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Rui Cristina é o novo presidente da Câmara de Albufeira. Obrigado, desde já, pela disponibilidade para falar conosco, com a Rádio Observador, neste primeiro dia enquanto presidente. Ainda não tomou posse, ainda não sabemos quando isso acontecerá, mas eu começava por lhe perguntar: é um dos três primeiros autarcas eleitos pelo Chega, o que isso significa e o que vai trazer de diferente?
Antes de mais, quero agradecer o convite da Rádio Observador, cumprimentar também quem nos ouve. É uma grande responsabilidade. Sinto nos meus ombros um grande peso de responsabilidade por esta eleição. É realmente um marco histórico. Foi um dia histórico ontem, para Albufeira, quando tivemos à frente deste conselho o Partido Social-Democrata desde 2001 a governar as vidas deste grande conselho. Um conselho que, como nós sabemos, é um dos líderes do turismo nacional, um conselho com praias lindíssimas, com 25 bandeiras azuis, mas que nos últimos anos tem atraído um turismo não de grande qualidade, de um turismo com menor qualidade, e que nos cabe a nós, cabe agora ao Chega, conseguir criar condições para que Albufeira volte a ser a Albufeira dos anos 90, onde as famílias vinham para Albufeira e onde nós sabemos que realmente temos aqui um grande problema, que é o problema da habitação, é o problema do acesso aos cuidados de saúde e são os dois focos de insegurança, que é a Rua da Hora e a Baixa de Albufeira. E cabe-nos a nós, cabe-me a mim, como presidente eleito pelos albufeirenses, combater estas três necessidades. Para a habitação, teremos que reavaliar o PDM, terminar a reavaliação do PDM o quanto antes, que é o grande instrumento para se poder construir habitação neste conselho. Também sei que há várias bolsas de terreno, foi afirmado pelo atual presidente, José Carlos Rolo, onde nós queremos construir 500 habitações a custos controlados. E para isso, teremos que criar uma via verde dentro da Câmara Municipal de Albufeira, para que seja feita de uma maneira célere a construção dessa habitação, para que, como nós sabemos, a habitação tem muito a ver com a lei da oferta e da procura. Quanto mais habitação houver, mais os preços irão baixar. E nós temos que combater esta grande necessidade. E também sabemos que o licenciamento, para os jovens que procuram construir a primeira habitação, sabem que se deparam com muita burocracia e que os licenciamentos nesta Câmara ultrapassam largamente mais de 12 meses. Nós iremos criar condições, instrumentos jurídicos, para que esses licenciamentos sejam muito mais céleres e para que a lei seja cumprida, para que os albufeirenses, para os jovens que queiram construir a primeira habitação, não sejam empurrados para fora deste grande conselho e acabem por ir comprar habitação a Tunes, a Armação de Pêra. Ou seja, nós temos aqui um grande desafio relativamente à habitação. Também temos aqui um desafio muito grande relativamente ao acesso aos cuidados de saúde. Sabemos que há 18 mil albufeirenses sem médico de família. Isto é algo que a Câmara pode combater veementemente. Para isso, há outros exemplos no país. Como nós sabemos, há autarquias que fazem parcerias público-privadas entre a autarquia e o terceiro setor, neste caso uma IPSS, para que sejam dadas consultas a quem não tem médico de família. Se realmente conseguirmos concluir este meu compromisso, poderemos dar, num primeiro ano, acima das 13 mil consultas, ou seja, o que vai colmatar esta grande necessidade da falta de médicos de família neste conselho. Temos também um centro de saúde com várias valências, que é obsoleto, que tem se vindo a prometer que iria se construir um novo centro de saúde. Nós assumimos o compromisso que iremos construir centro de saúde com duas unidades de saúde familiar, com uma unidade de cuidados de saúde primários, com urgência de cuidados primários e uma unidade de cuidados continuados. Ou seja, vai depender de nós, mas também vai depender do governo. Mas também cabe ao presidente da Câmara, se realmente houver atrasos por parte do governo, exercer pressão política. E eu estarei cá para exercer pressão política, porque faz mais quem quer do que quem pode. E depois, relativamente à segurança, à insegurança que nós temos nos dois polos, que é a Rua da Hora e a Baixa de Albufeira, tudo começa com prevenção. Ou seja, nós temos uma Polícia Municipal com nove efetivos, temos que realmente colocar 30 ou 40 efetivos para fazerem a prevenção, para exercerem a lei, porque a lei tem que ser exercida, tem que ser cumprida e não tem sido nos últimos anos. Temos que criar condições também para a Guarda Nacional Republicana, porque há uma grande necessidade de atração, há falta de guardas nacionais republicanos em Albufeira, e cabe à Câmara criar aqui condições para atrair esses agentes de segurança e, para isso, temos que lhes dar habitação e outras condições. Também temos que criar aqui um centro, quero construir um centro de coordenação autárquica, como já há nos outros municípios, para nós termos integrados A Polícia Municipal, a GNR, os bombeiros, proteção civil e, claro, também queremos introduzir mais câmaras de vigilância, para que sejamos realmente um concelho seguro, porque é um concelho seguro, mas temos estes dois focos que se podem alastrar para o resto do concelho. E depois temos a parte da mobilidade. Temos um plano de mobilidade que foi aprovado em 2018, no valor de 50 milhões, em que era previsto várias variantes, era previsto ciclovias, era previsto estacionamentos, era previsto estações intermodais, de bicicletas, de estacionamento e de transportes públicos. Nunca foram executados e cabe-nos a nós exercer. Eu não tenho uma varinha de condão, mas claramente tenho aqui uma visão para este concelho, e é isso que nós queremos implementar neste concelho de Albufeira.
Não tem varinha de condão, mas sente responsabilidade em nome do partido, em nome do Chega, ou seja, o que o Rui Cristina aqui fizer, sente que tem os olhos do país postos neste concelho, para se perceber o que é que o Chega consegue fazer enquanto partido de poder?
Sim, entendo e tenho aqui uma grande responsabilidade relativamente a nós sermos uma câmara bastante importante e, claro, é uma câmara do Chega, e caber-nos a nós demonstrar que estamos preparados para a gestão autárquica. E estamos. E este será o grande exemplo para o país. Tudo aquilo que nós fizermos de bem neste grande concelho, será levado de exemplo para o resto do país e estaremos sob os holofotes, mas não tem qualquer problema. Nós sabemos, eu sei que estou preparado para liderar esta Câmara e cumprir os compromissos que assumi nesta campanha eleitoral.
E se o sucesso pode beneficiar André Ventura a nível nacional, acha que um eventual insucesso, que algum trabalho que não consiga ser cumprido aqui em Albufeira, pode também hipotecar as hipóteses do partido a nível nacional?
Acredite no que eu lhe digo. Assumi esta missão com grande compromisso: colocar os albufeirenses no centro das decisões. Aqui não haverá falhas, as coisas irão correr da melhor maneira. Pode ter a certeza que quando chegar ao fim do meu mandato, muitas destas promessas, destes compromissos eleitorais, estarão cumpridos. E por isso eu só vejo um caminho, é o caminho do sucesso.
Rui Cristina, a nossa conversa faz aqui uma pausa para quem nos ouve em FM. Para quem nos segue em podcast, vamos continuar. E como eu dizia, Rui Cristina, vamos continuar a nossa conversa. Eu perguntava-lhe como é que foi a noite de ontem. Imagino que tenha sido longa. Falou logo com André Ventura, só falou esta manhã, como é que foi?
Foi uma noite bastante emotiva. Estive sempre em contacto direto com o André Ventura. E realmente foi uma noite de alegria para o Algarve e para Albufeira. E eu assumi também logo com o André, desde o início, o compromisso de vir para este concelho para realmente fazer obra e para demonstrar que o partido está preparado para governar Câmaras Municipais.
E como é que começou hoje o dia? Foi um dia mais de descanso, aproveitando que ainda não tomou posse, ou de muito trabalho, já?
Olhe, deitei-me muito tarde, deitei-me praticamente às 04:00. Acordei às 07:30, com mais de 200 e tal telefonemas, 800 mensagens, algo inacreditável, mensagens de esperança, telefonemas também de incentivo para fazer a diferença. E é isso que me move, é esta proximidade aos munícipes, é a necessidade de querer fazer mais por quem durante muitos anos foi esquecido.
E andou pela rua hoje, ao longo do dia, tem sido abordado pelos munícipes?
Sim, tenho sido muito abordado. Também me apercebi que nesta campanha houve aqui um sentimento de medo por parte das pessoas. Hoje já não há medo nestas ruas, porque para mim não vai haver cidadãos de primeira nem de segunda. As pessoas têm a liberdade de fazer as suas opções. Se me apoiarem, eu aceitarei. Se não me apoiarem, também aceitarei. Vivemos numa democracia, mas senti sempre muito carinho e muita esperança no trabalho que nós poderemos vir a fazer, por quem, desde 2001, poderia ter sido colocado no centro das decisões e não foi.
Já falou com José Carlos Rolo?
O senhor presidente da Câmara, o atual presidente da Câmara, ligou-me logo na noite eleitoral a parabenizar-me da vitória. Eu agradeci-lhe. Sim.
E tem disponibilidade para trabalhar com ele ao longo destes próximos quatro anos? O Chega não conseguiu a maioria na Câmara Municipal. Há disponibilidade para trabalhar com o PSD, que tem também três vereadores, à semelhança do Chega, ou mesmo com o PS?
Foi algo que eu não pensei ainda. Há uma coisa que me move, são as pessoas. Eu quero é trabalhar para as pessoas. Se vai haver ou não coligação, é algo que eu não pensei. O que me move unicamente é assumir os compromissos que enunciei durante a campanha. Relativamente a coligações, é algo que neste momento não me passa pela cabeça. Vou começar a fazer uma análise macro, depois uma radiografia relativamente às maiores necessidades deste concelho e eu quero resolver os problemas das pessoas. É isso que me interessa neste momento.
Não lhe pergunto se vai haver acordos escritos, nem coligações. O que lhe perguntava é se há disponibilidade no futuro, se põe a hipótese de, por exemplo, oferecer pelouros aos vereadores do PSD.
É algo que ainda não pensei. Muito sinceramente, não equacionei. Primeiro tenho que tomar posse, ver realmente em que estado é que se encontra esta câmara municipal, pedir para que seja feita uma auditoria financeira, para saber realmente o que foi feito e olhar para a frente. Mas é algo que eu decidirei mais à frente, eu e minha equipa.
Falemos então dos problemas de Albufeira. Há pouco elencou aqui várias das prioridades que tem. A rua da Hora. Muitas das pessoas com quem falo, habitantes de Albufeira, pedem uma mão mais forte com a desordem, com o que se tem passado a nível do turismo noturno. O que é que vai trazer de diferente?
Vou trazer de diferente é que a lei do ruído é para cumprir. Se existe lei, tem que ser cumprida. Como eu disse durante a campanha, vou sentar todos os players, vou sentar os comerciantes à mesma mesa, ou seja, os empresários da noite, e nós vamos ter que achar uma solução para isto, porque todos têm que ser beneficiados. Não podemos descurar as necessidades de uns em detrimento dos outros. E a lei é para cumprir, vai haver uma requalificação urbana, isso é um compromisso que eu assumi, mas para que isso aconteça, também tem que ser dado, pela parte dos empresários, algo em troca. Isso é algo que nós iremos sentar e iremos falar, porque isto tem que ser resolvido. Não podemos continuar a empurrar com a barriga este problema, que acaba por atingir uma grande parte desta cidade.
Já falou aqui nos problemas da habitação, da saúde, também da mobilidade. Muitas das pessoas que votaram em si, esperam também que implemente políticas diferentes em relação à migração ou à imigração. Como é que vai responder a esses apelos?
Que fique aqui bem claro: o partido Chega não é contra a imigração. Nós queremos é uma imigração controlada, regulada. Nós queremos é saber que quem entra neste país, vem para trabalhar. Queremos saber qual é o seu cadastro. Não queremos cá criminosos, queremos pessoas de bem, como os portugueses também emigraram nos anos 60, nos anos 70, nos anos 50, para fora de Portugal. Nós íamos para fora do país para trabalhar. É o que nós queremos aqui. Nós sabemos que há falta de mão de obra, aqui na hotelaria, na restauração, e sabemos que alguma dessa mão de obra é necessária. Agora, queremos é que venham para trabalhar e que respeitem rigorosamente a nossa cultura, da mesma maneira que os portugueses respeitaram quando foram além-fronteiras.
Eu não pude deixar de notar, nos cartazes que tem afixado nas ruas, que há uma diferença substancial ou, no mínimo, significativa em relação a cartazes que há noutros concelhos. Dando um exemplo, na Amadora lê-se: "Vamos limpar a Amadora". Aqui ao lado, em Faro, lê-se: "Vamos fazer de Faro grande outra vez". Aqui em Albufeira, os cartazes dizem: "Vamos mudar Albufeira, vamos resolver os problemas da habitação", etc. Essa diferença foi propositada? É uma diferença que o Rui Cristina tem em relação aos restantes membros do partido?
Como você sabe, todos os candidatos são pessoas diferentes. Eu tenho a minha maneira de pensar, de fazer política, os outros candidatos têm a maneira deles. E eu personalizei esta candidatura mais com o meu pensamento, com a minha visão relativamente a este concelho. É unicamente devido a isso. Cada um fez a sua análise do seu concelho a que era candidato. Eu, conhecendo bem o Conselho de Albufeira como conheço, já cá tinha vivido. Vivi cá um ano e meio, se não estou em erro. Sabendo quais eram as necessidades, eu adaptei a minha campanha verdadeiras necessidades das pessoas. Não estou a fazer qualquer crítica aos meus colegas, apenas a dizer que cada um personalizou a sua campanha. Eu personalizei desta maneira, da maneira que eu achava que era a mais correta.
E o Rui Cristina acabou por vencer. Não foi o caso na maioria dos concelhos do país. Acha que essa diferença pode ter feito diferença e possa à repetição?
Não sei. É uma pergunta que eu não sei responder. Ainda não pensei sobre o assunto, não refleti. Sei que me dediquei muito a esta campanha. Dei tudo. Foram dias intensos, dias de proximidade, falando com as pessoas, ouvindo as carências. Isso é que eu sei. Dei tudo de mim a esta campanha.
Uma última pergunta sobre o Algarve. O Chega vinha mostrando uma grande dominância aqui nesta região, que é por pouco não passar a 100% para estas eleições autárquicas. Ganhou, é verdade, em Albufeira, mas noutros concelhos não conseguiu vencer. O que é que foi diferente entre Albufeira e esses outros concelhos?
Cada concelho tem a sua especificidade e nós não podemos esquecer que uma coisa é legislativas, onde nós temos o líder André Ventura, que é o maior líder político neste momento em exercício de poder. Disso não haja dúvidas. E o poder autárquico é diferente. Tem a ver com quem é candidato, tem a ver com as carências do Conselho, tem a ver com a estratégia que foi adotada em cada campanha, e é muito devido a isso. As equipas que foram formadas também para se candidatar, isto não tem a ver só com o cabeça de lista à Câmara. Eu aqui em Albufeira acabei por conseguir montar equipas que eu acho que eram representativas da sociedade e com provas dadas. Se isso foi a diferença, não lhe sei dizer, mas que nós tentamos fazer o nosso melhor e que nós fizemos, com os pés bem assentes no chão, fizemos. Relativamente aos outros concelhos, não sei, não estudei essas suas especificidades. Agora, há uma coisa que eu lhe sei dizer: é que este Algarve tem sido esquecido E continua a ser esquecido. É um Algarve que dá cerca de 5% do PIB nacional e depois no Orçamento de Estado recebe abaixo de 1%. Este é o Algarve, onde o senhor primeiro-ministro veio à Festa do Pontal prometer tudo, onde prometeu o Hospital Central do Algarve e onde nesta proposta de Orçamento de Estado, me entristece que, mais uma vez, não vem nada referenciado relativamente ao novo Hospital Central do Algarve. É isto que me entristece. E cabe-nos a nós, autarcas, eleitos pelo Algarve, bater o pé e insurgir-nos contra estes senhores que estão lá em Lisboa, que se esquecem de nós aqui como região.
E vai trabalhar com esses outros autarcas da região do Algarve?
Se for em prol dos algarvios e de interesse de todos nós, trabalharei.
E agora sim, uma última pergunta só sobre o cenário que sai destas eleições a nível nacional. Ontem ouvimos André Ventura dizer que foi uma noite boa, apesar de ter ficado aquém em algumas regiões, aquém dos objetivos que tinham sido traçados pelo partido. Acha que os militantes também leram a noite dessa maneira ou têm espaço para ficar um pouco desiludidos, tendo em conta as expectativas que foram sendo criadas?
O caminho faz-se caminhando. Este é um partido bastante novo, um partido de 2019. É um partido que passou de um deputado, passou para 10, passou para 50, passou para 60. Nós estamos a dar os passos certos. E relativamente aqui às autárquicas, nós passamos a ter mais de uma centena de vereadores. Não sei bem o número exato. Na minha perspetiva, acho que o resultado é bom. Se podia ter sido melhor? Podia, mas vamos continuar a trabalhar e nós vamos crescer. Como é que vamos crescer? Com a liderança do André Ventura e com o bom trabalho que nós vamos fazer nas autarquias, representando o Chega.
Mas entende se os militantes se sentirem desiludidos com esse resultado de ontem?
Não lhe sei dizer. Ainda não falei com militantes do Chega, ainda estou aqui nesta bolha que se chama Albufeira, que será realmente a minha missão nos próximos anos.
Rui Cristina, muito obrigado por ter estado com a Rádio Observador.
Muito obrigado pela atenção.