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Temos que procurar garantir a estabilidade neles e aquilo que são falhas, quaisquer que elas sejam numa organização e em particular naquilo que são sistemas de dependências externas, uma organização tem que estar preparada para continuar a operar. E dentro daquilo que são boas práticas de resiliência digital, porque como referiu, hoje em dia as organizações estão 90 e tal por cento dependentes da sua operacionalidade, de sistemas tecnológicos ou digitais. Aquilo que tem que se preparar é ter aquilo que são planos de contingência efetivos, que têm que ser treinados, que têm que ser efetivamente testados, validados, melhorados. E por isso é que eu estava a referir que acima de tudo, aquilo que são as boas práticas para mitigar este tipo de riscos, porque estamos sempre a falar de três grandes tipos de riscos: riscos humanos, no limite, riscos financeiros e obviamente riscos de reputação. Obviamente, este foi um evento com escala nacional, para não dizer internacional, e qualquer empresa, desde uma pequena a uma grande empresa, tem que estar preparada para, no limite, conforme vi em alguns minimercados, ter pagamentos manuais.

E quando falamos de planos de contingência, ou seja, passar pro analógico, ter um sistema paralelo, é isso?

No limite, é ter um sistema manual. Esse é o worst case scenario, mas acima de tudo, as organizações têm que pensar que têm que estar preparadas para não parar. Não parar não quer dizer que seja continuar de forma eficiente, mas acima de tudo é garantir que as suas operações se mantenham eficazes, embora com algumas limitações, mas para todos os efeitos, a máquina não para. E obviamente, os ambientes e as tecnologias ajudam em muitas situações. Temos que ter redundâncias preparadas, quer digitais, quer até procedimentos manuais, obviamente.

Rui, esta é talvez a pergunta do milhão de euros, mas como é que numa sociedade, como dizíamos há pouco, tão dependente do digital, podemos estar preparados com esta vulnerabilidade? Como é que podemos reagir a situações-limite como a que vivemos ontem?

Perante situações-limite, regras de limite. E por isso é que eu estava a comentar que no final do dia, as pessoas e as organizações têm que estar preparadas para saber o que é que em cada momento têm que fazer no pior dos cenários. Obviamente, não conseguiremos certamente pensar em todos os cenários, isso também é uma realidade. Estas situações, às vezes, e felizmente, em Portugal, daquilo que eu conheço, não houve uma situação dramática ou que se considere que tenha sido dramática no final do dia, mas essas situações ajudam-nos, obviamente, a melhorar. Do ponto de vista prático, aquilo que uma organização tem que fazer é colocar todos os cenários em cima da mesa. Obviamente, no final do dia, eu, enquanto líder de uma organização, tenho que assumir ou não determinados riscos e se os assumir, tenho que sofrer as consequências quando elas acontecerem. Mesmo numa sociedade cada vez mais digital, temos que perceber que existe um mundo analógico, um mundo físico real lá fora que tem que garantir a nossa operação, obviamente.

Rui, numa última nota, nós vimos que, por exemplo, várias plataformas de organismos do governo estão embaixo. É o caso, por exemplo, do sistema de apoios à renda Porta 65, o Portal das Finanças, até a própria plataforma dos serviços de informação está embaixo. Isto é uma coisa relativamente transversal. Os nossos serviços públicos estão preparados para fazer uma transição rápida? Ou seja, se esta situação se prolongasse por mais alguns dias, os nossos serviços teriam essa capacidade de se adaptar e poder funcionar ou estão já demasiado dependentes de um regime digital?

É uma pergunta desafiante de responder, obviamente. Eu direi que felizmente foi uma situação que demorou menos de um dia e, portanto, direi que aí, obviamente, as equipas de algumas das infraestruturas críticas, nomeadamente as elétricas e as de comunicações, certamente também, estiveram de parabéns dentro da calamidade que foi. Os serviços públicos, alguns provavelmente estarão, outros não estarão, mas direi que agora aquilo que são as novas diretivas da própria União Europeia, que Portugal precisa de cumprir, que debate e que foca precisamente este tema da resiliência digital, que é o DORA e a NIS2, são diretivas que focam e que obrigam também os serviços públicos e prestadores de serviços a serviços públicos de cumprirem e de mitigarem estes riscos, naturalmente. Agora, o setor público, tal como as organizações, anda a várias velocidades e há casos positivos, há casos menos positivos e tem que se trabalhar em todos eles, na realidade.