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O Miguel Pinheiro já está conosco para uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel, bom dia. Bem-vindo de volta.
Bom dia.
Bom dia, Miguel.
Saudades, meu Deus, que saudades.
E tão bom começar o "O Bom, o Mau e o Vilão" numa sexta, não é?
Certo. Depois uma pessoa pode absorver isto tudo com calma no fim de semana.
Exatamente. Quem é o teu bom de hoje?
Olha, o bom é o PSD de Odivelas. Na madrugada de quarta pra quinta, alguém vandalizou a sede da Concelhia do PSD em Odivelas. As paredes e os vidros ficaram pintados com o símbolo anarquista e com as expressões "respeito à greve" e, claro, não podia deixar de ser, "não passarão". E é só mais uma expressão da violência e das tentativas de intimidação por parte de grupos de extrema-esquerda. Na véspera, tínhamos assistido àquela cena em frente ao Parlamento, já depois de uma manifestação da CGTP ter acabado, não teve nada a ver com a CGTP. Várias pessoas, algumas com a cara tapada de negro ou com o lenço palestiniano, com certeza, claro que lá tinha que estar o lenço palestiniano, insultaram os polícias, atiraram garrafas na direção deles para os atingir, com certeza, não era pra fazer festinhas, e incendiaram caixotes de lixo. E no meio dos confrontos, até foi exibido um cartaz onde se lia 1312 ou 1312, que é um slogan muito usado lá fora, que representa as letras do alfabeto. O um é o A, o três é o C, depois outra vez o A e, por fim, o dois é o B. Portanto, A-C-A-B, que é um acrônimo para All Cops Are Bastards ou algo como todos os policiais são filhos da mãe, algo assim, uma coisa deste gênero. Desculpem, meninos e meninas que estão aí no carro. Olá, bom dia, tudo bem? Foram detidas seis pessoas que vão ser hoje levadas a tribunal, temos estado a dar essa notícia, e nós não podemos olhar pra tudo isto com condescendência, como se fossem só uns miúdos a fazerem disparates próprios da idade. E por isso é bom que o PSD de Odivelas faça queixa, que a polícia atue e que os tribunais apliquem a lei. Porque aqui há uns tempos houve umas pessoas a defenderem, com a cara séria, que não há, por definição, violência na extrema-esquerda, e eu presumo que a seguir vão querer convencer-nos de que o céu é verde e a relva é azul.
Isso depende muito daquilo que se consumiu antes, Miguel. Porque até há músicas que falam sobre essas alterações cromáticas.
Eu tento consumir o menos possível. É uma coisa de defesa do planeta.
Manter as cores tal como elas estão.
Olha, sim, é um princípio de vida, sabes?
Miguel, o teu mau é difícil de entender.
Sim, Luís Montenegro continua a embrulhar-se em confusões por causa da Spin on Viva. Ontem, o Correio da Manhã fez uma notícia onde, citando fonte oficial do Tribunal Constitucional, escrevia que Luís Montenegro interpôs dois novos recursos relativos a este processo e depois à tarde o gabinete do primeiro-ministro enviou uma nota aos jornalistas onde diz que não foram apresentados novos recursos, estou a citar. Mas então se não apresentou novos recursos, a que recursos é que se está a referir o Tribunal Constitucional? Ou será que o gabinete do primeiro-ministro dá outro nome àquilo a que o Tribunal Constitucional chama recursos? Eu não percebi. Tenho este problema, sou ligeiramente analfabeto, não percebi. E também vou continuar sem perceber, porque o gabinete do primeiro-ministro não respondeu a mais perguntas do Observador e eu só não entendo, se Luís Montenegro não tem nada a esconder, então por que fala por enigmas?
Ora aí está o verdadeiro enigma.
Não é? Então fala em claro, em vez de ser assim umas coisas que não se conseguem entender muito bem, um esclarecimento que não esclarece, um comunicado que não comunica. Enfim, meu Deus.
É uma, pra usar aqui o verbo que usaste no início, é uma embrulhada. O Luís Montenegro está a embrulhar-se em enigmas.
Não percebo porque como é que era um enigma embrulhado? Há aquela frase célebre, mas eu agora não me lembro como é que era.
Miguel, o certo é que o teu vilão está atrasado.
Olha, então o vilão é o: preparem-se. Preparem-se, porque este é incrível. O vilão é o nosso Estado, com certeza. Na quarta-feira, o governo aprovou, não sei se vocês deram por isto, mas aprovou em Conselho de Ministros a nova estratégia nacional de segurança rodoviária. A nova, novíssima, novíssima em folha, acabada de aprovar. E o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária ficou em êxtase. Eu também, mas ele ficou em êxtase e afirmou que esta aprovação constitui um momento de particular significado. Então qual é o problema? O problema são vários, claro. Vamos começar já por este. A nova estratégia nacional de segurança rodoviária tem o objetivo de reduzir pra metade as mortes na estrada até 2030. E vocês pensam: "Ora, estamos a meio de 2026, por isso restam aqui três anos e meio pra fazer isto. Se calhar não dá. Três anos e meio, pra metade?" E o ponto é esse, é que esta nova estratégia nacional de segurança rodoviária devia ter sido aprovada em 2020. Portanto, nós já estamos com seis anos de atraso. PiorA nova estratégia foi aprovada em Conselho de Ministros, mas não vai entrar já em vigor. Nada disso, vocês dois têm pressa porquê? Agora, obviamente, segue-se a consulta pública e, portanto, bem podem esperar mais um tempo. E isto é especialmente interessante porque a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária já está a consultar o público há muito tempo. Até, aliás, gastou dinheiro a lançar um site, eles chamam-lhe um micro site, só para, vou citar: "Convidar a sociedade civil a apresentar os seus contributos." Mas, pelos vistos, temos agora de continuar a ouvir a sociedade civil mais um bocadinho, porque não foi suficiente. E olhando para este site, eu depois fui-me perder nestas coisas. Olhando para este site, eu percebi que para a execução desta nova estratégia, que já vai com atraso de seis anos, em 10 anos possíveis, já vai com atraso de seis, foi criada uma estrutura de gestão, como eles lhe chamam, com os seguintes organismos. Tomem nota. Um conselho executivo de especialistas, um conselho não executivo de especialistas, um conselho consultivo nacional, um conselho consultivo internacional e depois ainda um gestor de projeto. Uma pessoa pensa: "Bem, pelo menos há alguém, há uma pessoa que está a coordenar isto tudo, pelo menos isso." Mas não, até agora já houve nove gestores de projeto desde 2020, assim em filinha, porque obviamente as pessoas vão à vida delas, uma nova estratégia que se atrasa seis anos, ninguém vai ficar ali à espera a ver a relva azul a crescer. E há um último problema com a nova estratégia nacional de segurança rodoviária, é que ela quer cortar para metade, já disse, as mortes na estrada até 2030 e depois quer, até 2050, atenção, ter zero mortes na estrada. Zero! Não é uma, nem duas, são zero. A União Europeia, que inventa estas coisas, chama-lhe um objetivo aspiracional, é a expressão que eles usam. Ou seja, o que isto quer dizer é que até quem inventou isto sabe que obviamente é impossível ter zero mortes na estrada, a não ser que se acabe com as estradas.
Olha, não dês ideias.
É uma hipótese. Mas o que isto quer dizer, moral da história, criancinhas que estão mesmo agora a entrar na escola, moral da história, todas as histórias têm uma moral ou um moral. Estamos seis anos atrasados para cumprir um objetivo que é uma fantasia. E, portanto, eu até diria que vamos mais do que a tempo.
Mas isso é que explica o êxtase do presidente da Autoridade Nacional.
E o meu, Bruno, o meu êxtase também.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o PSD de Odivelas, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje é o nosso Estado, são as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio de daqui a minutos também fica disponível em podcast.