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Já cá estamos para o episódio de Português Suave, às quartas-feiras, também é dia, Marco Neves.

Olá, tudo bem?

Sê muito bem-vindo.

Obrigado. Espero que o feriado do 1º de dezembro tenha corrido bem a todos os que nos ouvem.

Eu estive a trabalhar. Mas quando uma pessoa faz o que gosta? Sim, claro. Eu gostei de estar aqui.

Às vezes, mesmo quando a pessoa faz o que gosta, cansa.

Eu, sinceramente, não tenho muito esse problema, portanto, não me posso queixar.

Gostas mesmo do que fazes.

Sim. Gosto de estar aqui contigo.

Eu também gosto muito do que faço neste momento.

Exato. Até estava a ver se não ias dizer. Já te ia perguntar, sinceramente.

Gosto muito de dar aulas, por exemplo, que é uma das coisas que eu descobri ao começar a dar aulas, que eu não sabia.

Achavas que não ias gostar de estar nessa posição?

Não fazia mesmo ideia. Foi quando comecei a dar aulas. Nunca tinha sido uma daquelas coisas que eu quero mesmo ser professor.

Já dás aulas há quanto tempo?

Já vai para 14 anos. Já vai para 15.

Já merecias uma homenagem, Marco Neves.

Calma!

15 anos a dar aulas.

Vai ser umas décadas. Mas sim, gostei. Ou seja, percebi logo que gostava mesmo muito.

Tinha uma pergunta pra te fazer, por acaso, agora que vem este tema à baila. Tens muitos alunos a ouvir este nosso programa e a fazerem-te perguntas também sobre curiosidades?

Nas redes sociais, sim. O programa há alguns, não tantos, porque também tem a ver com a idade e com os gostos de ouvir rádio ou não. O que eu sinto é que os alunos têm vergonha de falar disso até o final. Alguns que falam, mas depois também acontece muitas vezes, eu deixo de ser professor e a pessoa vem ter comigo a dizer que gosta muito de ouvir, mas só depois. Mas têm dúvidas, às vezes. Põem dúvidas também, porque eu dou aulas, principalmente de tradução, dou de várias áreas. E a tradução claro que leva muitas dúvidas. Aliás, há muitas aulas em que nós estamos a falar destas questões de português. Eu digo, por vezes, que a profissão tradutor é uma das profissões em que as pessoas mais escrevem, se pensarmos bem. Um escritor, muitas vezes, não passa nem perto de tantas horas a escrever. Um jornalista escreve muito também, há que dizer, mas os tradutores, por vezes, estão mesmo oito horas, com sorte, às vezes mais, a escrever. E claro que as dúvidas são muitas, é uma das áreas com mais dúvidas. Mas sim, depois os meus alunos fazem perguntas e referem, mas eu vejo essa tendência da pessoa só fazer isso. Tem mudado um pouco. Agora parece que já começa a ser mais natural. No início, era estranho quando eles começavam a ouvir. Agora já começa a ser mais natural falarem disso.

Já temos mais de um ano de vida, de programa. Portanto, também já começa a ser cada vez mais conhecido. Bem, vamos às dúvidas que temos para esta quarta-feira, Marco.

Sim, temos não uma dúvida, mas uma mensagem do Ivan, que diz o seguinte: "O meu nome é Ivan, sou espanhol, mas estou a estudar português". Também há muitos espanhóis a estudar português. Nós falámos agora, julgo que foi no episódio anterior.

Sim.

Ou há dois episódios, já não me lembro, de como há muitas pessoas a estudar português em França, em Espanha também.

Creio que foi há dois, já não me lembro, já estou um bocadinho confuso.

O Ivan continua: "Esta mensagem não é para enviar nenhuma dúvida, mas sim para vos felicitar pelo vosso programa, ajuda-me muito a aprender e adoro quando incluem palavras em espanhol. A propósito, dizemos muitas vezes castelhano para nos referirmos ao idioma espanhol com sotaque de Espanha, assim distinguimo-lo do espanhol do México, do espanhol da Argentina. Muitos cumprimentos e continuem assim". E eu acrescentava ao que o Ivan disse, que por vezes a questão ainda é mais complicada, porque também há argentinos que dizem castelhano para a sua língua. Portanto, é uma questão que nós já referimos aqui.

Sim.

Bastante complexa.

Nós falámos aqui há poucos episódios do português do Uruguai, lembras-te?

Sim, isso é outra-

Falámos disso

...outra questão, o português do Uruguai, que também é chamado por alguns portunhol. Temos de ir fazer um-

Aliás, eu creio que recebemos aqui um comentário no Spotify. Deixa-me ver se o encontro.

Temos de ir fazer um episódio ao Uruguai. Eu penso que nós devíamos fazer um episódio especial. Espanha e Uruguai. Vamos fazer uma turnê pelo mundo. E turnê também é uma boa palavra.

Bem, não estou a encontrar.

Um comentário sobre o Uruguai?

Sim.

Também não vi.

Não, mas não estou a encontrar. Sim, encontrei. Onde é que está?

Este é o momento em que as pessoas podem estar à frente.

Aqui, André Vasconcelos. "Eu vivi quatro anos no Uruguai, a minha mulher é de lá e os meus filhos são bilingues. O mais novo até já apareceu no episódio de dúvidas." Acho que me estou a lembrar deste episódio. "Se forem lá um dia", diz o André, "tenho dicas grátis, infinitas."

Então pronto, fica combinado.

Então estamos salvos.

Temos de ir ao Uruguai. Vamos fazer lá o Português Suave. Temos outra dúvida, Eddie Carrera: "Bom dia, Marco. Bom dia, equipe do Português Suave. Antes de mais, parabéns pelo vosso trabalho, sou assíduo ouvinte da vossa rubrica e vocês prestam grande serviço à língua portuguesa. Na língua portuguesa, todos os verbos no infinitivo terminam em ar, er ou ir. Por que razão somente o verbo pôr e derivados terminam em or? Por que razão os seus derivados impor, propor, expor, perderam o acento na letra O?" São duas dúvidas. O pôr é, como às vezes eu digo, um membro honorário dos verbos acabados em er, da conjugação em er, porque já foi há muito tempo, poner. E este poner cai o n, como aconteceu na nossa língua, ficou poer e depois ficou pôr. Portanto, é um verbo que perdeu a terminação, mas não deixa de estar no grupo dos verbos que têm essa terminação. Agora, por que razão o pôr tem acento e o expor, por exemplo, não tem? O pôr só tem acento para distinguir de por. Portanto, é um acento de distinção, que não se perdeu nem com o acordo ortográfico. Infelizmente, ao contrário do que aconteceu com o pára.

Porque havia essa dúvida na altura.

O pára perdeu o acento e passou a ser escrito da mesma forma que o para, que é uma coisa que me faz alguma confusão.

Sim, a mim também, por acaso.

Mas pôr não perdeu. Portanto, pôr tem o acento só para distinguir. Como expor, propor, impor não precisam deste acento para se distinguirem de nenhuma palavra, não têm esse acento E já agora, falo também da terra de minha mulher, que se chama Ponte de Sor, a terra de Azor. Que muitas vezes aparece lá nas placas Sor com acento ou sem acento.

Mas é com acento, não é?

É sem acento. Nós só usamos mesmo o acento nas palavras que acabam em or.

Eu achava que levava acento.

Não, é como cor, também não leva acento.

Mas se calhar, como já vi em muitos sítios com acento.

Sim, aparece em muitos casos Ponte de Sor com acento, mas aquele acento é uma interferência do por, porque Sor não precisa de acento, porque não se tem de distinguir de nenhuma palavra. E reparem, mesmo cor, que temos de distinguir da palavra cor, saber cor, também não leva acento. Por isso é só mesmo o por é que tem o acento.

É por isso que depois algumas pessoas dizem que o português é tão difícil de aprender, por estas pequeninas coisas.

É verdade, é difícil. A nossa ortografia não é particularmente fácil, mas também não é particularmente difícil, porque nós temos ortografias muito mais complexas, como o inglês e o francês. E o inglês, em particular, nós podemos dizer, por vezes, como figura de estilo, que é caótica. Não é caótica, ele tem uma série de regras, mas são tantas regras que é muito difícil adivinhar como é que se escreve uma palavra só ouvindo a palavra dita. E há muitas terras inglesas, não sei se já reparaste, que se escrevem de uma maneira completamente diferente da forma como nós as escreveríamos ao ouvir. Por exemplo, Leicester, que tem L-E-I-C-E-S-T-E-R. A famosa, não uma inglesa, mas uma escocesa, Edinburgh, que é Edimburgo.

Essa aí de Leicester, na altura, em Portugal e se calhar noutros sítios também, houve muita dificuldade em perceber como se dizia, porque o Leicester era um clube que estava nos escalões mais inferiores e depois chegou à Premier League e até venceu o campeonato. Já não me lembro qual foi a altura, mas foi ali entre 2010 e 2020, entre esse intervalo, e havia na altura, quando o clube começou a ter mais notoriedade, pessoas a ter dificuldade em dizer o nome do clube porque não sabiam como se dizia ou diziam de forma errada.

Tu usas algum website para saber como é que se pronunciam as palavras? Eu posso dar aqui uma sugestão, de palavras estrangeiras, que é o Forvo, forvo.com.

Muito bem, não conhecia.

Um dicionário de pronúncia de palavras no mundo inteiro. Por exemplo, se eu quero saber como é que se pronuncia o novo futebolista que veio da Hungria, ninguém sabe como é que se pronuncia aquele nome.

Os relutadores, se calhar, usam muito.

E o Forvo tem um sistema engraçado, porque o Forvo pede para várias pessoas porem lá a sua pronúncia e depois vão sendo avaliadas.

Isso é muito giro.

Portanto, podemos ter várias pronúncias e nós vamos percebendo qual é que é aquela que mais pessoas gostam de usar.

Vou explorar o Forvo e depois dou novidades. Marco Neves, nós ficamos por aqui neste episódio de quarta-feira. Estamos de regresso no domingo. Dúvidas, enviar para onde?

Para o e-mail portuguesdosava@observador.pt e não me perguntes outra vez.

O número de telefone eu posso dizer, 91 002 41 85. Envie áudios até 30, 40 segundos.

No nosso segundo aniversário, eu já vou saber.

Espero que sim, ainda tens muito tempo até lá e muitos programas para fazermos juntos. Estamos de regresso no domingo, Marco. Um abraço.

Até domingo.