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Já está conosco o Miguel Pinheiro. Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Boa semana. O teu bom de hoje é Luís Montenegro.
É, esta semana ele vai organizar uma homenagem a Cavaco Silva. Passam 40 anos do primeiro governo liderado por Cavaco, e é bom que não se esqueçam várias coisas. É bom não esquecer que antes dos governos de Cavaco Silva não havia televisão privada e muitos jornais estavam nas mãos do Estado. É bom não esquecer que antes dos governos de Cavaco Silva havia enormes setores da economia onde os privados não podiam entrar. É bom não esquecer que antes dos governos de Cavaco Silva, Portugal não tinha dado o salto para a modernização. E é bom não esquecer que os portugueses reconheciam isso mesmo aos governos de Cavaco Silva e por isso ele ganhou as eleições legislativas de 1987 com 50,2% dos votos, as de 1991 com 50,6% dos votos. E há mais uma razão para esta homenagem ser importante: é que há já vários anos que sempre que Cavaco Silva se atreve a falar em público, uma parte da esquerda, e não é pequena, vai para as redes sociais usar palavras como múmia, e vai antecipar com gozo o dia em que Cavaco deixe de poder falar. E a essa esquerda, esta homenagem realmente vai custar muito.
E também devia ser um momento de aprendizagem para o próprio governo, não é?
Como é que se passa de uma maioria relativa para uma maioria absoluta, que foi o Cavaco Silva.
Os tempos são outros, como é evidente, mas o país não está propriamente um brinquinho.
Não se pode dizer que esteja, não.
O bom é Luís Montenegro. E quem é o mau, Miguel?
Olha, é o PS, que entrou em mais um pesadelo presidencial. Nos tempos de Cavaco Silva, não havia pesadelos desses para o PS, porque Mário Soares conseguiu ser eleito presidente. Mas agora, primeiro o partido andou a arrastar o anúncio do apoio a António José Seguro, com as viúvas políticas de António Costa a esperarem até ao último minuto que surgisse outra candidatura qualquer. Depois, veio finalmente o anúncio, com o entusiasmo de quem tira um dente, e há dias os problemas surgiram agora do lado de Seguro, que numa entrevista ao Público recusou assumir-se como sendo de esquerda. Ora, alguém que nem quer ser de esquerda é um candidato muito esquisito para o PS. E ontem a eurodeputada e ex-ministra da Saúde, Marta Temido, disse numa entrevista à CNN que não vai declarar apoio a nenhum dos candidatos. E com tudo isto, se Seguro perder, o PS perde, porque apesar de tudo, declarou-lhe apoio. Se Seguro vencer, o PS não ganha, porque este apoio deixa muito a desejar. E de facto, mais vale o PS esquecer as presidenciais e seguir para outra.
Pois, é que se o Seguro vencer, vence contra o PS ou uma parte do PS também. Apesar do PS.
Claro.
Chamem o Nani Moreira para resolver isto.
Miguel, o teu vilão está sempre a vigiar.
Sempre a vigiar, é a CP. Este fim de semana ficámos a conhecer uma história ilustrativa do estado da CP. Era uma vez, um cliente que se guia no Intercidades entre Coimbra e Lisboa. Como esse cliente teve fome, decidiu ir ao bar comer uma sanduíche, beber um refrigerante e tomar um café. Enquanto estava a comer, inocentemente, o nosso amiguinho ligou o computador para trabalhar um bocado. Mas mal acabou de beber a última gota do café, teve ali a espera, bebeu a última gota, o revisor foi logo ter com ele como uma bala para o expulsar, pô-lo na rua, ao mesmo tempo que apontava para um aviso onde se dizia que não é possível estar no bar sem consumir. Então, detalhe número um: não havia mais ninguém no bar. Quer dizer, não estamos propriamente na situação em que um espertalhão pede um café e fica horas no bar, enquanto outras pessoas esperam por lugar para se sentarem. Quem nunca foi este espertalhão dentre nós? Vá lá, todos já fizemos isto. Não foi o caso. Ele não fez isso. Então, detalhe número dois: o cliente expulso é um deputado do PS que foi secretário de Estado de António Costa com a tutela da CP. Portanto, foi preciso deixar o governo para ficar a perceber exatamente como é que a empresa funciona. Agora é que ele devia ir para secretário de Estado tutelar a CP. Era agora.
Depois deste estágio.
Com certeza. Detalhe número três: esse antigo secretário de Estado tinha ido a Coimbra lançar um livro chamado "Um Plano Ferroviário para Portugal". Ora, eu sei que o autor não concorda, mas eu diria que um bom plano ferroviário para Portugal podia ser o de introduzir concorrência para a CP ter de se esforçar por cativar clientes, porque neste momento a CP tem sempre dinheiro, mesmo que maltrate os clientes, e os trabalhadores da CP têm sempre emprego seguro, mesmo que maltratem os clientes. E se calhar, os problemas começam aí. Se bem que, atenção, acabou de chegar ao meu telemóvel a solução, porque acabei de receber aqui um alerta noticioso que diz: "Revisores da CP em greve parcial, comboios de longo curso devem ser os mais afetados." Portanto, está resolvido.
Está resolvido.
Não vai haver revisores a expulsar pessoas de bares, porque não vai haver revisores, não vai haver bares, não vai haver comboio, está resolvido. Pronto, está feito.
Está feito.
Olha, é um outro plano ferroviário para Portugal. Este também é bom.
Eu não sei é se o revisor não conhecia o secretário de Estado.
Achas? Mas o secretário de Estado, imagino eu, não tenha feito nenhuma maldade à CP. Se era do PS, deve ter dado dinheiro à CP.
Nunca se sabe nestas coisas.
Pois é.
Vamos ao resumo. O bom de hoje é Luís Montenegro, o mau é o PS e o vilão é a CP. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 que também pode ouvir em podcast.