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Junta-se agora a nós, em direto, o candidato à Câmara de Lisboa, João Ferreira, também atual vereador da CDU. Bem-vindo também a João Ferreira à Rádio Observador. Esta manhã estamos a falar com alguns dos candidatos às eleições autárquicas. João Ferreira, começava por lhe perguntar como é que viu a resposta que foi dada ontem pelas autoridades e também pela Câmara de Lisboa ao acidente e à resposta imediata que houve logo na sequência do que aconteceu.

Muito bom dia. Bom dia a todos aqueles que nos ouvem. O acidente ocorreu no momento em que estava a decorrer uma reunião de Câmara Municipal. A partir do momento em que houve conhecimento do acidente, a reunião foi de imediato suspensa e vários vereadores, alguns com responsabilidade direta no sistema de proteção civil da cidade, deslocaram-se para o local. Eu próprio me desloquei ao local e aquilo que foi visível foi que a mobilização de meios para acorrer a esta tragédia foi muito ampla e rápida. Nós rapidamente tivemos no terreno um dispositivo integrando trabalhadores municipais, o Regimento de Sapadores Bombeiros, a Polícia Municipal, elementos da Proteção Civil, vários trabalhadores do INEM e numerosas viaturas, quer do Regimento de Sapadores Bombeiros, quer do INEM, com os meios apropriados e, portanto, desse ponto de vista, eu creio poder dizer que houve uma resposta na dimensão que se justificava e em tempo útil muito reduzido. Portanto, há aqui uma palavra de valorização do trabalho de toda essa gente também, todos esses profissionais que se empenharam em operações de socorro e de salvamento, aliás, isso todos pudemos ver. Também a própria comunicação social se deslocou muito rapidamente para o local e, como podemos ver, as operações foram extremamente complexas.

João Ferreira, mas logo depois do acidente, foram ouvidos responsáveis sindicais ligados a este setor que apontaram problemas na manutenção dos ascensor, não só deste, mas dos outros ascensores da Carris. João Ferreira, enquanto vereador, teve conhecimento ao longo deste tempo desses problemas que foram sinalizados e foram apontados alguns problemas com manutenção que está a cargo de uma empresa subcontratada.

Sim, vamos ver. Aí estamos a falar de outra coisa. Começamos a falar da resposta à tragédia.

Sim, precisamente. Estamos a falar agora das causas.

Estamos a falar do apuramento das causas. Que é um processo, devo dizê-lo, que deve começar de imediato. Aliás, podia ter começado ontem, a fazer fé na notícia do jornal Público, o gabinete de investigação deste tipo de acidentes com ferroviários e com aeronaves, só por falta de meios, aliás, coisa que têm vindo a sinalizar também desde há algum tempo, não foi ainda ontem para o terreno.

Só há um inspetor neste momento.

Pronto, é uma situação que é demonstrativa do estado de empobrecimento de inúmeras estruturas da administração pública e dá a quem ache que nós temos é que mandar mais gente, funcionários públicos para a rua. Mas é sintomático do que é a escassez de recursos que há vários níveis a administração central do Estado e, em particular, em níveis sensíveis tem para intervir, cumprindo com aquilo que são as suas missões. Dizia, é importante que esta investigação comece o mais rapidamente possível. Sobre aquilo que é do conhecimento público neste momento. Sim, houve alertas de trabalhadores da empresa da Carris com preocupações que vieram a público sobre o estado de conservação dos elevadores. Nós tivemos em 2018, teve pouca repercussão porque felizmente as consequências foram muito distantes das do acidente de ontem, mas houve um descarrilamento no elevador da Glória.

Sim, foi noticiado na altura e na altura a Câmara também não deu resposta a algumas questões da comunicação social.

Sim, é verdade, mas do que foi possível apurar, na altura, o problema terá tido a ver com o desgaste dos rodados. Os rodados do elevador têm uma pequena saliência que faz o contato com o carril. Essa pequena saliência tem que ser mantida sempre em condições de fazer adequadamente esse contato com o carril. O que parece é que houve um desgaste anormal na altura, associado a uma manutenção deficiente, que não terá ocorrido com a regularidade que era suposto ocorrer, e portanto, aconteceu esse acidente. Há um histórico já no período de externalização das atividades de manutenção, há esse histórico que não deve deixar de ser tido em conta também. Há também as preocupações que ao longo do tempo, e particularmente ontem, já depois do acidente, que os trabalhadores e organizações representativas dos trabalhadores da Carris vieram manifestar. É sabido que os trabalhadores sempre foram muito críticos. Aliás, a CDU tem tido também essa posição de processos de externalização que, regra geral, se traduzem num desinvestimento na capacidade própria dos serviços de assegurarem funções, nalguns casos, que desde sempre asseguraram. Os trabalhadores fizeram questão de vir dizer que enquanto houve oficinas Com capacidade de intervenção nestas áreas na Carris. Este foi um trabalho de manutenção que sempre foi feito na empresa, em que o saber fazer passou de geração em geração de trabalhadores. A partir do momento em que há uma opção pelo desmantelamento de oficinas, de capacidade interna, de saber fazer interno e que há uma externalização a empresas, começam a aparecer preocupações.

E essas preocupações são manifestadas, nomeadamente em reuniões de câmara, João Ferreira?

Estas preocupações são fundamentalmente manifestadas no contato que é tido diretamente com os trabalhadores e com as suas organizações representativas. Agora, elas devem ser tidas em conta neste momento. Não é possível, neste momento, fazer qualquer ligação entre esta circunstância e as causas do acidente. Esse trabalho há de começar hoje, de apuramento das causas e das responsabilidades pelo acidente. Qualquer ligação que se possa fazer entre esta circunstância e essas causas será prematura. Em todo o caso, isto não pode deixar de ser tido em conta no apuramento que está a ser feito. E há um apuramento que está a ser feito, que é um apuramento técnico, e há um apuramento político que também tem que ser feito. Nós temos que perceber, designadamente do ponto de vista das condições de manutenção, qual era o ponto de situação. Vieram notícias a público de que o contrato de manutenção teria expirado. Já depois disso, e de fato ele expirou, há um contrato de manutenção que expirou no final do mês de agosto. Já depois disso, a administração da Carris veio informar que tinha sido feita uma adjudicação direta para salvaguardar que não deixava de haver manutenção. É importante perceber por que não foi lançado um novo concurso. Aparentemente, o que vem a público é que o concurso foi fechado sem adjudicação, porque todas as propostas que apareceram foram superiores ao preço base. O caderno de encargos que é lançado tem um conjunto de obrigações de manutenção, não apenas aquelas que foram mais detalhadamente referidas pela empresa, a intervenção geral de quatro em quatro anos, as intervenções intermédias de dois em dois anos, mas também, como consta mais resumidamente do comunicado da empresa, à manutenção anual, semestral, mensal e à manutenções diárias. Um dos aspectos que deve ser diariamente verificado são os cabos de tração. As notícias que vêm a público associando já o acidente a alguma causa, referem particularmente problemas com cabos. Aliás, os próprios trabalhadores, entre os problemas que sinalizaram, apontam também para alguma lassidão dos cabos que poderá ter efeito na eficácia dos sistemas de travagem. Nós precisamos perceber se os planos diários, claro que também os semanais, os mensais, mas se os planos diários em particular foram cumpridos. Foram cumpridos até ontem.

João Ferreira, muito obrigado por ter estado em direto conosco. João Ferreira, vereador da CDU na Câmara de Lisboa, também candidato à autarquia, que se juntou a nós aqui em direto num tema para o qual vamos continuar a olhar ao longo das próximas horas.