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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?
É a Provedoria de Justiça, que ontem voltou a alertar para o fato de haver serviços do Estado que continuam a não ter atendimento presencial. E eu digo voltou a alertar, porque a primeira vez que isso aconteceu foi há dois anos. Foram feitas recomendações pela então Provedora de Justiça, que por acaso hoje é Ministra da Administração Interna. O governo disse na época que sim. Luís Montenegro até afirmou em junho de 2024, que deveria existir uma obrigatoriedade de haver um atendimento diário, sem marcação, em todos os departamentos do Estado, mas, pelos vistos, estamos no fim de 2025 e o problema continua. Agora até temos vários serviços, como a Autoridade Tributária e o Instituto dos Registos e Notariado a dizerem que para se darem ao trabalho de receberem os cidadãos, têm de contratar mais gente. Claro, o que é preciso é contratar mais gente, porque o nosso Estado não é suficientemente grande. A Provedoria afirma, e com toda a razão, que quando o atendimento online é o único disponível, não ficam garantidos todos os direitos do cidadão na sua relação com a Administração Pública. O atendimento exclusivamente online muitas vezes não serve para ganhar eficiência na relação com os cidadãos, serve para fechar a porta na cara dos cidadãos e para impedir que eles possam ir lá exigir tomadas de decisão, porque com a desculpa do atendimento online, o que aconteceu foi que o Estado pôs os cidadãos no olho da rua. E de facto, assim nós não lhes damos chatices. Então não é ótimo? Claro. Mas o que é que estas pessoas têm que ir para repartições públicas fazer, Miguel? Que resolvam os problemas, que fiquem em casa. E que vão para a internet.
Miguel, o teu mau gosta de gastar dinheiro.
Cá estamos no Estado outra vez. Ontem o Ministro da Reforma do Estado foi ao Parlamento falar sobre coisas muito relevantes, mas houve um pequeno detalhe que chamou a atenção, porque confrontado com a pergunta sobre se usa a tagline nas comunicações do governo, a resposta de Gonçalo Matias foi qualquer coisa como: "Tag quê?" O Ministro da Reforma do Estado não sabe o que é a tagline e o Secretário de Estado para a Digitalização também não sabe o que é a tagline. Ora bem, a tagline foi criada pelo governo de António Costa e foi apelidada de forma muito sexy como WhatsApp do governo. E aí o WhatsApp do governo. O objetivo era que a tagline fosse um canal de comunicação seguro para os ministros falarem sobre coisas importantes e secretas. Não era para trocarem memes, era só sobre coisas importantes e secretas. E já em 2023, o próprio Secretário de Estado que a criou, admitiu que a tagline era pouco usada no governo socialista, porque, vou citá-lo: "Há hábitos muito difíceis de modificar." E agora, em 2025, a tagline não só não é usada pelo novo governo, como os ministros nem sabem que ela existe. Atenção, se calhar, a tagline não serve mesmo para nada de útil. Eu nunca usei a tagline e, portanto, não faço a mínima ideia. É só para importantes, Miguel. Não é para qualquer pessoa. Não sei o que te leva a pensar isso.
Sempre havia pessoas que apanhavam.
Ó Paulo, olha eu. Se estivesse a passar por lá, era capaz também. Mas esta tagline deve estar guardada na mesma gaveta do Stay Away Covid. Não sei se vocês se lembram daquela época. É uma pen, não é?
Isso.
Está na cloud. Está na mesma nuvem.
Está na nuvem. Miguel, o teu vilão é um sindicato.
É o sindicato da Efacec. Eu tenho a certeza de que os nossos ouvintes se lembram da Efacec. Lá está, também nos custou algum dinheiro. A empresa esteve no magnífico universo de Isabel dos Santos. Depois do escândalo Luanda Leaks, o Estado decidiu nacionalizá-la de forma transitória para que a empresa não caísse. Durante três anos estivemos todos a meter lá dinheiro e a seguir, finalmente, foi vendida a privados. E ontem, um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte De seu nome completo, foi ao Parlamento a pedido do PCP e explicou como é que os trabalhadores, ou pelo menos o sindicato, olha para tudo isto. Segundo o sindicalista, a Efacec foi mal gerida quando era privada e estava nas mãos de uma empresária que foi muito celebrada em Portugal. Foi mal gerida quando foi nacionalizada por um governo apoiado pela geringonça. Estava lá o Bloco e o PCP a aprovarem os orçamentos do Estado ou a deixar que eles passassem. E é mal gerida agora que é privada outra vez e está nas mãos de uma empresa alemã. Eu não sei se estou a ver isto mal, mas se a gestão pública não serviu e se a gestão privada não serviu e não serve, então se calhar, o problema é capaz de ser da empresa. Ou então há aqui uma solução que temos ainda de explorar, e eu acho que é de explorar, e essa solução seria entregar a gestão da Efacec ao Comitê Central do PCP. Talvez resultasse. Eu, por mim, se os alemães quiserem vender a Efacec ao PCP, eu acho que podíamos fazer a experiência.
Isso pode ser feito em relação a algumas empresas públicas, entregá-las aos sindicatos que queriam uma empresa. Agora vou falar aquela linguagem que eles não gostam, veículo financeiro, lançam o MBO e ficam com as empresas. E eles, pelos vistos, sabem geri-las bem.
Podiam ter feito isso porque o Estado esteve a avaliar várias propostas.
À procura de compradores?
Sim, tinha sido uma ideia.
E passada uma semana, os novos donos das empresas já estão com os cabelos em pé com os sindicatos.
Paulo, isso aí, nessas guerras eu não me meto.
Miguel, regressas depois do jornal do meio-dia para mais um "Realpolitik" com o Sérgio Sousa Pinto. Do que vão falar esta semana?
Vamos falar das eleições autárquicas, o que vem aí pro PSD, pro PS e pro Chega. Vamos falar também um pouco sobre o Medio Oriente, depois desta fase inicial de libertação dos reféns e de um cessar-fogo, de alguma forma, pra onde é que isto vai. E também vamos falar um pouco sobre o centenário de Margaret Thatcher. Há umas histórias engraçadas de Thatcher com políticos portugueses e vamos falar um pouco também sobre isso.
Muito proveitoso.
O que ela pode significar hoje.
"Realpolitik" depois do meio-dia. Quanto às escolhas do bom, mau e vilão desta quarta-feira, o bom é a Provedoria da Justiça, o mau é o Estado e o vilão é o Sindicato da Efacec.