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O corpo de José Eduardo dos Santos vai ficar num jazigo de Angola, uma informação confirmada pelo ministro de Estado, Francisco Furtado, em declarações aos jornalistas. Os restos mortais do antigo presidente angolano vão ficar num espaço criado pelo Estado e que este ministro tem classificado de forma informal como Panteão Nacional, ainda que esta designação oficial não esteja fechada. O velório decorreu esta noite em Miramar, na mansão onde José Eduardo dos Santos passou os últimos anos, antes de se mudar para a Espanha. A enviada especial do Observador a Luanda, Dulce Neto, esteve a acompanhar esta cerimônia e junta-se agora a nós. Boa noite novamente, Dulce. Como foram estes momentos dentro da mansão de Miramar?
Boa noite, Rui. Foram momentos interessantes, já que numa das partes, as pessoas, o povo que estava cá fora, pôde entrar dentro da mansão. Basicamente, o que foi feito foi, na zona do jardim e do campo de basquetebol da mansão, foi criado um espaço. Por baixo do jango, puseram o corpo com as flores e foi onde a família esteve presente. Houve uma pequena cerimônia com um padre, que além de pôr a água benta por cima do caixão, de aspergir, fez uma oração também. Depois, os ministros estavam todos sentados na estrutura que eles montaram no campo de basquetebol, cumprimentaram a família e foram saindo. Depois abriram as portas às pessoas que estavam cá fora. Eu diria 200 pessoas, mais ou menos. Ficaram todas em fila, ordeiramente, e depois foram entrando aos pouquinhos e algumas entraram a prantear claramente o corpo, cantando, chorando. Particularmente, um grupo de cinco zungueiras. Zungueiras são as mulheres que vendem na rua, as vendedoras ambulantes, que já cá fora da mansão também continuaram a chorar, a cantar e a dançar. Agora, ao final da noite, o velório continua e amanhã também. Eu saí de lá há pouco e ao final da noite entrou uma equipa muito especial. Era uma equipa do Ministério da Saúde e do Serviço de Investigação Criminal. Eles entregaram os revólveres à porta, tiraram os carregadores, esvaziaram os carregadores e entregaram tudo. E por quê? Porque, pelo que me foi explicado, vão abrir a urna, até porque, como o ministro Francisco Furtado, o chefe da Casa de Segurança, explicou, vem uma equipa de especialistas da África do Sul para preparar o corpo, porque ainda não se sabe quando é que será o funeral. Então é normal, por questões de segurança, que o Serviço de Investigação Criminal esteja presente nesse momento em que o caixão é deslacrado, se é que é esta a palavra que se pode dizer. João Lourenço não apareceu, nem no aeroporto, nem no velório, até a hora que eu saí de lá. Amanhã o velório vai continuar, por isso não sabemos ainda se o presidente da República estará lá ou não.