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Está conosco em estúdio o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Boa tarde, Rui. Estava à espera das sondagens, Santana Lopes, mas as sondagens não foram até agora favoráveis. É mais certo aqui uma reeleição na Câmara da Figueira, continuar como autarca do que avançar para essa corrida a Belém.
Sim, na verdade, vem um bocadinho em linha daquilo que foi uma presença de Pedro Santana Lopes aqui nas tardes políticas há dois ou três meses, em que, na tarde política, ele disse precisamente que estava muito mais próximo de ser candidato à Figueira do que outra coisa qualquer, embora nunca fechasse definitivamente a porta a uma candidatura a Belém. Depois disse que era o máximo, o orgulho supremo de qualquer pessoa que anda nesta vida, foi a expressão que ele utilizou lá no seu programa, no canal Now, quando convidou Marques Mendes, e a partir daí continuou a alimentar a ideia de que se tivesse boas sondagens, teria a obrigação de ir e de avançar para a Presidência da República. Havia aqui uma outra nuance, que era: ele sabia que isso era muito difícil, porque as sondagens, de facto, como dizia a Vanessa, nunca lhe foram favoráveis, mas havia aqui a ideia de uma terceira via, que não fosse a Figueira nem a Presidência da República, que era uma candidatura à Câmara de Sintra, pra qual o PSD ainda não tem candidato. Era uma das hipóteses, era Pedro Santana Lopes. E portanto, havia aqui, e isso nós sabíamos também junto de fontes conhecedoras do processo, Pedro Santana Lopes faz questão de estar muito presente na Figueira, que muitas vezes vem a compromissos familiares a Lisboa e fica até gastado, porque é ele que conduz, não vai de motorista pra Figueira da Foz há muito tarde e que, por exemplo, uma câmara como Sintra lhe permitia estar junto da sua família, que ele é uma pessoa que gosta de ir a todos os aniversários dos netos, por aí fora, e continuava a ser autarca, que é um papel que ele gosta muito, e abria essa possibilidade de poder até o PSD ter um candidato forte pra uma autarquia que chega ao fim, por limitação de mandatos, Basílio Horta, e portanto, ele seria uma possibilidade. O que Pedro Santana Lopes também teve sempre em cima da mesa foi a tal ligação e a confiança dos eleitores da Figueira da Foz e, portanto, essa ligação emocional que ele tem desde que foi eleito lá a primeira vez, também iria pesar. E de facto, aquilo que se prova é que pesou. E também, naturalmente, que de todos os desafios, este era, também como tu dizias, Vanessa, o mais fácil de ganhar. Ou seja, Santana Lopes conseguiu sozinho, quase contra tudo e contra todos, inclusivamente contra a conselheira do PSD na altura e contra o próprio PSD da Figueira da Foz. E de alguma forma, Rui Rio até na altura não se importaria que ele fosse candidato, mas não queria afrontar as estruturas locais do PSD. Contra todo esse contexto, ele conseguiu ser eleito. Agora, com o apoio do PSD, será ainda mais fácil, porque dos relatos que se vai recebendo e mesmo das próprias sondagens, não me parece que Santana Lopes tenha grande dificuldade em ser reeleito e desta vez como ele quer, com maioria. Portanto, numa só notícia arrumam-se também vários outros lugares.
Só não se arrumou ainda é esse caminho que estava a fazer de voltar ao PSD. Dizia também aqui no Observador já há uns tempos que: "A ver se faço o caminho todo".
Sim, o Pedro Santana Lopes, eu confesso não tenho um conhecimento profundo dessa parte da lei, mas ele tem dito que se filiasse ao militante, que pela lei perdia a possibilidade do mandato, como foi eleito como independente. E portanto, isso é uma questão de sentarem um dia, enfim, o Soares já o elogiou, o Luís Montenegro farta-se de o elogiar.
O que é certo é que avance novamente como independente. Não sei se a lei permitiria que pudesse protagonizar uma candidatura pelo PSD.
Sim, eu não sei se pode até ser uma questão, até uma tecnicalidade, dele não sair da câmara por uma questão tática de se filiar do PSD. Assim é eleito independente, aquela vitória é imputada ao PSD porque tem o apoio do PSD, e depois então num congresso com pompa, como é um ex-líder, assim que for feito militante ganha acesso e pode discursar nos congressos o tempo que quiser, pode voltar ele que é a alma dos congressos do PSD, durante muito tempo foi a alma dos congressos do PSD. E portanto, com o momento, com alguma pompa, já depois de ser eleito independente e se conseguir conquistar essa maioria pro PSD e essa autarquia voltar a contar para o PSD na tal lógica de ter mais autarquias que o PS e recuperar a Associação Nacional de Municípios, então será muito mais fácil sentar-se com Luís Montenegro e num congresso ou numa convenção criada pro efeito, ou até num evento que tratem disso, ele voltar a filiar-se no PSD e fazer as pazes com o partido e o partido com ele. Esse caminho será muito fácil, porque parece haver interesse das duas partes, quer da própria direção atual do PSD, quer do próprio Pedro Santana Lopes.