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Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é o ministro das Finanças.
É, porque ontem Miranda Sarmento esteve na Assembleia da República e entre muitos outros temas falou sobre a proposta do PS de aplicar o IVA zero ao cabaz alimentar básico, como forma de apoio contra a inflação provocada pela guerra no Irão. Mas na realidade não apenas isso, porque o IVA zero é a solução do PS para quase tudo. Há um buraco na rua, José Luís Carneiro pede IVA zero. Alguém fica com uma unha encravada, José Luís Carneiro pede o IVA zero. E o ministro das Finanças lembrou o óbvio, é que esta medida levaria a uma redistribuição para todos, ou seja, esta redistribuição por todos abarcaria aqueles que precisam e aqueles que não precisam. E até teve uma frase de efeito. Ele disse que o bife, o wagyu do Cristiano Ronaldo também ficaria a pagar IVA zero, apesar de não parecer que o Cristiano Ronaldo precise de qualquer tipo de apoio. E nas crises é muito fácil os governos começarem a atirar dinheiro pela janela para mostrarem que estão a fazer alguma coisa. De facto, não há nada que dê mais nas vistas do que atirar dinheiro pela janela, mas convém sempre lembrar e insistir que nós somos um país relativamente pobre, que não tem dinheiro para tudo e de cada vez que o Estado gasta dinheiro, esse dinheiro é de todos, por isso tem de ser muito bem usado e apenas naqueles que realmente precisam de ajuda.
Pois, por isso é que se diz que o IVA é socialmente cego. Porque toca a todos por igual e essa igualdade pode ser muito pouco socialmente útil.
Certo, nós para ajudarmos quem mais precisa com o IVA zero, estamos necessariamente também a ajudar aqueles que não precisam.
Não precisam, e a ajudar mais ainda em termos profissionais.
É isso.
Consomem mais.
É isso, mas a verdade é que dava uns títulos.
Claro.
IVA zero na alimentação. Até parece que vão estar a distribuir comida à borla.
Miguel, o teu mau não sabe o que fazer.
É a ideia com que eu fico, porque o líder do PS foi entrevistado ontem na CNN Portugal e mais uma vez mostrou que está preso numa espécie de pântano partidário. Quando foi questionado sobre o pacote laboral, José Luís Carneiro tentou fazer o pino. Ele confirmou que se vai encontrar com Luís Montenegro para falar sobre a reforma laboral, mas depois disse isto: "Só posso estar disponível para negociar depois de conhecer a proposta do governo." Ora, vamos ver. Não é o conteúdo de uma proposta que leva alguém a decidir negociar ou não. Aliás, quanto maior for a discordância, maior a necessidade de negociar, porque quando as pessoas estão de acordo, não têm de negociar nada. Se o PS considerar que a proposta do governo é ótima, então é só aprová-la. Não é preciso negociação. Mas enfim, já se percebeu que o problema de José Luís Carneiro é que não sabe o que fazer. A esquerda do PS e os costistas querem deitar abaixo qualquer hipótese de mudança na lei laboral e aliás, querem cortar as pontes com o governo em tudo. José Luís Carneiro, que é um centrista, teria tendência para falar com a AD, para ir falando. Mas a verdade é que o líder do PS não tem força para impor nada ao seu próprio partido. Isso já se percebeu em várias áreas e por isso anda sempre de hesitação em hesitação. Eu não consigo entender como é que José Luís Carneiro avançou sozinho, sem o apoio de ninguém, contra as várias tendências do PS, e agora de repente permitiu-se a si próprio ficar refém, nomeadamente dos herdeiros de António Costa.
Dos herdeiros de António Costa, que são só uma parte do partido. O problema é que depois já há herdeiros de muita coisa.
Claro.
Que não vão puxar para o seu lado.
E atenção, Paulo, e além do partido, já agora, de vez em quando, se quiser pensar nos eleitores.
Pois.
Para evitar uma surpresa nas próximas legislativas, se calhar também era bom.
É, dava jeito.
Então e quem é o teu vilão?
Olha, nem de propósito. Até parece que isto foi tudo construído para chegarmos aqui. Mas olha, o vilão é António Costa. Esta história é muito antiga. Em 2022, vejam lá o tempo que isto foi, o governo do PS estava envolvido em casos e casinhos e o primeiro-ministro decidiu nomear um secretário de Estado adjunto que trabalharia diretamente consigo na coordenação do governo. E o escolhido foi o ex-presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves. A dada altura, a comunicação social, nomeadamente o Observador, noticiou que Miguel Alves estava envolvido nuns processos judiciais sob investigação e depois até se percebeu que António Costa sabia disso na altura da nomeação, mas desvalorizou, quer dizer, por que vamos estar agora a preocupar-nos com essas coisas? E quando se deu a demissão, António Costa aproveitou para atacar os jornalistas, insinuando cabalas e conluios. Isto foi lá para trás, agora vamos avançar uns anos. Ontem soube-se que Miguel Alves foi condenado pelo Tribunal de Contas a pagar €369 mil mais juros, no caso do Centro de Exposições Transfronteiriço, que foi muito célebre em 2022. O tribunal entendeu que a Câmara cometeu várias infrações financeiras. Atenção, naturalmente, nada disto é definitivo. Miguel Alves pode continuar a sua defesa, aliás, já anunciou que pretende recorrer da decisão, e muito bem. O meu ponto é outro, e por isso é que o vilão é António Costa, porque na altura o primeiro-ministro socialista achou que a melhor forma de minorar os seus problemas políticos era diabolizando os jornalistas. E esse é um truque que os políticos acham que resulta sempre. Pronto, resulta sempre. Entretanto, depois já ninguém se lembra. É por isso que eu já agora queria lembrar aqui.
E fizeste muito bem.
Ora obrigado, Paulo.
Muito bem, Miguel. É preciso ter memória.
Já viste que não há nada como nós aqui darmos palmadinhas nas costas uns aos outros.
Maravilha.
É isso.
Mas ao resumo, o bom desta quinta-feira é o ministro das Finanças, o mau é José Luís Carneiro e o vilão de hoje é António Costa, que foram as escolhas do Miguel Pinheiro. Nas manhãs 360 e sempre em podcast.