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Uma crise em cima de outra crise. É assim que Helena Vuolo, vice-representante da Organização Mundial da Saúde em Myanmar, descreve a atual situação no país. Antes do sismo, de acordo com dados da ONU, um terço da população já precisava de ajuda humanitária. Agora, depois do abalo, a situação piorou, com mais de 80% dos hospitais danificados ou destruídos.

Este sismo surge num período muito difícil do ano, porque estamos a aproximar-nos do pico do calor. No ano passado, tivemos um surto de cólera e isto aconteceu numa situação dita normal, em condições normais, onde podemos dizer que os hospitais estavam a funcionar, embora funcionassem abaixo do que seria desejável por causa da falta de recursos. Portanto, agora a situação piorou ainda mais e já estamos muito limitados em termos de fundos.

Esta quinta-feira chegou ao Myanmar o primeiro carregamento da OMS com material médico. Mesmo assim, teme-se que a ajuda não seja suficiente. Catarina Camarinhas, responsável pela UN-Habitat, um programa das Nações Unidas para a área da habitação e do urbanismo, explica quais são agora as principais prioridades.

Sobretudo a alimentação, o apoio à habitação temporária, a água. Numa fase seguinte, eu penso que as pessoas vão necessitar de apoio para a reconstrução das suas casas.

Estas organizações operam no terreno em cooperação com outras instituições e comunidades locais. No entanto, desde janeiro, com a entrada de Donald Trump na Casa Branca, o financiamento para alguns destes organismos das Nações Unidas tem sido reduzido