do tempo, percebem que vai demorar muito até terem condições para deixarem essas casas e, portanto, pedem o resgate e, nesse momento, os operacionais tentam chegar a essas pessoas e retirar as pessoas de casa. Vejo uma idosa a sair deste bote, mais duas pessoas, portanto, três pessoas a serem resgatadas neste momento. Tive a oportunidade, há pouco, de falar com o proprietário de uma loja de produtos de caça, Goucha Limitada, essa empresa, que ficou tudo debaixo de água já há uma semana, há uma semana que não consegue aceder a essa loja. Falei também com um senhor que tem a mãe a viver num destes prédios, vive no primeiro andar e não consegue comunicar com a mãe, mas sabe que está tudo bem. Da última vez que falou, sabia que estava tudo bem, que a mãe não ia querer sair de casa e estava preparada para ficar em casa durante uma semana. Comigo, ao meu lado, tenho também Maria Joana Faria, dona de uma pastelaria, também na baixa de Alcácer do Sal, e ontem teve de deixar tudo para trás.

Sim, deixámos tudo para trás, tirámos algumas coisas, outras pusemos em cima de caixas, de bancos, como pudemos, mas ontem já estava tudo tapado de água e acho que hoje está até ao teto. Pelo menos por aquilo que nos deram a informação, está água até ao teto.

Há quantos anos tem este negócio aqui em Alcácer do Sal?

Tenho este estabelecimento vai fazer 32 anos e nunca vi uma coisa assim. Vi cheias pequenas, mas como esta nunca. Acho que em 63, acho que houve uma cheia grande, porque nós tínhamos uma marca na pastelaria

Acho que 1 metro e 70 e qualquer coisa.

E agora, muito provavelmente, essa marca será ultrapassada.

Sim, por aquilo que estamos a ver, acho que essa marca foi ultrapassada.

A água, de facto, continua a subir. Estamos numa rua, é uma descida que vai dar ao Largo 25 de Abril e a água continua a subir. Já se vai acumulando também algum lixo, canas, algumas plantas, garrafas de plástico, garrafões, pedaços de esferovite. Isto é o que fica à superfície. Imaginemos tudo o que fica no fundo deste rio Sado e que vai subindo, trazendo consigo tudo aquilo que aparece à frente. É um cenário de uma enorme inundação, com muitas estradas cortadas e com a baixa de Alcácer do Sal inundada.

E por isso, muitos prejuízos, seguramente, prejuízos que ainda não é possível aferir com detalhe. Estamos na Rádio Observador, aqui com o Miguel Cordeiro, a olhar também para os municípios mais afetados pelas cheias. Agora seguimos para Torres Vedras. Há a indicação de que 22 pessoas foram retiradas de casa por prevenção esta noite. É lá que está o repórter Miguel Gato, mais precisamente na freguesia de Ponte do Rol. Miguel, como é que acordou Torres Vedras?

Neste momento, aqui em Ponte do Rol, há situações de casas inundadas e neste momento estamos dentro de uma delas, a casa do senhor Albino Félix, que vai falar conosco aqui em direto para a Rádio Observador. Para dar um pouco um contexto, o senhor Albino agora neste momento tem um anexo inundado, também um pátio que está alagado e disse-me há pouco que tem aqui animais e que não sabe, neste momento, se eles estão vivos.

Não posso lá ir ver se tenho os animais mortos ou vivos, mas provavelmente as galinhas devem estar mortas. E tenho um autocultivador inundado, o reboque e alfaias agrícolas. É um desespero muito grande para a vida. É uma vida inteira a trabalhar e depois de um momento para o outro vai-se tudo embora.

E estava me a dizer que já tinha passado uma situação semelhante em 1983, mas que umas cheias desta dimensão nunca viu.

Sim, em 83, já estava aqui a morar, também houve uma cheia das grandes. Até tinha aí dois porcos, abalaram na cheia, mas uma situação igual a esta foi a primeira vez. Esta é a maior de todas.

E estava me a dizer que neste momento tem a água cortada, mas foi uma medida de prevenção.

É uma medida de prevenção dos serviços municipalizados. Tanto que mandaram uma mensagem para o telemóvel a dizer que iam abastecer a vários locais para levar um refrescente, para trazer água, quem estivesse com falta d'água para fazer a comida. Mas à primeira vez que cortaram, a gente abasteceu-se e por enquanto ainda estamos com água para fazer a comida. Para tomar banho, olha, é à antiga portuguesa, é uma olheirinha, aquece, lava-se os pés. Não pode ser de outra maneira, por enquanto.

E diga-me uma coisa, não recebeu nenhum aviso da Proteção Civil, dos bombeiros, para abandonar a casa?

Não recebi nada disso, mas avisaram-me para proteger os bens, que eu tinha ali a cave, tenho duas arcas frigoríficas e tem comida para nós comermos e então levantamos as arcas para cima e estão lá a mesma, mas graças a Deus também ainda não se estragaram.

E nos últimos dias, hoje é o pior dia em termos de cheias. Já ontem à noite também vimos imagens na televisão.

Ontem à noite já estava cheio, mas a situação mais crítica é agora. Está totalmente cheio.

Só mesmo para terminarmos, tem ideia do prejuízo em termos de euros, quanto é que isto poderá afetar?

O prejuízo não sei fazer ainda o cálculo, porque não sei como é que está o autocultivador e as alfaias. Provavelmente as alfaias não estão estragadas, mas o autocultivador é o motor. Não sei contabilizar ainda o prejuízo.

São contas para fazer depois, o importante é agora estar bem o senhor Albino e a sua mulher, que também está aqui em casa. Muito obrigado pelas suas declarações à Rádio Observador. É que, de facto, uma situação que é má aqui em Ponte do Rol, foi o rio Cisandro, aqui no Conselho de Torres Vedras, que galgou para o pátio daqui do senhor Albino e também, neste caso, para o anexo. E toda a vizinhança, como nos está a dizer agora, também está a ser afetada. Vamos acompanhar isso nos próximos espaços informativos.

Vamos, com certeza, Miguel Gato, que estás nesta zona a dar conta de inundações na zona de Torres Vedras. Há estradas cortadas. Vamos, de facto, continuar a fazer o ponto de situação em vários municípios do país.

E os efeitos do mau tempo vão continuar a merecer destaque já a seguir. No Explicador, vamos ouvir o vereador da Proteção Civil de Alcácer do Sal e também o vice-presidente da Câmara de Torres Vedras, Diogo Guia. A Proteção Civil já tinha alertado para a possibilidade de cheias devido à chuva forte persistente, sobretudo nos distritos de Lisboa, Coimbra e Santarém.

E apesar da tempestade Leonardo não estar a ter o impacto que teve a Depressão Cristina, há, como já ouvimos, centenas de ocorrências. O setor dos transportes tem sido dos mais afetados, mas Carlos Pedro, há quem tenha passado a noite fora de casa.

12 desalojados nas últimas 24 horas, isto só na região Oeste, mais concretamente em Arruda dos Vinhos. O número é maior no Conselho de Alcácer do Sal, em Setúbal, como já ouvimos, e também em Torres Vedras, onde 22 pessoas foram retiradas de casa por prevenção.

Entretanto, surgiu a informação de uma pessoa que ficou desalojada em Alenquer por causa do desabamento da casa onde vivia.

Um homem que, entretanto, já está a ser acompanhado pelos serviços municipais ou serviços sociais do município de Alenquer, referiu a própria autarquia à Agência Lusa. Ainda em Alenquer, há inundações junto à estação do Carregado. A água chegou mesmo a algumas empresas ao redor da estação. É o caso da farmacêutica Atral, que não vai ter a produção de medicamentos interrompida graças aos bombeiros de Castanheira do Ribatejo. A RTP indica que estes profissionais estão a transportar os trabalhadores para entrarem e saírem das instalações. Dizer ainda que o autarca de Alenquer, João Nicolau, diz à Lusa que o rio não galgou as margens, mas está no seu limite e registraram-se, por isso, diversas ocorrências relacionadas com o desabamento de terras para as estradas. Em Portalegre, a força da água, a lama e as pedras que vieram da Serra de São Mamede danificaram dezenas de viaturas no concelho. À Lusa, a autarca diz que o cenário é caótico nas avenidas de Santo António, Liberdade e na zona do Rossio, também em Portalegre.

E nesta altura, Carlos, há também escolas a serem encerradas.

Não há uma escola aberta nos concelhos do Bombarral, Alenquer e Torres Vedras. Já em Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, a escola das Meãs também vai estar encerrada por motivos de segurança. Foi o que comunicou a autarquia através das redes sociais. Diz ainda que devido a uma derrocada, estão cortadas à circulação as ruas Professora Natália Cerveira e a Rua Manuel Jardim. Também os transportes públicos vão sofrer atrasos significativos, avisa o município de Montemor-o-Velho.

Carlos Pedro, com alguns dos efeitos do mau tempo, o governo decretou estado de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos.

Situação muito complicada em Leiria. A presidente da Junta de Freguesia de São Simão de Litão sente-se abandonada pelo poder político e por isso ameaça boicotar as eleições de domingo.

Uma freguesia que diz que está sem meios no terreno e sem ter forma de comunicar com outros locais. Ontem, em declarações à Sic Notícias, Isabel Costa admitiu que quer impedir a votação de domingo por não haver condições. Hoje de manhã, a autarca voltou a falar aos jornalistas. Agora, Isabel Costa, à CNN, diz que a população pode mesmo recusar-se a votar.

As eleições, para nós, para mim, é secundário. Eu assumo essa responsabilidade. A minha população nega-se a vir votar. Eles já me disseram que vão fechar o centro escolar, que põem-se à porta e bloqueiam e não deixam que hajam eleições. Ontem, na reunião, os meus colegas presidentes de junta de freguesia estão solidários. Os presidentes de junta do Conselho de Pombal estão solidários com todos os presidentes de junta das freguesias afetadas e dos concelhos afetados.

Declarações de Isabel Costa, aqui registradas pela CNN Portugal. A presidenta da Junta de Freguesia de São Simão de Litão, em Pombal, diz que não têm luz há oito dias.

São agora 9:16. Carla, antes do Explicador, que outras notícias há a destacar?

E voltou precisamente a aumentar o número de pessoas sem luz. São agora 86 mil clientes da E-Redes sem energia elétrica. É a última informação divulgada pela empresa. O distrito mais afetado continua a ser o de Leiria, com 57 mil clientes sem energia. Marcelo Rebelo de Sousa está a ser criticado pelas operadoras de telecomunicações. O presidente disse que as operadoras se portaram mal na resposta às regiões afetadas pelo mau tempo. A Apritel, num comunicado ontem à noite, diz que as palavras de Marcelo são injustas e não refletem o esforço excecional que os operadores têm vindo a desenvolver desde o primeiro momento.