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Hoje o tema é o aumento do tráfico e consumo de droga a céu aberto na zona da Avenida de Ceuta, em Lisboa, e está conosco o jornalista Rui Casa Nova.

Rui, esta é uma zona sensível há décadas. Os problemas com o tráfico e o consumo de droga no Casal Ventoso são antigos, são bem conhecidos. Nos últimos anos, estes problemas começaram a ficar visíveis mais embaixo, na Avenida de Ceuta e em bairros como a Quinta do Loureiro ou a Quinta do Cabrinha.

E está a fazer um ano que a Câmara de Lisboa tomou uma série de medidas para tentar resolver o problema.

Instalou grades à volta de pontes pedonais, onde os toxicodependentes se concentravam a consumir droga, removeu veículos abandonados na rua que eram utilizados para o consumo, melhorou a iluminação e reforçou a limpeza da via. Passado este tempo, importa agora perceber, neste "Onde Para o Caso", se as medidas tiveram efeito ou o que falta fazer.

Basta passar pela Avenida de Ceuta, seja a pé ou de carro, para ver autênticos acampamentos improvisados à beira da estrada. E também se olharmos com atenção, sobretudo para a zona do bairro da Quinta do Loureiro, é possível ver pessoas a consumir droga a céu aberto. Quem conhece bem esta realidade do bairro e da droga é José, de 65 anos e natural de Alcântara.

Neste momento terminei dar a heroína. Só posso dar heroína. Já consumo drogas. Comecei no início, com 16 anos, era naquela altura que era a erva que vinha de Angola.

Outra história, a de Ricardo, é advogado e também costuma frequentar a zona da Avenida de Ceuta para satisfazer o vício.

Estou nisto desde os 18 anos. Tenho 55. Comecei a usar há muito tempo e tenho quatro filhos. Não preciso de roubar para consumir. Gasto muito dinheiro.

Quanto dinheiro?

Cento e cinquenta euros por dia.

José e Ricardo não consomem na rua, a céu aberto, como muitos outros. Vão à Associação Ares do Pinhal. É um centro relativamente recente. Abriu em 2021, fica no bairro da Quinta do Loureiro e dá apoio a pessoas toxicodependentes.

E Rui, estamos a falar de um universo de quantas pessoas?

O Serviço de Apoio Integrado sai deste centro, dá atualmente apoio a cerca de três mil pessoas com adições. Este centro tem três salas de consumo onde os toxicodependentes podem consumir drogas de forma vigiada e segura. Por exemplo, têm enfermeiros a assistir o consumo e são trocadas as seringas, por exemplo, são feitos esses cuidados de higiene. Há também uma zona para tomar banho. É uma zona onde podem também, por exemplo, fazer refeições. O coordenador-geral deste centro, o Faria, lembra que a Avenida de Ceuta é uma área de Lisboa sensível há muitos anos.

Esta zona continua desde os anos 50 a ser uma zona onde o tráfico e o consumo de substâncias tem vindo sempre a aumentar. Teve o seu pico na altura dos anos 90 e, portanto, é a zona onde continua a haver muito consumo e tráfico de drogas.

E a situação tem vindo a piorar. É pelo menos o alerta que tem sido feito recentemente, por exemplo, pelos presidentes das Juntas de Freguesia de Alcântara e Campo de Ourique nos últimos anos, principalmente ali depois da pandemia, quem passava na zona da Avenida de Ceuta via dezenas de pessoas reunidas ou no bairro ou à beira da estrada, nos tais acampamentos improvisados, a consumir droga de manhã à noite.

E Rui, foi este agravar da situação que levou a Câmara de Lisboa a tomar medidas no terreno, faz agora precisamente um ano.

Sim, podemos dizer que há cerca de um ano a situação, pelo menos ao nível visual, era pior. Hoje em dia, já não há tanta gente a consumir na rua.

Aqui este sítio aqui que está fechado era onde existia, mesmo aqui por baixo. Como é mais abrigado, eles consumiam muito aí, então fecharam isto para tentar diminuir um bocadinho o consumo aqui na avenida.

Ouvimos Carolina Pedroso, pertence ao centro e todos os dias percorre o bairro da Quinta do Loureiro e toda a Avenida de Ceuta a apanhar seringas no chão. Isto porque há muitas crianças e famílias a viver naquela zona e estes trabalhadores tentam minimizar o impacto dos efeitos da droga no bairro. Carolina Pedroso explica-nos que, de facto, as medidas tomadas pela Câmara de Lisboa tiveram algum efeito prático no momento inicial.

A verdade é que, como vês aqui, não tem ninguém, não é? E isto antes aqui estava cheio de pessoas a consumir.

Mas, Rui, as pessoas com quem falaste dão conta que também houve alguns efeitos negativos.

Sim, Carolina Pedroso explica que os toxicodependentes simplesmente saíram da vista de quem por ali passa. Não quer dizer que tenham deixado de consumir, simplesmente vão fazê-lo noutro sítio, é o que reforça Roberta Reis, coordenadora da Associação Ares do Pinhal.

A nível visual, nós conseguimos perceber que surtiram efeito. Agora tem é aqui um efeito contrário, que para nós é bastante complicado, que é as pessoas deixaram de ser vistas ali na Avenida de Ceuta e subiram para as colinas e estão, neste momento, mais escondidas em locais que nós não conseguimos ter acesso, porque são locais que não nos dão segurança para que a equipa consiga ir lá e chegar até as pessoas. Então, a nível visual, vemos menos pessoas, mas a verdade é que as equipes não conseguem chegar até as pessoas.

Ou seja, apenas mudou o problema de sítio.

Mudou o problema de lugar, exatamente.

Pois, ou seja, fica mais difícil ajudar quem precisa.

Sim, é aqui o alerta deixado por Roberta Reis. O presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Hugo Vieira da Silva, também explica que o consumo não acabou, simplesmente mudou de sítio.

Aquela intervenção resolveu o problema pontual naquele sítio

Agora, mantendo-se o problema global, ele meramente foi relocalizado. E esse relocalizado veio, de certa forma, fustigar ainda mais as populações daqueles bairros, que já tinham o grosso do problema e, portanto, veio concentrá-lo ainda mais nas traseiras dos prédios.

O autarca eleito pelo PS não tem dúvidas: o problema do consumo e o tráfico de droga tem vindo a agravar-se nesta zona, mas não só, também em toda a capital e no resto do país. É um efeito que diz respeito a todo o país. Explica o autarca que a pandemia teve um efeito muito negativo na população toxicodependente e que o consumo e o tráfico começaram a aumentar precisamente nessa altura.

E Rui, fala-se muito num renascer do Casal Ventoso, o presidente da Junta de Freguesia concorda?

De certa forma, sim. Hugo Vieira da Silva defende uma intervenção o mais rápida possível para evitar esse mesmo cenário.

Eu diria que ainda não estamos, mas diria que podemos para lá caminhar a passos largos e que estamos a perder o controle da situação e diria que estamos nos últimos tempos em que ainda é possível, sem voltarmos a ter que ter uma atenção, um nível de drama nacional e, portanto, uma situação dramática como a que vivemos nos anos 90 e 80 e início de 2000. Acho que se não atuarmos agora, muito rapidamente vamos voltar a uma situação dessas.

Hugo Vieira da Silva, presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, propõe uma resposta integrada entre juntas de freguesia, Câmara Municipal, polícia e governo, com uma estratégia bem definida para dar uma resposta social a quem consome e também uma atuação policial mais forte, mais presente para impedir o tráfico. Alerta o autarca que há, por exemplo, crianças no bairro da Quinta do Loureiro a serem utilizadas no negócio, no tráfico de droga e por isso defende uma intervenção mais musculada para evitar o pior.

É uma situação difícil também para quem ali vive e não tem nada a ver com o tráfico de droga.

Sim, como dizíamos, é o caso de Paulo Seco. Nasceu e cresceu nesta zona de Lisboa e diz que a situação se tem mantido de certa forma igual, apesar de reconhecer que nos últimos tempos há aqui um certo agravamento e por isso lamenta o estado a que o bairro chegou.

Já vi eles a céu aberto, estarem ali sentados no passeio a fazer tilim de alguma coisa. Eu próprio já saí do carro e disse: "Não quero aqui nada disto, porque não gosto de ver, porque há crianças." O problema disto é que tu te habituas a isto. E eu nasci neste ambiente, infelizmente nasci, em que tu às vezes vais lá à porta da tua casa é enjetada, há primeiras vezes que faz-te a impressão que chegaste a um ponto que já passas estupidamente. Normaliza-se uma situação dessas que eu nunca queria que isso acontecesse.

E para fugir a este mundo das drogas, do crime, Paulo Seco dedicou-se ao desporto, até abriu um ginásio para tirar os mais novos da rua. Diz que tem tido sucesso, mas diz que é uma missão muito difícil. Diz que é muito difícil vencer esta luta contra a droga.

Rui, nesta investigação também contactaste, naturalmente, a Câmara de Lisboa. O que diz a autarquia liderada por Carlos Moedas?

A Câmara Municipal de Lisboa admite, naturalmente, preocupação com toda esta situação e afirma que tem manifestado esse mesmo sentimento de preocupação junto da PSP. A autarquia liderada por Carlos Moedas garante também que tem dado respostas objetivas no terreno e procurado criar as melhores condições para responder aos apelos, aos alertas de quem ali vive e trabalha. Nesta resposta enviada por e-mail à Rádio Observador, a Câmara admite também tomar mais medidas no futuro, como já fez no passado. Ainda assim, não faz um balanço concreto, tal como pedimos, sobre a intervenção feita há um ano e que é objeto de análise aqui nesta investigação. Quanto ao ICAD, que também contactámos, está sob a alçada da Câmara de Lisboa. Também fala numa zona sensível há muitos anos, uma zona sensível de Lisboa, e que tem merecido especial atenção.

Nesse sentido, Rui, a PSP também afirma que tem reforçado a atuação na zona da Avenida de Ceuta.

Sim, a PSP afirma mesmo que está a dar uma atenção especial e elevada, e aqui estou a citar esta zona de Lisboa, Avenida de Ceuta, Casal Ventoso. Em 2024, foram detidos 145 suspeitos de tráfico e posse de estupefacientes nesta zona da capital. A PSP destaca também que, nestas operações policiais, foram apreendidas dezenas de milhares de doses de vários tipos de droga, heroína, cocaína, haxixe e ecstasy, e também elevadas quantias de dinheiro e utensílios relacionados com o tráfico. A PSP garante que este tipo de intervenções tem tido eficácia e que a repressão ao tráfico tem surtido efeitos positivos. A PSP adianta também que, e é aqui feito este alerta, os prédios são utilizados muitas vezes como esconderijos para a droga e para os traficantes e que por isso, muitas vezes, a PSP quando chega ao bairro, tem de desconstruir autênticas barreiras. Os traficantes utilizam tudo o que encontram, mobiliário, cadeiras, móveis, até caixotes do lixo, para bloquear a entrada dos prédios e muitas vezes os moradores acordam de manhã, vão trabalhar e não conseguem sair porque têm todas estas barreiras à frente, barreiras montadas pelos traficantes e que a PSP afirma que também tem desmantelado.

E Rui, encontraste um caso em que este tipo de intervenção concertada teve sucesso.

Sim, a história de Luís. Foi para os Estados Unidos muito novo, ainda em criança e com um sotaque mais americano do que português, em conversa aqui com a Rádio Observador, explica como se envolveu no mundo da droga.

Andei uns anos, três anos na droga. Eu estive nos Estados Unidos 32 anos, fui expulso por tráfico de cocaína. Deram-me 15 anos, eu fiz 12 anos e seis meses.

Regressado a Portugal no final dos anos 90, conheceu a mulher com quem ainda está e por quem decidiu deixar a droga. Para tal, recorreu ao programa de metadona, uma substância utilizada sobretudo no tratamento de toxicodependentes de heroína. É o caso aqui de Luís. Ele vai quase todos os dias à unidade móvel da Associação Ares do Pinhal para obter este tratamento e manter-se limpo.

Já vai o quê? Já vai para os 20 e tal, já perdi a conta. Já há muitos anos já estou neste programa da metadona.

E vem aqui todos os dias?

Todos os dias.

E qual a importância deste serviço para si?

Para mim Para mim, salvou a minha vida, este programa.

É a história de Luís, uma das muitas pessoas apoiadas pela Associação Ares do Pinhal.

Continuamos na análise a este tema. Depois de ouvirmos o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, junta-se a nós o autarca de Alcântara, que também abrange a zona da Avenida de Ceuta. Bem-vindo. David Amado é presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, como dissemos, é eleito pelo Partido Socialista. Que balanço faz da intervenção da Câmara de Lisboa nesta zona? Foi suficiente ou, como já ouvimos nesta reportagem, só deslocou o problema?

Olá, boa tarde a todos. Faz agora um ano, em fevereiro, a Junta de Freguesia de Alcântara, em conjunto com todas as entidades que trabalham nestas áreas, neste território, fizeram uma carta aberta ao senhor presidente da Câmara, ao senhor ministro da Administração Interna, ao senhor ministro da Saúde e ao senhor presidente da Segurança Social, relatando não só a problemática que se verificava, como também uma série de caminhos e de possíveis soluções para a questão que se levantava. Na altura, o que tínhamos era um problema exposto em que todas as pessoas que passavam na Avenida de Ceuta verificavam dezenas e dezenas de pessoas em situação de consumo a céu aberto, que era uma situação que os moradores daquela zona me diziam que era uma situação só vista na altura do antigo Casal Ventoso. Aquilo que aconteceu depois, e até agora, não foi a resolução de nenhum problema. Posso vos dizer que foi uma espécie de esconder o problema para dar a sensação que estava resolvido, quando não está, obviamente. Foi uma resposta visual, o que resultou só na dispersão e no agravamento da situação. Senão, vejamos, as pessoas que estavam em situação de consumo naquela zona, que eram visíveis, todas as pessoas que passavam naquela altura, na Avenida de Ceuta, e que foi, na altura, obviamente, aquela toda a situação de alarme social, todas as pessoas que passavam ali viam outros seres humanos num estado de degradação tal, à vista de todos, naquele local. O que aconteceu foi a dispersão dos consumos que foram retirados daqueles locais, não significa que tenham terminado. É pouco mais ou menos.

E, de resto, ouvimos perfeitamente isso aqui também na reportagem do Rui Casanova. Mas o senhor autarca tem mantido contactos com outras entidades, com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique, com a PSP, com o governo, no fundo, com as entidades que podem ajudar a combater este problema?

Faz agora um ano, nós nem sequer tivemos resposta por parte do município da carta que enviámos. Nós temos reunido com as entidades, como fazemos sempre, na nossa Comissão Social de Freguesia, uma vez que é uma temática que nos preocupa, sobretudo naquela zona histórica ligada aos consumos. E o que nós temos visto é, além de não ter existido aquilo que entendíamos que deveria haver um reforço de equipas de rua, não existiu. Existiu um agravamento do trabalho dessas equipas de rua, uma vez que anteriormente havia uma localização específica das pessoas que estavam em situação de consumo e que precisavam de apoio, e teve que haver agora uma maior dispersão dessas equipas para poderem acompanhar as pessoas nessa situação. Verificamos algo que está a acontecer, nomeadamente no bairro da Quinta do Cabrinha, que é da zona de Alcântara, que grande parte dessas pessoas se estão a deslocar para dentro do bairro, nas entradas dos prédios, nos espaços comuns dos prédios, em que se verificam os consumos agora nesses locais, obviamente que escondidos, não estão à vista de todos, mas que estão à vista de quem lá mora e de quem vê esta situação. Verificamos também que houve o agravar de uma situação que havia um cuidado pela Polícia Municipal de estar presente no bairro, nomeadamente o acesso às garagens da Quinta do Cabrinha, para que impedissem que as pessoas em situação de consumo se deslocassem para as garagens para efetuarem esses consumos. Com o facto da Polícia Municipal ter deixado de prestar esse serviço, verificou-se novamente o ocupar desse espaço comum no bairro por as pessoas que estão em situação de consumo nessa zona. Também temos verificado e pedimos, e uma das coisas que pedimos era o aumento da capacidade da sala de consumo, que não se verificou. Verificou-se, salvo erro, no final do ano passado, a redução inclusive da resposta da carrinha da metadona, que estava naquele local, que houve uma redução, e também inclusive no cuidado do espaço público. Houve naquela altura, como foi mediático este tema, um reforço efetivo por parte do município, da parte da higiene urbana, do apoio na recolha de seringas e de outros objetos ligados ao consumo, que neste momento não se verifica, ou seja, verificou-se naquelas semanas e meses a seguir à carta aberta, mas neste momento já não se verifica. Portanto, o que verificamos é que o problema deixou de ter aquele foco visual que tinha na altura, mas continua, e as respostas continuam, quer a nível do município, quer a nível do governo, porque não temos respostas. É preciso um reforço das equipas que acompanham as pessoas nesta situação de consumo.

Isso não está a acontecer.

É preciso a criação de respostas intermédias efetivas e também a criação de respostas de internamento e de recuperação, que tem que ser reforçado, mas isso não é apenas da Câmara, também de vários institutos ligados ao governo.

Podemos estar a falar num novo Casal Ventoso?

Eu penso que a perceção que havia na altura, tendo em conta o impacto visual Eu poderia dar essa indicação. Agora, obviamente que não é uma situação comparável. Dizem, quer os mais velhos que moram ali na zona, quer os técnicos que durante décadas têm acompanhado, não é comparável por vários fatores, que não só a ver com o tipo de consumo em si, mas com todo o contexto urbanístico também ali da zona. Agora, é um problema grave, que não tem resposta, e aquilo que foi feito foi uma operação de cosmética que cria uma falsa sensação de resolução do problema, quando não foi resolvido. E aquilo que eu grafico é que quem não quer fazer parte do problema, nunca fará parte da solução e é a principal crítica que eu aponto às entidades responsáveis nesta matéria.

Gostávamos também só de olhar aqui para outro tipo de consequências deste problema do consumo e do tráfico a céu aberto. Está a afetar de algum modo o comércio na zona de Alcântara?

Não tenho dados objetivos que me permitam dar essa informação. Obviamente que o tipo de consumo é um pequeno consumo, faz com que as pessoas se desloquem para a zona da rua de Alcântara, da zona mais antiga de Alcântara, e que estejam perto do pequeno comércio ali. Agora, se isso afeta diretamente ou não, não tenho dados que me permitam dar-lhe essa informação. E nós temos que ser muito sérios neste tema, acho que é um tema grave, é um tema de saúde pública, é um tema de dignidade da condição humana. E nós estamos a falar agora, um ano depois da carta aberta que lançámos, nós e todas as instituições que trabalham nestas áreas. E só foi tema na altura porque toda a gente passava na Avenida de Ceuta, havia dezenas e dezenas de pessoas a consumir a céu aberto. A partir do momento em que deixaram de ver, deixou de ter o palco mediático que tem que ter para que se tomem as medidas necessárias para combater este flagelo que afeta aqui esta zona e outras zonas da cidade.

David Amado, muito obrigada por ter participado neste "Onde Para o Caso". O presidente da Junta de Freguesia de Alcântara. Com base em todos os dados recolhidos e fontes ouvidas, percebemos que a intervenção da Câmara de Lisboa não teve o efeito esperado no combate ao consumo e tráfico a céu aberto nesta zona da Avenida de Ceuta, em Lisboa. Alguns nomes desta reportagem foram alterados para proteger a identidade dos visados, a pedido dos próprios.

A investigação deste episódio ficou a cargo do jornalista Rui Casanova. Voltamos na próxima semana com mais um "Onde Para o Caso".