Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está no ar mais uma Operação Stop na Rádio Observador. Vamos falar da secção Auto, vamos falar do mundo automóvel e por isso contamos já com o Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo.

Olá, Miguel.

Vamos hoje, neste episódio, falar sobre esta situação toda a envolver a TAP e esta compra de veículos. Há aqui uma grande confusão que estalou esta semana e confesso que nesta troca de carros de serviço da TAP, de que muito se falou nos últimos dias, dos diesel da Peugeot para os híbridos plug-in da BMW, começou aqui por me fazer alguma confusão como é que a companhia aérea afirma conseguir ganhar com esta troca. Alfredo, a BMW como uma marca premium não vende os seus veículos mais caros?

Miguel, teoricamente, a BMW vende efectivamente, como estás a dizer, os seus modelos com um preço superior, mas a diferença não é assim tão grande quanto se poderia pensar à primeira vista. Basta ver que um dos modelos que se fala, que é o híbrido plug-in ou PHEV, para se dizer de forma mais abreviada, que é o BMW X2 xDrive25e, é proposto por 52 mil euros. Isto enquanto o modelo equivalente à Peugeot, que é o 3008 Hybrid 225, é transaccionado por 48 mil euros. São 4 mil euros, o que em 52 mil euros é um valor interessante, mas também não é motivo de escolha, sobretudo se comprado através de um renting, aquilo sai diluído nas prestações. Mas isto, atenção, considerado apenas os preços de tabela, sem os descontos. Sucede que tanto a Peugeot como a BMW figuram entre as marcas comercialmente mais agressivas do mercado. E acontece ainda que esta agenda à TAP, como a muitas outras empresas, a generalidade talvez, grandes empresas, não é realizada pela marca directamente, mas sim por empresas especializadas em renting. Pelo que tudo depende dos descontos que foram alvos de propostas enviadas para os 50 veículos da TAP.

Ok. Mas poderá aqui também estar envolvida a poupança que passa a ser assegurada pelos tais benefícios fiscais que há para este tipo de veículos, os híbridos plug-in, que permitem às empresas recuperar a totalidade do IVA, não é? Permite que as empresas consigam recuperar esse dinheiro.

Exatamente. A tua análise está corretíssima, como sempre. Efetivamente, os PHEVs beneficiam de vários incentivos fiscais, sendo que aquilo que é mais sumarento, aquilo que envolve uma maior quantidade de dinheiro, é efetivamente a possibilidade de recuperar a totalidade do IVA. Só para darmos um exemplo, neste tal BMW X2 de 52 mil euros, que falámos há pouco, isso permite uma recuperação de quase 10 mil euros. É um valor importante. Mas a realidade é que a TAP está a comprar em renting, ou seja, está a alugar o veículo, mas a propriedade nunca é sua, logo não há vantagens em termos de recuperação do IVA, uma vez que eles não compram o carro.

Pois, ou seja, a frota é alugada, não é uma frota diretamente da TAP.

E qual é a vantagem, porque é que as empresas procedem assim? Porque a totalidade das rendas, não há amortizações, a totalidade da renda vai a custos, ou seja, tem vantagens em termos fiscais.

Sim, estou a perceber. Mas olhando aqui para o que interessa, que é esta a questão, afinal a TAP ganha ou perde ao trocar de modelos a gasóleo para carros híbridos plug-in, que neste caso são a gasolina?

Olha Miguel, essa é que é a questão mais complexa. Vamos dividir as vantagens ou desvantagens nos custos do renting e nos custos da utilização, ou seja, na fase da aquisição, apesar de não haver uma compra, é apenas um aluguer, e nos custos da utilização no dia a dia, ou seja, os custos com o combustível. Os PHEV são efetivamente mais caros do que os diesel para o mesmo tipo de prestações. Por exemplo, voltando àquele exemplo do BMW X2, que é um dos carros que se fala aí, o PHEV é proposto por 52 mil euros, o diesel, que é o 18d de 150 cv, é proposto por 46 mil euros, ou seja, estamos a falar de 6 mil euros de diferença. Aqui a TAP perde dinheiro. Se optasse por diesel, teria vantagens. Se nos debruçarmos agora sobre os custos de utilização, uma vez que é igualmente a TAP que paga. Eu, francamente, não li o contrato de nenhum dos 50 diretores, mas como não conheço nenhum diretor que tenha carro de serviço e que pague ele o combustível, deduzo que também na TAP será assim.

Sim.

E o modelo a gasóleo gasta muito menos para percorrer 100 km. E por quê? Isto podia ser diferente, mas por que eu acho que é assim que vai acontecer? Porque os estudos demonstram, e não estou a falar de estudos em Portugal, estou a falar de estudos dos Estados Unidos, vários países europeus, etc. Demonstram que os PHEV adquiridos por empresas para carros de serviço são geralmente mal utilizados. E quando digo geralmente é esmagadoramente mal utilizado. Nunca ou raramente recarregando a bateria. E o motor a gasolina que os equipa, se a bateria não for recarregada, gasta substancialmente mais. E aqui a TAP volta a perder, uma vez que vai ter que suportar um combustível, que não só é mais caro, uma vez que a gasolina é mais cara que o diesel, agora a diferença já não é grande, mas a quantidade do líquido é superior. Isto não tem nada a ver com a tecnologia, mas sim devido a uma utilização Diferente, má se quiseres, mas diferente daquela para a qual o modelo foi concebido.

Nós já falámos sobre isto. No início do ano tivemos um episódio dedicado aos plug-ins e em que falámos um pouco sobre a utilização destes veículos e volto a colocar a pergunta neste tipo de situação: se os condutores utilizassem corretamente os PHEV, os híbridos plug-in, haveria vantagens na aquisição destes carros? É um "se" grande, mas vamos olhar para ele.

Quando falámos nisso da última vez, a situação era mais evidente, havia mais vantagens para os PHEV. Por quê? Porque a energia estava mais barata.

Sim.

A gasolina também estava barata.

Verdade.

Mas a gasolina estava consideravelmente mais barata. Ainda assim, para uma empresa, os PHEV permitem recuperar o IVA da energia, ou seja, toda a energia que metes no carro, podes recuperar o IVA. Se os condutores utilizassem os PHEV da forma para a qual eles foram concebidos, utilizando sempre aqueles 40 a 50 km em modo elétrico, há uns que fazem mais, mas no mínimo fazem 40 a 50 km, isso seria uma vantagem clara, sobretudo se a bateria for recarregada em casa ou na empresa. E a TAP, convenhamos, que tem espaço e energia mais do suficiente para montar lá uns carregadores para servirem não só os 50 diretores, como eventualmente outros funcionários. Se não for assim, se os veículos forem carregados nos carregadores públicos, onde o preço da energia é mais elevado, as vantagens desvanecem-se consideravelmente.

E existe alguma solução que tu vejas para levar os diretores da TAP a utilizar os plug-in corretamente, ou seja, dessa forma como foram desenhados, como foram concebidos?

Não sei se eles iriam gostar, mas bastava montar os tais carregadores, fornecer energia gratuita, uma vez que o custo é irrisório, aos funcionários, a esses ou a todos, mas não suportar os custos com a gasolina. Isso obrigaria a que os utilizadores desse tipo de veículos se vissem forçados a recarregar o carro sempre que possível, ou então a abrir os cordões à bolsa e suportar os custos do combustível que lá metem.

E aí deixa de ser um custo à TAP.

Exato. Ou seja, nosso.

Nosso. E que nesse caso os carros ficariam mais econômicos, nesse sentido. Poderiam ficar.

E nota que eu nem sequer falei na questão ambiental.

Sim.

Mas suponho que não lhes importe muito, uma vez que se importasse, eles carregavam os carros.

Muito bem, está feita então a explicação de todo este caso e da poupança que poderia ou não gerar e de que pode ou não gerar. Está feita esta "Operação Stop". Regressamos no próximo domingo com mais um episódio, sempre com o Alfredo Lavrador.