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Fita cinco, lado A.

"Unità Crediti".

Estes foram sons que Pedro Augusto encontrou nas ruas do Porto durante 15 anos.

Gravações caseiras, coisas que as pessoas usam por algum motivo, uma gravação de um atendedor de chamadas, uma conversa qualquer, um jogo de crianças. Mas depois também há muita música, há inclusive software. O software nos anos 80 era gravado também em fitas, em cassetes. Portanto, há esse tipo de categorias diferentes de material.

O material corresponde a mais de 15 horas de áudio recuperado em pedaços de fitas de cassetes recolhidas na rua entre 2004 e 2019. O resultado pode ser visto e ouvido na exposição "Found Tapes", no Gabinete do Tempo da Casa do Infante.

Eu, por esta altura, 2004, estava a fazer várias coleções, acumulava várias coisas e guardava. E comecei a perceber qual é que me daria mais resultados a longo prazo, ou qual é que poderia crescer de uma maneira mais interessante. E esta coleção, que começou em 2004 com fitas que eu ia encontrando na rua, chegou agora aqui com uma dimensão de arquivo e foi trabalhada nesse sentido.

Há sons, fotografias e pedaços de fita magnética que foram encontrados e restaurados com o apoio do Criatório. Dentro do Gabinete do Tempo, a viagem divide-se em cinco episódios marcantes. A recolha é para continuar.

Passou a ser propositada à medida que essa coleção foi crescendo e se tornou um arquivo. Passou a ser propositada no sentido em que se eu visse, recolhia sempre. Sempre. Não iria deixar passar uma. Mas nunca efetivamente à procura, sair à rua à procura. Não, sair num processo biográfico da vida, tu tens que ir ali e passas ali, por acaso encontras uma, mas não ativamente à procura.

O trabalho de Pedro Augusto é uma das exposições temporárias do Museu da Cidade, com direção artística de Nuno Faria.

O Museu da Cidade é muito questionador da noção de história, das noções mais reificadas de história. E, neste caso, este projeto tem algo que a mim me interessa particularmente, que é: estas coisas estão nas margens da história. São detritos, depois são coisas aéreas, coisas que ganham este lado aéreo. São quase mágicas, são quase propiciatórias, porque estão no limite de existirem fisicamente, mas têm uma materialidade e têm uma sonoridade.

Noutro local, no gabinete de desenho instalado na Casa Guerra Junqueiro, há máquinas, esculturas e os papagaios de papel de António Veiga Leitão. Esta é outra das exposições do Museu da Cidade, que abriu em fevereiro do ano passado e conta com 17 extensões ao longo do Porto.