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Damos início ao relatório de jogo aqui na Rádio Observador, com análise de Gabriel Alves. O Benfica venceu o Gil Vicente por 3 x 1, num jogo a contar para a sexta jornada do campeonato. Ainda assim, para quem não viu o jogo, é um resultado enganador. O oitavo classificado foi até ao Estádio da Luz e conseguiu gelar o estádio com gol de Héctor Hernández, logo ao minuto sete. Os gilistas estiveram na frente do marcador até sensivelmente à meia hora de jogo, quando o suspeito do costume, Pavlídis, consegue empatar a partida. Um igual ao intervalo. Gabriel, durante a emissão, ouvi te dizer que Marco Silva ia estando um pouco nervoso no banco. Havia motivos para isso?
Acho que sim. Marco Silva muito ansioso e passou um bocado dessa ansiedade para dentro das quatro linhas. Essa é que é a verdade. Este Gil Vicente, muito bem. É uma primeira palavra que gostaria de dar à equipa de Barcelos, que conseguiu, durante grande parte do tempo, congelar o seu adversário atacante, candidato ao título, controlando os andamentos ofensivos, tornando-os inofensivos. Eu diria andamento ofensivo sem valor. Tudo isto muito bem capitaneado por trás por um patrão da defesa, o angolano Buatu. Muito bem este defesa central, com 32 anos, com grande experiência, grande cultura tática, grande sentido de jogo e grande autoridade naquilo que expande, em termos de ordem, dentro do jogo, de ordens aos seus companheiros. Portanto, um patrão na defesa. E o Benfica sentiu hoje muitas dificuldades. Repare-se, na primeira parte, tem sete remates, embora tivesse tido um caudal ofensivo de grande dimensão. Aliás, muitas vezes as equipas têm um caudal ofensivo menor, mas a equipa que não tem caudal ofensivo controla o jogo. Foi hoje aquilo que o Gil Vicente fez, através de um sistema tático muito interessante, em que foi oscilando entre o 5-3-2, o 5-2-2-1, o 5-2-3. Houve ali uma série de nuances em que conseguiu fechar, quer do lado esquerdo, quer do lado direito, aquilo que é a grande dimensão, através das triangulações que o Benfica tem para atacar e assaltar o último terço. Faz um gol naquilo que é a primeira e única jogada que tem.
É o primeiro remate.
Primeiro remate de ataque, faz um gol, aliás, um passe de maestro do Gil Martins para um gol de alta qualidade do espanhol Héctor Hernández, que recebe a bola com um toque subtil, pé direito e depois com o esquerdo, tirou o Samuel Soares completamente do caminho, endossando a bola para a baliza. Segunda parte, o Benfica começa nervoso, muito nervoso.
O Gil Vicente, só queria dizer, termina com sensivelmente 30% de posse de bola, mas na segunda parte, ainda assim, continua a boa exibição com o Benfica a criar.
Mais lento, o Benfica lento.
A criar mais perigo, ainda assim.
Mais lento, ainda assim lento. Circulação de bola muito previsível. Aquilo que era da parte do Gil Vicente, controlar e controlava. As substituições com as entradas do Palhinha e do Aursnes.
Logo aos 60 minutos.
Sim, mas não trouxeram grande andamento. O que trouxe grande andamento foi, de facto, o Lukebakio e o Aursnes. Aí as coisas mudaram. Aí ajudaram as duas anteriores, a do Palhinha e a do Aursnes. São as quatro substituições a já a funcionar, em que de facto o Benfica voltou a ser uma equipa de grande velocidade, circulação de bola a alta velocidade, a criar aquilo que é encostar as cordas, digamos, a equipa do Gil Vicente, que ainda assim se foi contendo, sempre tendo o Buatu como o grande líder e o grande patrão. Mas no meio disto, é verdade, quando a avalanche se torna mais forte, há sempre um erro. E aqui houve um erro de uma grande penalidade cometida e obviamente que aí Pavlídis não fraquejou. Não fraquejou e marcou o seu segundo gol no desafio, já tinha feito a igualdade. Atenção que faz dois belos gols, uma vez mais, Pavlídis. O primeiro é um picar de bola de ponta de lança de grande qualidade, muito frio, muito esclarecido, nada do pontapé. Muito bem, numa jogada difícil, no meio daquilo que é o espaço curto que tem, a clarividência e o esclarecimento para fazer um belo gol. E a grande penalidade é batida com contrapesos e medida, com aquela alta técnica que o Pavlídis de facto tem no bater dos pênaltis, a dar nota da sua grande qualidade de goleador, embora normalmente o ponta de lança que tem como primeira nota ser o faturador de gols, mas também tem outros papéis e este Pavlídis é, de facto, um jogador de último terço extremamente interessante e o Benfica tira normalmente e naturalmente benefício disso e uma vez mais hoje esteve à altura dos acontecimentos.
Só ao minuto 87 é que o Benfica consegue chegar à vantagem com esse pênalti de Pavlídis. Depois ainda alarga o resultado para 3 x 1 com também um belo gol de Prešiček que está a fazer.
Sim, é o homem do jogo uma vez mais. Prešiček é um jogador de nervo É um jogador de raça, é um jogador que se sente em excelente forma, sente-se bem.
Está confiante.
Está confiante, gosta da sua profissão. Nota-se que ele gosta da sua profissão. Às vezes comete pequenos erros de associativismo, quer fazer tanto que acaba, às vezes, por no detalhe poder fazer melhor, às vezes fazendo circular a bola, ele quer ir com ela. Mas de qualquer das maneiras, mais uma bela exibição. Mas direi que naquilo que é a articulação entre ele e Scheldrup, sim, mas talvez.
É preciso olear essa dinâmica.
Não, porque é evidente que os dois foram muito bem tapados pela zona que lhes moveu o Gil Vicente e a coisa não articulou como estariam à espera. O Benfica, como as grandes equipas, atenção, tem que refletir que há sempre um treinador do outro lado, há sempre um conjunto de jogadores do outro lado, há sempre uma dimensão competitiva que obviamente, naturalmente, as coisas não são iguais nem fáceis de semana a semana, de jogo a jogo, de competição a competição. As equipas vão pondo sempre a estas maiores formações dificuldades. É como as nossas equipas, quando vão jogar com o Manchester City, com o Barcelona, com o Real Madrid, com o Liverpool, com o Paris Saint-Germain, obviamente que também têm que ter dinâmicas específicas para conseguirem competir com essas formações maiores. E estas nossas, que estamos a falar ao nível do nosso campeonato, perante as suas grandes equipas, fazem o mesmo, como fez hoje, naturalmente, o Gil Vicente.
Numa jornada que antecede a visita do Benfica ao terreno do Futebol Clube do Porto, pergunto então o que é que há a retirar de bom deste jogo de hoje frente ao Gil Vicente.
Eu acho que esse jogo, que é um jogo que vai naturalmente centralizar as atenções todas, fantástico, em Portugal, entre norte e sul, entre adeptos. Estou a falar dos adeptos aqui do Benfica e os adeptos do Futebol Clube do Porto, mas também com os adeptos do Sporting Clube de Portugal atentos. Naturalmente, são três candidatos ao título e é um resultado que toca a todos. Aos que estão naquilo que é a competitividade, na circunstância, Benfica e Porto, mas o Sporting interessa do resultado, naturalmente, também e igualmente aos seus adeptos. Eu acho que vai ser algo engraçado. Tem que várias nuances. Uma primeira nuance é a grande capacidade defensiva do Futebol Clube do Porto, que é de facto um bloco sólido naquilo que é a arte de defender, face à grande capacidade atacante do Benfica, que é de facto um grande bloco nessa função de jogar em termos de procura da baliza adversária.
Um rolo compressor.
Um rolo compressor, bem dito. Dito isto de outra maneira, vai ser uma luta entre a técnica da força do Futebol Clube do Porto e a força da técnica que o Benfica tem. Portanto, temos aqui estes dois quadrantes que naturalmente vão ser extremamente interessantes de observar na próxima jornada. E dois treinadores com mentalidades completamente diversas, com estágio estrangeiro, portanto, currículo estrangeiro, quer Farioli, o italiano do Futebol Clube do Porto, 37 anos, quer o Marco Silva, um pouco mais velho, mas também um treinador jovem. Um com escola por França, Itália, Holanda. Marco Silva, escola inglesa muita, também tendo estado na Grécia, como sabemos. Portanto, são dois treinadores com desafios, são dois treinadores que querem também marcar posição e eles vão ser, na minha opinião, independentemente da estratégia que vão montar cada um para si para o jogo, também durante os 90 minutos da partida, dois intervenientes ativos. Eu diria, eles vão ser o 12.º jogador. Por que eu digo isto? Eles vão ter que estar numa tal concentração e numa tal visão, numa tal atenção, que certamente eles com uma pequena alteração ou grande alteração, depende do detalhe, podem virar o jogo a favor de uma ou a favor de outra formação. Portanto, eu acho que vai ser um jogo de grande qualidade. Eu penso que é bom para nós, futebol português, é bom para o nosso campeonato e é bom para exportar também para lá para fora e dizer que estão aqui duas grandes equipas, são candidatas ao título. O futebol português também tem duas equipas capazes de dar espetáculo, de dar futebol, de naturalmente galvanizar e que vale a pena, lá fora, vale a pena seguir. Isso é fundamental para que o nosso futebol também possa crescer. Portanto, são duas notas muito fortes. Benfica e Futebol Clube do Porto. Futebol Clube do Porto que é campeão nacional e que defende o título este ano e que é Champions. Muita atenção lá fora. A Champions está muito atenta a este Futebol Clube do Porto e também um Benfica que a Europa olha também como grande nome que é daquilo do futebol internacional. Portanto, acho que é um belíssimo jogo em perspetiva e naturalmente será bom para todos observar.
Antvisão ao Porto-Benfica, que acontece para a próxima jornada. Só para terminarmos este capítulo, então destacas quem é ou que é o bom do jogo de hoje entre o Benfica e o Gil.
Olha, eu destaco várias coisas aqui do bom. Eu destaco, para já, a estratégia do Gil Vicente. Acho que o Gil Vicente montou muito bem a equipa, o seu treinador, Luís Pinto. Treinador com 37 anos Naturalmente, não podendo contar com alguns elementos que estão lesionados e não podendo também contar com um elemento que é emprestado pelo Benfica, a tal cláusula do medo, que acontece em Portugal com todos os clubes. Acho que é uma cláusula que devia ser retirada, porque não é bom para o futebol, não é bom para os futebolistas. É uma cláusula que tem vindo a ser esvaziada no top five do futebol da Europa. Não compreendo que isso possa acontecer, porque os grandes clubes emprestam jogadores e depois eles, quando têm o grande desafio, que é defrontar o grande clube, ficam na bancada.
Condiciona o trabalho do treinador que prepara.
Condiciona o trabalho deles, a evolução deles. Enfim, é isto que está convencionado, mas penso que será uma situação, na minha opinião, a rever para bem do futebol, atenção, na sua generalidade. Uma boa estratégia deste Gil Vicente, tenho que destacar. Um Gil Vicente que não tinha muitos gols marcados, marcou mais um, foi o quarto gol. Acaba por sofrer três. Enfim, é uma situação em que já tinha três, portanto ficou com seis gols sofridos.
Neste momento tem quatro marcados, quatro sofridos.
Quatro sofridos, exatamente. Tinha um sofrido e quatro sofridos. É uma equipa a ter muita atenção, porque é uma equipa que fez um belo campeonato o ano passado e este ano está, naturalmente, em termos de progressão. Depois, no Benfica, quero fazer aqui o destaque a Pires, muito bem, naturalmente, uma vez mais, e acho que mereceu muito bem ter aquilo que é chamado o homem do jogo. Ainda no Gil Vicente, já destaquei há pouco, mas vou destacar o Boatu uma vez mais. Grande central este internacional de Angola, grande central nos seus 32 anos. Excelente. Quero destacar naquilo que é o momento crítico do jogo, portanto, muita emoção, o Gil Vicente pode marcar. O Benfica marcou 2 x 1, o que mostra bem a intensidade do jogo, porque isto é divertido. Obviamente que os adeptos do Benfica sofreram, naturalmente, normal. Os outros adeptos, os do Porto e do Sporting, tiveram uma esperança, naturalmente.
Uma bela defesa de Samuel Soares.
É Samuel Soares. Samuel Soares foi aquilo que é um guarda-redes à altura de uma equipa que é candidata ao título de campeã nacional. No momento certo, no momento exato, decide o jogo. É ele que decide. Pires marca depois o terceiro gol e eu direi, é a cereja em cima do bolo da sua exibição, mas quem ganha o jogo é Samuel Soares, no lance já em tempo quase de compensação, em que obviamente, ou já mesmo em tempo de compensação, salva a sua baliza de um gol, que seria o gol da igualdade. Muita emoção, muito entretenimento, muito divertimento. Uma palavra para o Gil Vicente Mais, pela sua excelente estratégia e pelo seu bom jogo. E uma palavra para o Benfica, pela sua vitória, que é suadinha, mas que é também um ensinamento para perceber que isto não é só facilidades, isto não são só treinos em competição, isto há equipas que criam um outro tipo de dimensão à competição e obviamente que o Benfica hoje saiu com essa noção bem vincada. Uma excelente vitória do Sport Lisboa e Benfica.
No sentido inverso, e para terminarmos este relatório de jogo, pergunto então, Gabriel, o que é que fica de negativo destes 90 minutos?
A ansiedade com que o Benfica terminado tem que, de facto, eu compreendo, está aqui muita coisa em jogo. E o seu treinador também não pode passar aquela ansiedade que a gente vê à linha, porque ela passa lá para dentro, os jogadores também. Se calhar tem que ser um pouco mais largo. Pronto, mas naturalmente, as coisas são como são. O Benfica teve ali alguns momentos em que ajudou a boa estratégia do Gil Vicente a funcionar, com alguma falta de esclarecimento, a tal ansiedade e, acima de tudo, ao nível da circulação de bola. A bola tem que circular mais e o jogador tem que correr menos, ou melhor, o jogador tem que aparecer onde a bola vai estar para a receber, criar os tais passes de rotura, e é a bola que lá vai chegar. Em relação ao Gil Vicente, acontece. É um pênalti na hora H do jogo. Um pênalti que comete, tudo o que podia ter ainda pensado para a ponta final do desafio, porque fez substituições no sentido de querer incomodar, e incomodou. Samuel Soares acabou por resolver. A verdade é que matou a situação que tinha. Um bom jogo, acima de tudo. Venceu bem o Sport Lisboa Benfica. Jogo de alta competição, muita competitividade, como disse, muito entretenimento, muita diversão, porque são jogos destes que vale a pena ver e com bons gols e com o estádio também completamente cheio e muito emocionado. É a utopia do futebol.
Chegamos ao fim, sim, deste relatório de jogo, com a análise do inconfundível Gabriel Alves, comentador da Rádio Observador. O Benfica venceu o Gil Vicente por 3 x 1, num jogo a contar para a sexta jornada do campeonato. Mantém-se na perseguição ao líder Futebol Clube do Porto, que segue em primeiro isolado com mais dois pontos que os rivais. Próxima jornada há clássico no Dragão. Obrigado, Gabriel Alves. Até breve.
Um grande abraço para todos os observadores.