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O governo nomeou hoje Carlos Cabreiro para o cargo de Diretor Nacional da Polícia Judiciária por um período de três anos. Substitui assim Luís Neves, atual Ministro da Administração Interna. Nos últimos 10 anos, Carlos Cabreiro dirigiu a Unidade de Combate ao Cibercrime e foi nesta função que se destacou. Está conosco José Gonçalves, presidente da Associação Sindical dos Peritos Forenses da Polícia Judiciária. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e pedia-lhe uma reação a esta nomeação de Carlos Cabreiro para Diretor Nacional da Polícia Judiciária.

Obrigado, Miguel, obrigado à Rádio Observador pelo interesse em entrevistar e saber a opinião da Associação Sindical dos Peritos Forenses da Polícia Judiciária. Já aguardávamos há mês e meio pela nomeação do novo líder da Polícia Judiciária e ficamos agora a saber que é o Dr. Carlos Cabreiro. É um homem da investigação criminal. Entrou em 91 como agente, ou seja, é o que corresponde agora ao atual inspetor. Foi um homem do terreno, mas é um percurso curto, porque logo em 95 foi pra carreira que agora se chama de coordenador de investigação criminal. Mas logo em 98 ficou colocado em áreas ligadas ao cibercrime e à informática. A informática estava a dar os seus primeiros passos em 98 e logo aí ficou ligado a esta área. Foi um homem que sempre esteve ligado à parte de informática. E eu aqui ressalvo esta parte, porque a perícia informática hoje em dia tem imensa relevância. E é importante agora também um homem com esta experiência que tem da área de informática, na Direção Nacional, estamos expectantes que ele olhe para os peritos informáticos também com outro olho, não só para os peritos informáticos, mas como para todos os outros, claro. Mas estamos muito expectantes que ele olhe para todos os peritos e para os informáticos também de uma forma diferente. Nós queremos que muitas coisas se resolvam na nossa carreira, mas já lá iremos. É um homem do Norte, é um homem de Miranda do Douro. Isso também é bom, porque não terá uma visão centralista da Polícia Judiciária, centralista no que diz respeito à cidade de Lisboa, ou seja, é um homem que olhará pra PJ de norte a sul e ilhas. Portanto, nesse aspeto também acho que é positivo. Penso que seja positivo também. No que diz respeito ao sindicato, ele colaborou com uma conferência que nós demos sobre direito digital forense, e nós agradecemos a sua companhia, como também a sua intervenção. É um homem moderado, ponderado. Estamos expectantes que ele venha a resolver os graves problemas que a nossa carreira tem, que a carreira de perito forense tem. Aliás, nós nem temos uma carreira própria, estamos inseridos na carreira de especialista científica e que com o novo estatuto da PJ em 2020 ficou bastante desvalorizada. Portanto, temos aqui agora uma nova janela que se abre, eu diria uma grande janela que se abre pra que se consiga fazer alguma coisa pelo estatuto e agora com este novo diretor nacional, estamos de facto expectantes que ele venha a resolver os grandes problemas que a nossa carreira tem neste momento.

Então antecipa uma boa relação com este novo diretor nacional da Polícia Judiciária?

Sim, ele é uma pessoa muito ponderada e eu prefiro aquelas pessoas que não têm o coração nas mãos quando falam. Eu prefiro aquelas pessoas ponderadas que pensam antes de falar, porque estamos a falar da vida das pessoas, estamos a falar de famílias. E não só, como é sabido, a Polícia Judiciária nos últimos cinco anos tem aumentado enormemente os seus recursos humanos através de uma espécie de pacto que o anterior diretor estabeleceu com o anterior governo, de entrada de 1750 inspetores, 250 especialistas e 100 seguranças. Em 2026 entrarão, creio que serão os últimos deste pacto, mas também a vinda do pessoal do SEF, como é sabido.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, considera que Carlos Cabreiro é uma excelente escolha. E eu perguntava-lhe se concorda e acha que é o nome indicado. Aliás, o redator principal do Observador, Luís Rosa, também diz que Carlos Cabreiro já era um nome defendido dentro da Polícia Judiciária para ocupar o cargo. E também lhe perguntava isso, se é uma excelente escolha e se já sabia ou se já tinha esta expectativa de que ele poderia ser o escolhido.

Dentro do que nós achamos dele, já o exprimi agora. O doutor Carlos Cabreiro é do mesmo curso de formação do doutor Luís Neves, portanto, eles conhecem-se desde 95. Foi quando o doutor Luís Neves entrou na Polícia Judiciária. O Carlos Cabreiro é quatro anos mais antigo. É claro que eles têm uma relação muito próxima e eu acho perfeitamente natural que o doutor Luís Neves encare o doutor Carlos Cabreiro como uma boa hipótese, uma boa escolha, melhor dizendo, para Diretor Nacional da Polícia Judiciária.

E sobre já ser um nome que se podia ser antecipado para ocupar o cargo. Era algo que também já sabia que poderia acontecer ou tinha outro nome na expectativa de poder ocupar o cargo de Diretor da Polícia Judiciária?

Nós temos experiência nos últimos anos, nas últimas décadas, de escolher elementos dentro das forças policiais. Vimos acontecer isso na GNR e também na PSP, em que as escolhas já são internas. E agora este atual governo já assumiu isso, que a escolha devia ser interna. A PJ já tem bastantes quadros, e então a ministra e o primeiro-ministro também, o doutor Montenegro, disse que a escolha podia vir daí. É claro, dentro da casa da PJ há bastantes quadros e seria agora escolher o mais adequado. E a nós parece-nos que este é adequado