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Futebol Clube do Porto 0, Sporting 0, na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. O Sporting trazia vantagem de Alvalade, conquistada por uma bola a zero, com um pênalti apontado ao minuto 61 por Suárez. Sem nenhum gol marcado no Dragão, o Sporting é o finalista da Taça de Portugal, vai encontrar no Jamor ou o Fafe ou a equipe do Torrense, mas o que é certo é que hoje quem foi atrás do resultado, e temos que concordar com Farioli nisso, Filipe Coelho, foi o foco do Porto, que esteve atrás do resultado o jogo inteiro.
Sim, e de fato a responsabilidade estava do lado do Porto. Era o Porto que estava atrás na eliminatória e precisava reverter esse cenário na segunda mão, no Dragão. Diga-se de mais que é uma eliminatória bastante igualada. Diria que o Sporting se superiorizou ligeiramente na primeira mão em Alvalade. Hoje, aqui no Dragão, o Porto esteve, apesar de tudo, mais próximo do gol. Mas diria até que esta passagem do Sporting à final da Taça acaba por ser um prêmio para a dura temporada da equipe de Rui Borges, sendo que hoje, aqui no Dragão, esta exibição leonina foi também uma demonstração primeiro de controle e depois de resistência. Nesse aspecto, há que salientar a forma muito personalizada como o Sporting arrancou a partida. Nos primeiros 20 minutos, na fronteira dos 20 minutos, o Sporting estava quase com 70% de posse de bola. Portanto, conseguiu roubar o protagonismo ao Porto nessa primeira fase da partida. Não permitiu que o Porto impusesse um ritmo alto, que fizesse diferença através da pressão alta, que é algo em que a equipe do Francesco Farioli é bastante forte e houve aqui jogadores fundamentais para essa entrada muito positiva do Sporting, até de forma algo surpreendente, com esse controle dos leões, designadamente o Morita e o Ulman, como dois médios capazes de trocar passes, de espalhar a bola, no fundo, fugir essa pressão do Porto. Depois a forma como a equipe conseguiu também sair pelo lado direito, ora em incursões do Eduardo Quaresma, que voltou a ser o lateral direito, ora também com alguns recursos do Katoma e depois as ligações por dentro com o Trincão, até porque o Trincão e o Suárez em muitos momentos descolaram dos centrais do Porto e mostraram-se para jogar. E com isso o Sporting teve, de fato, alguma vontade, algum ascendente. É verdade também que sem ser uma equipe hiperagressiva no último terço, porque, de fato, foi uma primeira parte quase sem balizas, mas essa entrada bastante personalizada do Sporting acabou por desmobilizar um pouco o Porto, que teve dificuldades até nos momentos em que teve alguma bola, para conseguir fugir às marcações que a equipe do Rui Borges trouxe aqui hoje, a forma como o Ulman e o Morita vigiaram o Franholt e o Gabri Veiga também foi importante para dar esse conforto. E mesmo a saída por lesão, ainda bastante precoce, do Inácio, sendo um jogador importante para manter alguma bola, foi bem colmatada pela entrada do Debast, que apareceu a um belíssimo nível e que também acabou por limitar um pouco mais os saltos na pressão do William Gomes, que era o responsável por pressionar o central pela esquerda do Sporting. Ou seja, o Inácio sendo pé esquerdo, era mais fácil para o William apertar diretamente essa perna esquerda. O Debast, sendo um destro a jogar nesse setor, acabava por chegar mais vezes atrasado o William e, portanto, eu diria que até os 35 minutos o Sporting esteve confortável. Depois o Porto, na reta final da primeira parte, sobretudo pelo Gabri Veiga com o Piotrowski, acabou por criar algum perigo. Aliás, tem a primeira grande oportunidade do jogo, precisamente no movimento do setor esquerdo dos dragões.
E temos uma segunda parte que, mais uma vez, foi totalmente dominada pelo foco do Porto, no que às oportunidades diz respeito. O Sporting entrou também por algum cansaço físico dos jogadores num período de gestão. Ainda assim, o foco do Porto conseguiu chegar a alguns lances de perigo, mas fomos falando disso, sem aquela criatividade que faz a diferença. E aqui acredito que faça também a diferença e que poderia ter valido ao foco do Porto a presença de um Samu, porque tanto Dennis Gulc como Teremoffi acabaram por não dar grandes problemas à defensiva do Sporting, Filipe Coelho. Já entrados no decorrer da segunda parte.
Sem dúvida, falta poder de fogo ao Porto, designadamente em zonas de finalização. É uma questão que já se arrasta há uns meses a esta parte. E depois faltaram também outras armas em termos criativos, outras ferramentas para desmontar um bloco do Sporting, que foi ficando também cada vez mais baixo, porque a equipe depois perdeu chama física, já não tinha capacidade para sair. E, portanto, o Porto, perante esse bloco mais baixo, acabou por ter muitas dificuldades. E creio que nesse aspecto, Farioli talvez se tenha precipitado com a retirada do Piotrowski, porque apesar de tudo, estava a ser um dos principais agitadores, com algumas incursões sobre o Eduardo Quaresma, a conseguir também ultrapassar o lateral direito do Sporting, depois perigoso também a nível de cruzamento, algo que o William Gomes nunca foi capaz de acrescentar. Mas, de fato, é uma nota que fica desta eliminatória. O Porto, quando foi para ir atrás do resultado, sentiu sempre muitas dificuldades, quer na primeira mão em Alvalade, e até mais por uma questão de calculismo, mas hoje, quando precisava efetivamente de ir para cima do Sporting, acabou por demonstrar algumas dificuldades criativas, que o Moro ainda tentou disfarçar aqui e ali, mas a equipe acabou por criar pouco. E depois, há outro fator que pesa bastante, e o Porto vai ter também que fazer uma reflexão sobre isso, que é o fato de, nos momentos-chave, acabar por ter aqui entradas muito fortes que prejudicam a abordagem da equipe em partidas importantes. Falo primeiro da expulsão do Bernarec em Nottingham contra o Forest, na Liga Europa, e hoje a entrada do Varela, que deu também o cartão vermelho ao médio argentino, numa altura em que o Porto precisava de todas as unidades e mais algumas para carregar sobre o Sporting. Isso, obviamente, acabou por penalizar a equipe de Francesco Farioli.
Tivemos um Sporting que teve de se adaptar também, primeiro, logo na primeira parte, à saída daquele que é o homem que mais controla a defesa do Sporting, sobretudo naquilo que é a saída de jogo. Gonçalo Inácio acaba por sair lesionado, rendeu Debast, que acabou até por entrar bem no jogo. E depois, na segunda parte, o Sporting viu também, por lesão, sair Ulman, o capitão, para a entrada de Daniel Bragança, algo que condicionou o jogo do Sporting de alguma forma?
Sim, sobretudo a perda do Hjulmand, que é sempre um líder no centro do terreno. Ainda para mais, o Daniel Bragança é um jogador que não tem propriamente as características do capitão do Sporting. É um jogador mais voltado até para o plano ofensivo, para pensar o jogo e, no momento defensivo, não dá tanta segurança. Aliás, prova disso mesmo foi o primeiro jogo contra o Arsenal em Alvalade. Creio até que num cenário ideal, num cenário hipotético, o Rui Borges, se tivesse de retirar o Hjulmand, até poderia lançar o João Simões, caso estivesse operacional ou, noutra circunstância, o próprio Debast. Mas o Debast já tinha entrado para o lugar do Gonçalo Inácio. Isso também é demonstrativo da constante perda de peças que este Sporting está a enfrentar. Nesse aspecto, uma reta final de época penosa para os leões, porque é uma equipa que, de facto, está nas cordas.
Dá a sensação que se põe a boca mais na mão do leão, o leão morre, como se costuma dizer.
Sim, há jogadores aqui em que isso é bastante evidente. Luiz Soares, à cabeça, é um jogador muito desgastado. Ainda por cima, depois da ausência do Joanides, o Sporting acaba por não ter aqui um substituto natural para o atacante colombiano. Mas dizia que o Porto, ainda assim, não foi capaz de explorar algumas hipotéticas debilidades do Daniel Bragança. Nem o Gabri Veiga primeiro, nem o próprio Rodrigo Mora. Enfim, o Mora ainda agitou um pouco, mas não houve propriamente ali uma vantagem que o Porto conseguisse aproveitar de forma contínua, como também não conseguiu quando o Rui Borges retirou o Maxi Arú, também desgastado, e lançou o Ricardo Mangas. Nem nesse período o Porto foi capaz de se priorizar de forma efetiva no último terço. E aí há que destacar, desculpa, Vicente, reforçar o papel do Diomande, que foi fundamental na defesa da área leonina.
Mas o Sporting foi, de certa forma, obrigado a aguentar-se encostado às cordas mesmo no final do jogo, independentemente de estar a jogar com mais um. É facto que foi expulso Alan Varela pro lado do Porto, mas tu também falaste que, apesar de estar em campo, o Sporting já não podia contar com jogadores como Soares, por exemplo, que apesar de serem um elemento presente, opaco, para não deixar passar a bola, já não tinham propriamente capacidade para pensar e correr o jogo.
Sim, a expulsão do Alan Varela ditaria um 11 para 10, mas a dada altura percebeu-se que era um 10 para 10, porque o Soares basicamente só andava no Real Vale, já não tinha grande capacidade para recuar, para fechar espaços. Enfim, o Rui Borges ficou muito penalizado, primeiro pela saída precoce do Inácio aos 11 minutos, depois também teve que tirar o Hjulmand por lesão aos 51 e, portanto, só tinha mais uma hipótese de mexer na equipa. E quando mexeu, mexeu com três opções: Luís Guilherme, Ricardo Mangas e o Pedro Gonçalves. Para, no fundo, dar a energia final para o Sporting resistir nos últimos 10, 15 minutos. E a verdade é que o Sporting acaba por ter uma das principais oportunidades da eliminatória, um um para um do Luís Guilherme com o Diogo Costa, que o guarda-redes do Porto consegue negar o golo ao extremo brasileiro. E aí o Sporting teria fechado a eliminatória. Não fechou, acabou ainda por sofrer um pouco e depois contou com aquela defesa magnífica do Rui Silva no último lance da partida, um cabeçamento do Moffi que o Rui Silva acaba por desviar, numa defesa muito parecida com uma do Iker Casillas num clássico Porto-Sporting há uns anos, aqui mesmo no Dragão, na altura também decisiva.
Resta saber o que foi, na tua opinião, o pior esta noite no Dragão. Noite que valeu o empate a zero, que é sempre um dos piores momentos ou piores resultados que nós que gostamos do futebol ou que acompanhamos o futebol. O que é pior para ti nesta noite?
Para lá da entrada fortíssima do Alan Varela, que ditou a expulsão do médio argentino, depois algum desnorte do Porto na reta final. Foi uma equipa precipitada, com pouco método. Isso é, de facto, quase inédito nas equipas de Francisco Farioli e nesta equipa do Porto, que é bastante estruturada. Percebemos isso em termos de sistema, de modelo, de ideia de jogo. É uma equipa bastante fiel aos seus princípios, mas mesmo na reta final, em que juntou o Bednar e o Moffi na frente, percebeu-se bastante desnorte do Porto, que não conseguiu realmente criar grandes oportunidades e isso acabou por limitar as oportunidades na passagem à final da Taça de Portugal.
E resta saber, e para fechar este relatório com a tua assinatura, Felipe, o que foi melhor esta noite no Dragão?
O momento mais sublime da noite é a defesa do Rui Silva. Depois vou destacar duas exibições do lado do Sporting. Diomande esteve imperial no confronto com o Dennis Go. Limpou inúmeros lances na área, foi um jogador-chave para o Sporting conseguir um empate decisivo e depois Morita, porque a primeira meia hora do Sporting depende essencialmente de Edemasa Morita, que faz uma superexibição defensivamente, recuperou, interceptou, depois ofensivamente, dar oxigênio à equipa, a permitir ligações. Foi um jogador que também conseguiu fugir à pressão do Frold e isso não é propriamente algo comum. O Frold é um jogador que se supera nesse aspecto. Portanto, essas duas exibições, o Catam também esteve muito bem, mas sobretudo Diomande e Morita foram decisivos e fundamentais para a passagem do Sporting.
Está escrito, assinado e entregue mais um relatório de jogo desta feita do jogo entre Futebol Clube do Porto e Sporting, zero a zero no marcador, segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. Ora, o Sporting está na final depois ter vencido na primeira mão por uma bola a zero. Está feito e entregue este relatório de jogo. Um grande, grande abraço e muito obrigado, Felipe Coelho.
Grande abraço, Vicente.