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Este é o som do "O Domínio da Guerra", sempre com o major-general Fábio Moura. Bom dia, general.
Muito bom dia a todos.
Bem-vindo, bom ano. Esta é uma edição especial do nosso "Domínio da Guerra", é o terceiro aniversário do nosso programa. Três anos, 6 de janeiro de 2023.
Mais de 150 programas, isto tem sido uma alegria.
Vamos assinalar esta data com uma análise detalhada sobre a Venezuela. General, talvez fosse interessante começarmos por um enquadramento geral e depois passarmos aos desenvolvimentos mais recentes, até porque todos os dias há notícias novas.
A Venezuela é um país que, do ponto de vista geográfico, se situa na costa norte da América do Sul e é banhada pelo Mar das Caraíbas. Tem uma extensíssima fronteira terrestre com três países. É importante olhar para esta fronteira terrestre. Tem uma fronteira terrestre de 2200 km com a Colômbia, uma fronteira de tamanho semelhante com o Brasil e uma fronteira um pouco mais pequena, ainda assim de 700 km, com a Guiana. Estas fronteiras terrestres estão sujeitas a aspetos muito interessantes. Primeiro, porque a fronteira com a Colômbia é muito permeável. Depois, porque a fronteira com a Guiana está em disputa há muito tempo, porque a Venezuela quer anexar uma região da Guiana. A única que se mantém relativamente estável é a fronteira com o Brasil, dada a dimensão e o potencial do Brasil. A fronteira com a Colômbia é uma fronteira importante para a nossa análise geopolítica, porque a Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína. Em 2023, cerca de dois terços da área de coca cultivada em todo o mundo estava na Colômbia. Portanto, é uma espécie do grande monopolista da cocaína no mundo. Em 2024, a Venezuela tinha cerca de 28 milhões de habitantes. Mas, de acordo com as Nações Unidas, cerca de oito milhões de venezuelanos tiveram de abandonar o país durante os regimes de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Do ponto de vista das suas dimensões, é um país enorme. É quase duas vezes o tamanho de Espanha. E calcula-se que tenha as maiores reservas de petróleo do mundo. E agora entramos aqui na palavra-chave petróleo. Em 2023, o petróleo da Venezuela era exportado, sobretudo, para dois países: para a China, para onde iam 68% da produção, e os Estados Unidos, 23%. Os outros países tinham dimensões muito pequenas do ponto de vista da exportação. A Espanha, 4%, e Cuba, também 4%. Simplesmente, Cuba é importante no meio desta equação toda do mundo de Trump e do hemisfério da luta pelo hemisfério ocidental.
Sei que também já faz parte da narrativa.
Exatamente, porque Cuba recebe petróleo também da Venezuela e entrega serviços, nomeadamente os serviços de proteção a Maduro, como acabámos por descobrir e falaremos mais tarde. As grandes descobertas de petróleo na Venezuela foram feitas a partir de 1922. Em 1929, sete anos depois destas primeiras descobertas, a Venezuela já tinha passado completamente a sua economia de um país rural para uma economia baseada no petróleo. Passaram a ser o segundo maior produtor mundial em 1929, depois dos Estados Unidos, e mais de 100 companhias internacionais investiam e exploravam esse petróleo. O petróleo venezuelano é um petróleo diferente dos outros, é um petróleo pesado, que permite produzir, para além de gasolina, um conjunto de outros produtos interessantes: o asfalto, o óleo de aquecimento e o diesel. Em comparação, o petróleo que os Estados Unidos produzem no Texas é um petróleo leve, serve, sobretudo, para gasolina. Em 1999, Hugo Chávez tomou o poder, transformando a Venezuela num país socialista revolucionário. E em 2007, nacionalizou as empresas petrolíferas que operavam no país, entre as quais muitas empresas norte-americanas. E tomou o controle da companhia estatal, que é a PDVSA, e transformou-a numa espécie de máquina de distribuir dinheiro em favor das suas teorias revolucionárias. Isto é, em vez de investir na produção, investiu na distribuição do dinheiro gerado aos militares. Os técnicos da empresa foram todos afastados e começou a decadência desta empresa. Relembramos que a Venezuela era o segundo produtor mundial de petróleo. Em 2013, morreu Chávez e sucede Nicolás Maduro, e a situação de produção de petróleo acelerou a sua decadência. Vejamos estes números, que são importantes. Hoje em dia, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Isto só representa, hoje em dia, 0,8% do total de petróleo produzido no mundo. Hoje a Venezuela produz menos de metade do que produzia em 2013, quando Maduro assumiu o poder, e menos de um terço do petróleo que produzia no início da revolução chavista, que eram cerca de 3,5 milhões de barris por dia. Portanto, estamos a ver a decadência que sofreu a indústria petrolífera da Venezuela nestes 26 anos da revolução socialista. O socialismo revolucionário é ótimo a dar cabo de tudo, até da galinha de ovos de ouro da Venezuela. Desenvolvimentos mais recentes. Quando Trump tomou posse em janeiro de 2024, as suas primeiras afirmações da política internacional não pareciam incluir a Venezuela. Falou do Canadá, do Panamá, do Panamá, da Groenlândia, enfim, são os grandes parangonas que nós nos lembramos deste início de mandato.
Sim, a Venezuela não estava no discurso.
A questão da Venezuela chegou mais tarde, à boleia de uma ordem executiva de 20 de janeiro de 2025, que passava a designar algumas organizações criminais e cartéis de droga como organizações terroristas internacionais. E entre essas organizações estava um gangue venezuelano chamado o Trem de Aragua. Este decreto de 20 de janeiro de 2025 é fundamental para perceber agora todos estes desenvolvimentos, porque sendo organizações terroristas, o presidente passou a ter, constitucionalmente, uma liberdade de ação estratégica que não tinha antes. Portanto, o que é que Trump fez? Em vez de mudar uma lei que lhe permitiria ter maior liberdade de ação estratégica, mudou o nome das organizações. As organizações passaram a ser classificadas como organizações terroristas e, portanto, ele ganhou liberdade de ação como presidente dos Estados Unidos para atuar nesta área. Portanto, esta mudança conceptual permitiu-lhe, a 19 de agosto, deslocar três fragatas para junto da Venezuela e o dispositivo militar não cessou de crescer. Em poucas semanas, chegaram mais três navios anfíbios de assalto, um submarino, várias aeronaves de combate e o estacionamento de F-35 em Porto Risco, em setembro. Setembro é o mês decisivo. No dia 2 de setembro, forças militares dispararam e afundam o que Trump definiu como uma embarcação que transportava droga. Morreram 11 pessoas e depois disso, já morreram muitas dezenas mais. Nos dias seguintes, outros ataques se seguiram. Estamos a ver aqui a importância que teve o decreto de 20 de janeiro, que lhe deu uma liberdade de ação, podendo empregar forças de natureza militar contra aquilo que eram coisas que até aí eram de natureza policial e civil. Em 24 de outubro, a EXET mandou o porta-aviões Gerald Ford juntar-se ao grupo aeronaval, que chegou às Caraíbas a 16 de novembro, e era evidente que a pressão militar tinha que conduzir a uma ação de natureza militar qualquer. Não talvez uma invasão, porque os 15 mil soldados presentes não eram suficientes para invadir a Venezuela, mas havia aqui já potencial para várias opções possíveis. No dia 11 de novembro, perante esta pressão toda, Maduro anunciou a mobilização de tropas e voluntários. E chegamos ao início de janeiro, com o dispositivo aeronaval pronto, a intelligence toda recolhida e a ordem de operações aprovada. O plano de operações Absolute Resolve foi mantido em segredo e nem sequer foi divulgado ao Congresso. Na madrugada de 3 de janeiro, eram duas da manhã em Caracas, começa a cidade a ser sacudida por explosões. A eletricidade é cortada, as defesas aéreas são neutralizadas, cerca de 150 aeronaves de combate entraram no espaço aéreo venezuelano. A baixa altitude entraram também um conjunto significativo de helicópteros que transportam a Força Delta, que é a força de operações especiais, que vai sequestrar Nicolás Maduro e a sua esposa. Serão extraídos nesses helicópteros da Venezuela e conduzidos, depois através de um conjunto de escalas, até Nova Iorque, onde já foram presentes.
Ao tribunal.
Ao tribunal. Mesmo sendo cirúrgica do ponto de vista da dimensão geográfica da operação, foi uma grande e complexa operação militar. Ninguém mais no mundo teria capacidade de executar uma operação desta envergadura.
Mas que teve ajuda, general.
Teve ajuda que faz parte da missão de facilitação de toda a operação de natureza militar, em criar as condições necessárias para facilitar essa operação. Eu destaco aqui alguns aspetos importantes nesta operação. O trabalho minucioso de intelligence, que foi não apenas a recolha de informações como o treino das forças, fizeram uma miniaturização do sítio onde estava Nicolás Maduro para treinar as forças, a abertura do corredor aéreo. Não funcionaram as defesas aéreas instaladas, tinham baterias S-300 russas que não funcionaram. Não houve mortes por parte das forças americanas e cerca de 32 cubanos terão morrido no ataque, o que significa que Nicolás Maduro já não confiava nas suas próprias forças para a sua segurança pessoal. Eram os cubanos que garantiam a segurança pessoal de Nicolás Maduro. No dia seguinte, começaram as justificações, isto é, os Estados Unidos estiveram perante a comunidade internacional para explicar.
Para explicar o porquê desta extração.
Sim, do discurso de Donald Trump é impossível extrair qualquer coisa. É impossível, é caótico aquele discurso, é impossível. Ele muda três vezes de assunto na mesma frase e, portanto, é impossível descobrir qualquer coisa. Quem teve a missão de trazer alguma luz sobre isto, uma narrativa, foi o secretário de Estado, o Marco Rubio. Marco Rubio trouxe duas grandes ideias, digamos, para isto. Primeira ideia: não foi uma invasão, não houve uma invasão, uma vez que não há presença de forças militares norte-americanas agora na Venezuela. Portanto, não foi uma invasão militar. E depois não estão em guerra com a Venezuela, o que estão em guerra é com o narcoterrorismo. Portanto, toda a construção agora da narrativa norte-americana é esta. Isto não foi uma operação conduzida pelos militares, mas contra organizações narcoterroristas e aquilo que os Estados Unidos consideraram que era a cabeça destas organizações, o próprio Nicolás Maduro. Três aspectos mais recentes sobre isto. Primeiro, Trump insiste que os Estados Unidos controlam a Venezuela.
E governam, sim.
Depois, é anunciado um plano em três fases para a Venezuela. A fase da estabilidade, da recuperação e da transição de poder. A democracia não está prevista, mas aguardamos com bastante interesse a reunião que pode haver de Corina Machado com Donald Trump. Vamos ver se Donald Trump reserva algum papel especial para Corina Machado neste futuro e nesta transição.
O que é certo é que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela suscitou as mais variadas reações na comunidade internacional. O que pensam, por exemplo, as Nações Unidas, a Europa, Moscovo ou até Pequim sobre estes acontecimentos e o que podemos esperar a partir de agora, general?
Pois, muito bem. As Nações Unidas foram rápidas a reagir, seguraram-se, sobretudo, na Carta das Nações Unidas e citaram um conjunto de frases que estamos habituados a ouvir nas Nações Unidas. Os Estados não devem ameaçar, nem recorrer ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outro Estado. Ora, isto é bonito de ser dito, mas isto não é praticado em lado nenhum. Isto é, quando se faz uma sanção de natureza económica, o que eu estou a fazer é exercer pressão política sobre um Estado e toda a gente faz isto. Portanto, isto é um excelente princípio, só que não é praticado, como se tem visto grande parte dos princípios da Carta das Nações Unidas. Talvez mais interessante seja olhar para a questão da Rússia. Nicolás Maduro era um grande aliado de Moscovo, e Moscovo sentia-se confortável com aquela presença no Mar das Caraíbas de um aliado. Já tinha Cuba e agora, há 20 e tal anos, tinha o regime de Maduro. E, portanto, para a Federação Russa, perder naquela zona um aliado é uma perda muito significativa. Para além disso, isto é numa altura em que a Federação Russa procura segurar os Estados Unidos nas negociações da questão da Ucrânia. Isto vem em má altura, porque veio trazer aqui um conjunto de incidentes de natureza diplomática, de declarações, etc, de posições políticas que colocam a Rússia num campo oposto ao dos Estados Unidos. Isto é, há aqui uma certa hostilidade em relação a este assunto e esta hostilidade até pode, eventualmente, beneficiar a Ucrânia. Mas a Ucrânia tem uma coisa a perder. É que agora a nossa atenção ficou dispersa com a Venezuela e já ninguém quer saber onde é que estão as linhas de contacto e o que é que aconteceu a Pokrovsk, etc.
Esta noite foi outra vez atacada.
Foi outra vez atacada. Depois ainda houve a questão do petroleiro, que foi abordado pelos Estados Unidos, não obstante, aparentemente, ter mudado de bandeira e pensar que se sentia protegido por ter uma bandeira russa pintada no casco. Não serviu de proteção, mas é mais um elemento de dissensão entre a Federação Russa e os Estados Unidos. Depois, a China. A China, através daquela porta-voz, Mao Ning, que é porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, coloca sempre um ar muito sério e zangado nas suas declarações. E veio dizer que a China não aceita que haja interferência naquilo que são os seus assuntos e os assuntos de outros países na Venezuela. Isto é, ela não quer sentir-se prejudicada nisto. Mas a China é o ponto central de toda esta atuação de Trump, que Trump tem prevista para o continente americano. É tirar a China da América, sobretudo da América do Sul. Na Europa, ninguém quer irritar os Estados Unidos e, portanto, o que os europeus andaram a tentar fazer foi pronunciar-se sem se pronunciar sobre o assunto e, sobretudo, procurarem não caracterizar a ação dos Estados Unidos. Isto é, não dizer se os Estados Unidos foram ou estiveram dentro daquilo que é o direito internacional ou se, pelo contrário, violaram. Foi uma discussão a que os Estados da Europa procuraram fugir. E, portanto, em resumo, esta operação veio abalar o mundo. Abalar o mundo.
Sem dúvida.
Porque os Estados Unidos, e basta ver a última declaração de Trump a dizer que o único limite ao meu poder é a minha moralidade, e a moralidade sabemos até onde para. E, portanto, o mundo está em choque com isto e andamos todos à procura da maneira de reagir a este assunto.
Todos, inclusive a Europa, não é?
Inclusive a Europa.
A administração Trump e o próprio presidente dos Estados Unidos afirmam publicamente que controlam a Venezuela e que o governo de Caracas fará o que lhe for ditado, mas quem ouvir Darcy Rodríguez, a antiga vice-presidente de Nicolás Maduro e agora presidente interina, reconhece imediatamente as mesmas frases e teorias revolucionárias do chavismo. General Arnaut Mora, a cortina de fumo é esta sobre quem gere efetivamente a Venezuela
Pois, é que quem ouça Trump diz que quem gere a Venezuela são os Estados Unidos da América. Mas quem ouve Darcy Rodríguez, o que ouve ali é um conjunto de frases que são aquelas frases do chavismo. É preciso ver que Darcy Rodríguez tem 55 anos, é advogada de formação e ocupa cargos de elevado relevo na revolução chavista desde o tempo de Hugo Chávez. Ela foi, inclusivamente, ministra dos Negócios Estrangeiros entre 2014 e 2017. O que Trump vem dizer, e os assessores de Trump, Stephen Miller, vem dizer é que os Estados Unidos controlam a Venezuela. Isto é, a liberdade de ação estratégica do governo venezuelano foi reduzida e está dependente dos Estados Unidos, através de uma linha que se chama petróleo. A revolução chavista fez depender toda a economia venezuelana do petróleo, e esse petróleo é exportado por via marítima. Ora, se os Estados Unidos impõem um bloqueio naval à Venezuela, esse bloqueio naval vai afetar a forma como se podem produzir, gerar rendimentos na Venezuela. Portanto, estas frases todas que ficam bem a uma revolucionária como Darcy Rodríguez, ficam bem agora que é a presidente interina, vão acabar no final do mês, porque no final do mês deixa de haver as receitas provenientes do petróleo, que são o sustento, porque os Estados Unidos têm um bloqueio naval sobre a situação. Os Estados Unidos o que estão a fazer é utilizar o petróleo e o bloqueio naval para controlar aquilo que são as decisões e a liberdade de ação estratégica do governo venezuelano. Vamos ver quanto tempo mais duram estas declarações de natureza revolucionária, porque o dinheiro no final do mês vai faltar e vai ter que abrir aqui um diálogo em condições muito difíceis com os Estados Unidos sobre aquilo que são os proveitos e as capacidades da Venezuela em gerar as receitas que sustentam um Estado revolucionário que depende inteiramente das receitas provenientes do petróleo.
O nosso ponto de mira foca-se hoje na Gronelândia e no insistente interesse dos Estados Unidos a integrar este território da Dinamarca debaixo da soberania americana. Marco Rubio já anunciou que irá à Dinamarca para negociações. General, o que é que podemos esperar?
Este é um assunto a que voltaremos certamente depois da visita de Marco Rubio. Mas há aqui três ou quatro aspetos sobre a Gronelândia que era importante começar desde já a alinhar. O primeiro é este: os Estados Unidos querem a Gronelândia, não querem acordos sobre a Gronelândia. Isto faz toda a diferença, porque a Gronelândia sempre esteve no hemisfério ocidental e faz parte do conjunto de territórios protegidos no âmbito da Aliança Atlântica. A questão da Gronelândia e da segurança da Gronelândia não é apenas uma questão da Dinamarca, é um problema da NATO enquanto organização que envolve uma multiplicidade grande de países. A Gronelândia não está abandonada à sua sorte. A Gronelândia faz parte de um dispositivo que a NATO protege. Se a NATO está em condições de proteger a Gronelândia, é a questão que agora está a ser explorada pelos europeus. Isto é, garantir a Donald Trump que a NATO tem em si condições para, através do destacamento de forças para a Gronelândia, tem capacidade de garantir aos Estados Unidos o nível de segurança que os Estados Unidos ambicionam. O que é que nós vamos assistir agora aqui? Vamos assistir aqui a duas filosofias muito distintas e muito diferentes. Os Estados Unidos vão ter que se definir. Se os Estados Unidos são uma potência imperial, os Estados Unidos querem a Gronelândia, porque os impérios medem-se pelos territórios. A grandeza de um império mede-se pela quantidade de território que tem.
E essa é também a visão de Trump.
E essa é provavelmente a visão de Trump. Não uma visão que possa ser defendida na comunidade internacional, com o direito internacional, mas é a visão de Trump. Ele, aliás, Juca, ontem falou no termo propriedade. Não é a mesma coisa garantir a segurança da Gronelândia ou ter a propriedade da Gronelândia.
Ele quer ser o dono.
Quer ser o dono da Gronelândia. O que os europeus estão a tentar fazer é dizer a Donald Trump que ele já tem lá as bases militares que tem. Pode ter mais bases militares, se quiser. Os europeus estarão disponíveis e a NATO estará disponível para reforçar a sua presença na Gronelândia, através de exercícios, de destacamentos de forças militares, etc. E, portanto, de garantir também contribuir para a segurança dos Estados Unidos. O que nós vamos assistir, e isto é importante, e vamos trazer isto aqui para outros programas, é de que lado se vão colocar os Estados Unidos. Do lado da questão da segurança para a qual podem ter uma segurança de natureza cooperativa com os outros países da NATO, ou do país que renasceu imperialista e que se preocupa com a dimensão do seu território, para o qual a bandeira dos Estados Unidos sobre a Gronelândia é um aspeto fundamental.
Vamos ver no que isto dá. General Arno Moura, muito obrigada por mais um Domínio da Guerra e parabéns por estes três anos de emissão.
Tem sido fantástico.
É sempre um gosto tê-lo connosco. Obrigada.
Obrigado. Bom fim de semana.