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António Seraiva, gostava de lhe perguntar, em primeiro lugar, o que podemos esperar desta campanha de recolha de alimentos e de produtos de higiene da Cruz Vermelha Portuguesa. Quais são as expectativas ou os objetivos para esta campanha?

A expectativa é que ela, à semelhança das anteriores, seja bem conseguida. Esta campanha tem o nome de campanha Vale Mais. Nós, em 2023, tivemos um aumento de pedidos de ajuda na ordem dos 73%. Já no ano de 22, comparativamente com o ano de 21, tinham duplicado os pedidos de ajuda. Isto representa dizer que as camadas de população mais desfavorecidas continuam a sentir enormes dificuldades acrescidas, primeiro por questões da pandemia e tudo o que ela teve de efeitos. Agora, com a pandemia, que se mantém nalgumas áreas, temos os efeitos que a guerra e toda esta tensão geopolítica nos causa, ou a inflação, o aumento das taxas de juro. Isto leva a que as camadas populacionais mais desfavorecidas reforcem a necessidade de ajuda e, por isso, este crescimento que temos verificado. Superámos, em 2023, 50 mil famílias a beneficiar deste apoio social nas diversas valências que a Cruz Vermelha presta. Os vales, este fim de semana, estamos em 340 lojas de grandes superfícies de todo o país, uma vez que temos 159 delegações espalhadas por todo o país, e visa a atribuição de vales monetários ou alimentares, que se traduzem em bens alimentares, azeite, massas, esparguete, os bens alimentares mais necessários naquilo que é o cabaz de cada uma destas famílias, e o vale, mais do que até os bens alimentares recolhidos, porque isto também permite às famílias serem elas, através do vale, a escolherem, a comprarem aquilo que mais necessitam na geometria variável da necessidade que estas camadas desfavorecidas verificam.

António Seraiva, gostava de lhe perguntar onde é que os portugueses podem esperar também estas equipas da Cruz Vermelha, onde é que vão estar para realizar esta campanha?

Em várias lojas, em 340 lojas que eu disse por todo o país, no Corte Inglês, no Eckler, no Lidl, no Pingo Doce, no Continente, Continente Modelo, Continente Bom Dia, enfim, em todas estas lojas da cadeia de distribuição, podem encontrar nestas 340 lojas destas insígnias, podem encontrar neste fim de semana. Aliás, a campanha decorre de 7 a 17 de março e por isso este fim de semana, 9 e 10, os voluntários da Cruz Vermelha estarão presentes nestas várias lojas para a recolha dos bens alimentares e produtos de higiene, para que depois possamos, como temos feito noutras campanhas, distribuí-los através das nossas 159 estruturas locais para as camadas que estão bem identificadas, porque o trabalho de proximidade que estas 159 estruturas das delegações da Cruz Vermelha têm, permite um conhecimento de proximidade com estas camadas mais desfavorecidas e daí podermos direcionar a cada uma delas, porque é isso que se pretende, é acudirmos àqueles que mais necessitam.

António Seraiva, gostava de lhe perguntar também se tem notado ao longo do tempo e numa altura também frágil para as famílias, com uma grande inflação, se tem notado também uma maior necessidade das famílias portuguesas de receber apoio, quer da Cruz Vermelha, obviamente aqui incidindo na Cruz Vermelha, se tem notado que tem aumentado a fragilidade nas famílias portuguesas.

Estamos vindo a sentir quer um aumento, quer a tipologia dos pedidos de ajuda. Se até há cerca de dois anos eram camadas mais desfavorecidas, agora vimos sentindo, nestes dois últimos anos, que até a considerada classe média, alguma zona da classe média, vem solicitando essa mesma ajuda. Isto porque a inflação tem aumentado o custo de bens essenciais e a taxa de juro na renda de casa, naquilo que é o pagamento da renda de casa à banca, tem vindo também a aumentar e por isso a dificultar muito a vida daqueles que estando na linha d'água, agora acabaram por se ver afundados na sua possibilidade. E sim, são as camadas mais desfavorecidas e alguma banda, diria assim, também da chamada classe média, que está a vir à Cruz Vermelha e às outras estruturas, IPSS, Caritas, Misericórdias, Santa Casa. Nós falamos por nós, mas sei que igualmente as outras entidades verificam esse aumento de pedidos e por isso nós, na Cruz Vermelha, duplicamos o pedido de ajudas de 2022 comparativamente a 21, que agora em 23 aumentaram 73% esses mesmos pedidos de ajuda e por isso esta missão de podermos ajudar nas várias valências que a Cruz Vermelha presta, porque como saberá, não é apenas no fornecimento de refeições, os sem-abrigo, os refugiados, a renda de casa, o pagamento de faturas de água e de luz, a violência doméstica, os lares, os creches, os infantários. Enfim, há aqui todo um apoio social que a Cruz Vermelha presta e numa das nossas valências, mais do que noutras, vimos sentindo crescentes dificuldades, porque mesmo o pagamento dos lares, sentimos que as famílias têm crescentes dificuldades para continuar a honrar o compromisso do seu idoso nestes lares, nas chamadas estruturas residenciais para idosos, quer na necessidade que nos fazem chegar de pagamentos, de recolha de alimentos, os sem-abrigo. Há aqui duas tipologias que temos vindo a sentir um aumento muito grande, é os sem-abrigo e a violência doméstica, mas também tudo o resto, como lhe disse, a ajuda no pagamento da renda da casa, das faturas de luz e de água, e por isso temos vindo a acordar com as empresas campanhas também de solidariedade nesse sentido, para que, nomeadamente os prestadores de serviços desse serviço de eletricidade, de água, para não terem que entrar em litígio com os clientes, possamos ter aqui metodologias de ajuda, o que temos também vindo a encontrar com esses prestadores de serviço.