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O presidente da Guiné-Bissau avançou com uma queixa-crime na justiça portuguesa contra Ana Gomes por difamação. Em causa estão declarações feitas na Sic Notícias, em que a Ana acusava Cissokò Embaló de ligações a tráfico de droga e grupos terroristas. Ana, começava por lhe perguntar como é que reage a este processo.
Com curiosidade. Já fiz chegar ao tribunal os elementos em que baseei as minhas afirmações, que estão na base da queixa-crime do presidente da Guiné-Bissau, e afirmações que mantenho referindo as suas ligações ao terrorismo e ao tráfico de droga. Ele próprio se vangloria de ter sido muito próximo de Kadhafi e se vangloria de ter sido representante da Libyan Investment Authority. Kadhafi era um terrorista, não só para o povo líbio, mas era um terrorista internacional. Lembro-me bem de ter trabalhado nos casos Lockerbie e UTA, o avião da UTA. Quanto ao tráfico de droga, infelizmente a Guiné-Bissau está há muitos anos envolvida numa teia sinistra que empobrece o seu povo e que enriquece os traficantes de droga, muitos deles no poder e, em particular, muitos militares. Cissokò Embaló é uma das pessoas que é referenciada como tendo ligações e neste momento estando a proteger notórios traficantes de droga no seu próprio país. Além de se ter autoproclamado, violando a Constituição, não deixando o processo contencioso relacionado com as eleições chegar ao seu fim normal e estar a atacar jornalistas, a mandar atacar e agredir jornalistas. Infelizmente, o povo da Guiné-Bissau não viu a sua vida melhorar e há muitos anos que ela tem andado bastante triste.
Ana, disse há pouco que tinha informação e provas que onde encontrou as declarações que fez. Que tipo de informação é essa e se vai ser remetida ao tribunal?
Já foi remetida ao tribunal e é uma informação que, se quiser vá ao meu site, encontra a argumentação substantiva. Não é aquilo que eu submeti tal e qual ao tribunal, mas é basicamente a substância dos elementos que eu submeti ao tribunal.
Aproveito a ocasião para perguntar: em consequência da visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Guiné-Bissau, como é que vê esta visita, depois de ter referido nesta mesma entrevista que o presidente que lá está não é constitucionalmente eleito?
Eu separo integralmente deste caso concreto em que estou envolvida, porque achei-o do presidente da Guiné-Bissau, a percepção que faço sobre a visita do presidente Marcelo Rebelo de Sousa à Guiné-Bissau. Não vejo o que o senhor presidente lá foi fazer, porque infelizmente não me parece que se justifique ir respaldar um regime de um homem que não trouxe nenhum progresso à Guiné-Bissau, pelo contrário, e que subiu ao poder nas circunstâncias que já referi. Portanto, sem violação da Constituição, sem deixar o processo de certificação dos resultados eleitorais chegar ao seu fim, como está previsto na Constituição, e que tem sido responsável pelo agravamento das condições de direitos humanos no país, que incluem agressões a jornalistas e o albergar de notórios traficantes de droga.
Ana, voltava um pouco atrás. Se tem provas das afirmações que fez, perguntava-lhe se já fez alguma queixa a algum órgão internacional.
Não, limitei-me a submeter ao tribunal, para minha defesa, os elementos que são públicos, são basicamente obtidos em fonte aberta na entrevista. Exemplo, costumo lembrar uma entrevista do senhor Umaro Sissoco Embaló à Journal Afrique, a dizer justamente que tinha sido muito próximo de Kadhafi, que tinha sido nomeado por ele representante da Libyan Investment Authority. E quanto ao tráfico de droga, infelizmente, ainda recentemente, a última ministra da Justiça da Guiné-Bissau que foi forçada a refugiar-se politicamente no nosso país, fez declarações à televisão portuguesa a assinalar como o seu país mais perto estava de uma situação desastrosa no que toca ao acolhimento das redes de traficantes. Como sabe, um anterior militar, chefe de Estado-Maior, alto militar guineense, foi preso pelas autoridades americanas, Bouba Na Tchuto, aqui há uns anos. Portanto, infelizmente há demasiados factos a demonstrar aquilo que eu digo.