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Oito e vinte, é hora de O Bom, O Mau e O Vilão nas manhãs 360 e já temos ao telefone o Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Quem é que eleges como bom antes de irmos de fim de semana?
Antes dessa data histórica e inesquecível que será o começo deste fim de semana, temos como bom a Procuradora-Geral da República, que falou ontem sobre Tancos e Lucília Gago garantiu e jurou que o Ministério Público não se pauta, obviamente, palavras dela, por critérios políticos. Ora, sabemos que alguns políticos tiveram dúvidas sobre isso, por causa do momento em que a acusação foi conhecida, bem no meio da campanha eleitoral, e outros também tiveram dúvidas por causa da forma como se decidiu não ouvir o Presidente da República e o Primeiro-Ministro no processo. Por tudo isso, é bom que Lucília Gago tenha vindo explicar que a política não entra no edifício da Procuradoria, mas convém que tenha atenção a um ponto: como muito bem sabe o meu filho de nove anos, quando alguém insiste vezes demais que não fez uma determinada coisa, cria inevitavelmente a desconfiança de que algo não está bem.
E vamos ao mau.
O mau de hoje é Azeredo Lopes. Eu peço imensa desculpa, não é minha intenção insistir neste ponto, mas o ex-ministro da Defesa continua a falar sobre Tancos e perante isso, eu também tenho que continuar. Aliás, o problema não é Azeredo Lopes falar sobre isto, é falar mal. O ex-ministro veio ontem queixar-se de estar a ser vítima de um assassinato no espaço público, por causa das notícias que têm sido publicadas sobre o caso, mas depois de fazer esta acusação genérica, disse que vai fazer a sua defesa apenas em tribunal. Ora, vamos ver, eu não sei, e repito isto outra vez, se Azeredo Lopes é culpado ou inocente, mas sei que, tendo em conta que exerceu um cargo político importantíssimo e que esteve bem no centro de um escândalo que manchou o regime, tem obrigação de falar fora do tribunal e antes do tribunal. Mas é falar a sério, não é apresentar queixas genéricas, é falar. E se ainda por cima, como garante, é inocente, então não tem nada a perder com a verdade. E se não tem nada a perder com a verdade, deve dar em público e aos cidadãos documentos e factos que mostrem o que realmente aconteceu. Agora, para cabalas, já temos muitas. Obrigado.
E vamos ao vilão de hoje.
O vilão de hoje é Jerónimo de Sousa. O Comité Central do PCP fez a análise dos péssimos resultados eleitorais de domingo e decidiu culpar alguns membros atuais do próprio partido por aquilo que diz serem operações provocatórias que fragilizaram os comunistas. O PCP suprime de tal forma qualquer tipo de contestação interna que nós nem sequer conhecemos o nome desses militantes. Os críticos da geringonça dentro do PCP, que tanto incomodam o partido, escrevem num blog anónimo que, aliás, quase ninguém fora do PCP conhece ou lê. Mas, mesmo assim, pelos vistos, foram esses militantes desconhecidos que provocaram a enorme derrota de domingo. Já sabemos que os comunistas gostam de se gabar da sua capacidade de resistência, mas, sinceramente, olhando para estas reações, percebemos que Jerónimo de Sousa, coitado, não duraria uma semana na liderança do PSD.
Vamos então ao resumo do Bom, O Mau e O Vilão desta sexta-feira. O bom de hoje é a Procuradora-Geral da República, Lucília Gago. No papel de mau está Azeredo Lopes e o vilão de hoje é Jerónimo de Sousa. O Bom, O Mau e O Vilão com Miguel Pinheiro, segunda-feira à nova edição. Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.