Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estou sim, boa tarde. Professor Luís Arnaut?
O próprio, sim.
Queria saber se então teria disponibilidade para lhe fazer aqui umas questões.
Sim.
Queria no fundo perceber como é que esta molécula funciona, ou seja, de que modo é que é inovadora.
Sim, nós no departamento de química da Universidade de Coimbra trabalhamos há muitos anos numa terapia para o tratamento do cancro, que se chama terapia fotodinâmica. E o que nós fazemos é ter uma molécula que absorve luz, quando ela absorve luz fica ativada e uma vez ativada, consegue destruir no local da ativação as células cancerígenas. Um dos problemas que se identifica com este tipo de moléculas é que frequentemente elas têm dificuldade em infiltrarem-se nos tumores sólidos. Elas vão destruir muito bem as células cancerígenas que estão à sua proximidade, mas é necessário que elas consigam penetrar dentro dos tumores sólidos para matar todas as células cancerígenas, nomeadamente aquelas que estão mais profundamente dentro dos tumores. No passado, nós desenvolvemos uma molécula chamada Redaporfin, que foi licenciada a uma empresa, a Lusitane, que fez ensaios clínicos, aliás, com bastante sucesso, no cancro de cabeça e pescoço. E o que nós aprendemos desse primeiro desenvolvimento, foi que para tornar o processo mais eficaz, tínhamos que ser capazes de colocar mais moléculas dentro dos tumores. E que era mais fácil fazer isso se as moléculas fossem mais pequenas. E aquilo que nós agora propomos é uma nova molécula, que tem mais ou menos metade do tamanho da molécula que foi utilizada pela Lusitane, chamada Redaporfin, e que consequentemente tem muito maior eficácia. Nós já estávamos muito satisfeitos com os resultados da Redaporfin, que foram obtidos pela Lusitane, e a expectativa que agora está criada e comprovada com estudos em animais, é de que a nova molécula seja francamente muito mais potente, muito mais capaz de destruir todas as células cancerígenas dentro dos tumores.
Ou seja, neste momento ainda estão em fase de estudos e de testes. Era para tentar saber se já têm alguma previsão de quando é que poderá começar a ser utilizada em doentes oncológicos e a ser desenvolvida em medicamentos, também.
Sim. A nossa expectativa é que seja possível, obviamente, em colaboração com a indústria farmacêutica e com investidores, iniciar ensaios clínicos dentro de um ano. Neste período de um ano, nós vamos necessitar ainda de fazer alguns estudos para verificar que a molécula é completamente segura, que não tem efeitos de toxicidade, mas esperamos que dentro de um ano seja possível iniciar o ensaio clínico. Esses ensaios clínicos tipicamente demoram três a quatro anos até ser possível tirar conclusões sobre as vantagens que eles oferecem relativamente aos tratamentos já existentes. E se verificarmos no ensaio clínico aquilo que nós estamos a verificar nos estudos com animais, que foram já publicados, estamos convencidos de que dentro de quatro, cinco anos, será possível ter esta molécula na clínica a tratar doentes oncológicos.