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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador. Pode ouvir em podcast. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Quem é o bom nesta quinta-feira?
O bom desta quinta são o PCP e o Bloco de Esquerda, que são clarinhos naquilo que dizem e que querem. Quem ouvir Pedro Nuno Santos e for muito inocente pode ficar com dúvidas, porque num dia o novo líder do PS faz elogios à geringonça e no dia seguinte faz discursos onde jura que o seu projecto é social-democrata. Mas quem ouvir Paulo Raimundo e Mariana Mortágua não fica com dúvidas nenhumas. Os dois já disseram que estão mais do que disponíveis pra começar já a acertar um acordo pós-eleitoral com o PS. O PCP diz que o mais importante é a revisão da legislação laboral, para a tornar ainda mais rígida do que já é. E o Bloco diz que o mais importante é mudar a política de saúde para a tornar ainda mais estatista. O que nós podemos concluir é que desta vez os eleitores não podem dizer que foram enganados.
E com a campanha ainda a começar, é importante que a clarificação ainda se aprofunde mais.
Isso.
Saber o que vem em todos, não é?
É isso mesmo.
Portanto, o bom são o PCP e o Bloco de Esquerda. E quem é o mau, Miguel?
O mau é o ministro da Economia. Ontem António Costa Silva foi ao Parlamento falar novamente sobre o negócio da Efacec. Estava tão nervoso que se pegou com o deputado Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal, e depois de nos ter dito que estava muito contente com o negócio, reconheceu que este não é um cenário cor-de-rosa e que o dinheiro que o Estado lá pôs não está propriamente num depósito a prazo e por isso corremos o risco de o perder. O problema é que quando as contas forem feitas, o ministro da Economia já vai estar em casa. Pedro Siza Vieira nacionalizou a Efacec da maneira que se sabe e depois foi-se embora. E agora António Costa Silva privatizou a empresa da maneira que se sabe e vai-se embora também. E só nós os contribuintes é que não podemos ir para lado nenhum.
Pois, e ainda por cima foi um dia feliz, não é? O dia em que a empresa foi privatizada daquela maneira.
Foi de euforia.
E Miguel, só fica a faltar o vilão.
O vilão é o PS, que ontem chumbou por atacado requerimentos para ouvir na Assembleia Marta Temido, Lacerda Sales, Nuno Rebelo de Sousa e os pais das gémeas luso-brasileiras. O argumento dos socialistas foi muito original. De acordo com o deputado Luís Soares, coordenador do partido na Comissão de Saúde, o Parlamento escrutina apenas o governo, portanto, ex-ministros não, só ministros em funções, ex-secretários de Estado não, só secretários de Estado em funções. Não vale a pena perder muito tempo com este argumento fantasioso que desafia a verdade e a realidade, mas talvez se justifique lembrar que só nos primeiros quatro meses da legislatura, que vai terminar agora, o PS travou as audições de cinco ministros. A 4 de janeiro deste ano, por exemplo, chumbou a ida de Fernando Medina e Pedro Nuno Santos, que eram ministros. E obviamente o PS já chamou várias vezes ao Parlamento inúmeras pessoas que não são do governo, nunca foram do governo e nunca serão do governo. Para já, o PS ainda quer, pode e manda. Vamos ver se a coisa muda.
Parece que vão chamar responsáveis do grupo Global Media, por exemplo, só para dar um exemplo.
Por exemplo.
Vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira são o PCP e o Bloco de Esquerda. O mau é o ministro da Economia, António Costa Silva, e o vilão de hoje é o PS.