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O desejo de chegar a Portugal era grande, nem sempre pelo medo da situação presente em Israel, mas pela insegurança do que vão ser as próximas semanas.
Aquilo é uma vida muito particular. Eles convivem com o conflito. Não desta dimensão, mas mesmo desta dimensão convivem.
António Cruz foi um dos portugueses que regressou esta manhã, mas com o desejo de voltar a Israel quando a situação ficar mais calma. Ainda assim, descreve um ambiente difícil no país.
O ambiente é de guerra aberta e não parece predominar o interesse pela paz.
No grupo de 152 portugueses que chegaram a Figo Maduro, estavam Michael e Ana Rita, um casal que está à espera de uma bebê que vai nascer nos próximos dois meses. E apesar de terem a vida perfeitamente orientada em Israel, a filha obrigou este regresso.
Confesso que não foi imediata, porque temos a nossa vida, o nosso trabalho em Israel, mas sem dúvida que estarmos no fim da gravidez acabou por tornar quase imperativo.
O casal descreve ainda o momento em que perceberam que estourou um conflito em Israel.
Tentámos reagir com a maior normalidade possível. Nós vivendo em Israel, já sabemos como é que são estes alarmes, sabemos como agir. Portanto, foi tentar agir com a maior normalidade possível. Cada vez que ouvíamos uma sirene, abrigávamo-nos.
As pessoas lá estão muito tranquilas sobre a situação.
À espera do casal estava Manuel, o pai de Ana Rita, o futuro avô, que descreve uma mistura de sentimentos entre a ansiedade por ver a família, mas também alguma tranquilidade por estar em permanente contacto.
O ambiente de segurança é muito controlado no local onde eles se encontram, com muitos internacionais também. Tenho vivido com aquela ansiedade que qualquer pai tem, mas sempre com alguma tranquilidade.
Agora em Portugal, em segurança, o casal mantém igualmente a ambição de regressar a Israel quando acalmar o barulho dos tiros.