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E começa agora O Bom, O Mau e O Vilão, sempre com Miguel Pinheiro, hoje em estúdio conosco. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Quem é o bom desta segunda-feira?

O bom desta segunda são os partidos com representação parlamentar, que têm uma infinita paciência. O governo continua a patinar no caso do direito de voto daqueles que estiverem isolados no dia da eleição, seja por estarem infectados ou por terem tido um contacto de risco. Tem-se falado muito disto e agora o governo decidiu agir e vai agir vigorosamente. Hoje a Ministra da Administração Interna vai pôr-se em ação e vai fazer reuniões de meia hora com os partidos com representação parlamentar, todos sentadinhos para não se cansarem muito. O governo foi responsável por não ter mexido a tempo na legislação e agora, no tempo que resta, vai tentar distribuir as suas responsabilidades por todos os outros partidos e os partidos com a tal infinita paciência lá irão ouvir e falar. De qualquer forma, é preciso é ter calma, como dizia o outro, porque ainda faltam muitos dias, faltam três semanas, e é possível que no dia de reflexão haja uma boa solução para este problema, talvez.

Vai haver de certeza então. Onde é que nós alguma vez falhámos nestas coisas?

Para isso é que serve o dia da reflexão. Vamos refletir sobre isto e vamos resolver. Acho que está feito.

Então e quem é o mau?

O mau é André Ventura, uma pessoa que tenta seguir a posição de líder do Chega sobre alguns temas, mas depois perde-se, não há grande volta a dar. Na sexta-feira, numa entrevista aqui à Rádio Observador, André Ventura jurou que só aceitaria viabilizar um governo de direita se tivesse ministros e até disse: "Leiam os meus lábios". Por acaso uma expressão que se conhecermos os seus antecedentes históricos, já não indiciava nada de bom.

Correu mal.

Correu mal. Rui Rio também a usou num outro debate, mas em inglês, porque é mais cosmopolita, mas deviam contar a ambos o que é que aconteceu à última pessoa que disse esta expressão. E depois numa entrevista dada ao Expresso e que foi publicada no mesmo dia, André Ventura já estava com outras ideias. Então, recapitulando, a primeira ideia é só com ministros do Chega no governo. A segunda ideia já era, e vou citar: "Se o Chega tiver 4% ou 5%, não vamos pedir presença no governo, é ridículo." Portanto, só ministros, só com ministros, depois afinal depende da votação do Chega e depois, finalmente, ontem no debate com João Cotrim Figueiredo na RTP, André Ventura teve uma terceira posição. Fizeram-lhe diretamente esta pergunta: "Admite viabilizar um governo de direita ficando de fora?" E a resposta foi: "Admitimos tudo, porque a nossa posição não é destrutiva." Claro que não é destrutiva. Quem fica destruído é quem tenta acompanhar as posições de André Ventura, ou pelo menos se não fica destruído, fica zonzo. E vamos ver qual será a posição. Quando é o próximo debate de André Ventura, alguém sabe?

Não sei.

São muitos debates, não é? Mas pronto, vamos ver qual será a posição nessa altura.

Sim, onde há três, há quatro posições.

Estão não.

Quem é o vilão?

O vilão é António Costa. O líder do PS participou ontem num debate na SIC e começou com esta frase: "Queria começar por expressar solidariedade com o grupo Impresa pelo ataque de que está a ser vítima e que demonstra bem como não podemos ser complacentes com os inimigos da liberdade, nem relativizar os seus perigos, nem mitigar as suas propostas, nem procurar moderar, porque os inimigos da liberdade são mesmo inimigos que temos que deixar fora das muralhas da democracia." Ora, vamos lá olhar para isto com olhos de ver. O que António Costa fez foi, simulando uma demonstração de solidariedade para com o grupo Impresa, ou somando a uma demonstração de solidariedade com o grupo Impresa, não vamos dizer simulando, e que estaria muito bem, de facto merece toda a solidariedade e apoio. Aquilo que António Costa fez foi usar isso para atacar Rui Rio por causa de André Ventura. Quando António Costa usa a expressão: "Não podemos mitigar as suas propostas", está a fazer uma referência indireta ou direta à suposta mitigação por parte de Rui Rio da proposta de prisão perpétua de André Ventura. Falou-se muito da existência de uma pena de prisão perpétua mitigada, e cá está o uso da mesma palavra. E quando António Costa usa a expressão: "Nem procurar moderar", está a fazer uma referência indireta ou direta, mais uma vez, às declarações de Rui Rio de que não aceitaria dialogar com o Chega, a não ser que o partido se moderasse. Foi a expressão usada por Rui Rio. Ora, segundo o que sabemos, este ataque absolutamente inconcebível ao grupo Impresa não foi feito por apoiantes de André Ventura, mas se calhar António Costa está mais bem informado do que nós. Mas se não estiver, então ontem à noite aquilo a que assistimos foi um exercício de pura demagogia, em que António Costa misturou aquilo que não pode ser misturado. Eu estava a ouvir aquilo e nem sequer estava a acreditar muito bem. Custa muito dizer apenas: "Pronto, está aqui solidariedade ao grupo Impresa e depois se quiser falar de André Ventura e de Rui Rio, fala", mas misturar as duas coisas, não.

E acaba por desvalorizar o próprio ataque.

Ainda por cima, sim, claro. E instrumentalizar o ataque informático e politizar o ataque informático, enfim.

Vamos então ao resumo: o bom de hoje são os partidos com representação parlamentar, o mau é André Ventura e o vilão desta segunda-feira é António Costa. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.

Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.