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Tudo pronto para conhecermos as outras histórias do desporto, as últimas da semana. Hoje, de novo, com a jornalista do Observador, Mariana Fernandes. Bom dia, Mariana.

Olá, bom dia.

Bom dia. Começamos aqui ao lado, em Espanha, e com a nova aventura de um treinador. Conta-nos tudo.

Sim, um treinador, na verdade, que não treina há muito tempo, porque falamos de Ernesto Valverde. É o antigo técnico do Barcelona, que foi despedido por Josep Maria Bartomeu em janeiro de 2020, portanto, antes da paragem das competições devido à pandemia, naquela que já foi uma das primeiras decisões controversas que acabaram por catapultar a demissão de Bartomeu e as eleições que fizeram de Joan Laporta novamente presidente do Barcelona. Ernesto Valverde não treina há 15 meses, portanto, desde janeiro de 2020, mas não andou parado durante todo este tempo e esta semana inaugura uma exposição das fotografias que foi tirando ao longo da carreira de jogador e de treinador na Fundação Atlética, em Bilbao.

Mas são fotografias de quê, Mariana?

São sempre fotografias de claques, de adeptos, de grupos de adeptos, em várias circunstâncias. São adeptos organizados a chegar ao estádio, adeptos nas bancadas, claques durante os jogos a apoiar as respectivas equipes. A exposição chama-se "O Outro Lado" e são fotografias grandes, portanto, de um metro por metro e meio, sempre a preto e branco. Ele diz que escolheu este nome para a exposição, "O Outro Lado, não só por ser, obviamente, o outro lado das claques, o outro lado dos adeptos, mas também porque as fotografias foram tiradas a partir de uma perspectiva que os fotógrafos muitas vezes não têm acesso. Algumas foram tiradas do próprio autocarro do clube em que Ernesto Valverde estava a chegar ou a treinar, a partir do relvado, naqueles primeiros minutos em que as comitivas vão visitar o estádio antes de irem para os balneários, ou até já no final dos jogos, quando os adeptos começavam a sair das bancadas. São fotografias dos adeptos do Espanhol, do Barcelona, do Athletic Bilbao e do Maiorca, onde Valverde jogou, e também do Olympiacos, do Villarreal e do Valência, que Valverde treinou.

Gosto deste treinador e deste hobby dele, este passatempo.

Deve ser giro de ver.

É, deve ser muito giro. E como é que ele começou a fotografar? Sabemos isso?

Sim, ele conta nesta entrevista ao "El País" que sempre se interessou por fotografia e que no final dos anos 80, durante um período de quatro anos em que jogou no Espanhol e no Barcelona, portanto, dois clubes da Catalunha, decidiu aproveitar e tirar um curso no Instituto de Estudos Fotográficos da Catalunha. Diz até que enquanto era jogador, nem sequer queria ser treinador, só queria dedicar-se à fotografia depois de acabar a carreira, mas quando ficou mais velho, percebeu que não queria deixar o futebol e que podia fazer as duas coisas em simultâneo e até cruzá-las, como acaba por fazer nesta exposição. Esta não é a primeira exposição de Ernesto Valverde. Ele também já mostrou as próprias fotografias em San Sebastián, em Espanha, e em Atenas, por ter precisamente fotografias das claques do Olympiacos enquanto foi lá treinador. E tem muita graça, porque nesta entrevista ao "El País", o próprio jornalista acaba por confessar que é muito complicado entrevistar Valverde, não por ser desinteressante, não por dar respostas vazias, não por ser desagradável, tudo muito pelo contrário, mas simplesmente porque Valverde está sempre mais interessado no trabalho do fotógrafo do que propriamente nas perguntas do jornalista.

Está a ver os ângulos, as posições em que se coloca para tirar.

Qual é a exposição, a abertura e a velocidade a que está a fotografar.

E da fotografia passamos para o xadrez.

Sim, passamos para o xadrez com uma perdinha na televisão.

Isto está tudo ligado, umas coisas entre outras.

Sim, é verdade. E eu acho que toda a gente se lembra da série recente "Gambito de Dama", uma série da Netflix.

Claro! Embora.

Visto? Todos sim, aqui. Todos entusiasmados, todos mesmo.

Sim, foi uma série que fez bastante sucesso. Ganhou também bastantes prêmios. No original inglês, chama-se "Queen's Gambit", conta basicamente a história fictícia de uma rapariga que é um prodígio do xadrez e que revoluciona a modalidade para as mulheres, competindo pela primeira vez contra homens, desafiando também um machismo e um preconceito que existe no xadrez até aos dias de hoje. Esta personagem, Beth Harmon, é totalmente ficcional, mas existe uma verdadeira pioneira do xadrez feminino que se sentiu atacada por esta série da Netflix e que está a processar a plataforma de streaming em milhões de dólares.

Mas então por quê, Mariana?

É sempre uma história destas, não é? Quando há um processo, vem sempre outra coisa a seguir.

Atrás de um grande sucesso, há sempre uma grande polémica.

Exatamente.

Nona Gaprindashvili, que hoje em dia tem 80 anos e que vive na Geórgia, foi a primeira mulher a chegar ao título de grão-mestre ou grand master, ou seja, a atingir uma pontuação igual a 2500 pontos em 24 jogos de xadrez oficiais, e está a processar a Netflix devido a uma única frase, portanto, uma única cena no último episódio desta série. Neste episódio, enquanto a personagem Beth Harmon se prepara para competir num torneio em Moscovo, onde vai defrontar homens, um speaker do torneio é ouvido dizer que isto é totalmente inédito e diz, e passo a citar: "Existe Nona Gaprindashvili, mas é campeã do mundo feminina e nunca sequer enfrentou um homem." Isto é completamente mentira. Nona enfrentou diversos homens ao longo da carreira, fez até capa do New York Times em 1968, por ter derrotado sete homens num único torneio, e agora, aos 80 anos, quer recuperar essas memórias e deixar claro que antes de existir uma personagem fictícia a quebrar estereótipos, já ela o estava a fazer na vida real.

Faz ela muito bem, também estou indignada. Vou dar aqui um murro na mesa e tudo.

Temos caso. Eu acho que isto no final vai dar uma grande série na Netflix, esta batalha jurídica.

Que no fundo é o que interessa.

A Netflix vai ganhar.

A jornalista da editoria de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Segunda-feira há outras histórias para conhecer. Mariana, muito obrigada. Bom fim de semana.

Bom fim de semana.

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