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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o teu bom de hoje, Miguel?
Olha, eu espero não me arrepender disto.
Então.
Vamos ver. Ainda por cima hoje o governo debate a reforma laboral e amanhã é a votação. Portanto, eu espero não me arrepender, mas o bom, pelo menos para já, é o primeiro-ministro, porque ontem Luís Montenegro esteve no debate quinzenal na Assembleia da República e disse que não defende a redução da idade da reforma, que é uma das exigências do Chega pra deixar passar a lei. O primeiro-ministro disse ainda o óbvio, mas que convém dizer, disse que era impossível, concordou que era impossível baixar a idade da reforma sem mexer na sustentabilidade da Segurança Social. O PS e a Iniciativa Liberal acham que estas declarações não são suficientemente firmes, acham que pode vir aí uma cedência. Enfim, vamos ver o que é que vem dali. Pelo menos pra já, Luís Montenegro diz que não concorda com aquilo.
Pois, vamos ver agora se de fato mantém essa não cede para fazer jus àquilo que disse. Não sei.
Não aguento mais isto.
Não sei, Miguel. Vamos ver. São o quê? Mais hoje e amanhã, não é? Em princípio. Não sei se este tema ficará fechado neste período. Depois há a discussão da especialidade.
Mas íamos agora fechar este tema. Agora que isto está tão bom. Não, agora ainda mais um. Enfim, há a possibilidade de ainda termos aqui mais um bom tempo pra falar sobre isto.
Pois, e há sempre tempo pra fazer asneira, não é?
Sem dúvida.
O bom é o primeiro-ministro, o teu mau foi ver a seleção.
Pois é, olha, andamos nisto. Não é que eu seja o polícia das bancadas, mas enfim, já agora, vamos levar o assunto até o fim. O mau é o governo. Nós já sabíamos que o presidente da República, o primeiro-ministro e o presidente do Parlamento fizeram absoluta questão de ir aos Estados Unidos ver os jogos da seleção. E de fato, ontem lá estava José Pedro Aguiar-Branco firme a dar toda a força a Portugal naquela incrível exibição frente ao Congo. Eu imagino que sem ele nas bancadas, em vez de um empate sofrível, nós teríamos tido uma derrota estrondosa, com certeza, claro. O que vale é que os jogadores dos momentos de dificuldade olhavam pra bancadas, olhavam pra Aguiar-Branco e aquela troca de olhares dava-lhes uma nova energia. Mas enfim, nós também sabíamos que os líderes partidários e os líderes dos grupos parlamentares foram convidados pra irem ao Mundial. Alguns deles aceitaram, eu acho que pelo menos um, pelo menos Hugo Soares penso que irá. Outros queriam muito aceitar, mas depois recuaram ou foram obrigados a recuar. Bom dia, Pedro Pinto. E outros ainda andaram meio indecisos. O que pelo menos eu não sabia, fiquei surpreendido ontem, era que além destes, o governo tinha enviado aos Estados Unidos a ministra da Cultura, o cargo completo penso que se chama é ministra da Cultura, Juventude e Desporto, para andar a fazer sombra à seleção. E ontem lá estava Margarida Balseiro Lopes nas bancadas, com muito orgulho, a representar-nos a todos. Obrigado, senhora ministra. Enfim, nós de fato não temos emenda, pronto. Mas está bem, está tudo bem.
E por outra, acaba por ser feita uma certa justiça que viram aquela desgraça de jogo. Mas pronto.
Sim, Paulo. Honestamente, não sei te dizer muito sobre o jogo, Paulo. Eu sei que tu estás a tentar puxar pra aí, mas eu não.
Eu quero que tu continues o jogo.
Eu sei que tu queres te exibir, os teus conhecimentos, mas eu não.
É sempre isto, é a manhã toda nisto.
Não sei exibir-se.
Miguel, o teu vilão veste a camisola.
Veste a camisola, são outra vez os patrioteiros da bola, porque eu tenho que voltar a isto, porque entre ontem e hoje eu encontrei mais cromos irresistíveis. As pessoas dizem que não se consegue encontrar cromos do mundial. Como assim? Eu todos os dias encontro cromos novos. O grupo parlamentar do PS no Parlamento Europeu fez uma publicação nas redes sociais onde os eurodeputados apareciam fotografados realmente como cromos de uma caderneta. Acho que a ideia era mesmo essa de simular uma caderneta. Então Marta Temido aparece como um cromo com a camisola da seleção. Ana Catarina Mendes aparece como um cromo com a camisola da seleção. Bruno Gonçalves aparece como um cromo com a camisola da seleção. E Francisco Assis. Francisco Assis, santo Deus, Francisco Assis. Francisco Assis aparece como um cromo com a camisola da seleção. Eu não sei se aquela foto foi mesmo tirada, se aquilo foi uma montagem, não sei.
Coitados.
Ô Paulo.
Já não dizemos nada, não é? É melhor não.
Eu já não digo nada, mas se foi montagem, eu não sei se Francisco Assis soube daquilo antes ou se terá sido surpreendido, mas Francisco Assis com a camisola da seleção fotografado como se fosse um cromo de uma caderneta. Enfim, nunca pensei viver pra ver isto, a sério, nunca pensei. Depois, à direita, Carlos Moedas publicou nas redes foto onde aparece também com uma camisola da seleção, felizmente sem simular que é um cromo, mas infelizmente a simular que estava a festejar um gol. Acho que a ideia era essa, simular que estava a festejar um gol. João Cotrim de Figueiredo publicou um vídeo onde está a dar toques numa bola, mas depois A bola bate no chão. A ideia é não bater no chão. Eu acho que a ideia é-
Quando se dá toques, a ideia é essa. Bater no chão eu também consigo
...penso eu. A bola bate no chão, bate numa mesa, uma desgraça. Já não é a primeira vez. Eu tenho ideia de ter havido uma outra vez, sem ser com o mundial, em que João Coutinho e Figueiredo também estava a tentar dar toques numa bola. Acho eu. Não quero estar aqui a difamar ninguém. Mas ontem, desgraça completa. E depois, finalmente, José Luís Carneiro, sempre ele, gravou um vídeo naquilo que me parecem ser os jardins da sede do Largo do Rato. Acho que aquilo lá para dentro tem uns jardins ótimos, tem uma série de figurantes por trás a agitar bandeiras. O vídeo, atenção, tecnicamente aquilo não está malfeito. O problema não é a parte técnica. Mas ele aparece com a camisola da seleção, bem evidente, claro, e está assim de peito aberto, peito para frente. Uma coisa um bocado esquisita. Tem que ver.
E depois recebe uma bola, não é?
Alguém lhe atira uma bola, ele apanha a bola com as mãos, faz um gesto largo com os braços e começa um discurso motivacional que vai terminar com um: "Vamos, portugueses, vamos, Portugal." Lá está, eu não percebo muito de futebol, mas parece que fomos. Não sei se a ideia era essa.
Não sei para onde, mas fomos.
Mas depois pelo meio, o líder do PS também dá três toques na bola, assim quase a perder o equilíbrio, aquilo é uma coisa muito difícil. E depois ainda diz isto: "Portugal é muito mais do que uma equipa, é a força de todo um povo. Todo um povo que nunca deixa de apoiar os seus. Sempre que entrarem em campo, lembrem-se que há milhões de portugueses que estão convosco. Estão nos cafés, na ruas. Estão mesmo na ruas. Nos lugares e vilas de todo o país, mas também em todos os quatro cantos do mundo." E eu não sei bem como é que hei de dizer isto a José Luís Carneiro. Eu odeio dar-lhe esta novidade, que será uma enorme desilusão, ainda por cima depois do empate de ontem. Mas José Luís Carneiro, meu caro amigo, o mundo não tem cantos. O mundo não tem quatro cantos, não tem três, não tem cinco. O mundo, José Luís Carneiro, é redondo. É como a bola de futebol. Eu acho que a melhor maneira de explicar isto é esta. Está a ver a bola de futebol, José Luís Carneiro? Muito bem. É redonda. A bola que vossa excelência tentou ponteapear neste vídeo de forma um pouco absurda, essa bola tinha cantos, senhor doutor? Tinha? Não tinha, pois não? Assim é o planeta. E assim está mais uma aula de Geografia e Estudo do Meio. Já sabem que esta matéria pode sair no teste. Espero que tenham estado atentos.
O mundo é uma bola de futebol.
Paulo, então não é.
O mundo não sei, o país é.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é o primeiro-ministro Luís Montenegro, o mau é o governo, o vilão são os patrioteiros da bola, foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" e sempre em podcast.