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Está no ar mais um episódio do "O Bom, O Mau e O Vilão", que também pode ouvir já em podcast e que hoje também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Quem é o teu bom de hoje?
É o novo sistema europeu de controle de fronteiras para cidadãos extracomunitários. Ele foi lançado este fim de semana nos 29 Estados membros do espaço Schengen. Permite que as entradas e saídas de viajantes de países terceiros sejam registradas eletronicamente, ou seja, nós deixamos ter apenas os carimbos nos passaportes e passa a ser possível saber exatamente onde é que cada pessoa está em cada momento. E obviamente, é uma forma de prevenir a imigração irregular, ou seja, é uma forma também de dificultar a atividade de grupos que vivem da exploração da imigração ilegal. Eu acho extraordinário que isto tenha durado tanto tempo.
Para se chegar aqui, não é?
Sim.
E talvez nem este mecanismo tivesse prevenido a saída do país daqueles migrantes que deram à costa do Algarve, que estavam em São Pedro Sul.
Não, claro.
Eles são sem papéis.
Até porque aí a entrada não é feita desta maneira. Agora, o que isto permite é perceber também saídas de território, que é outra das dificuldades que há. Nós ouvimos também aqui o membro do governo da área da imigração a dizer: "Bem, é que estas pessoas agora vão ter ordem de expulsão, mas nem sabemos se estão cá". Agora, claro, com certeza que haverá sempre por baixo do radar imensa coisa a passar-se que é difícil de controlar.
Miguel, o teu mau ainda é das autárquicas.
Sim, é o PS. Eu ontem falei sobre os resultados globais dos vários partidos, mas não quero deixar passar as eleições em Vizela. Vítor Hugo Salgado, o atual presidente da câmara, foi reeleito à frente de um movimento independente, com 71,96% dos votos, conseguiu seis dos sete vereadores. Em primeiro lugar, o movimento independente, em segundo lugar, uma coligação PSD e LCDS com 18,2%, em terceiro lugar, o Chega com 3,6%, em quarto o Bloco com 1,3%, em quinto o PCP com 1,2.
Em quinto?
Em quinto. E pronto, acabou. Não há mais nada.
Falta aquela.
Falta? Então. Pois é, falta o PS. Olha, tu queres me ver que o PS não concorreu em Vizela.
Esqueceram-se de meter a papelada.
Não, na realidade não concorreu porque Vítor Hugo Salgado era do PS até ter começado a ser investigado por violência doméstica, na sequência de uma denúncia da mulher. Quando isso aconteceu, o PS nacional retirou-lhe a confiança política, mas não apresentou depois nenhum candidato alternativo e até permitiu que os dirigentes locais do partido se passassem todos para as listas de Vítor Hugo Salgado. Eu já falei sobre este caso aqui antes das eleições. Volto depois das eleições, todas as histórias têm que ter um final e aparentemente um final feliz, porque agora toda a gente ficou satisfeita. Não sei se vocês já viram, mas Vítor Hugo Salgado foi reeleito, os socialistas conseguiram manter os seus cargos, o PS nacional fez uma pequena cena sem consequências e tudo segue na mesma. Olha que bonito.
Bonito. Toda a gente contente, menos as alegadas vítimas de violência doméstica.
Certo, mas os eleitores de Vizela, 71,96%, acharam que há política o que é da política, há justiça o que é da justiça.
Já está.
É.
Bem, quem é o teu vilão? O vilão é o SNS, não é?
É o SNS, é o Serviço Nacional de Saúde, porque ontem foi conhecido um estudo da Católica Lisbon School of Business and Economics, em portuguesa, católica, que mostra que 89,6% dos portugueses afirmam que a qualidade dos serviços no SNS está a piorar. E depois, a mim o que me deu mais impressão é que 85,1% têm medo de não obter a assistência necessária caso fiquem doentes. E há um bom motivo para isso, é que 77,4% disseram neste estudo que já adiaram consultas ou tratamentos por causa dos tempos de espera prolongados. Precisavam de ajuda e adiaram porque aquilo ia demorar muito tempo. Portanto, 37,4%, 85,1%, 89,6%. Enfim, ano após ano, problema após problema, escândalo após escândalo, pouco a pouco a imagem do SNS está cada vez mais degradada. Eu acho que nenhuma instituição sobrevive a uma exposição tão prolongada das suas debilidades, das suas deficiências e dos seus erros. Em tempos, o SNS foi um dos traços de união dos portugueses, mas agora, infelizmente, o SNS já não provoca orgulho, provoca, como se vê, medo. Quer dizer, pior que isto.
85,1. Impressionante.
Sobretudo para quem não tem alternativa, para quem não pode pagar um seguro de saúde privado, por exemplo.
Claro. E já tens muita gente a pagar, com muitos sacrifícios, mas claro, muita gente não tem nem nunca terá.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o novo sistema europeu de controle de fronteiras, o mau é o PS e o vilão é o Serviço Nacional de Saúde. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360º e sempre em podcast.