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Está no ar uma edição especial do "O Domínio da Guerra", com o Major-General Fábio Moreira. Bom dia.
Olá, muito bom dia a todos.
24 de fevereiro de 2022. Há exatamente quatro anos, tropas da Federação Russa invadiram a Ucrânia com a intenção de derrubar Zelensky e de assumir os destinos políticos da Ucrânia em poucos dias. Quatro anos depois, assinalamos esta data com uma edição especial de "O Domínio da Guerra". General, talvez fosse interessante começarmos por olhar pra aquilo que se passou ao longo desse dia 24 de fevereiro de 2022.
Este dia foi decisivo e eu convido os nossos ouvintes a embarcarmos numa cápsula do tempo e irmos para Hostomel, na manhã do dia 24 de fevereiro. Estamos em Hostomel. O que é Hostomel? Hostomel é uma pequena cidade a cerca de 15 km do centro de Kyiv. O que caracteriza Hostomel é um aeroporto, chamado Aeroporto Antonov, de onde opera aquele que era o maior avião de carga do mundo, o Antonov AN-225. Hostomel não está nos mapas, ninguém sabe onde é Hostomel e ninguém sabe que sob Hostomel se prepara uma das operações mais terríveis da guerra deste primeiro dia. Hostomel tem uma pista de aviação. Essa pista de aviação tem 3,5 km. É uma pista construída para aviões de carga e, além disso, é um centro logístico importante. Isto é, tem hangares, tem depósitos, permite armazenar coisas e tem também lá uma brigada, que é a Brigada de Reação Rápida da Guarda Nacional, que foi construída de acordo com especificações da NATO. Só que a brigada hoje não está lá, porque os ucranianos estão a contar com uma invasão russa a partir do Donbass e pegaram nas suas unidades militares e levaram-nas a sudoeste de Kiev. Isto é, aquela fantástica base, neste momento, tem 200 soldados do serviço militar obrigatório. Isto pra nós é importante.
É disso que eu vou falar.
Isto pra nós é importante. Tem 200 soldados do serviço militar obrigatório. Esses soldados estão distribuídos em dois núcleos. A norte da pista, têm um sistema canhão antiaéreo, ZU-23-2. Estão lá cerca de 20 soldados e os restantes estão a sul da pista, na zona das cavernas. Acontece que chegou a altura de colocarmos os nossos capacetes na cabeça e de vestirmos os nossos coletes antibala, porque a operação vai começar. A 170 km a norte de Hostomel, já em território da Bielorrússia, existe uma base aérea onde estão estacionados na pista vários tipos de helicópteros. Temos helicópteros de combate Ka-52, temos helicópteros de combate mais antigos, os Mi-24, e temos helicópteros de transporte de tropas, os Mi-8. E há cerca de 250 soldados, entre 200 e 300 soldados russos de operações Spetznaz e com especialidade aerotransportada, que estão prestes a entrar nestes helicópteros. Por volta das 9h00, os 34 helicópteros levantam voo da base da Bielorrússia. Entretanto, as forças aeroespaciais russas conseguiram abrir uma espécie de um corredor seguro para a passagem destes helicópteros. Isso foi conseguido através do emprego de guerra eletrônica, do cegamento de um conjunto de radares ligados à artilharia antiaérea e da destruição de algumas posições de artilharia antiaérea ao longo do percurso. Com a rota segura, os 34 helicópteros entram na Ucrânia pelas 9h30 e vão seguir ao longo do vale do Rio Dnipro, para manterem uma assinatura visual e uma assinatura radar muito baixa. Entram às 9h30 em território ucraniano. Só pelas 10h30 os ucranianos vão dar conta desta infiltração dos 34 helicópteros, e vão dá-la perto daquilo que é uma barragem hidroelétrica para a produção hidroelétrica, que é a barragem a norte de Kyiv. O sistema antiaéreo ucraniano consegue abater os dois helicópteros que vêm à frente, mas os outros 32 prosseguem a sua marcha para sul. A missão desta equipa de helicópteros de ataque e de helicópteros de transporte é tomar a base e assegurar a segurança da pista do aeroporto de Hostomel. Por quê? Porque a seguir virão mais tropas aerotransportadas para tomar conta de toda a base. E, portanto, estes são a força que vem tomar conta da pista e assegurar a segurança da pista. Entretanto, pelas 7h00 Hostomel é sacudida por três mísseis Kalibr, mísseis de cruzeiro. Não é uma indicação muito especial, mas é indicação de que a guerra já começou. O comandante da base, que é nesta altura um major, porque todos os oficiais foram com a brigada, ficou lá um major a tomar conta da base, manda distribuir o melhor que pode as poucas forças que tem para tomar conta e garantir a segurança da base. Entretanto, estes 34 helicópteros, por volta das 11h, chegam a Hostomel. O comandante é surpreendido pelo barulho do rotor dos helicópteros, pelo disparo dos rockets dos helicópteros de ataque e pelos sistemas canhão também dos mesmos helicópteros. Isto é, toda aquela operação aerotransportada tem por missão conquistar a unidade pela qual ele é responsável. A guerra vai durar duas horas. Esta guerra, este ataque russo vai durar duas horas.
Estamos no dia 24 de fevereiro de 2022.
Foi mais ou menos a esta hora. Às 11h, portanto, é na altura em que são aqui 10h. Foi basicamente agora que está a acontecer. Os helicópteros de ataque procuram eliminar, sem sucesso, a defesa constituída pelos tais soldados do serviço militar obrigatório. Estes soldados têm instrução militar básica, não são soldados profissionais. Têm consigo apenas o armamento ligeiro, normalmente as espingardas automáticas. Alguns têm sistemas portáteis antiaéreos, Igla, que é um míssil antiaéreo portátil. E um dos soldados, logo na primeira passagem dos helicópteros de ataque, os Ka-52, consegue disparar o seu míssil e atinge o helicóptero. Portanto, logo no início do combate, começa com a perda de um Ka-52, disparado por um míssil, disparado por um soldado do serviço militar obrigatório. Isto vai galvanizar estes soldados que durante duas horas, e por quê duas horas?
Deram tudo, não é?
Deram tudo o que puderam para evitar que a base fosse tomada. Ao fim de duas horas, acabaram-se os mísseis antiaéreos, acabaram-se as munições e os soldados foram obrigados a retirar, mas ganharam duas horas que foram preciosas para o desenvolvimento das operações militares durante este dia. Aproveitando a retirada, os Mi-8, que são os helicópteros de transporte, fazem desembarcar na base cerca de 200, 300, talvez 250 soldados de operações aerotransportadas, que vão ocupar a pista e procurar garantir a sua segurança. Só que, entretanto, passaram duas horas com tudo isto e uma outra operação que estava a ser desenvolvida, que era uma operação já não com helicópteros, mas com aviões táticos de transporte, que viria de Pskov, um aeroporto na Federação Russa, trazendo um reforço de mil tropas para tomarem conta da base, teve que ser abortado. Portanto, começou aqui o encadeamento de uma sucessão de pequenos eventos inesperados, que vão conduzir a que a Federação Russa vá perder a Batalha de Kiev. Mas a batalha ainda não acabou em Hostomel, porque, na verdade, ainda as forças da Federação Russa que desembarcaram estão a ocupar o aeroporto. E, mais ou menos pela hora do almoço, por volta da 13h, o comando ucraniano da cidade de Kiev, o comando militar, vê a situação grave que se está a passar em Hostomel e decide ordenar um contra-ataque com as forças que consegue reunir dentro de Kiev para expulsar e tomar conta da base outra vez. Zelensky anuncia às 15h30 que as forças russas estão contidas dentro da base e que agora serão alvo de um contra-ataque. O contra-ataque ucraniano só ocorre por volta das 17h30 e vai durar até às 21h. Só às 21h é que as forças ucranianas retomam o controle da base. As forças russas, que entretanto estão na base, vão se refugiar dentro de uma floresta, porque a Batalha de Hostomel ainda não acabou. É que, entretanto, as forças terrestres mecanizadas da Federação Russa, que avançam a partir da Bielorrússia sobre Kiev, vão procurar fazer uma operação de junção com as forças aerotransportadas que estão em Hostomel. E as forças de reação muito ligeira, que foi possível reunir em Kiev, não são capazes de fazer face a esta chegada de uma força mecanizada russa que vai chegar na manhã do dia seguinte. E na manhã do dia seguinte, o que vamos ter é que as forças ucranianas vão ter que retirar outra vez de Hostomel e as forças mecanizadas russas vão realizar uma operação de junção com as forças aerotransportadas que lá estavam. Acontece então a coisa mais decisiva de todas: é que sem forças ucranianas terrestres para defender a base, com as forças mecanizadas russas já na base A artilharia ucraniana que está à volta de Kiev vai realizar um fogo com a maior precisão que puder sobre a pista. Isto é, a pista vai ser destruída pelas próprias forças ucranianas para impedir que ela possa ser utilizada. E o que vai acontecer é que as forças russas acabam por tomar uma base com uma pista fantástica, só que a pista já não existe. E portanto, toda a manobra militar montada nesta manhã, que consistia em tomar uma base, uma pista fantástica de carga, a partir da qual todos os reforços russos poderiam ser enviados para tomar Kiev em 72 horas, colapsa, porque meia dúzia de soldados do serviço militar obrigatório foram capazes, durante duas horas, de defender aquela pista.
General, está a emocionar-se e a mim também.
Porque isto é sério.
Pois é. E diz muito sobre o serviço militar obrigatório. Ao longo destes quatro anos de guerra, foram imensas e muito variadas as operações militares de grande envergadura conduzidas pelas forças russas e pelas forças ucranianas. Vários territórios mudaram várias vezes de dono. General, a enumerar nestes quatro anos de conflito, quais foram os momentos mais significativos do ponto de vista militar, além deste que referiu agora?
O que acontece é que por volta de 5 de abril de 2022, a Rússia dá por perdida a Batalha de Kiev e vai retirar todo o seu dispositivo, concentrando em outros pontos da frente onde tinha tido alguns sucessos, alguns deles limitados. Um dos sítios onde teve sucesso foi na invasão que conduziu a partir da Crimeia para atingir o rio Dnipro. É preciso ver que não houve praticamente capacidade nenhuma ucraniana de, a sul, conter esta invasão surpresa feita a partir da Crimeia. Essa invasão tinha dois destinos: atingir o Dnipro e passar o Dnipro para norte, por um lado, e por outro lado, fletir para o lado direito, para o lado leste, para fazer uma junção com as forças que estavam no Donetsk, as forças russas do Donetsk. E, portanto, de alguma maneira, controlar o mar de Azov. Esta era a manobra conduzida a partir do sul. Este avanço russo iniciou-se também no dia 24, no dia 26 acontece uma desgraça para a Ucrânia: é que as forças russas conseguem tomar a ponte de Antonivka, que é a ponte que dá acesso a Kherson, Mykolaiv e, mais adiante, a Odessa. Os ucranianos não conseguiram ficar na posse da ponte e não a conseguiram destruir, o que permitiu a passagem de milhares de tropas russas para norte do Dnipro, avançando sobre Kherson, procurando ultrapassar Mykolaiv para se dirigirem para Odessa. Uma desgraça completa nestes primeiros dias de combate. O que aconteceu entretanto de significativo? É que a Ucrânia recebeu o sistema HIMARS e quando o recebeu, o sistema HIMARS tinha precisão suficiente para dar cabo da ponte de Antonivka. E foi isso que aconteceu a partir do verão. A ponte de Antonivka tornou-se o alvo privilegiado dos HIMARS e a ponte de Antonivka foi danificada de tal maneira que deixou de servir, de poder alimentar a logística que sustentava todas aquelas forças russas a norte. E, portanto, o que nós assistimos é que até dezembro, a bolsa a norte do Dnipro, que era perigosíssima porque permitiu tomar Kherson, ameaçou Mykolaiv e ameaçava chegar a Odessa, foi sendo progressivamente reduzida por causa dos HIMARS que deram cabo da ponte Antonivka. Este é um aspecto importante, porque esta manobra de retirada, que é uma manobra muito difícil, teve que ser feita através de um sistema de pontões, de embarcações unidas umas às outras, que permitiram ao dispositivo russo retirar. Odessa respirou de alívio depois dos HIMARS terem destruído a ponte Antonivka. Essa foi uma. Depois, a segunda parte de 2022 foi uma parte de grande entusiasmo para a Ucrânia, porque tinha vencido em Kiev, tinha reduzido o avanço russo a norte do Dnipro e resolveu fazer uma contraofensiva muito grande na região de Kharkiv. Kharkiv também a Federação Russa já tinha desistido de tomar Kharkiv e em setembro de 2022, as forças ucranianas rompem várias linhas de defesa no Oblast de Kharkiv, capturam imensíssimo material, que depois vão utilizar em seu proveito próprio, e vão recapturar Liman. Isto é uma ofensiva de natureza clássica, segundo padrões convencionais utilizados pelo Ocidente, em que a velocidade é um fator fundamental, permite romper linhas russas e impedir que as forças russas se consolidem. Elas consolidaram-se muito atrás, ganharam-se imensos quilômetros quadrados com esta ofensiva de Kharkiv. Isto deu um entusiasmo grande à Ucrânia E então começa-se a falar na grande ofensiva da primavera de 2023. Para isso é preciso material. E, portanto, o Ocidente é chamado a participar na entrega de material para que a Ucrânia consiga, na primavera de 2023, avançar para sul, a partir daquela região entre Zaporíjia e Dnipro, cortar ao meio o dispositivo russo que está no sul da Ucrânia, separando a parte que está na Crimeia da parte que está no Donbass e, portanto, passar aqui a debilitar extraordinariamente o dispositivo russo. Estamos todos a falar disto desde novembro, quando se fala na preparação da contraofensiva. Ora, desde novembro de 2022, a Federação Russa começou a construir trincheiras, fossos anticarro e a minar tudo o que era terreno. Teve meses e meses a preparar-se para isto. E entretanto, o que aconteceu ao equipamento? O equipamento nunca mais chegava, porque muito do equipamento que cedeu à Ucrânia era equipamento que estava em depósito e ainda precisava de ser mantido, de ser tornado operacional, ser transportado, etc. Conclusão: a ofensiva da primavera só começa, na verdade, já em junho e vai embater de frente contra aquele dispositivo brutal de organização do terreno que a Federação Russa tinha conduzido. E em dezembro é já evidente que esta ofensiva falhou nos seus objetivos. Nem sequer nos objetivos mínimos, que era uma cidade importante a meio deste percurso, que era Tokmak, também não conseguiu, e muito menos atingir o mar de Azov. Recuperou 370 km², mas isto é insuficiente em relação àquilo que queria. Depois, temos em 2023 uma coisa fantástica, que é Prigozhin avança sobre Moscovo. Prigozhin acabaria morto naquele desastre de avião. Depois temos a incursão de Kursk, que nunca foi muito bem explicada, a incursão de Kursk da Ucrânia, que revela o valor da Coreia do Norte em ajudar a Federação Russa. E depois temos este combate agora de microtática, de pequenos avanços em que estamos neste momento. E depois a guerra energética com toda a crueldade sobre o povo ucraniano.
General, para lá da componente militar, as guerras possuem muitos outros domínios de ação e aqui são particularmente importantes os apoios e as sinergias geradas a partir das alianças político-estratégicas que se formam. Nesse sentido, que avaliação podemos fazer dos apoios externos recebidos, quer pela Federação Russa, quer pela Ucrânia?
Logo no início do conflito, o mundo dividiu-se em duas partes. De um lado, as autocracias, todas juntas, China, Irão, Coreia do Norte, Rússia, e do outro lado, aquilo que nós podemos chamar o Ocidente alargado. Só que o comportamento e a coesão dos dois blocos não foi a mesma. Não houve uma única dissensão no bloco autocrático, enquanto que no bloco democrático do Ocidente, houve alterações muito significativas durante estes quatro anos. Nós relembramos que Biden esteve sempre receoso de entregar equipamento para não aborrecer a Federação Russa. Nós recordamos que o Ocidente nunca entrou numa economia de guerra, deu aquilo que tinha em depósito e depois de dar o que tinha em depósito, já não tinha muito mais coisas para dar. Tem dado, sobretudo, apoio financeiro e que com a chegada de Trump, os europeus que paguem a guerra. E, portanto, enquanto nós assistimos a uma enorme coesão dentro daquilo que era o bloco autocrático, o bloco do Ocidente não esteve à altura das responsabilidades. E se hoje, ainda em dia, a guerra prossegue nestes termos, é porque nós devíamos ter feito muito mais do que aquilo que fizemos em relação à Ucrânia.
São quatro anos de uma guerra terrível que acontece em território europeu. General, o que é que à data de hoje se consegue, se pode equacionar em termos de resolução? E mais, como é que vai ficar a Europa e o sistema internacional quando as armas se calarem na Ucrânia?
Nenhuma guerra é eterna. Não é para sempre. Todas as guerras vão terminar. E elas terminam ou por uma vitória militar, ou por uma mediação externa, ou pelo esgotamento de recursos. A vitória militar não parece uma coisa fácil de alcançar nesta fase em que nós estamos. A Ucrânia tem resistido, nada indica que haja um colapso das suas frentes de natureza militar e, portanto, a vitória militar é uma coisa que é muito difícil de antever que venha a acontecer, pelo menos nos tempos mais próximos. O esgotamento dos recursos, sim, esse é real. E os recursos são muito críticos, quer para a Ucrânia, quer para a Federação Russa. A Federação Russa tem problemas económicos gravíssimos e neste momento, o número de mortos e de baixas em combate é igual àquilo que consegue recrutar, o que significa que também tem um problema de recursos humanos muito grave. E a mediação externa, toda a gente tem medo da mediação externa, porque nenhuma das partes, na verdade, confia naquilo que é esta mediação da administração Trump. Ou seja, o futuro da guerra está neste momento menos dependente das partes e mais dependente daquilo que é o que pensa a administração Trump sobre esta guerra. E o que podemos prever a partir de agora é que Zelensky já está menos dependente dos Estados Unidos e pode não aceitar o ultimato dos Estados Unidos para entregar território. Entregar território não é popular na Ucrânia, é sobretudo popular no Ocidente, porque é fácil entregar o território que é dos outros, mas isto pode vir a sobrar inteiramente para os europeus. Isto é, eu não posso descartar que Zelensky venha a dizer não a Trump, venha a dizer: "Eu não entrego territórios". E nesse caso, a guerra irá sobrar para os europeus. É assim que eu vejo o futuro próximo desta guerra.
Vamos estar cá para assistir. General Arno Brara, muito obrigada por este O Domínio da Guerra, edição especial: quatro anos de guerra na Ucrânia. Obrigada.
Muito obrigado.