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Junta-se agora a nós Bruno Costa Carvalho, antigo candidato à presidência do Benfica. Boa noite.

Boa noite.

Como é que acolhe esta declaração de Rui Costa?

Acho, com muita franqueza, que foi num tom muito estranho, e até fiquei um bocado surpreendido com o tom das declarações, uma vez que parecia que Rui Costa tinha acabado de ser eleito presidente do Benfica, e isso não foi o que aconteceu de todo. Temos um presidente que suspendeu o mandato e eu acho que neste momento a situação é muito difícil. Existe que alguém assuma o Benfica neste momento e tem essa difícil tarefa que é Rui Costa, e acho muito bem que seja agora durante os próximos dois, três meses, Rui Costa a assumir isto para levar quer o empréstimo obrigacionista, quer a preparação da próxima época a bom porto. Mas a partir daí tem que preparar novas eleições. É preciso legitimar os novos órgãos sociais. E Rui Costa fez ali um "somos vocês e mais não sei o quê, e é com grande orgulho que assumo esta pasta". E eu acho que ele não assumiu a pasta no momento em que não há grandes razões para ninguém se orgulhar de nada com o que está a acontecer à volta do Benfica, e ele não ganhou as eleições. É um discurso muito estranho e, por um lado, gostei da parte de ambição e de confiança a toda a gente. Eu entendo perfeitamente essa mensagem. Não entendo rigorosamente nada do tom em que essa mensagem foi proferida, porque, como lhe digo, o Rui Costa não ganhou as eleições. E mais, eu acho que toda esta direção do Benfica, perante o que se está aqui a passar e as suspeitas graves que existem sobre Vieira de, no fundo, ter lesado o Benfica e ter roubado dinheiro ao Benfica, o Vieira não poderá ter feito isso sozinho. Ninguém pode fazer isso num clube como o Benfica sozinho, portanto teve que ter a conivência de alguém dentro do Benfica, quem tem poder financeiro e quem tem poder dos jogadores, porque com os jogadores de futebol, e esses poderes são de Domingos Soares Oliveira, de Rui Costa. Portanto, tudo isto aqui me parece muito estranho e penso que ninguém está a ver bem o filme até o fim, porque as coisas não vão ficar assim. Isso parece-me absolutamente evidente.

E considera que Rui Costa é o homem ideal para assumir estas funções nesta altura para o Benfica?

Não há outro, neste momento, não há outro. A única pessoa que podia segurar o Benfica neste momento, era a mais indicada, era o Rui Costa. Contra isso nada. Mas conforme lhe digo, para mim, é preciso tirar este clima de suspeição dentro do Benfica, porque se Vieira tiver medidas de coação bastante sérias, se não tiver medidas de coação, ele só suspendeu o mandato e, portanto, Rui Costa vai ser presidente do Benfica durante um dia ou dois ou três, porque se o Vieira não tiver nenhuma medida de coação, imaginemos que isso acontecesse, ele só suspendeu o mandato, por isso o Rui Costa deixa logo de ser presidente do Benfica. Agora imaginemos o contrário, que há uma medida de coação bastante grave. É o que eu lhe digo, não é possível o Vieira ter feito nada de errado ao Benfica sem a ajuda de pessoas dentro do Benfica. Portanto, não percebo muito bem esta postura, não consigo entender. Rui Costa era a única pessoa possível, conforme lhe digo, porque para outra pessoa alternativa dentro da SAD, no clube, era o Rui Costa, como é evidente, que era o primeiro vice-presidente. Quanto à SAD, podia ser Domingos Soares de Oliveira, mas na verdade não podia, porque o Domingos Soares de Oliveira não é benfiquista, portanto o Benfica não podia ter como presidente da SAD um não benfiquista. Isso também era já o cúmulo dos cúmulos. Portanto, nós estamos todos numa situação bastante difícil, em que desejo que o Rui Costa entenda a missão em que está, que é no fundo preparar a próxima época, levar o Benfica a poder entrar bem na próxima época, e depois, quando acabar o defeso, demitir-se e preparar novas eleições. É isto que tem que ser feito.

Considera que esta direção tem ou não condições para continuar à frente do clube?

Eu acabei de responder isso. Tem até ao final, em pleno exercício de funções, que não pode fazer outra coisa até ao final de agosto, que é quando acaba o mercado e a preparação da próxima época, e a partir daí tem que apresentar a sua demissão e preparar calmamente as novas eleições, que já agora convém que sejam transparentes, limpas, cristalinas, sem votos eletrónicos, sem nada dessas coisas, de forma a que as coisas corram bem.

Há alguma coisa que Rui Costa não tenha abordado, que gostaria de ter visto esclarecido?

Não, acho que o Rui Costa deu confiança aos benfiquistas, que era o que ele teria que fazer neste momento. Não me parece que outra questão, nesta curta intervenção, só não percebi tanta alegria e o tom do discurso que parecia um discurso, obviamente, de quem eu entenderia perfeitamente alguém que tivesse acabado de ganhar as eleições do Benfica, o que sabemos todos que não é o caso e toda a gente sabe disso. Portanto, é uma situação extremamente difícil e o tom acho que foi mal aconselhado, até um pouquinho de mau gosto, que Rui Costa utilizou. Tenho pena que assim tenha sido.

Noronha Lopes acaba de dizer na TVI que ainda não decidiu avançar com uma candidatura. Qual é que é a sua posição?

Neste momento não há eleições previstas no Benfica ainda, portanto, não há nada que eu possa dizer neste momento. A única coisa que eu lhe posso dizer é que o Benfica vai muito para além do Luís Filipe Vieira e desta atual direção do Benfica. Portanto, entendo perfeitamente essas palavras de Noronha Lopes, mas acho que ninguém tem que se preocupar no Benfica porque nunca haverá vazios de poder. O que me preocupa mais é até tentar perceber neste momento se o empréstimo obrigacionista vai ou não ser feito, se vai ter sucesso, porque dá uma ideia que a situação financeira do Benfica não é assim tão boa como andaram a propagar durante bastante tempo. E os meus alarmes dispararam, e eu disse publicamente, quando houve esta reunião entre o presidente do Futebol Clube do Porto e o presidente do Benfica, que me pareceu algo meio fantasmagórico e fruto, evidentemente, na minha opinião, da necessidade absoluta financeira de ambos os clubes.