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Operação Stop na Rádio Observador. Todas as semanas, as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, seja muito bem-vindo à Operação Stop desta semana. Como é que foi essa semana?
Olha, foi lindamente, José Rafael. São fartos albores com feriados, o que é sempre bom. Uma semana tranquila para relaxar. E a tua?
Também. Obrigado. Também correu bem, felizmente. Alfredo, esta semana na Operação Stop, vamos fazer uma viagem ao passado e vamos relembrar um aviso que tu tinhas feito em relação aos recalls de vários carros. E a verdade é que as regras de inspeção automóvel mudaram no dia 1 de março. Era preciso fazer um recall mesmo para carros cujos donos desconheciam e nos primeiros 40 dias já há mais de 3 mil carros que chumbaram. São 3,5 mil chumbados na inspeção automóvel. É um desperdício, de certa forma, mas Alfredo, vamos recordar o que tu disseste, que foi um aviso deixado pelo Observador. O que é que significa todo este embrulho, digamos assim?
Olha, é burrice. É burrice e é um desperdício, porque, na realidade, é um dispêndio desnecessário de dinheiro, e dinheiro dos automobilistas, que agora já estão a ser massacrados com os incrementos no preço dos combustíveis e escusavam ter mais esta despesa adicional. Vamos lá ver. As regras para inspeção automóvel mudaram a 1 de março e passaram a obrigar que os veículos, antes de serem vistoriados, ou seja, tu telefonas ou vais ao centro de inspeção marcar a inspeção, pagas, entras para aquela fila dos carros a analisar, e ainda antes disso tens que apresentar um documento em que realizaste os recalls. O recall é um termo em inglês que se pode traduzir em português por chamadas à oficina. E se não tiveres esse papelinho, pura e simplesmente chumbas. Ainda antes de eles olharem para o teu carro e verem se a suspensão está em condições, os travões, a direcção, se tem folgas e não sei o quê. E nós chamámos a atenção, e nós avisámos, não só no jornal Observador, como na Rádio Observador, a partir de 27 de fevereiro, que a partir de 1 de março as regras iam mudar e que era preciso ter cuidado. E é uma pena, porque nos primeiros 40 dias das novas regras, ou seja, pouco depois de 10 de abril, tinham chumbado já 3,5 mil veículos. Como o mais barato paga 37,50 € em taxa base, é só fazer as contas, como dizia o ex-primeiro-ministro que nós tivemos, mas é um valor muito elevado. E se não se fizer nada, atenção, no final do ano, isto representa um gasto desnecessário de 131 mil €. A nossa ideia hoje é fazermos um esforço para que as pessoas percebam que isto é uma brincadeira, ainda por cima é um trunfo que abona em favor delas, não contra elas.
Vamos também, neste programa de hoje, regressar ao passado, voltar ao início e Alfredo explicar talvez qual é que é aqui o problema em cima da mesa.
Olha, é muito simples. Os carros são produzidos em série. Há fábricas que fazem 2 mil carros por dia. Nem tudo é feito pelas marcas. Não que as marcas não errem, claro que erram, mas há muitos materiais de fornecedores. Não quero assustar os nossos leitores, mas é bom que eles tenham uma ideia. Ainda não há muito tempo, houve um fabricante japonês de airbags, que era a Takata, agora não tenho certeza, o meu japonês nunca foi muito forte, que fornecia uns airbags que ao invés de insuflarem muito rapidamente, na realidade explodiam. E houve uma série de condutores e passageiros que ficaram extremamente feridos, feridos gravemente por aquelas partículas de metal que saíam do airbag. E há carros em Portugal que recorrem a estes airbags. Para resolver isto, se a marca souber que há este risco, a marca é a primeira a informar os seus clientes que venham à oficina o quanto antes, porque há aí um risco grave e é importante nós substituirmos o airbag do seu carro. Ainda existe as baterias que nos primeiros veículos elétricos tinham tendência para arder, enfim, há uma série de coisas graves. Isto são os recalls. Os recalls são feitos para resolver este tipo de problema. Até agora não havia forma concreta e rápida de alertar os condutores. Está claro que se tu compras um carro novo, a marca sabe quem tu és, onde é que tu vives, qual é o teu telefone, etc. Mas se tu comprares um carro em segunda mão, sobretudo um carro importado do estrangeiro, e atenção que há muitos carros importados do estrangeiro em Portugal, é extremamente difícil se não impossível. Logo, a ACAP e algumas outras instituições portuguesas juntaram-se para fornecer este serviço, e eu digo francamente, e ainda bem, porque isto vai incrementar a segurança e vai reduzir os riscos para os proprietários.
Alfredo, esta questão tem aqui uma ajuda fornecida pela Associação Automóvel de Portugal, uma ferramenta para a inspeção automóvel que se destina a ajudar os condutoresMas é mesmo esse o propósito ou é apenas mais uma chatice, digamos assim?
É mesmo esse o propósito. A ACAP, obviamente, como representante dos construtores, é uma associação dos construtores de automóveis e comerciantes de automóveis, são os únicos que poderiam chamar a si o coligir todos os dados de todas as marcas, de todos os modelos de todas as marcas, e criar uma base de dados para depois fornecê-los online para que se soubesse. E o processo é extremamente simples e é quase estranho. Aliás, eu tenho a certeza que só por desconhecimento é que os proprietários dos carros não fazem isso. Basta ir ao site da ACAP. Está lá a forma de consultar os recalls que esse seu veículo tem pendentes, se é que há alguns. E a ACAP estima que há mais de 87 mil carros a circular com recalls pendentes. 87 mil é um valor bastante apreciável. A única coisa, demora nem um minuto. Vais ao site, entras no site, introduz a matrícula e aquilo automaticamente diz se tens algum recall pendente. É ótimo para fazer até nos intervalos do telejornal, da série que estás a ver, não tem problema nenhum. E basicamente, não é uma chatice, é um sistema que te ajuda. Estavas a ver aquela história da cenoura e do pau? Deram-lhe uma cenoura, mas também criaram um pau para ajudar a que as pessoas gostassem mais ainda da cenoura, que é chumbar na inspeção do automóvel.
Alfredo, vamos talvez recordar que tipo de problemas é que podem ser abrangidos pelas chamadas à oficina. Acho que é pertinente para também quem possa ter uma situação desse género.
Claro que sim. Há bocadinho referi dois que são extremamente graves, mas há outros. Por exemplo, ainda há pouco tempo, uma marca muito incidente e que vende nos top five das vendas, fez uma coisa que é rara nela. Basicamente, lançou um carro no mercado que os pernos da roda, que não são feitos pela marca, são feitos por um fornecedor, eles erraram no tipo de metal, nas especificações do metal e os pernos pura e simplesmente partiam, as rodas saíam. Imagina tu, eu acho que até a 10 à hora, quanto mais a 120. Se te sair uma roda de repente, vai ser uma chatice. Mais à frente do que atrás, num eixo traseiro será menos grave, mas será sempre muito grave. A probabilidade de teres um acidente grave é tremenda, é horrível. Isso foi detetado e foi realizado um recall. Mas há outros mais simples, há carros cuja válvula que deteta, o sensor que deteta a temperatura no radiador, avaria. E as marcas, assim que se apercebem desses casos, ainda antes de haver acidentes, porque as marcas fazem milhões de quilómetros a desenvolver os carros, mas depois continuam a testar esses carros para aumentar a quilometragem e detetar potenciais problemas. E então, nesses testes posteriores, eles detetaram que havia um problema no sensor e então informaram as pessoas, tiveram o recall, venha cá à marca, nós temos aí um problema no sensor que pode resultar partir o motor, gripar isto e aquilo, etc. Então as pessoas, pura e simplesmente, iam à marca resolver o problema. Quer dizer, há coisas muito graves, há coisas pouco graves, mas todas elas podem custar dinheiro e muitas delas podem colocar os utilizadores em risco, que é isso que temos a evitar.
Certo, é que já chumbaram 3500 carros nos primeiros 40 dias. O que é que se pode fazer, Alfredo, para evitar que esta tendência continue a aumentar?
Não há milagres. A única coisa que podemos fazer é a nossa parte, como órgão de informação, insistir e explicar às pessoas o porquê, porque há uma tendência para os condutores pensarem: "Ui, lá vem mais uma despesa adicional". Não há despesa nenhuma adicional. Aliás, a despesa adicional pode vir do facto de não se realizar esta ação. Vão à net, ACAP. Aliás, esqueçam, não têm que decorar o nome da coisa. Basta só ver inspeção automóvel, recall pendente, e aparece-lhes o site, que é efetivamente o da ACAP, que foi produzido juntamente com a colaboração do IMT e creio que de outras entidades, e pura e simplesmente se o vosso carro está contemplado. Se tiver recalls pendentes, façam o favor de os fazer, senão não vale a pena ir à inspeção, porque vão chumbar à cabeça. Se tiver recalls pendentes, faça-os, porque os recalls têm uma coisa boa, que são gratuitos.
E é com este aviso reforçado do Alfredo Lavrador que encerramos a edição desta semana da "Operação Stop", com a promessa de, Alfredo, voltarmos para a semana com mais novidades sobre o mundo automóvel. Até lá, um grande abraço.
Cá estaremos. Um grande abraço a ti também.