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Porto 3, Rangers 1 é um resultado que coloca o Futebol Clube do Porto nos oitavos de final da Liga Europa. Vai passar à frente esse playoff que temia na entrada para esta jornada. É uma boa jornada também na Liga Europa, depois das boas exibições na Liga dos Campeões de Sporting e Benfica. Hoje, Braga e Futebol Clube do Porto garantem esse acesso direto aos oitavos de final. Agustinácio, começou bem, o Rangers ameaçou o Porto, marcou primeiro, mostrou um futebol até mais interessante, mais incisivo, mas o Futebol Clube do Porto não se deixou abater por esse primeiro gol. Reagiu muito bem e ainda na primeira parte conseguiu impor o seu futebol.

É verdade, o Porto teve uma partida em falso, porque deixou que o Glasgow Rangers se colocasse à frente do marcador, numa equipa que nada tinha a perder no Estádio do Dragão, a não ser mostrar o seu futebol e os seus jogadores, porque através destes jogos, às vezes, os olheiros estão muito atentos. Eu diria que o Porto continuou a jogar sempre da mesma forma, ou seja, não é um futebol espetacular, é um futebol mais baseado naquilo que é a segurança defensiva e tentando aqui ou acolá marcar os seus gols, através de coisas simples, como passes em profundidade, como cruzamentos, como entradas, com apoios do Samu, de costas para os centrais, a tentar ligar o jogo com os médios para colocar a bola nas laterais pra haver esses cruzamentos. Eu diria que foi um Porto que à medida que o tempo foi avançando, foi estando perto da área do adversário, sem criar grandes oportunidades, é verdade, mas lá conseguiu empatar. E depois fez um 2x1, de uma forma que eu diria que parece que as coisas saem com naturalidade quando às vezes as coisas parecem que são mais simples do que isso. Ou seja, um Porto que nunca forçou muito em termos daquilo que é o segundo gol, as coisas aconteceram porque tiveram que acontecer. E depois, ainda na primeira parte, há um canto a favor do Porto e um jogador do Glasgow Rangers coloca a bola na sua própria baliza, Porto 3x1. Ficou descansado, ficou folgado, não ficou convencido que o jogo já estava ganho, ao ponto de depois na segunda parte, o Glasgow Rangers ter entrado com maior determinação, com maior vontade, com os setores mais subidos, com trocas de bolas mais rápidas, mas tudo isto foi fogo de vista, porque nunca criou grandes oportunidades ou nenhuma oportunidade. Praticamente, o Diogo Costa só fez uma defesa e foi um remate fora da área, nem assim muito apertada. Eu diria que foi um jogo realmente dividido, que o Porto depois equilibrou, mas sinceramente, sem grandes oportunidades de os guarda-redes brilharem, porque não houve essas oportunidades também de os guarda-redes se evidenciarem. Nem tão pouco oportunidades de gol, que a bola foi ao lado ou que a bola foi por cima da trave, que se dissesse que é uma grande oportunidade clara de gol, que não foi marcada. Eu diria que o Porto deixou rolar o tempo, ao ponto de depois também sair o Ferraud e ter entrado o Pablo Rosário, precisamente para jogar ao lado do argentino, que era para segurar mais aquele meio-campo, para não dar essas oportunidades do Glasgow Rangers se acercar da baliza do Porto. Ou seja, foi um Porto que foi jogando à medida do tempo, à medida das suas necessidades, sem pôr uma intensidade, uma vontade grande de querer criar oportunidades para o quarto gol. É verdade que poderia tê-lo feito depois com o Vítor Santos quando entrou, mas o Porto viu-se perfeitamente bem que já estava confortável com o 3x1, não queria correr mais riscos. E foi assim que acabou o jogo, uma vitória justa do Porto, sem brilhantismo, é verdade, mas o adversário também não deu para mais e por isso o Porto não teve necessidade de, como se costuma dizer, pôr o prego a fundo.

Francesco Farioli faz muitas alterações. Achas que isto é mais um rodar de jogadores e de gestão física ou foi porque tecnicamente ou taticamente achava que aquelas eram as melhores unidades? Há um regresso de Mora, que é um criativo, regressa também Alan Varela. Como é que interpretas estas mudanças operadas por Farioli esta noite?

São as duas coisas que tu disseste, e bem. Um Porto em que o treinador está a gerir o esforço, sabe perfeitamente bem os limites físicos que os jogadores estão neste momento, tem dados para isso, não só aquilo que vê, mas também os dados que através do GPS também lhe dão essas referências. Eu diria que quando saiu o Ferraud, talvez com problema no pé, que aquilo é capaz de não estar ainda bem curado, eu diria que se dissesse assim: "Olha, entrou o Gabi Veiga, o Porto vai à procura do quarto gol." Não, entrou Pablo Rosário, precisamente para o Porto estancar essa avalanche que pudesse haver do lado do Glasgow Rangers. Normalmente, saem quase os mesmos jogadores, sai o lateral pelo lateral. Quando joga o Rodrigo Mora, entra o Gabi Veiga. Quando joga o Gabi Veiga, sai e entra o Rodrigo Mora. Há ali uma gestão de esforço dos dois. Também o Samu sai algumas vezes pra entrar Denis Gulo, até porque marcou aquele grande gol em Pilsen e deu-lhe moral e o treinador também quer dar minutos e ao mesmo tempo, com o jogo praticamente ganho, quiser essas oportunidades ao Denis Gulo. E depois é nas alas. Umas vezes joga o PP, ou quando joga o PP, sai o PP. Hoje saiu o William Gomes Parece-me a mim, e estou de acordo com o Luís Pinto Coelho quando ele diz que o Evanilson é o melhor jogador ou tem mais impacto na equipa quando sai do banco e entra.

É o Jori desta equipa.

O Jori foi meu colega. O Jori aguentava bem meia hora, mas a meia hora não podia ser na primeira parte, tinha que ser sempre nas segundas partes, quando os adversários estavam mais cansados e marcava a diferença aí e marcava os seus gols. Mas eu diria que o Evanilson ainda não deu aquela resposta que tanto promete quando entra e quando fazia aqueles gols, que agora deixou de fazer também. Não sei se foi o auge naquela altura, que ele marcou aqueles gols e que marcou a diferença. O que é certo é que ele já há muito tempo não faz isso e convém para ele ganhar confiança que torne a fazer. E depois joga a bola de início, depois não joga, depois está no banco. Ou seja, é nas alas que o Farioli mexe mais, é no ponta de lança que dá descanso um bocado ao Samu e é também naquele meio-campo, uma vez joga o Alan Varela, outra vez joga o Pablo Rosário. Eu diria que também há uma gestão de esforço em relação a esses jogadores, porque o Porto sabe que não ganha o campeonato, sabe que está numa boa posição na Liga Europa, sabe que está numa boa posição também na Taça de Portugal. O Farioli precisa dos jogadores todos, mas acima de tudo, precisa dos jogadores frescos e bem fisicamente.

É uma partida que coloca o Porto com menos dois jogos nesta competição. Muito importante, dizia também Farioli, essa questão. Tem hipóteses de vencer esta competição. O Luís Pinto Coelho há pouco puxava dessa cartada, de ser a equipa, de facto, com o melhor palmarés que está em competição nesta Liga Europa. Não faz uma Liga Europa completamente brilhante, mas acaba ainda assim com essa entrada direta e com o quinto lugar na tabela. Pode aspirar a vencer esta competição de novo, o Futebol Clube do Porto?

O Porto fez aquilo que tanto queria, que era se apurar sem fazer os tais dois jogos no playoff para entrar na última fase, ou seja, nos oitavos de final. Olhando para as equipas que estão presentes nesta Liga Europa, eu diria que o Porto é um nome a ter em conta. Olhando para o futebol que o Porto pratica nesta competição, eu diria que o Porto é mais pragmático do que estar a jogar de uma forma que possa impor o seu jogo do princípio ao fim, através de um futebol mais dinâmico, mais interligado. Não é isso que existe. O que existe no Porto é realmente uma preocupação muito grande de fechar a sua baliza, não dar espaço ao adversário e depois tentar realmente marcar o gol e ganhar o jogo. Hoje, realmente, houve uma diferença, diria, que podia ter sido grande. Se me disseres assim, no jogo com o Gil Vicente, se o Porto sofre primeiro o gol, eu diria que o Porto se calhar tinha muito mais dificuldades em ganhar aquele jogo ao Gil Vicente. Hoje, olhando para esta valia do Glasgow Rangers, que é uma equipa que realmente tem um futebol, diria, curto para aquilo que é a dimensão do foco do Porto, eu diria que o Porto, com alguma facilidade, inclusivamente, conseguiu dar a volta ao marcador. E isso fez com que realmente o Porto desse a ideia que parece que quando quer, quando está apertado, até consegue marcar esses gols ainda na primeira parte. Quando o Porto marca primeiro, faz 1 x 0, é um Porto ainda mais defensivo, mais reagrupado, com menos espaços entre linhas, o que deixa os adversários também desconfortáveis. Se tem possibilidades? Pois, eu gostava de ver o Porto com um futebol talvez diferente para melhor, com mais qualidade e com esta segurança defensiva que tem, mas não se pode ter tudo, não se pode ter a terra e o céu ao mesmo tempo. O Porto vai pela terra, que é mais os pés bem assentes, para realmente poder ir longe. E não sei até onde é que o Porto pode ir, mas que o Porto pode, se o sorteio também lhe for favorável, de ir longe nesta competição, pode.

Muito bem. Neste relatório de jogo de Porto 3, Rangers 1, onde é que achas que esteve a chave para esta vitória, o aspecto mais positivo nesta partida? Quem leva o sinal mais?

O sinal mais é para a reviravolta que o Porto ainda na primeira parte teve em relação ao resultado negativo que tinha. Se me disseres: mas foi através de um futebol empolgante que o Porto chegou aos 3 x 1? Não, mas foi talvez através de uma simplicidade e de uma frieza grande, em que eu diria que o Porto foi pragmático nas oportunidades que teve e soube aproveitá-las.

E o sinal menos, há algum que queiras atribuir nesta partida?

A entrada em falso do foco do Porto. Quando dás a oportunidade de uma equipa como o Glasgow Rangers se colocar em vantagem, depois pode sofrer. Por acaso foi o Glasgow Rangers, mas se fosse uma outra equipa com outra dimensão, talvez o Porto sentisse muito mais dificuldades em ganhar.

Muito bem, está feito este relatório de jogo com o Augusto Inácio, comentador de desporto na Rádio Observador, neste Porto-Rangers. Vitória da equipa de Farioli por 3 x 1 e carimbada a passagem direta aos oitavos de final da Liga Europa. Augusto, obrigado. Grande abraço.

Um abraço.