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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360, sempre com Miguel Pinheiro. Fala Miguel, bom dia.

Bom dia.

Miguel, o teu bom é o ministro da Administração Interna.

Sim, este sábado, cerca de 500 pessoas participaram em Lisboa na Marcha pela Vida, uma manifestação anual contra a interrupção voluntária da gravidez. E no final, um homem de 39 anos atirou um coquetel molotov improvisado para o meio da multidão, onde se encontravam crianças e bebês. E este engenho incendiário só não explodiu por acaso. O homem foi imediatamente detido pela PSP e pouco depois as autoridades identificaram mais três suspeitos. Aparentemente, todos pertencem a um grupo anarquista. Não sabemos nada sobre este grupo, mas que pretenderia responder à manifestação com um ato de violência extrema. Em Portugal, o perigo destas organizações extremistas é normalmente desvalorizado, mas Luís Neves não fez isso. O ministro da Administração Interna emitiu um comunicado onde afirma o seguinte: "Não toleramos qualquer forma de extremismo violento e continuaremos a agir com firmeza para o prevenir e combater, garantindo a segurança e a defesa dos valores democráticos." E realmente, a violência tem que ser sempre condenada, esteja à direita ou à esquerda.

É verdade. E aqui uma quase estreia de Luís Neves na comunicação de um acidente. Muito bem.

Sim, foi rápido e claro.

E quem é o teu mau?

Olha, é a FENPROF que ameaça voltar ao mesmo. Estamos no mesmo outra vez. Os sindicatos e o Ministério da Educação estão a discutir o estatuto do docente e pelos vistos a FENPROF não está a gostar do que tem ouvido e por isso, claro, quer fazer greves já no terceiro e decisivo período nas escolas. Já marcou uma manifestação para 16 de maio, ameaça paralisar as aulas. A FENPROF está sempre a falar na defesa da escola pública, mas não há nada mais prejudicial para a escola pública do que isto. Os pais e os alunos nunca sabem quando é que as divergências políticas vão ter consequências nas suas vidas, mas sabem de uma coisa: é que isso acontecerá nos momentos mais importantes da vida escolar para doer mais. E por isso não espanta que os números mostrem que todos os pais que conseguem, fogem para o privado. Sempre que podem, sempre que têm algum dinheiro, é tirarem os filhos deste inferno.

Claro, acontece o mesmo na saúde, por exemplo. Mas enfim, é assim que se defende o serviço público, não é?

Sem dúvida, mas a FENPROF só tem este truque, não tem mais nenhum. Quando a contrariam...

E é recuar.

Mas Paulo, há aqui um ponto. Estou sempre aqui a falar da FENPROF, estou sempre aqui a falar dos sindicatos, mas há um ponto: a FENPROF tem o poder que os professores lhe dão. Portanto, se a FENPROF decretasse greve e os professores não fizessem greve, não havia nenhum problema. Portanto, os professores, no fundo, é que dão força a isto e, portanto, olhem. Ok.

Sem dúvida.

Miguel, o teu vilão anda muito distraído.

Oh Maria João, santo Deus. Preparem-se porque esta é uma daquelas histórias cheias de detalhes. Então, o vilão é o PS. O que aconteceu? Há uns tempos, o deputado do Chega, Filipe Melo, dirigiu-se à deputada do PS, Eva Cruzeiro, dizendo-lhe que voltasse para a terra dela. Sendo que já agora, Eva Cruzeiro nasceu em Portugal. Só este pequeno detalhe, já agora. Mas enfim. Em resposta, Eva Cruzeiro afirmou que os deputados do Chega eram racistas e xenófobos. Houve uma queixa contra a socialista na Comissão de Transparência na Assembleia da República e o relatório ficou pronto há dias. Ora, é este relatório que nos interessa agora. O documento censura Eva Cruzeiro por ter desrespeitado os deveres fundamentais dos deputados. E este documento, que chega a esta conclusão, foi escrito por um deputado do PSD e foi aprovado pela Comissão no final da semana passada. E começámos imediatamente a ver reações nas redes sociais que acusavam o PSD de mais uma vez se ter aliado ao Chega contra a democracia, contra o PS. E vendo isso, o autor do relatório, Hugo Carneiro, chamou a atenção para um pequeno detalhe. É que o documento foi aprovado por unanimidade, ou seja, foi aprovado com os votos do próprio PS, que assim tinha censurado o comportamento da sua deputada. Isto foi no sábado. Foi no sábado que o Carneiro chamou a atenção para isto, mas ontem o Partido Socialista veio dizer que afinal parece que foi tudo um engano. E eu vou ler o comunicado do PS, porque isto é uma pequena maravilha. Vou citar . Cá vai: "Tendo verificado, a partir de notícias publicadas na imprensa, que foi registado como favorável o voto do grupo parlamentar do PS em relação ao relatório relativo à conduta da deputada Eva Cruzeiro, teve o grupo parlamentar do PS já a oportunidade de solicitar a correção do sentido registado. O sentido de voto é contra." Portanto, o PS só percebeu pelos jornais aquilo que tinha feito. E então, qual é a explicação do PS para o que aconteceu? Vamos lá citar os socialistas outra vez. "Tendo em conta o adiantado da hora..." É uma grande expressão. Então, eu até vou repetir. "Tendo em conta o adiantado da hora, foi assumido erradamente que o que estava em causa..." E depois, era outra coisa. E ao ver isto, o deputado do PSD, Hugo Carneiro, outra vez, veio chamar a atenção para outro pequeno detalhe. É que segundo ele, o relatório foi dos primeiros pontos da reunião a ser tratado e além disso foi distribuído com antecedência a todas as bancadas. Portanto, o adiantado da hora é capaz de não ser propriamente uma grande desculpa e mesmo que a hora estivesse adiantada. Pode ser a hora que se quiser, suposto as pessoas saberem o que estão a fazer. E por isso a única conclusão é a de que os deputados do PS são mesmo muito incompetentes.

Ou muito distraídos mesmo. Isto é um nível, de facto, não dar conta nem das notícias.

Sim. É o adiantado da hora. Falar em adiantado da hora, são 20h31.

Olha, por acaso, agora que tu disseste. Vamos lá. Vamos ao resumo: o bom é o ministro da Administração Interna, o mau é a FENPROF e o vilão de hoje é o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e que também pode ouvir em podcast.