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Está em direto neste jornal o presidente do conselho de administração da Transtejo Soflusa. Rui Rei, bom dia, obrigada por estar conosco. A primeira pergunta vai precisamente no sentido de perceber qual é o impacto, se é que existe, nestas primeiras horas da manhã, da greve geral nos barcos.

Bom dia, muito obrigado pela vossa atenção e preocupação. Nós estamos conseguindo fazer a operação e dar serviço de transporte público de passageiros, que é essa a razão da nossa existência. Infelizmente, o tribunal arbitral não decretou serviços mínimos. Vejam, pasme-se, que quem avaliou esta situação diz que a passagem fluvial não é alternativa. Deviam estar aqui hoje de manhã a olhar à passagem de milhares de pessoas em Cacilhas, porque estamos a fazer essa passagem em Cacilhas. Vamos oferecer também transporte no Seixal e no Montijo. Portanto, nós estamos a fazer o nosso serviço, agradecemos aos nossos colegas, aos nossos trabalhadores que estão a fazer e que não se deixam envolver por situações que não nos dizem respeito. A bem da verdade, o que nos diz respeito é o transporte público e o direito à liberdade que as pessoas têm de ir trabalhar, se assim entenderem que o devem fazer.

Mas está a dizer que não há serviços suspensos, não há ligações que estão suspensas. Há algumas.

Nós temos ligações neste momento que não estão. Há uma ligação no Barreiro que neste momento não está a ser feita. Estamos a avaliar em que circunstâncias podemos ou não ainda retomar esse serviço. Mas retirando essa ligação, em todas as outras, estamos a dar oferta de serviço público, podem consultar no nosso site. A nossa segunda maior operação, que é Cacilhas, está a funcionar praticamente dentro da normalidade, e estamos a dar oferta. Basta ver os milhares de pessoas que já passaram hoje de manhã, que continuam a passar nessa ligação entre a Transtejo Soflusa e o Metro Sul do Tejo, que também está a funcionar. Portanto, nós recusamos que não se possa dar serviço público de transporte de passageiros e, obviamente, que desafiamos a que se faça a alteração deste modelo de conivência nas decisões, que não beneficiam ninguém. Muito pelo contrário, prejudicam a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses. E, portanto, do nosso ponto de vista, é inaceitável este sistema tal como está montado. E é preciso dizer, o rei vai nu. Quer dizer, este sistema não serve a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses.

Rui Rei está muito crítico da decisão do tribunal arbitral de não decretar os serviços mínimos nas ligações do Tejo. Isto significa que vai contestar a decisão?

Já contestamos ontem. Ou seja, já contestamos ontem. É pena é que os portugueses não tenham conhecimento e não tenham assistido àquela reunião.

O que aconteceu na reunião que os portugueses precisavam saber?

É uma reunião deplorável. O que ali se passou é absolutamente deplorável. O senhor que foi responsável por essa avaliação, não fez uma declaração de interesses, devia ter feito uma declaração de interesses, porque o seu julgamento é um julgamento de uma pessoa que vive na estratosfera, vive em outro planeta. E havia lá também uma outra pessoa responsável e dos sindicatos, que teve a ousadia de dizer que nas embarcações do Tejo passavam três, quatro pessoas. Há aqui situações que os portugueses não sabem a forma como este tipo de regras se fazem. Como é que é possível dizer que se dá serviços mínimos à Carris para que os cidadãos possam ir ao hospital e não se dá serviços mínimos à Transtejo Soflusa numa travessia absolutamente vital na esmagadora maioria das ligações que temos? Basta-se aqui a Cacilhas ou outros pontos para ver os milhares de pessoas que atravessam. E os milhares de pessoas que um conjunto de entidades em Portugal dizem defender. Pessoas que vão pôr a cidade a trabalhar, pessoas humildes, pessoas com dificuldades e que vêm aqui trabalhar. Portanto, isto do nosso ponto de vista é inaceitável. Nós temos que passar a outro nível. Nós estamos em 2026, no século XXI. Não estamos no século XIX.