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Em primeiro lugar, a primeira coisa que acho que temos que destacar é que isto é uma enorme vitória do Partido Socialista e de António Costa, em especial, porque ele jogou muito do seu futuro político quando conseguiu derrubar o orçamento, seja por não ter cedido aos parceiros, ou seja mesmo por ter provocado a crise, e portanto, o objetivo dele está plenamente conseguido, que é: o PS continua no poder e com uma fragilização fortíssima dos partidos à sua esquerda. Portanto, o cenário que temos neste momento é: ou o PS absoluto, como parece, apesar de tudo, menos provável, ou eventualmente a chegar lá com o Livre e com o PAN, ou então se ficar dependente do Bloco e da CDU, será uma dependência menor, porque politicamente os dois partidos saem muitíssimo fragilizados desta noite. E portanto, é uma vitória em toda a linha de António Costa e do Partido Socialista.
Será possível reeditar a geringonça sem que ninguém perca a face?
Acho difícil. Acho que com o cenário atual não há nenhuma maneira de a CDU, e especialmente o Bloco de Esquerda, venderem este resultado como um sucesso ou como algo que, independentemente da causa, ter sido diretamente a geringonça ou a colaboração com o PS, mas esta é sem dúvida, juntamente com 2011, a noite mais difícil do ponto de vista eleitoral para o Bloco de Esquerda e portanto, a reedição de uma geringonça nestas circunstâncias é possível, mas os dois partidos vão estar com uma posição negocial muitíssimo mais frágil do que estavam em novembro, no momento do orçamento e portanto, suponhamos numa mesa de negociação orçamental, a sua capacidade para fazer exigências e para impor as suas políticas públicas em relação ao PS é muito menor. Portanto, provavelmente neste momento já estão bastante arrependidos de ter provocado esta crise política ou de alguma maneira terem contribuído para que o país fosse a eleições.